FATAL como o destino…

Teatro da Academia do Instituto Politécnico de Viseu foi o grande vencedor do Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa 2012

O Teatro da Academia da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viseu arrecadou o Grande Prémio do 13º FATAL - Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, destinado a consagrar o melhor espetáculo designado pelo júri do certame.

Há dois anos, na sua anterior participação, já o Teatro da Academia ameaçara conquistar o grande prémio do festival arrecadando o "Prémio Fatal 2010 – Distinção do Público", destinado a consagrar o espetáculo melhor pontuado pelos espectadores.

A 13ª edição do FATAL, um dos maiores festivais de teatro do país, com organização da Reitoria da Universidade de Lisboa, estava destinada a ser a da glória do Teatro da Academia. Este foi também o ano em que a organização evocou os 50 anos da Crise Académica de 62, o movimento estudantil que marcou uma viragem na luta contra a ditadura. O FATAL ocupou vários espaços da capital, tendo subido ao palco 14 peças de teatro apresentadas pelos grupos de teatro universitário de vários pontos do país. Marcaram ainda presença no Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa 3 grupos de teatro internacionais, provenientes de Espanha.

A cerimónia na qual foram revelados ao público e aos grupos de teatro universitário participantes os vencedores decorreu no Clube Ferroviário, em Lisboa, no pretérito dia 25.

O Júri do FATAL 2012 deliberou atribuir a maior distinção "PRÉMIO FATAL 2012", galardão concedido ao melhor espetáculo apresentado no Festival, à peça "Woyzeck", de Georg Büchner, uma performance do Teatro da Academia da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viseu, com encenação de Jorge Fraga.

Segundo o júri, esta apresentação mostra "a compreensão do Teatro como obra de arte total, composto por várias dimensões, jamais podendo ser reduzido a uma só. Assim, foram explorados não só o importante trabalho dos atores, de que se registam algumas notáveis interpretações, mas também todo o trabalho plástico, o desenho de som e banda sonora, o desenho de luz, entre vários outros aspetos, todos relevantes. (...) Em suma, fez-se Teatro."

Um prémio justo e merecido, que distingue o trabalho e a dedicação, mas também o talento, o engenho e a criatividade do Teatro da Academia do Politécnico de Viseu no ano em que celebra o seu 20º Aniversário.

Celebremos então a dobrar. Um encore de felicitações. A honrosa conquista e o aniversário de um dos mais insignes grupos de teatro universitário português.

Parabéns a todos!

Teatro da Academia: Vinte Anos de Viagem (sinopse)

A criação do grupo Teatro da Academia remonta a 1992. Na altura, dois estudantes do Instituto Politécnico de Viseu endereçaram o convite ao Professor Jorge Fraga para a formação de um grupo de teatro no Instituto. Nesse mesmo ano foi criado o que viria a ser o seu primeiro espetáculo – "Hió!... Hió".

Na génese da sua criação a vontade de "viver o Teatro". Vontade esta que se tornou em identidade deste grupo de Teatro que integra alunos do Politécnico de Viseu. Hoje, o Teatro da Academia é um dos insignes embaixadores da cultura de toda uma vasta região e conta já no seu currículo com cerca de 20 produções, distribuídas por performances e espetáculos.

Woyzeck, a partir de Georg Büchner

"Em Woyzeck, muitas personagens são doentes. Woyzeck delira, o médico é um maníaco, e o capitão é um melancólico. Mas este ponto em comum só faz com que se distanciem irremediavelmente. Cada um é prisioneiro do seu próprio mal e por isso são, paradoxalmente, vítimas e carrascos. Em Büchner, esta tomada de consciência da natureza profunda do ‘mal’ numa mistura do trágico e do cómico, permite a aparição do humor como uma maneira de ver e como vingança sobre o trágico. O que nos é mostrado, num tom de caricatura grotesca e de simpatia pelos oprimidos, é que também os conceitos de ‘moral’ e ‘virtude’ são determinados socialmente". (in Revista FATAL, 2012)

* Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Viseu, 28 de maio de 2012

Joaquim Amaral

Gabinete de Comunicação e Relações Públicas do Instituto Politécnico de Viseu

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