A Língua Portuguesa nos nossos Meios de Comunicação Social

 

Elisabete Gonçalves

3º Ano do Curso de Comunicação Social

 

Hoje, como de costume, recebi o meu jornal, pela manhã e ao verificar uma notícia que me interessava comecei a ler.

Não! Este meu artigo, que espero que seja breve, não é sobre a notícia que me suscitou curiosidade, mas sim, sobre o facto de a língua portuguesa, grande património de uma sociedade e de uma cultura não estar a ser bem empregue.

Acho necessário dizer que todos os exemplos que aqui apresentarei têm fundamento real e foram recolhidos, sobretudo, nos órgãos de comunicação social, mas evitarei (por motivos óbvios) indicar essas fontes. Na minha opinião, o importante não é acusar a ou b, mas mostrar o que não está bem e, nesse caso, tentar corrigir. Este parece-me um dos melhores meios para que se difunda a língua portuguesa tal como ela é.

Tenho, frequentemente, observado pessoas a falarem e a escreverem e, desta observação, posso concluir que usos menos correctos da língua portuguesa são cada vez mais habituais.

Voltando ao assunto do "meu jornal", o que mais me chocou (ou talvez não) foi ter visto uma frase, na qual as concordâncias entre o substantivo e o adjectivo em causa não estavam empregues da melhor forma. Talvez, quem for ler este meu artigo, pense que esse tal erro tenha sido causado pela carência de tempo para escrever as notícias, mas tenho as minhas dúvidas.

Quem vai para a redacção de um órgão de informação tem de estar preparado para assumir as suas responsabilidades. Para isso, deve preparar cuidadosamente o que vai ler ou escrever. Estudo e humildade é o que se deve preconizar contra o mau que se ouve e contra o péssimo que se escreve.

Mas, o que foi que li de tão aberrante? Perguntam-me vocês...

Exactamente isto: "Um dos edifícios mais alto da região centro que..." (alto deveria estar no plural).

São poucas as pessoas que se habituaram ao correcto uso da locução um dos que, com o verbo no plural ou, neste caso, com o adjectivo no plural. Vejamos estes exemplos ouvidos (ou lidos) já nem sei onde:

- "um dos membros que permitirá..." (por permitirão)

- "um dos partidos que integra..." (por integram)

- "um dos que constitui..." (por constituem)

O sujeito de cada um dos verbos em causa não é um (dos que), mas os (um dos que): trata-se de pessoa ou coisa que se pretende assinalar de entre as que praticaram determinado acto.

Mas, existem muitos outros exemplos, até demais para meu desagrado, não os citarei todos, pois sei, que se o fizesse, não mais acabaria este texto.

Há dias, ouvi um colega meu dizer para outro: (u) táva pir lá ôtai" ( isto é: eu estava para ir lá ontem); ouvi também, de alguém bem conceituado dizer: Iropa (= Europa). Isto acontece bastante vezes no nosso quotidiano, mas geralmente não nos apercebemos. Até na televisão e na rádio, a língua portuguesa sofre pela sua fonética. Exemplos como: " Voltaremos com más (= mais) notícias às vinte horas"; "metrologia" (= meteorologia); etc..

O mal destes casos não está em pronunciar diferente, não está em usar um ou outro estrangeirismo, mas sim, falar foneticamente mal, o que poderá induzir em erro pessoas com menos formação escolar ou intelectual.

As acusações contra a rádio, a televisão e a imprensa não faltam. Nas duas primeiras, deveríamos convencer os locutores, por exemplo, de que os plurais de júnior e de sénior são juniores e seniores (com acentos tónicos nos oo), e aos profissionais de todos estes meios de difusão de informação deviam expulsar também, por exemplo, esse incrível aborto que é Jugoslávia, quando a forma correcta é Iugoslávia, como se usa no Brasil.

Para acabar, lembro que em certas escolas e universidades existem cadeiras com o nome de Língua e Literatura Francesa, Língua e Literatura Inglesa, Língua e Cultura Alemã, Língua e Cultura Portuguesa, etc., denominações erróneas, ainda mais condenáveis por serem oficiais e, por vezes, por estarem presentes numa Faculdade de Letras...

O exemplo a seguir é o que se faz na Universidade de Santiago de Compostela onde, como reli há dias, existe "la cátedra de Lengua y Literatura Gallegas". Muito bem, no plural!

Terminei por citar exemplos que não correspondem unicamente aos mass media, mas fiz essa escolha para o facto de melhor ilustrar os erros que se cometem na língua portuguesa, tanto na escrita como na oralidade.

 

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