TELEDEPENDÊNCIA

Ana Lúcia Loureiro

1º Ano do Curso de Comunicação Social

 

Em meados deste século toda a Humanidade recebeu de bom grado essa nova tecnologia do Homem moderno, " a caixa que mudou o mundo" - a televisão.

Essa caixinha de forma geométrica, considerada mágica, cheia de botões, passou a ser o centro das atenções e continua a sê-lo. De tal forma se tornou atraente, que nas últimas décadas tem sido alvo de preocupações por parte de pais e especialistas. Recorde-se a polémica sobre a série televisiva "Dragon Ball Z", em que pais e psicólogos eram unânimes em afirmar que o referido programa era prejudicial ao desenvolvimento intelectual da criança, que tinha cada vez mais dificuldade em expressar-se sobre o que acabara de visualizar.

Um pequeno ecrã e um lugar confortável, constituem, actualmente, as delícias de qualquer criança. Abandonam tudo e "colam-se" à T.V. horas a fio, muitas vezes sujeitando-se voluntariamente à passagem de imagens violentas e fictícias, que em nada podem contribuir para a sua aprendizagem.

Se é verdade que determinados filmes passam a horas que são (ou deviam ser) inacessíveis para as crianças, é também verdade que esta faixa etária não ocupa isoladamente o vértice mais alto da pirâmide de risco. Os adolescentes, que lutam pela sua independência e não admitem sequer que as pessoas mais velhas lhes ordenem o que quer que seja, esses sim são os verdadeiros teledependentes.

A excitação provocada pelo filme que passara na noite anterior, gera, na maior parte dos casos, pouca motivação para o estudo. É compreensível, pois enquanto este estado de espírito permanecer, tudo em redor se assemelha àquelas imagens vistas com tanta emoção, portanto a concentração e penetração no estudo é quase impossível. Consequentemente somos confrontados com a subida desenfreada do insucesso escolar e sucessivas lamentações dos pais procurando a causa desse insucesso.

Mas o assunto toma dimensões maiores quando chegam ao público os assustadores resultados dos estudos efectuados. Saiba-se, por exemplo, que existem dados concretos que nos dizem que nos E.U.A. quase metade dos suicídios decorridos na adolescência se devem a alguns programas televisivos.

Questiono-me sobre quais serão as ambições desta sociedade teledependente, em que pressionamos um botão e aparece-nos um sonho, que até então era apenas fruto da mente. Agora aparece-nos ali, frente aos nossos olhos, tão fácil de conquistar.

Por este andar, onde vamos parar? Será que daqui a meio século temos uma sociedade sem metas a atingir (o que aliás já se começa a verificar)? Cada vez mais corremos o risco de empobrecer o planeta, limitando-nos tão somente a viver influenciados por um aparelho, que veio devassar a privacidade pessoal e social.

Acordemos! Acordemos enquanto é tempo! A televisão, sim senhor, pois que exista! Apesar de tudo, todos lhe reconhecemos os inegáveis benefícios informativos, culturais e lúdicos. Contudo, não nos esqueçamos que antes dela o ser humano já existia e sem ela sempre desenvolveu as suas capacidades Não caiamos na grande asneira do relaxamento total e condução pelo aparelho, que, afinal, foi o Homem que o criou.

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