4 boas razões para não ser teledependente

 

Silvério Pinto

1º Ano do Curso de Comunicação Social

 

"Televisão" é um termo sobejamente conhecido. Todos sabemos o que é a televisão, qual o papel que desempenha nas sociedades modernas desenvolvidas mas, peca muito boa gente por não ter uma noção dos efeitos potencialmente nefastos de uma exposição incontrolada, quando muitos, muitas vezes, se "plantam" frente a um ecrã e de lá não saem muito com o receio de "secarem". É a teledependência em todas as suas variantes. Com toda esta exposição podem estar a expor-se a um estilo de vida que lhes limitará, mais tarde ou mais cedo, o ângulo da sua vivência, sujeitos que estejam às limitações deste meio de comunicação e não só. Dentre as limitações inerentes ao meio televisivo podemos, a título de exemplo, mencionar três exemplos.

A televisão está mais vocacionada para a competição visto esta envolver conflito, vitória, desejo, derrota. A cooperação, porque não envolve estas facetas, perde o interesse. Assuntos breves, com início e fim bem definidos, são mais fáceis de transmitir do que assuntos extensos e multifacetados. Concluir sobre um assunto torna-se mais prático para quem o faz do que desenvolver o mesmo. E, ao contrário da não-violência, a violência e a guerra proporcionam bons momentos do ponto de vista televisivo, dando uma imagem negativista da realidade.

Estas, assim como outras, podem ser razões válidas para conscientemente (na medida do possível) decidirmos individualmente o que iremos ver. Porém, quatro argumentos defendidos pelo escritor Jerry Mander poderão dar-nos uma melhor visão da proposta.

Primeiro, ao passarmos a viver em ambientes completamente artificiais, corremos o risco de romper o nosso contacto directo com o planeta, alterando-se o nosso conhecimento do mesmo. Há também a possibilidade de construção de realidades arbitrárias. Neste contexto, a televisão acelera grandemente o problema. Depois, sabemos que não é por acaso que a televisão é controlada por um punhado de conglomerados comerciais. Porque sempre foi vista acima de tudo como um negócio. Há interesses por parte dos dirigentes, tendo estes levado a cabo uma conspiração de factores tecnológicos e económicos que continua hoje. A televisão tem provocado reacções neurológicas e fisiológicas nos espectadores. Pode e tem criado doenças, confusão e submissão a um mundo externo de imagens. Dá-se um condicionamento necessário ao controlo autocrático. Por fim, o autor concluiu dizendo que a tecnologia televisiva predetermina os limites do conteúdo a transmitir. Existe informação integralmente transmitida, parcialmente transmitida e até informação que poderia ser transmitida mas que, por um motivo ou outro, não o é. A informação que passa para o ecrã é adaptada às intenções de quem controla os meios para fins comerciais.

Após estas pistas para a descoberta a fundo desta possibilidade interpretativa, há que ponderar os prós e os contras do actual estado da televisão. Qual deve ser a verdadeira missão da televisão? É mesmo um bem tão necessário? Deveremos ter a preocupação de ter opinião própria sobre os assuntos que realmente nos interessam, sem sermos levados para o ponto a que a televisão muitas vezes pretende confluir a opinião do público a que se dirige, em relação à concepção do mundo que o rodeia.

Acabar com a televisão está fora de questão.

A consciencialização para os riscos que ela envolve deve estar na ordem do dia. Que mais não podemos fazer que agir por nós mesmos.

 

«« SUMÁRIO