As Inquietantes Contradições:

Modernidade na Educação tem Memória de Séculos!...

 

Ana Luísa Silva

2º ano do Curso de Português/Francês

 

O Homem tem procurado, desde sempre, um sentido para a sua existência e para o seu futuro! O direito de sonhar e de usufruir um porvir sem incertezas levam-no, na transição do século, a formular várias questões, na esperança de que estas conduzam à regeneração da sociedade planetária, e constituam fundamentos para que se interpele, mobilize e recupere a vontade, a responsabilização e o prestígio de acção dos decisores políticos, no sentido de que preparem e assentem os pilares de uma nova ordem. Não uma ordem firmada na supremacia do "urgente", na exaltação do que é "efémero" e "mundano". Mas, uma ordem que, aprofundando a democracia e prospectando a cidadania, permita o desenvolvimento dos sentimentos afectivos e solidários.

Partir! Partir em busca de um mundo melhor, eis o sonho que há séculos faz correr os portugueses, em geral e os ilhéus em particular.

São feitios! – dizem uns. Um defeito! – clamam outros. Perspectivas. – digo eu. No fundo tudo tem a ver com o desejo legítimo de melhorar de vida. E o que é certo é que somos um povo de acção, basta olhar para o nosso folclore e os exemplos não faltam: fandango, corridinho, pezinho da vila, os próprios nomes das danças têm em consideração uma necessidade de mexer os pés e, na maior parte delas, eles mexem-se bem depressa. Mas, no que concerne à educação, o nosso país tem de dançar um bom corridinho, para tentar melhorar a situação degradante em que se encontra.

Antigamente dizia-se, e bem, que o tempo era o grande mestre da vida. E que a história narrava os acontecimentos ou factos sociais, económicos, políticos, culturais, etc., dignos de memória. Mas, com a globalização do mercado e a exaltação teológica da novidade e do jovial, os conceitos tradicionais, do conhecimento e da experiência e sabedoria dos mais velhos entraram em crise.

Para se ter uma ideia concreta e conceptual da vida estudantil, devo referir, que o estudante não possui apenas as propinas como única despesa "indispensável". As estimativas apontam para que os cerca de 21 mil alunos do ensino superior, público e privado, deslocados da sua cidade natal, gastam anualmente 5,6 milhões de contos com despesas de habitação. No entanto, segundo um estudo realizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, apenas são declarados às finanças 1,4 milhões de contos, isto é, 25 por cento. Como pode assim o homem permanecer impávido e sereno?

Rousseau, célebre pensador francês, afirmou uma vez que o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe. Sendo uma frase como tantas outras, perde o seu sentido quando deslocada do seu contexto, mas ganha-o quando aplicada no espaço e no tempo correctos e adequados. Provavelmente, isto é mais uma presunção minha do que uma dissertação lógica e racional, mas o que "não passa de revoltas" apenas pode ser sinónimo de mudança e nunca de confronto pessoal e/ou institucional. Há que compreender que os discursos não fazem vidas felizes.

Aparentemente, perdida neste labirinto de valores, vou descobrindo que a vida é tristemente alegre e que todos os obstáculos são etapas de uma viagem sem retorno!?... É fácil mentir para se fugir a uma ou mais responsabilidades, mas o que é mais difícil de fazer é admitir que se está errado. Estarei eu errada ao dizer estas palavras? Fica ao vosso critério.

 

Mais uma vez, consciente da teia de ideias que vou criando, prossigo confiante e reitero a ideia de que deveria haver uma "reciclagem de ideias e de valores" dos nossos políticos para que as palavras não tomassem o rumo da nulidade, mas, sim da utilidade.

Nos tempos que correm, é difícil poder criticar algo ou alguém visto que tudo é tão facilmente aceite e que qualquer crítica, por melhor fundamentada que esteja, perde sentido nesta New Wave do milénio. Sem me dar como derrotada, vou desistindo progressivamente de tentar entender uma educação, um mundo que não quer ou não deve ser mudado. Esta minha decisão ou ideia poderá, mais uma vez e entre muitas outras, não conseguir encontrar um lugar e um momento exactos para se fazer ouvir, mas lá vou tentando... Esqueçam as vaidades e os caprichos, pois a "fama" vem sem ser necessário politiquices nem malandrices!

Mas, atentemos, também, à aprovação do governo de um pretenso Instituto Universitário de Viseu, integrado na Universidade de Aveiro. Esta decisão do governo constitui uma afronta inqualificável ao Instituto Politécnico de Viseu e a todos os Institutos Politécnicos do país, contrariando a lei de Ordenamento e Organização do Ensino Superior, que a Assembleia da República aprovou, por proposta do governo.

Independentemente de outros problemas, acima de tudo, estes factos constituem um grave esbanjamento de dinheiros públicos, no momento em que o mesmo governo afirma, constantemente e simultaneamente, que existem instituições e cursos de ensino superior em excesso e que o financiamento do ensino superior não pode continuar a aumentar.

Por isso, será saudável e louvável que governantes, educadores e educandos se preocupem com oportunas medidas de regeneração educativa. Até para que se recupere a imagem positiva, que pretendemos dar, de sermos um país civilizado.

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