Aristides de Sousa Mendes

Um Defensor dos Direitos Humanos

Rute Basílio

3º ano do Curso de Comunicação Social

 

Decorreu no dia vinte e quatro de Maio de 2001 um conjunto de palestras no auditório da Escola Superior de Educação subordinadas ao tema "Aristides de Sousa Mendes – Um Defensor dos Direitos Humanos".

Estiveram presentes, nesta iniciativa, diversas personalidades da Escola e cito: o senhor Presidente do Instituto Politécnico de Viseu, Professor Doutor Pedro Antas de Barros, o senhor Professor Doutor Alberto Vara Branco, Presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Educação e o Doutor Luís Miguel Oliveira de Barros Cardoso, moderador das palestras; bem como personalidades da cidade: o senhor Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Viseu e uma representante do Governo Civil da cidade. Há, ainda, a referir, a presença de coordenadores e organizadores do evento, da Doutora Maria de Jesus Barroso, Presidente da Fundação Aristides de Sousa Mendes e do Major Álvaro Sousa Mendes e de António Pedro de Sousa Mendes, netos do homenageado.

A sessão teve início por volta das catorze horas e trinta minutos, altura em que se assistiu a uma representação teatral, "Aristides de Sousa Mendes – Uma Figura Notável na História da Humanidade", interpretada por um grupo de alunos da Escola Básica Integrada Aristides de Sousa Mendes, retratando fielmente a sua vida e os feitos heróicos que realizou durante a Segunda Guerra Mundial e numa altura em que se viviam em Portugal momentos particularmente difíceis.

A primeira intervenção da tarde, "Aristides de Sousa Mendes – Uma Figura Notável na História da Humanidade", esteve a cargo da Doutora Luísa Caetano, uma das responsáveis pela organização do evento, seguida pelo Professor Doutor Avantino Beleza que, retratou factos relativos à Segunda Guerra Mundial, focando principalmente o horror do Holocausto e da perseguição nazi aos judeus, subordinado ao tema "Os judeus e o Holocausto." A Doutora Ester Vagas, docente na Escola Superior de Educação de Viseu, fez a terceira intervenção dissertando sobre o tema "Um Homem para a Eternidade".

O encerramento da sessão esteve a cargo da Doutora Maria de Jesus Barroso, antecedida pelas intervenções do Doutor Luís Fidalgo e do Major Álvaro de Sousa Mendes com uma intervenção intitulada "Sousa Mendes – Um Defensor dos Direitos Humanos". António Pedro de Sousa Mendes também proferiu algumas palavras emotivas acerca de seu avô e, em último lugar, o Professor Doutor João Pedro Antas de Barros teceu um conjunto de considerações relativas ao mérito da iniciativa.

Destas palestras, eleva-se a memória de um homem que fez tudo o que pôde e tudo aquilo que parecia não estar ao seu alcance para ajudar o seu semelhante, não olhando a credos, raças ou estatutos sociais. Aristides, como cônsul de Portugal em Bordéus, não poderia ficar alheio ao genocídio nazi que se desenrolara à sua volta, nem tão pouco poderia negar ajuda aos que o solicitavam. Agiu, então, de sua livre e espontânea vontade, acreditando que o seu acto era um acto de justiça para com aqueles que eram perseguidos. Agiu em plena consciência, assinando vistos de entrada em Portugal a cerca de trinta mil pessoas, um terço eram judeus, com a ajuda de sua mulher Angelina e dos filhos que os preenchiam. Tudo isto, tendo em consideração de que estava a violar ordens expressas do governo de Salazar que o proibira. Muitos destes refugiados anónimos permaneceram em sua casa, situada em Cabanas de Viriato e também altas individualidades das casas reais europeias.

Após esta ousadia, considerada traição pelo regime salazarista, Aristides foi destituído do cargo e ordenado o seu regresso imediato a Portugal.

Seria suspenso da actividade diplomática e da advocacia durante o período de um ano, após o qual se reformaria. Mas tal nunca aconteceu. Sousa Mendes morreu na miséria vivendo da sopa dos pobres em Lisboa, juntamente com a sua filha e sobrevivendo da caridade e da ajuda de alguns amigos.

Não se consegue compreender como é que, apenas nos finais da década de oitenta, se reavivou a memória deste homem extraordinário e dos seus gloriosos actos, através de condecorações e homenagens póstumas do mais alto nível mas de quem tão pouco se fala, após ter sofrido tantas atrocidades.

Lamentável é, igualmente, o estado de degradação a que o seu património chegou: votado ao abandono! No entanto, no ano 2000, foi finalmente criada a Fundação Aristides de Sousa Mendes, cuja presidente é a Doutora Maria de Jesus Barroso. Esta fundação, após a aquisição da casa de família de Sousa Mendes em Cabanas de Viriato, tem como principal objectivo a criação de uma Casa-Museu naquele espaço, na qual possa dar a conhecer aos jovens e aos portugueses em geral, nomeadamente, às gerações vindouras a obra deste humanista que sacrificou o bem-estar da sua família e arriscou a sua vida para salvar trinta mil almas do holocausto nazi. Outro dos objectivos é continuar a efectuar palestras e divulgar nas escolas e noutros locais, esta figura referida como um homem do mundo e não apenas um português e cabanense que teve a ousadia de seguir os seus sentimentos, contrariando as ordens do regime salazarista.

A Aristides de Sousa Mendes, devemos os valores de generosidade, de fraternidade e lealdade perante o nosso semelhante. Foi esta a mensagem marcante deste dia de confraternização e, sobretudo, de homenagem a um grande herói da Humanidade: Aristides de Sousa Mendes que parece continuar esquecido nos livros de História e neste período conturbado da História de Portugal.

Que esta figura sirva de exemplo para todos nós, de modo a que não se repita um novo holocausto na história da Humanidade.

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