NO TEMPO EM QUE NÃO HAVIA ERASMUS
Vasco Oliveira e Cunha
Vice Presidente do ISPV
Nos anos 50 e 60 não havia Erasmus. Nem Leonardo. Não havia Sócrates. Para o estudante universitário, o estrangeiro era a aventura por conta própria. Em campos de trabalho, com todo o rigor da organização, da programação, dos custos e dos ganhos. Experimentei Londres em 58, num mercado abastecedor de frutas e de legumes no East End, bem próximo de Liverpool Street. Não gostei! Privilegiei, depois, o assumir de todos os riscos, eu mesmo definindo em cada momento o que queria ou não queria, criando a possibilidade de me deixar guiar pela minha própria anarquia.
Em 59, foi Köln, Colónia, deixando para trás as lágrimas de minha mãe e as suas palavras, meio conselho, meio aviso: A guerra ainda só acabou ontem!
Para além de uma mala, o dinheiro para um mês de sobrevivência e o bilhete de ida e volta – Mangualde – Colónia – Mangualde. Uma aventura e tanto!, como bem cedo vim a descobrir, cumprindo as palavras de meu avô paterno, pessoa entendida nas coisas do mundo. Pela experiência ganha em viagens sem conto.
Na minha cabeça fervilhava o preconceito contra a Alemanha e contra os alemães, atropelavam-se números e factos, mais de 50 milhões de mortos no conflito; Ialta1 e Postdam2 e a fixação de fronteiras e de zonas de ocupação; a expulsão dos alemães da Polónia, da Hungria e da Checoslováquia; a criação de condições para o equilíbrio do terror; o julgamento dos vivos e dos mortos em Nürnberg, em Nuremberga, em 46, mas não os crimes de Hiroshima e de Nagasaki; os 17 biliões de dólares do Plano Marshall3 para a reconstrução da Europa e o escoamento da superprodução americana. A NATO e a OECE, a Organização para a Cooperação e a Economia, viriam depois. O habitual. Tudo para deter o "perigo vermelho" do Leste. Passara a haver duas Europas: a boa e a má.
Ainda consegui encontrar nela espaço para armazenar quatro grandes motivações: arranjar trabalho, encontrar-me com a Catedral; subir o Reno até Sankt Goarshausen para ver a Lorelei de Brentano4 e de Heine5 e ouvir o seu canto de enfeitiçamento; experimentar um longo banho de imersão na linguagem do dia-a-dia, alternativa para a prática universitária sem vida, corrente na época – a tradução formal de contos de Torga, de Archer, e de outros, para alemão, e do Der 35.Mai, de Erich Kästner6 , para português.
Nas minhas peregrinações de verão seguir-se-iam Manchester e Liverpool, em 60, Düsseldorf e Dortmund, em 61, o ano do Muro, da Muralha de Protecção, como seria designado na R.D.A., Heidelberg e Frankfurt-am-Main, em 62.
Depois, tornei-me professor. Até hoje. Ininterruptamente.
O Reno e as suas cidades sempre constituíram para mim uma atracção irresistível. Sabia de cor os seus nomes. Do Lago Constança até à foz, em Roterdão. Das que se erguem nas margens, ou muito perto delas: Schaffhausen, Basel, Strasbourg, Karlsruhe, Mannheim, Bonn, Koblenz, Duisburg. Entre tantas outras. Mas Colónia era a minha eleita. Pela sua história. Pela destruição massiva de 427 .
Originariamente, a Cidade dos Úbios, tribo germânica, a Oppidum Ubiorum, como os romanos lhe chamaram, o seu nome alterou-se ao ritmo da história: Ara Ubiorum dos conquistadores do sul, rectângulo muralhado que o imperador Cláudio rebaptizou de Colonia Claudia Ara Agrippinensium, em honra de sua mulher; Köln, finalmente, monossílabo com origem na energia do acento de intensidade germânico.
Colónia, capturada pelos francos no século IV; sede arcebispal por vontade de Carlos Magno; morada última de Alberto Magno8 , professor de S. Tomás de Aquino, e de Duns Escoto, o franciscano de Oxford, a crença no livre arbítrio; Colónia, das torres gémeas da catedral gótica e do Kaisersglocke, o sino do imperador, fundido a partir de um velho canhão francês capturado na guerra franco-prussiana9 . Colónia, cidade universitária desde 1388, os escolares alemães abandonando a universidade de Paris por não quererem obedecer ao papa de Avinhão; Colónia, a maior cidade germânica da Idade Média, labiríntica, sinuosa, eixo fundamental da Liga Hanseática10 , com ela declinando no século XVI; Colónia, onde em 1536 ficou esboçada a reforma da Igreja Católica que viria a operar-se no Concílio de Trento, vinte e sete anos após; Colónia, das festas incomparáveis de Segunda-Feira Gorda, das manufacturas, da metalurgia e dos automóveis, da química, dos têxteis e dos fármacos, dos chocolates e dos perfumes; Colónia, das bombas incendiárias e das explosivas, das minas aéreas dos mil bombardeiros da R.A.F.11 ; de bairros inteiros reduzidos a escombros de pesadelo, cavernas profundas, intermináveis; de montanhas de entulho soterrando homens, mulheres, crianças. Pessoas como nós. Gente que o nazismo pervertera e gente que a ele se opusera; Colónia, a cidade belíssima ainda privada da sua pureza primitiva.
Naquela tarde de meados de Julho de 59, quando deixei a Hauptbahnhof, a Estação Central de Caminhos de Ferro, a ponte Hohenzollern, junto da Catedral, erguia-se como a mais bela silhueta da cidade.
Nos primeiros tempos deambulei por ruas tenebrosas, cinzentas e tristes da periferia e do casco medieval, pela Ringstrae12 , paradas de ruínas esqueléticas, fantasmagóricas, de casas escalavradas, bolorentas, relíquias de um tempo de decadência e de trevas, de hinos à noite, a minha iniciação aos horrores da guerra; por Avenidas dos Despejos, Alamedas dos Vasadouros, Largos dos Canos de Esgoto, pelos Champs-Ruinés, por lixo escombros porcaria Broadway, na linguagem de Borchert13 ; aventurei-me pelos subúrbios de Deutz e de Mülheim, na margem direita do rio, a reconstrução acelerada dos complexos industriais e dos bairros operários erguendo-se no meio da planura semeada de crateras dos bombardeamentos em Boppard14 e subi o Reno ao encontro dos vinhedos em socalcos e das ruínas de castelos medievais – Liebenstein, Gutenfels, Pfalzgrafenstein, Ehrenfels, o rochedo da Lorelei; provei vinho em Oberwesel; iniciei-me nas escolas de pintura que proliferaram e deram fama à cidade desde quatrocentos; extasiei-me no Museu com a Anunciação, muito próxima da miniatura, os fundos de ouro lavrado e a ingénua ingenuidade da interpretação original das Escrituras Santas; com o misticismo da Chegada da Santa Úrsula, a cidade como pano de fundo da pintura; com a Adoração dos Magos, de Lochner15 , do século XV, a predilecção pelas armaduras e pelo azul profundo; com tantos outros mestres cujos nomes a minha memória já perdeu; encontrei-me com o gótico da catedral que fumegou mas não caiu; com a fachada soberba e as torres altivas, cento e setenta metros a caminho do céu, dominando a cidade inteira, quase toda a Renâmia, pensava eu, só a linguagem da poesia podendo ser fiel a tamanha criação – discurso memorável16 , expressão espontânea de sentimentos vigorosos17 , da imaginação18 , arte suprema e completa, pintura em movimento, música que pensa19 ; com o ouro do Relicário dos Três Magos, oferecido à cidade por Barbarrossa, em 116420 , e que atraía cada vez mais rebanhos de peregrinos; com o românico da Igreja dos Santos Apóstolos, preservada dos bombardeamentos, e da Igreja de S. Martinho; com os vitrais de S. Cuniberto (séc. XIII), com a Rathaus, a Câmara Municipal, e a sua recuperação, da mesma idade; com o gótico da Klein Sankt Martin, no Quatermarkt, junto ao rio, da Antoniter Kirche (séc. XIV) e da Alt Sankt Alban, católica, e a reconstrução recente do templo dos séculos XIII e XIV.
Conheci gentes; fiz amigos; trabalhei num Biergarten, numa cervejaria, da Kolpingstrabe21 , graças à ajuda de Ernst Gruber, um pedagogo da Suábia22 que se havia instalado na cidade em 1952, alargando e aprofundando o meu alemão funcional por entre imperiais sem conto e sem medida, salsichas e salsichões, ovos de salmoura, hamburgers com mostarda, Kölscher Kaviar23 , Deutsche Mark e Pfennige24 das contas e dos trocos, o blá blá da euforia e das frustrações do 1.F.C. Köln nos jogos da Liga e as incontornáveis comparações com a mestria e o feito mítico de Fritz Walter, aquele do golo da vitória de Berna sobre a Hungria, em 195425 .
Acabei por ficar até meados de Outubro.
Era o tempo da luta pela prescrição dos crimes de guerra, da busca de um compromisso com o mundo, gente sem personalidade definida procurando instalar-se, afugentar o lamaçal das memórias, esquecer colaboracionismos, envolvimentos, aquietar consciências, viver a tranquilidade de uma vida sem sobressaltos, a subtracção a classificações, a convenções e a imposições morais, éticas e sociais, produto da desintegração total de valores que sempre conduz ao triunfo do objectivismo amoral e desumano que Broch já denunciara na sociedade alemã durante a I Guerra Mundial e no período que a precedeu26 .
Silenciava-se todo o conhecimento dos doutrinadores e intérpretes da violência, transferindo para a esfera das abstracções metafísicas ou meta-políticas as explicações do nacional-socialismo:
- o pensamento militar alemão da imbricação estreita do comando militar e da direcção política, e da inexistência de limites à utilização da violência na guerra27 ;
- a receita extremista dos discursos do Kaiser, do imperador, aos capacetes cinzento-esverdeados no cair do pano sobre o séc. XIX – quando chegardes à frente de batalha, já sabeis: perdão não vai haver, não serão feitos prisioneiros...28 ;
- a apologia e a demagogia de Feder29 , da construção de um Estado sem impostos, mas capaz de criar o bem estar do povo, o renascimento nacional assentando na expulsão de todos os judeus e de todos os estrangeiros da vida pública;
- a primazia do poder da nação sobre os ideais abstractos da verdade e da justiça, na concepção de Spengler30 ;
- as ideias de defesa da selecção rácica de Darré31 e da declaração de guerra de Rosenberg32 contra as confissões religiosas cristãs.
Calavam-se as afirmações expansionistas do Império, os ideais de conquista de um lugar ao sol, de um Lebensraum, de um espaço vital, para oferecer às necessidades de uma população em crescimento e abrir novos horizontes aos interesses económicos como garantia de uma participação activa na partilha do comércio mundial, a doutrina mítica e orgânica do Estado dominando o pensamento desde Fichte e Hegel, como se o Estado dispusesse de vontade própria, sobrepondo-se aos cidadãos e desligando-se das normas da moral e da ética nas relações com os outros Estados.
Combatiam-se todas as heresias. As de Darwin e as de Voltaire. As de Marx e as de Engels. A própria social-democracia era olhada de soslaio. Só o dinheiro não era herético!
Como se tudo tivesse sido apenas um pequeno incidente nas suas vidas; como se não se houvessem atafulhado os comboios de judeus e de opositores ao regime33 , transportando-os para onde o trabalho libertava (Arbeit Macht Frei), para Sachsenhausen, nos arredores de Berlim, para Auschwitz, Oranienburg, Treblinka, Dachau, Theresienstadt, Sobibor, e tantos outros nomes de morte e de vergonha, e de onde só se podia sair pelas chaminés dos fornos crematórios; como se judeus e opositores do nazismo não houvessem sido enterrados vivos em valas comuns; como se a história só tivesse começado depois da catástrofe; como se não tivesse havido estandartes empunhados por jovens vestidos de castanho, cânticos em uníssono celebrando a morte, as Bombas sobre Inglaterra e Lili Marleen, de Schulz34 , o estrondo de salvas de canhões; como se pudessem ignorar-se os exércitos de estropiados, florestas a perder de vista; como se die Unbekannte, a desconhecida, uma velha mulher que ninguém parecia conhecer, saia ampla e longa, azul, com florinhas vermelhas estampadas, cabelo louro desgrenhado, não cruzasse repetidamente as ruas, as praças e as pontes da cidade, ouvidos tapados para amortecerem o sibilar e o estrondear das bombas, fazendo emudecer vozes, suspender respirações, remoer consciências; como se em Mülheim, ali ao lado, um ex-soldado da Wehrmacht, do exército alemão, que serviu na Roménia, não saísse de casa a rastejar, como fazia nas trincheiras em volta de Ploiesti35 , pronto a disparar sobre o inimigo; como se milhões de fantasmas não vagueassem permanentemente pelos cantos e recantos da Alemanha, gente que a guerra matou mas se esqueceu de enterrar; como se...
Para o pedagogo meu amigo, depois de 45 instalara-se na Alemanha uma atmosfera mental asséptica, inodora, insípida, desenxabida, e uma ordem que KA36 garantia eternamente, sem aventuras. A escola, ensinando a submissão à divindade, a beleza da existência burguesa, a não contestação das condições de trabalho na fábrica; a juventude, refugiando-se na família, fechando-se à vida política. Era a opção quase generalizada pelo individualismo intenso, o recuo no horizonte humano. O eixo do mundo enferrujou, escrevera Yvan Goll, i.e., Isaac Lang, e os homens estão na miséria / prisioneiros nas profundezas de um submundo / em cidades de argamassa37 . E Brinkmann perguntava e decidia: Quem é que disse que a isto se chama vida? Eu retiro-me para outros tons de azul38 . O mesmo que Borchert: Mortos, estão todos mortos. Os velhos e os jovens39 .
Uma voz interior, profunda, iluminou-me a alma quando, no comboio para Paris, me mandaram abrir a bagagem. Recordei o pensamento e o sorriso de Heine no episódio fronteiriço de uma das suas inúmeras viagens de França para a sua Düsseldorf natal enquanto lhe remexiam a sua: O contrabando, as ideias da Revolução, levo-os na cabeça! Como o poeta, também eu transportava contrabandos esculpidos na minha mente. Mais fundamentais e perigosos ainda. Ao contrário dos alemães, eu estava vivo. Não tinha, como eles, as goelas roucas e ardentes dos gritos da opressão e da morte e a minha gramática era espontânea. Como dizia Borchert: chamava árvore a uma árvore e mulher a uma mulher. Sabia dizer sim e não. Alto e bom som, três vezes e sem conjuntiva!40
Bibliografia
1 A Conferência de Ialta, cidade da Ucrânia junto ao Mar Negro, teve lugar entre 4 e 11 de Fevereiro de 1945. Nela se fixou a fronteira entre a URSS e a Polónia e se estabeleceu a divisão da Alemanha e da Áustria em quatro zonas de ocupação cada uma. Em Berlim, que fora a capital do Reich, foram igualmente estabelecidas quatro zonas de ocupação aliada.
2
A Conferência de Potsdam, de Agosto de 1945, estabeleceu a linha Oder-Neisse como fronteira entre a Alemanha e a Polónia, legalizou a expulsão dos alemães da Hungria, da Polónia e da Checoslováquia e alargou a zona de influência da URSS aos países bálticos.3
George Marshall, Secretário de Estado norte-americano, anunciou ao mundo, em 5 de Junho de 1947, uma ajuda de dezassete biliões de dólares para a reconstrução da Europa.4
Clemens Brentano (1778-1842). No poema Lorelei, integrado em Violette, conto do romance Godwi (1801-1802), Brentano criou a lenda tecida em volta do rochedo da Lore Lay, junto de Bacharach, na margem direita do Reno.5
Heinrich Heine (Düsseldorf, 1797 – Paris, 1856). Poeta Romântico, admirador profundo dos ideais de liberdade da Revolução Francesa.6
Der 35.Mai oder Konrad reitet in die Südsee.7
A cidade foi bombardeada e quase inteiramente destruída na noite de 30/31 de Maio. Até Março de 1945, Colónia continuou a ser bombardeada. No final do conflito, mais de 90% do centro da cidade tinha sido destruído. A população passara de 800000 para apenas 40000 habitantes.8
Alberto Magno, teólogo e filósofo, foi professor de S. Tomás de Aquino em Paris. Aquino viria a seguir o mestre quando este viajou para a Alemanha para leccionar na Universidade de Colónia.9
1870-1871. A vitória de Bismarck sobre a França de Napoleão III, com a anexação da Alsácia e de uma parte da Lorena, foi decisiva para a unificação alemã conduzida pelo chanceler.10
Inicialmente uma associação de mercadores, a Liga transformou-se numa confederação de cidades comerciais liderada pelas das costas do Báltico. As cidades mais interiores, como Colónia, conseguiram fazer valer os seus direitos de navegação, de isenção de direitos aduaneiros.11
A Royal Air Force britânica.12
Uma rua de circunvalação do núcleo mais antigo da cidade.13
Wolfgang Borchert, Em frente da Porta, do Lado de Fora, Lisboa, Portugália Editora, s/ data, p. 43. Falando, embora, de Hamburgo, a situação podia generalizar-se a toda a Alemanha. Na tradução portuguesa aqui indicada, o título do original alemão, publicado em 1949, em Hamburgo, pela Rowohlt Verlag Gmbh, é referido como Drauen vor der Tür. Na verdade, o título é Drauen vor dem Tor.14
Pequena cidade medieval, na margem esquerda do Reno.15
Stephan Lochner, mestre da escola de Colónia (Meersburg, 1405-1415 – Colónia, 1541)16
W. H. Auden17
P. B. Shelley18
W. Wordsworth19
Deschamps20
Frederico Barbarrossa, imperador, o poder assumido como a continuação da autoridade, nunca interrompida, dos Césares de Roma.21
A rua Kölping, o nome do fundador da primeira associação de apoio a operários qualificados, explorados e, frequentemente, famintos e em greve.22
Mais precisamente, de Schwäbisch Gmünd, uma pequena cidade para leste de Stuttgart.23
Designação pomposa para o acompanhamento das canecas de Kölsch, uma cerveja leve com origem no século XV, meio frango com uma fatia grossa de pão centeio, queijo e mostarda ou, em alternativa, rodelas de cebola crua.24
O Deutsche Mark ou, abreviadamente, D-Mark, substituiu o antigo Reichsmark, a partir de 1948.25
Um golo que deu à Alemanha o título mundial de futebol.26
Herman Broch (1886-1951). Die Schlafwandler, trilogia dos romances Pasenow oder die Romantik; Esch oder die Anarchie; Huguenau, oder die Sachlichkeit, publicados entre 1930 e 1932.27
Karl von Clausewitz (1780-1831), teórico militar prussiano.28
In Günter Grass, O Meu Século, Lisboa, Editorial Notícias, 2001, p.9.29
Gottfried Feder (1883-1941). As suas fórmulas adequam-se à penetração do nazismo entre as massas da pequena burguesia arruinada pela guerra de 1914-1918 e pela inflação que se lhe seguiu.30
Oswald Spengler (1880-1936). Exaltador do destino heróico da Alemanha, e grande defensor do estilo prussiano e do pangermanismo.31
Richard Walter Darré (1895-1953). Jornalista, aderiu em 1929 ao partido nazi, tornando-se especialista em questões agrárias. Na sua teoria do Sangue e do Solo (Blut und Boden), identifica-se o sangue nórdico e o solo alemão.32
Alfred Rosenberg (1893-1946). O seu racismo preludiava também as peregrinações contra os judeus, na eterna luta entre a raça nórdica e a raça semítica.33
No Prefácio de Drauen vor dem Tor, escreveu Heinrich Böll, o romancista de Colónia, Prémio Nobel da Literatura em 1972: É necessário dizer aos jovens de 20 anos que eles não podem embrenhar-se na indiferença. Dizei-lhes que nos vagões vermelhos de sangue dos caminhos de ferro nazis se lia: seis cavalos ou quarenta homens, pp 10-11.34
Norbert Schulz, compositor alemão.35
Ploiesti – centro petrolífero romeno situado para Norte de Bucareste.36
K A – diminutivo para Konrad Adenauer, o chanceler da Alemanha entre 1949 e 1963. Tive a oportunidade de ver o dirigente alemão nos finais de Agosto de 1959, em Bonn, quando o general Eisenhower, então Presidente dos EUA, se deslocou à Alemanha.37
O Novo Orfeu. In Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, pp. 1313-1315.38
Rolf Dieter Brinkmann (1940-1975). Poema. In Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p. 1787.39
Dizia o jovem faminto no carro eléctrico: A minha mãe diz-me todas as manhãs para vestir o sobretudo, que estamos em Novembro. Mas ela já morreu há três anos! Op. cit. p.20.40Op. cit. p.144.