Cândida Pinto (SIC Notícias) no ISPV

Rita Agostinho

Vanda Cerqueira

2º ano do Curso de Comunicação Social

A Revolução francesa foi crucial, não só na instauração da Declaração Universal dos Direitos do Homem, mas também para a criação de conceitos como o de "civilização plural".

Para alguns, uma Revolução de outros tempos, para muitos um momento histórico com repercussões intemporais. Exemplo disso, são as inúmeras publicações de entre as quais se destaca a obra de Samuel Huntington, Choque das Civilizações, ponto de partida para debates como o levado a cabo na Aula Magna do I.S.P.V., intitulado "Diálogos de Civilizações".

Realizado no dia 15 de Abril de 2001, este colóquio proporcionou- nos não só uma visão do Ocidente, defendida pelo Prof. Dr. Freitas do Amaral, ex- presidente da Assembleia das Nações Unidas, como também a perspectiva do mundo Oriental apresentada pelo Iman David Munir.

Não menos válido e marcado pela credibilidade que lhe é conferida, o testemunho de Cândida Pinto possibilitou aos presentes uma visão imparcial dos acontecimentos.

Na sua viagem para o Afeganistão levava na bagagem os valores e ideologias de uma ocidental.

Sempre receptiva a tentar compreender porque é que o povo islâmico apreende certos comportamentos, foi- lhe particularmente difícil descortinar os sentimentos de uma mulher que usa burca.

Sem nunca ter de recorrer ao seu uso, Cândida Pinto via reflectido em quem a vestia, a perda da sua identidade enquanto ser social. Ideia reforçada quando observava os comportamentos distintos que as mesmas mulheres assumiam nas diferentes situações: quando protegidas pelo tecto da sala onde se reuniam para lutar pelos seus direitos, as mulheres afegãs prescindiam da burca, todavia, quando nos seus rostos tocava a leve brisa sentida nas ruas de Cabul voltavam a colocá-la, retomando a condição de submissão que lhe é conferida.

Através das suas palavras Cândida Pinto proporcionou à plateia uma viagem a uma galeria numa gruta no Sul do Afeganistão, por altura do 11 de Setembro. Ao dar inicio à longa caminhada que nos transportou às longínquas terras afegãs, a conceituada jornalista deu- nos a conhecer factos primordiais para a compreensão dos sentimentos dos seus ocupantes. No coração da gruta existia uma televisão sintonizada na CNN, que por esta altura transmitia a declaração de guerra do presidente Bush.

As palavras foram dualmente sentidas pelos presentes: por um lado a celebração das vitórias quer sobre o poderio militar, económico, político e até mesmo sobre os media; por outro era patente um medo do futuro marcado pela incerteza, sentimento comungado igualmente pelos ocidentais.

O atentado terrorista ao World Trade Center foi difundido à escala mundial através dos media, facto previamente delineado por quem o preparou.

Este ataque terrorista suscitou novos problemas, movas questões de reflexão e projectou actos terroristas a uma escala nunca outrora imaginada.

No Ocidente colocaram- se questões como: se este seria o início de um conflito a larga escala? A Europa também seria alvo de atentados?

Para Cândida Pinto, estas perguntas espelham a força da imagem que os media possuem. Através destas também é perceptível a força que os órgãos de comunicação social exercem sobre o seu público alvo, conseguindo lançar um sentimento de medo e vulnerabilidade que não era real.

À excepção da estação televisiva árabe Al Jazeera, as imagens que chegaram até nós deram-nos apenas a conhecer a visão americana e do mundo ocidental do problema. Consequentemente, a Al Jazeera "tornou-se a estrela do momento, era a porta voz de Cabul, a porta voz do mundo islâmico", como afirmou Cândida Pinto.

Nesta intervenção em que a jornalista reflectiu sobre as imagens transmitidas pelos media, ficou patente a influência que estas exercem sobre a opinião pública.

Em síntese, pode-se destacar a relevância desta iniciativa, não só no plano de estudos interculturais, mas também no âmbito do Curso de Comunicação Social, dado que permitiu o contacto com uma das mais conceituadas jornalistas portuguesas.

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