Comentário ao filme

AMERICAN HISTORY X

 

 

Carlos Santos

1º Ano do Curso de Comunicação Social

 

Em traços gerais, o filme American History X (América Proibída) procura evidenciar, com o decorrer dos acontecimentos, o lado mais forte do racismo exacerbado. Neste âmbito, a acção desenrola-se em torno de uma pacata família americana salientando, através de "flashbacks" entre o passado e o presente, episódios marcantes e decisivos para os membros dessa mesma família, nomeadamente para Derek (o filho mais velho) e para Danny (o filho mais novo). Notória, é também a relação que estes jovens estabelecem com uma terceira personagem (Cameron) e que vai condicionar o rumo das suas vidas, bem como o dos acontecimentos da história na sua globalidade.

Analisando o argumento um pouco mais ao pormenor, a acção centra-se na personalidade do jovem Derek (Edward Norton) e na sua exteriorização - o seu quotidiano citadino. A América que nos é exibida é um país contemporâneo, bastante heterogéneo, não só a nível racial, como também a nível de emigração. Como resultado, estamos na presença de uma nação que, apesar de ser uma enorme potência mundial, padece das mazelas causadas pelo êxodo africano e hispânico.

Em consequência desta situação, surgem desigualdades sociais, discrepâncias económicas e pequenos nichos de frustração individual.

É precisamente a frustração individual de Derek, um skinhead repleto de ódio e fúria por todos os que são diferentes de si, que vai fazer com que dedique a sua vida à brutalidade. A aversão a outras raças dispara com a morte do seu pai, altura em que ele estabelece como principio primordial da sua existência a supremacia branca perante as demais raças. Cameron, fazendo uso de um discurso persuasivo e com uma personalidade hipócrita e sem escrúpulos, era o mentor ideológico de muitos jovens e principalmente de Derek, dada a sua capacidade de liderança (do gang). Era com audácia e mestria que este guia se aproveitava da frustração das pessoas, principalmente as de personalidade mal formada, levando-as a transformar a sua terra num verdadeiro campo de batalha, tudo em prol do orgulho branco. Danny, um adolescente carente de alimento ideológico e que via no seu irmão mais velho um exemplo a seguir (através de atitudes impressionistas perante ele), foi presa fácil para Cameron.

Na sua viagem trágica pelo mundo do ódio, da raiva e da violência, Derek não escapará à prisão. Neste período de solidão, Derek aproveita para reflectir e para fazer uma retrospectiva ponderada da sua vida apercebendo-se, não só devido a atitudes erróneas daqueles que partilhávamos os seus ideais, mas fundamentalmente porque se mantinha vivo devido ao companheirismo de um negro, que podia ser um homem diferente. De facto, os condicionalismos e a realidade prisional fizeram desmoronar toda a estrutura do seu edifício mental. Derek, o skinhead que nunca tinha encontrado respostas para as suas perguntas, de súbito conclui que durante toda a sua vida tinha feito as perguntas erradas. O seu maior erro havia sido a generalização, ou seja, generalizar a toda a população diferente de si, os crimes que uns quantos negros ou hispânicos praticavam.

Três anos mais tarde, Derek é um homem mudado. Ao sair da prisão e, assente o princípio de que o ódio não tem razão de ser, Derek vai tentar ajudar o seu irmão, nesta altura, já um adolescente extremista e com ideias bem vincadas. De facto, era já tarde demais.

American History X é um drama profundo sobre as consequências do racismo, ou melhor, uma minuciosa análise do extremismo na América. O filme segue a frustração de um homem que vai ter de lutar contra os seus ideais para não colocar em perigo os seus laços.

Espantoso é o facto de um filme que foi considerado pela crítica americana como "magnífico", "arrebatador" e "tremendamente poderoso", não tenha sido recompensado na noite dos óscares. Perante um filme explosivo e onde Edward Norton tem uma representação brilhante, que terá acontecido aos senhores que controlam Hollywood? Muito provavelmente, a resposta a esta questão reside no facto desta produção abordar de forma desinibida um problema crónico e que a América ainda não arranjou forma de solucionar.

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