A GRANDE EXPANSÃO DA TELEVISÃO

 

Ana Lourenço, Elisabete Costa, Teresa Teixeira

3Ί Ano do Curso de Comunicação Social

 

Ao pretendermos estudar a televisão como meio (e suporte) de comunicação, surge a primeira reflexão sobre a forma e conteúdo deste meio difusor de uma cultura de massas.

Para Edgar Morin, é a cultura "produzida segundo as normas maciças da fabricação industrial; espalhada pelas técnicas de difusão maciça; dirigindo-se a uma massa social, isto é, um gigantesco aglomerado de indivíduos que está aquém e além das estruturas internas da sociedade (classes, família, etc.)".

Se por um lado este tipo de cultura "democratizada" faz participar todos os indivíduos, independentemente do seu estatuto social nos valores culturais universais, não é menos verdade que permitiu, particularmente às classes económicas mais baixas, um contacto com realidades culturais que até aqui lhes eram totalmente vedadas (vulgarizou as melhores obras e permitiu o acesso a conhecimentos globais, se e quando deu ao homem as possibilidades de a dominar, de a julgar, de nela participar).

É neste contexto que surge a primeira interrogação: Será que o homem estava preparado para responder e reagir a este desafio?

A resposta é óbvia - claro que não! A realidade prova que o cidadão que mais poderia usufruir das suas vantagens se tornou vítima desta nova "ditadura".

Com ela (cultura de massa) o homem criou falsos valores e mitos, provocadora de um desgaste inútil, o de subjectivar a informação, o de aumentar o condicionamento.

É muitas vezes recebida passivamente (cinema, televisão, revistas, ...), estimula o isolamento - estamos, infelizmente, num ciclo que tem algo de trágico. Como escrevia Thiery Maulnier, "... chegámos a um tal desenvolvimento das forças produtoras, a uma tal relação entre o homem e o poder de produção de que dispõe, que o grande problema agora não é o de retribuir os trabalhadores para que trabalhem, mas o de retribuir o consumidor para que consuma,

O antigo salário pôde conservar o seu nome mas está em vias de mudar de natureza; agora deixa de ser uma remuneração do trabalho, compra da força de trabalho, elemento do custo de produção, para se tornar em distribuição do poder de compra.

A sociedade moderna comandada pela lei da expansão das forças produtoras está condenada a enriquecer os pobres para que estes se tornem compradores.

E aqui aparece a imagem, como alguém lhe chamou do "Novo ópio do Povo" - somos efectivamente uma geração de toxicodependentes de imagens que nos acompanham e atacam diariamente - basta lembrar que actualmente e segundo estatísticas conhecidas, recebemos em média, consciente ou inconscientemente, 1500 mensagens publicitárias por dia.

Falamos do homem auto-proclamado moderno, deste homem consumidor passivo, espectador da sua própria (in)existência pela predominância do audiovisual.

Outro dos aspectos que provocou uma segunda reflexão, tem a ver com a eterna discussão, sempre que surge um novo meio, de saber até que ponto o aparecimento da televisão poderia provocar uma crise no cinema. (se bem que não é tratada neste trabalho de forma explícita).

Só depois da guerra, a indústria cinematográfica compreendeu que, no campo da diversão pública, surgira um rival. Antes os telespectadores limitavam-se a um punhado de entusiastas (havia 20.000 aparelhos na Inglaterra em Setembro de 1939).

Perante esta nova ameaça, Hollywood voltou-se para as produções em écran largo, formato cinemascope, oferecendo ao público grandes sensações que abalassem tanto quanto possível os milhões de pequenas e insidiosas imagens que apareciam aos espectadores caseiros.

Por outras palavras, a televisão alterou radicalmente a posição do cinema nos escassos anos depois da guerra.

Não se pode esperar que a grande maioria do público se preocupe com as diferenças essenciais que entre ambos existem. O cinema custa dinheiro e é preciso sair de casa.

Os hábitos sociais e familiares são completamente alterados. No entanto, mais de cinquenta anos de coabitação vem demonstrar que o público é substancialmente o mesmo. Mas embora o desejo de diversão deva ser idêntico, depressa se habituaram a esperar algo bem diferente da televisão.

A verdade é que esta forma "recente" de expressão popular, esta utilização comercial do génio inventivo do séc. XX, afecta a vida de toda a população do mundo. Afectam a nossa perspectiva, os nossos desejos, a nossa moral social e política. Coloca instrumentos à disposição de certas pessoas suficientemente ambiciosas para os controlar: políticos, empresários, artistas e homens de negócios. Representa a revolução essencial de comunicações que caracteriza e alimenta o nosso século.

Uma terceira reflexão complementar ao ponto 3 - Os Públicos: suas preferências - merece particular atenção no que concerne à relação existente entre a televisão e os jovens em particular.

Perguntemos, em primeiro lugar, quanto ocupa a experiência audiovisual na vida do adolescente de hoje.

Por um inquérito feito pelos serviços italianos da RAI-TV podemos saber que são perto de três milhões os adolescentes (de idades entre os 8 e 13 anos) que assistem diariamente aos programas da TV. Sabendo-se que o adolescente ocupa semanalmente 20 horas a ver televisão, isto é, quase tantas como as que ocupa no ambiente escolar.

A televisão insere-se na vida do adolescente de hoje como uma proposta alternativa à escola, como "uma escola paralela", quantitativamente quase equivalente (se não superior) à escola oficial, qualitativamente mais agradável e eficaz porque menos estruturada e pelo menos, aparentemente, escolhida livremente.

O que inicialmente exerce um fascínio mágico (movimento, luz, som), com a idade, cresce o interesse não só pela imagem em geral, mas também por aquilo que as imagens propõem a nível de conteúdo, cresce o interesse pela narrativa, pela problemática abordada nas diversas transmissões, nos vários filmes, nas bandas desenhadas..., e aqui começa a aparecer o herói tomado como modelo de comportamento: tomamos as mesmas atitudes, exprimimo-nos de igual maneira, vestimo-nos e penteamo-nos imitando-o escrupulosamente. Dele derivam os usos e costumes, as frases feitas, maneiras particulares de proceder em argumentações ou na expressão oral e escrita.

Pensemos finalmente nos influxos "sublimados", fora da percepção consciente que se estratificam insensivelmente e com o tempo entram na esfera do consciente acabando por influenciar o modo de pensar e de agir.

Com os seus programas a televisão tende a nivelar as mentes dos que assistem às transmissões e não podemos também esquecer que, quem dirige a televisão tem prioritariamente objectivos comerciais e neste sentido, forma mentalidades, manipula consciências, tem capacidade de persuasão e de argumentação.

Educar quer dizer contribuir para o desenvolvimento harmonioso de uma pessoa por meio de boas relações com a realidade em que tal pessoa vai vivendo. Assim a educação não pode ser concebida como qualquer coisa estática, à margem da experiência concreta do educando.

Tal responsabilidade, nunca se espere, venha a ser assumida pela televisão.

Finalmente uma quarta reflexão, mais de carácter prospectivo leva-nos ao futuro - à realidade da TV Digital e aos desafios do multimedia.

Num processo de globalização em marcha os mass media tornam-se self media acompanhando uma revolução tecnológica que nos surpreende diariamente.

Mas uma questão se coloca para já - quais serão as faces da televisão interactiva e que condicionantes poderão modificar os seus futuros rumos?

Parece claro que a televisão interactiva não apresenta uma única face, aliás, ainda considerado um "conceito enigmático". No entanto, é pacífico admitir-se que, atendendo à indiscutível proliferação global da Internet, os seus serviços (nomeadamente a WEB) estarão presentes nas várias roupagens que a televisão interactiva assumir.

Complementarmente, o facto da Web não ser estática, permitirá que o desenvolvimento dos seus serviços e conteúdos reflicta a forma como a televisão é utilizada em casa, facilitando o sucesso e a associação destes dois media.

Neste cenário, existem diversos factores que devem ser tomados em consideração nas actividades de investigação conducentes a um amadurecimento do conceito de televisão interactiva.

O diferente perfil tecnológico dos utilizadores também se repercutirá no tipo de soluções que serão desenvolvidas.

Se, por um lado, os actuais utilizadores da rede estão aptos a absorver serviços interactivos, por outro, os utilizadores que se têm mantido como meros telespectadores não estarão receptivos se as interacções com o terminal não forem simples.

A segmentação da televisão tradicional, cada vez mais facilitada no cenário digital, continuará a contar com uma parcela de utilizadores, os mais passivos que preferirão apenas mudar para o canal com que identificam mais os seus interesses, do que uma atitude activa, no sentido de interagirem com o que realmente querem ver.

A consolidação de soluções de televisão interactiva e a sua expansão a um público alargado será um processo não imediato, que decorre em paralelo com experiências realizadas por diferentes operadores como, por exemplo, sofisticados guias de programação electrónicos com motores de busca de conteúdos multimedia.

No entanto, é preciso não esquecer a relação de causa/efeito que aqui se verifica e que tem a ver com a relação de investimentos e de custos (oferta - procura).

Também aqui o futuro se torna mais risonho para quem puder pagar.

No mundo actual somos uma geração de solitários. Tudo contribuiu para esta solidão.

Tomemos o exemplo da TV.

Outrora, para conhecer o acontecimento, bastava descer à rua. Hoje, é preciso entrar em casa. E cada um se encontra sozinho, ou a dois, diante do seu pequeno écran...

 

1 - NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DA TELEVISÃO

A História da Televisão já tem mais de um século.

Com efeito em 1840 efectuaram-se as primeiras experiências sobre o princípio da telegrafia de imagens – desenho. Em 1870, Willoughby Smith comunica à Society of Telegraf Engineers, em Londres, que o seu preparador Joseth May observou um comportamento estranho do selénio quando submetido a determinadas condições. Tinham sido descobertas as propriedades fotoeléctricas do selénio: passagem da corrente eléctrica (em função da zona onde está iluminado) quando submetido a radiação luminosa.

Em Portugal o Prof. Adriano Paiva, da Academia Politécnica do Porto, publica em 1878 uma memória intitulada "A Telefonia, a Telegrafia e a Telescopia".

A descoberta do telefone por Bell, levou este cientista português a colocar a questão: se é possível transformar as ondas sonoras em corrente eléctrica, porque não fazer o mesmo com as ondas luminosas? Assim, surge a utilização do selénio como elemento foto-electroactivo, repescando a descoberta de May, sete anos antes e entretanto caída no esquecimento.

De descoberta em descoberta, chega-se ao Disco perfurado de Nipkow, em 1884. Muito mais tarde, em 1924, John Baird revê e corrige este sistema mecânico e reproduz de uma forma grosseira o rosto humano.

Cinco anos mais tarde, consegue interessar a BBC e realizam-se as primeiras emissões experimentais de meia hora, cinco dias por semana.

A primeira, surgiu em 30 de Setembro de 1929 e demorou apenas dois minutos. Não tinha som e existiam apenas vinte e nove televisores.

Três anos depois foram feitos vários testes com o sistema experimental de 30 linhas, ainda imperfeito, e em 1936 já se podia assistir a uma verdadeira emissão de TV, com o sistemas de 405 linhas. Havia 400 receptores e tinham que estar instalados a menos de 30 milhas do emissor (Brookmans Park, em Londres).

Este salto qualitativo deve-se ao facto dos dispositivos mecânicos terem sido abandonados, devido à sua inércia de dimensões dos furos, e substituídos por dispositivos electrónicos. Estes, só foram possíveis porque em 1897 o físico Ferdinand Braun, inventou uma válvula de raios catódicos. Ao investigar o comportamento dos electrões, verificou que quando estas partículas colidiam com tinta fluorescente, esta se tornava luminosa. Colocando electroímanes e placas electricamente carregadas do lado de fora do tubo, podia focar o raio emitido e obter um ponto de luz brilhante na extremidade fluorescente do tubo. Variando a tensão aplicada aos electroímanes e às placas Braun conseguia movimentar o ponto de luz sobre o écran.

Vinte e seis anos depois, o russo Vladimir Zworykin que trabalhava na Westinghouse, (EUA), produz o primeiro tubo electrónico que funcionava como câmara, e chama-lhe iconoscópio. Se devemos a Zworykin o primeiro tubo electrónico irá funcionar como câmara, é também ele que em 1923, produz o primeiro cinescópio, ou seja, o tubo de projecção de imagens.

O iconoscópio é uma ampola de vidro, na qual se criou o vácuo e se colocou uma placa repleta de pequenos elementos foto-electroactivos na qual se vai projectar por meios ópticos, a imagem a transmitir.

O iconoscópio é aperfeiçoado pelos britânicos e é utilizado pela BBC de 1936 a 39, e em curto período a seguir à Segunda Guerra Mundial. É esta válvula – a Emitron – que permitirá que o desfile da Coroação de Jorge VI, em 1937, seja televisionada e dá-se a primeira reportagem do exterior. Em 1940 começam as transmissões diárias a cores no EUA. É o Dr. Peter Goldmark da Columbia Broadcasting System, que cria um sistema de 343 linhas. Um disco de três filtros – vermelho, verde e azul – rodava em frente ao tubo da câmara. De facto a câmara captava, sucessivamente, uma imagem de cada uma das cores básicas. O receptor tinha um disco semelhante mas maior que girava electronicamente à mesma velocidade do da câmara. Este sistema revela-se um perfeito falhanço e é abandonado.

Em 1949 a RCA (EUA) produz o primeiro tubo shadow – mask o que permite uma televisão a cores totalmente electrónica.

O primeiro gravador de vídeo ou magnestoscópio aparece em 1956 e foi concebido pela Ampex – Corporation, Califórnia, pesava uma tonelada e meia e media quatro metros.

Neste mesmo ano começam em Portugal as primeiras emissões experimentais a Preto e Branco.

 

1.1 – Registo da primeira emissão televisiva em Portugal

Feira Popular – Lisboa (Setembro de 1956).

A multidão invade a Feira Popular, na enorme expectativa de testemunhar o fabrico das primeiras imagens hertzianas em Portugal, através do vidro que substituiu uma das paredes do estúdio erguido em pré fabricado ou de um dos vinte monitores espalhados no parque de Palhavã. Noutros pontos da grande Lisboa onde se pode captar a emissão (que chega até à margem sul), formam-se idênticas aglomerações frente a montras de lojas de electrodomésticos.

Relatará o Jornal de Notícias: "Na Praça dos Restauradores o movimento foi além do que era de esperar e, por isso, parou o transito e criaram-se dificuldades que a PSP requisitada para tal, resolveu ordenando a abertura de um (canal) – não de TV mas de caminho para carros e pessoas poderem circular". (cf. Anexo III)

Os astros agora são da TV. João Villaret cria a liturgia dos domingos, declamando teatro, e sobretudo poesia. Henrique Mendes, o locutor estrela, recebe milhares de cartas de admiradoras cada ano. Maria de Lurdes Modesto detém segredos da culinária...e da comunicação. Manuel Machado fala da língua sem aspereza. Artur Agostinho é o rei dos concursos. José Alves dos Santos faz a pedagogia do futebol. Há revelações...e consagrações, como a de Vasco Santana, com a anedota da semana. O teatro, iniciado por Rui de Carvalho com o vicentino Monólogo do Vaqueiro ganha ritmo semanal. Entre os locutores pioneiros, Maria Helena Santos, Gina Esteves, Jorge Alves, Fernando Pessa, Gomes Ferreira e Fialho Gouveia. (cf. AnexoIV)

Começa aqui a verdadeira história da Televisão em Portugal.

 

2 – TELEVISÃO PÚBLICA, TELEVISÃO PRIVADA

2.1 – Estado Novo – A Censura

É tão importante dizer à população o que pensar como apagar tudo sobre o que não deve pensar. A censura prévia exercida na imprensa escrita, na rádio, no cinema acompanha com particular atenção este novo fenómeno chamado televisão.

A nomeação, como o primeiro presidente da RTP, de um responsável da União Nacional e amigo de Caetano, Camilo de Mendonça, e de um integralista, Domingos de Mascarenhas, como director de programas denuncia em parte a intenção do regime em controlar o único canal público existente em Portugal.

Aos "consultores literários" (eufemismo para censores) cabe zelar pelo bom comportamento da empresa, devendo (segundo directiva da administração) "decidir sobre a conveniência de todos e quaisquer textos e programas sob os aspectos moral e político – social e, bem assim, combinar com o chefe de serviços de produção quais as condições (garantias dadas pelos entrevistados e entrevistadores ou decorrentes da natureza dos temas) em que poderão levar-se a efeito programas mais ou menos improvisados, tais como, entrevistas, mesas redondas, etc).

Para que não restem dúvidas sobre as obrigações da RTP, o primeiro discurso de Salazar a ser transmitido em directo é a abertura da campanha eleitoral de 1958 para a Presidência da República, oportunidade negada à oposição.

Para Salazar a ideia da TV é vista com relutância, o Presidente do Conselho acha dispensável essa inovação tecnológica de que tanto se fala lá fora, a Televisão – "uma janela aberta por onde entra o cosmopolitismo, capaz de corromper o povo com outras ideias e apagar a identidade nacional. Já, Marcelo Caetano, seu Ministro da Presidência, julga tão vasto o fenómeno que o país só perderá se o ignorar. É só em 1955 que Caetano, já no executivo, forma uma comissão de estudo de execução do projecto. O projecto RTP vem a realizar emissões experimentais em Setembro de 1956 no recinto da Feira Popular.

Um receptor custa nesta altura entre Esc. 5900 e 7800 – oito a nove meses de salário de um trabalhador não qualificado. Em menos de um mês são registados por populares mil aparelhos. Mas os preços descem com o alargamento do mercado e as vendas disparam: até ao fim de 1958 há no país 32 mil televisores, oito vezes acima da previsão inicial. Um inquérito feito no ano seguinte pela RTP revela que três em quarto espectadores em Lisboa (e dois em cada três no Porto) já vêm TV em casa, enquanto na província quarto em cada cinco ainda o fazem em lugares públicos. Se o país já está rendido à televisão o ecrã catódico começa a sair dos espaços colectivos para tomar conta dos lares portugueses.

Também em termos informativos a censura impede os portugueses de saber o que se passa na frente (Guerra Colonial). Só chegam notícias de heróicas acções de pacificação e, pela TV, mensagens de Natal e da Páscoa balbuciadas frente às câmaras por soldados inexperientes no uso da palavra pública.

Mas a grande novidade recreativa das massas continua a ser a televisão.

Multiplicam-se na RTP os programas de palestras. Não sendo muito televisiva, é o tipo de produção mais barata que se pode desenvolver em qualquer estação, fornecendo além disso um tom de seriedade e empenhado serviço público. Como falta alternativa, não existe, de qualquer modo, o perigo do telespectador mudar de canal.

Como impulsionador da RTP, Caetano sabe do potencial político do tubo catódico. Em Janeiro de 1969, para "conversar directamente com as pessoas, sem formalismos nem solenidades", inicia na TV a suas "Conversas em família". (cf. Anexo VI)

A abertura passa pelo pequeno ecrã. Na canção Desfolhada, e censura deixa passar o polémico verso "Quem faz um filho fá-lo por gosto". Ainda em 1969, no talk – show Zip-Zip, de Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz, põem o país colado ao aparelho pelo ineditismo de temas e abordagens.

Sente-se que a mudança está para breve embora a actuação da censura em Portugal funcione de forma activa até às vésperas da "revolução dos cravos".

Tendo-se apresentado como renovador do regime, Marcelo Caetano chegando aos anos 70 caminha cada vez mais depressa para o beco e com ele chega ao fim um regime ditatorial que impôs ao País.

2.2 – 25 de Abril de 1974

Data de todas as mudanças

Num único dia -25 de Abril de 1974 - toda a história muda em Portugal. A tal ponto que os anos 70 se condensam e resumem nesta jornada, data que imprime a sua marca a todas as facetas do decénio, qualquer que seja o capítulo a considerar.

Para a memória das gerações que o atravessam, há um "antes" e um "depois" do 25 de Abril, fronteira entre dois mundos que dir-se-ia nunca se terem encontrado, duas vidas que parecem vividas nos antípodas da existência. É porém a mesma gente, o mesmo território, a mesma comunidade, o mesmo país, que ora está deprimido antes, ora acorda eufórico depois, a aparentar um estado próximo da esquizofrenia.

São inúmeras as frustrações acumuladas ao longo de décadas, que podem agora ser resolvidas nos campos mais variados e das quais se destacam: desaparição do medo, liberdade de expressão, extinção da censura, particularmente, nos órgãos de comunicação social .

A liberdade é uma promessa do MFA, que os cidadãos praticam muito para além dos planos iniciais do novo poder. Por receio seja de excessos, seja de perder o controlo das coisas, esse direito está condicionado a doses limitadas. Uma comissão ad-hoc para os órgãos de informação e os espectáculos, criada por Spínola em inícios de Junho de 1974, aplica multas e suspende jornais por alegada incorrecção em notícias e comentários.

Também a televisão não escapa a este novo tipo de censura à posteriori - suspensão da transmissão televisiva das cerimónias de 10 de Junho de 1974,no momento em que o grupo teatral A Comuna caricaturava as principais figuras do regime deposto e o cancelamento da transmissão do concurso "Miss Portugal".

Gabriela introduz em 1977 a telenovela brasileira aos portugueses, que a partir daí não querem outra coisa. O país cola-se ao ecrã no jantar, e não há telefonemas até ao fim do episódio. Passava a época das infindáveis mensagens políticas, há agora primazia ao entretenimento. Faz sucesso o Regresso da Cornélia, concurso apresentado por Raul Solnado onde se revelam insuspeitados talentos amadores. O consagrado Nicolau Breyner emparelha nas rabulas do Senhor Feliz e do Senhor Contente com um cómico novato chamado Herman José. O segundo canal da RTP autonomiza-se em 1988, mas a empresa mantém o monopólio da TV, O governo não autoriza em 1977 a RTP a emitir a cores; a grande novidade chega por fim em Março de 1980.

2.3 – Os Canais Privados em Portugal

Em Outubro de 1992, surge em Portugal o primeiro canal de televisão privada – SIC (Sociedade Independente de Televisão) cujo o principal accionista é Ex. Primeiro – Ministro Social – Democrata, Francisco Balsemão, proprietário de um grupo de imprensa que incluí o semanário Expresso.

A primeira grelha da SIC, à base de conversas mais ou menos intelectuais, releva-se um fracasso público, o que leva a estação a alterar a sua estratégia para satisfazer os seus objectivos essencialmente comerciais. A nova receita, potenciada pelo exclusivo das telenovelas brasileiras da TV Globo, eleva em pouco tempo um novo canal campeão de audiências, chegando a ser vista em média diária por metade dos telespectadores. Como dirá depois o seu director, Emídio Rangel, "quando o público gosta, não há nada a fazer".

O populismo televisivo da SIC, face à base de horas de emissão com os cantares de música "pimba" (já promovidos a estrelas nacionais), de programas de amadores imitando os músicos profissionais, de concursos com conteúdo e desafios insólitos e eventualmente escatológicos e da revelação da vida íntima de gente anónima.

O segredo consiste em abrir os estúdios à participação popular: já não são as elites a fazer programas para o povo, antes o povo a comunicar consigo mesmo, na estética e na linguagem que são as suas. É a democracia levada à TV, dizem os defensores desta prática, enquanto os cépticos falam em perversão idêntica à da democracia directa.

A SIC só é vencida quando, ao pretender elevar a sua programação para atingir camadas mais sofisticadas, se deixa ultrapassar pela outra estação privada, a TVI (Televisão Independente), que em 2000 leva idêntica lógica ao extremo no programa Big Brother, espiando 24 horas por dia todos os passos (por mais íntimos que sejam) de um grupo de jovens seleccionados pela ausência de qualidades e enclausurados durante meses (sendo expulsos um a um por votação popular).

Em nome da liberdade de expressão, a TV privada emerge como um poder que nada nem ninguém pode ou consegue travar, por muito duras que sejam as críticas. Em 1995, o Programa da SIC – A Máquina da Verdade – onde gente envolvida em processos judiciais se deixa submeter a um detector de mentiras, levando a possíveis conclusões diferentes das dos tribunais, recebe a condenação unanime do Parlamento, mas a estação leva-o a sério até ao fim. Pouco depois o mundo político eleva-se de novo contra a difusão pelo mesmo canal de falsas notícias envolvendo a vida privada de um governante, a pretexto do lançamento do concurso A Cadeira do Poder. E a equipa de jornalistas da TVI está no centro da tormenta ao reportar a vida dos concorrentes do Big Brother, que ultrapassam em importância informativa temas "menores" como a crise do Governo português, o debate sobre o futuro da Europa, as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América, ou até a corrida para Belém.

A discussão ignora outras práticas introduzidas pelas estações privadas de cujas vantagens poucos duvidam. A informação televisiva torna-se mais crítica, inconformista e independente do poder; a linguagem e o estilo de produção modernizam-se; a técnica aumenta de qualidade; os actores têm mais trabalho do que nunca; e o apoio das estações de TV ao cinema leva mais pessoas às salas (dois filmes realizados por Joaquim Leitão, Adão e Eva, em 1995, e Tentação, em 1997, com comparticipação financeira promoção da SIC, tornam-se as fitas portuguesas mais vistas de sempre no grande ecrã pelo público nacional, respectivamente com 254 925 e 361 312 espectadores).

Os críticos dirão que a informação cede ao sensacionalismo, que o estilo e a técnica de produção se aplicam a programas sem valor, e o trabalho dos actores é ligeiro e que os filmes apoiados pela TV privada são desinteressantes. Mas não são opiniões que os responsáveis televisivos tenham em grande conta.

Produtores, actores e apresentadores de TV tornam-se das profissões mais bem pagas em Portugal, por vezes só suplantadas pelos futebolistas. O futebol polariza aliás as paixões da multidão, fenómeno que se reflecte na expansão dos jornais desportivos e programas televisivos especialmente dedicados a esta modalidade.

As privadas não são os únicos novos canais nos anos 90: com a TV Cabo alarga-se a oferta (desde que paga) a uma multiplicidade de emissões especializadas

3 – OS PÚBLICOS: SUAS PREFERÊNCIAS

3.1 – Os Gostos...As Modas

A audiência da SIC aumenta na medida em que os telespectadores se revêm nela. É gente anónima que participa nos seus concursos, nos seus programas de encontros ou na assistência que em estúdio aplaude as sua emissões de entretenimento. Há ainda todo um aparelho de exaltação das estrelas da estação que ajuda a fidelizar público. A ideia de que qualquer um pode ter não só acesso como sucesso em TV hipnotiza as massas. Além disso inova-se na técnica de produção no ritmo da emissão, na promoção da programação e até nas cores e forma da cenografia (da autoria de Tomás Taveira, responsável pelo complexo das Amoreiras nos anos 80).

A RTP parece de súbito ter envelhecido uma geração. O seu director na altura do lançamento da SIC, José Eduardo Moniz, aprende a lição e aplica-a quando é convidado para liderar a TVI. Então, com Big Brother, a SIC é vítima da sua própria estratégia levada mais longe.

A curiosidade do público pela vida das estrelas do espectáculo origina um novo conceito de jet–set – não já a gente rica e pouco famosa dos anos 80, mas sim a gente famosa e pouco rica. Na nova alta-roda lusitana encontram-se desenhadores de moda com os seus modelos, produtores e directores de TV com nos seus apresentadores e actores, treinadores de futebol com os seus futebolistas, editores fonográficos com os seus artistas e proprietários de discotecas com a sua clientela.

Para satisfazer a avidez popular pela vida destas escassas centenas de pessoas, cria-se uma autêntica indústria editorial, começando pela proliferação de revistas "cor de rosa" e terminando em programas de TV como Jet 7 (RTP), Mundo Vip (SIC) ou Lux (TVI).

No mercado livreiro, a tendência manifesta-se na edição, pela primeira vez em muitas décadas um guia de boas maneiras, Socialmente Correcto, de Paula Bobone (1999), é best - seller imediato, ou em novelas leves e lineares que relatam os encontros e desencontros amorosos de uma despreocupada elite urbana, saindo das suas ocupações para os restaurantes da moda, daí para bares e discotecas e depois para inevitáveis aventuras sexuais. Destacam-se no género dois mega – sucessos da jornalista Margarida Rebelo Pinto: Sei Lá (1999) e Não há Coincidências (2000).

Também e sem grande investimento literário, está encontrada a designação de uma nova realidade surgida com os anos 90 e ainda não catalogada por sociólogos ou classificada em dicionários. "Pimba" passa a aplicar-se a tudo o que tem haver com a invasão dos circuitos de comunicação e entretenimento de massas (televisão, rádio, edições fonográficas, cinema, imprensa, etc.) pelo gosto popularucho, suburbano e banal (por vezes ordinário) de uma grande maioria da população que se mantém semianalfabeta, pouco exigente e dada à boçalidade e ao riso prosaico.

O que antes não passava de um comércio marginal ocupa agora o centro das atenções recreativas nacionais. A tendência surge numa época em que as massas, resolvidos os seus problemas materiais básicos, estão mais disponíveis para o divertimento, que querem fácil, ligeiro e de gratificação imediata. Mas a atracção pelo fútil não é um exclusivo das classes populares. Também as elites urbanas se deixam seduzir por padrões superficiais e uma estética consumista, tendendo a valorizar mais um desfile de moda do que uma exposição de pintura, uma ida à discoteca, do que uma tertúlia ou um jogo de futebol do que um espectáculo de dança.

E este comportamento de "futilidade" alargado à sociedade portuguesa atinge a sua expressão máxima com um programa televisivo.

Seis milhões de pessoas viram o Big Brother (I). Um milhão e meio de pessoas abriram diariamente a página do programa no endereço electrónico. Às zero horas e 36 minutos do dia 1 de Janeiro de 2001, 90 em cada 100 telespectadores estavam sintonizados na TVI para assistirem à proclamação oficial da Zé Maria como vencedor desta edição e tornado herói nacional.

Ainda ninguém sabia nada sobre este tipo de programa e já todos tinham opinião. Todos, não. A minoria tradicional. Os fazedores de opinião, os críticos de televisão, os intelectuais. Uma vez mais, este grupo socioeconómico da sociedade portuguesa errou nos prognósticos. Aliás, foi justamente por este grupo ter opinado tão maciçamente contra o valor pedagógico e ético do programa que o sucesso invadiu a TVI.

O que é que levou o senhor John de Mol, o autor do Big Brother e o proprietário da Endemol Entretainer, produtora deste concurso, a acreditar que um jogo inspirado na obra-prima de George Orwell poderia ser um sucesso mundial e especialmente europeu?

Que motivações sustentaram então a curiosidade dos muitos milhões de portugueses?

Estas e outras questões encontram várias respostas e como escreveu José Pacheco Pereira no jornal Público não é o "voyeurismo que explica o sucesso do programa e muito menos os incidentes sexuais das personagens, é a aldeia global com os seus mecanismos de destruição de individualidade, é a inveja e o sentimento socializado, a força colectiva das frustrações que os media tão bem alimentam e reforçam" que tornou Big Brother um verdadeiro acontecimento social.

Também Vasco Pulido Valente escreveu no Diário de Notícias "provocou por aí as lamentações do costume" mas, segundo o historiador, há duas partes nesta ladainha. A primeira, "é a condenação moral da sociedade moderna: o exibicionismo, a obscenidade, a ganância, a fome da fama", a segunda. "é a condenação intelectual de um povo analfabeto, ignorante, grosseiro". Esta visão, diz o autor, assenta obviamente na indiscutível superioridade da classe média letrada e no dinheiro que ela tem no banco. Por isso, concluiu o cronista, "a mim não me convence".

A nós, também, não. Por duas razões. Porque o Big Brother foi a primeira oportunidade que a teledemocracia nos deu, de também nós, podermos estudar sociedades fechadas, não hierarquizadas; e depois, porque, quer queiramos, quer não, ficámos a conhecer melhor Portugal e os portugueses.

Dentro desta "Casa mais famosa de Portugal" não era suposto que acontecesse mais nada senão o que acontece na maioria das casas portuguesas, isto é, um quotidiano sem grandes projectos, uma rotineira gestão da vida, uma má distribuição dos afectos, uma ganância desmesurada sem sucesso, uma adesão às regras que a sociedade moderna nos indicou serem os instrumentos de sucesso.

Valeria a pena também saber até que ponto o microcosmos concentrado na casa do Big Brother reflecte o que se passa no país real, se os jovens aí concentrados retratam os jovens portugueses dos nossos dias, independentemente das classes sociais em que se inserem – Madalena Fragoso escreve num editorial da Revista Máxima "... o Big Brother tem-nos mostrado uma juventude inculta, um tanto básica, rude nos gestos como na linguagem, mas sã. Que acredita em valores como a sinceridade, a lealdade ou a amizade, que se apaixona, que tem espírito de aventura, e demonstra possuir um excelente relacionamento com a família que se insere".

Registadas estas posições públicas e com base na nossa própria reflexão, podemos afirmar que, na nossa perspectiva, o problema não está na narrativa que as personagens residentes criaram dentro da casa. Foi a sociedade teledemocrática submetida à tirania das vendas que ousou criar o espaço psicológico e social para o aparecimento deste tipo de programas.

Como nos explica Léo Scheer, sociólogo francês e Director do Observatório de Televisão "as transformações que afectam o tele-cidadão atingem as zonas profundas da arqueologia social, onde se forjam as charneiras entre as ideologias e as funções colectivas". E, depois, explica "o ritual formal da democracia não está em causa e ninguém pensa em mudá-lo radicalmente, pois tem as virtudes das ferramentas que habitualmente utilizamos e faz pensar no mais chinês dos provérbios americanos: se não se quebra, não é preciso concertar".

Analisados alguns dos conteúdos de oferta televisiva "mais populares" é também oportuno reflectir um pouco sobre a informação.

O dispositivo do directo, a informação, era, em teoria, o que marcava a grande diferença, pois tinha surgido um modo de narrar os factos e de legitimar os acontecimentos. No directo, a televisão encontra a forma de mostrar o tempo na sua durée, criando um novo espaço-tempo efémero e sem memória. Mais tarde, o dispositivo técnico e as possibilidades de montagem e gravação em vídeo, e o regresso a práticas cinematográficas de edição, por exemplo, agora ao serviço da recomposição do real (televisivo) e das práticas jornalísticas, permitem uma outra apropriação dos materiais pré-registados e da evolução do próprio dispositivo técnico e discursivo da televisão.

Aparecem uma pluralidade de discursos onde se esbatem géneros narrativos e não narrativos como os telejornais, as mesas-redondas, os talk-shows, os tempos de antena, apresentados como espectáculo.

Hoje o telejornal, um espaço de excelência em qualquer televisão, assenta num tipo de jornalismo estruturado para explorar as paixões primárias dos espectadores em detrimento de um serviço informativo prestado com rigor e objectividade. Apresentado como ficção, como representação espectacular da política e da catástrofe, atingiu-se um ponto tal, em que o acontecimento é o próprio pivot/jornalista.

A televisão oferece hoje uma mise en scéne espectacular. Integra outros espectáculos e gera, ela própria, o seu espectáculo.

Numa perspectiva global, uma intensa competitividade por banda dos canais televisivos favorece a "rotina do espectáculo", a procura incessante do extraordinário, do apelativo emocional. Muitas vezes a televisão apenas reflecte e amplifica as aparências visuais e sonoras sem penetrar verdadeiramente no núcleo gerador dessas aparências.

Se juntarmos a estes condicionantes outros como: o efeito de agenda, os critérios de noticiabilidade, os critérios relativos ao produto, os critérios relativos ao medium, os critérios relativos ao público, os critérios relativos à concorrência, as rotinas produtivas (recolha do material, as fontes, as agências, a agenda de serviço, selecção de notícias, apresentação de notícias,...) podemos concluir que "ao longo de todo este processo informativo, dados noticiosos vão sendo filtrados por uma série de porteiros credenciados, cuja actuação se orienta por critérios que estabelecem semelhanças e homogeneidades vinculadas aos aspectos específicos do sistema produtivo de cada medium, nomeadamente a televisão, e ao conjunto de valores ético-profissionais dos jornalistas" (Mauro Wolf,1995).

Neste contexto podemos concluir que estamos confrontados com um tipo de televisão feita de modas, de gostos, de mentalidades, para um consumidor de televisão acrítico, que reflecte a própria sociedade.

O nivelamento por baixo do gosto público, nunca antes praticado de forma hegemónica, não é um exclusivo nacional. Mas uma corrente do mundo ocidental, talvez mesmo de todo o planeta, em tempo de globalização, com as grandes indústrias do entretenimento, sediadas nos EUA, difundindo para qualquer recanto da terra os seus produtos de consumo instantâneo.

Mas o fenómeno em Portugal parece mais agudo, por se criar uma ideia de ausências de alternativas num país pequeno e com um mercado exíguo. A vida intelectual está empobrecida numa altura em que o melhor pagamento aos criadores de ideias está na moda, na publicidade, na música ligeira, no jornalismo ou na TV generalista.

Alguns cronistas exprimem esta sensação de vazio. Escreve Alfredo Barroso, ex – chefe da Casa Civil do Presidente Soares: "A frivolidade dominante é confrangedora, o estreitamento de horizontes culturais é assustador, a predominância do cretino é alarmante".

José Pacheco Pereira, eurodeputado Social Democrata, queixa-se, num texto muito polémico, de "Um país sem vida intelectual": "verdadeiramente em Portugal discute-se alguma coisa? Nada, zero".

E o paradigma do intelectual, Eduardo Prado Coelho, lamenta-se: "não é que as pessoas não leiam romances. Mas preferem histórias de confidencias mais ou menos desenvoltas, que vem no prolongamento óbvio das revistas sobre a vida dos colunáveis, às grandes criações de universos à maneira de Thomas Mann ou Tolstoi: temos hoje em Portugal, e não só, uma literatura dita do avesso que é feita directamente para os leitores da Lux e do Mundo Vip. E todas estas considerações apenas em 2000, numa apreensiva avaliação sobre a forma como, no domínio do pensamento, se encerra o século XX em Portugal.

3.2 - Alguns Dados Estatísticos

Tabela 1 – Programas mais vistos/Novembro 2001

 

Programa

Canal

Rat. %

Telespectadores

1

Anjo Selvagem

TVI

20,6

1848232

2

Filha do Mar

TVI

19.2

1722624

3

Jornal Nacional

TVI

17,4

1561128

4

Anjo Selvagem - Repetição

TVI

16.0

1435520

5

Os Malucos do Riso - Repetição

SIC

15.8

1417576

6

Bora Lá Marina

TVI

15,6

1399632

7

Super Pai

TVI

15,0

1345800

8

Jornal da Noite

SIC

13,7

1229664

9

Porto dos Milagres

SIC

12,4

1112528

10

As Filhas da Mãe

SIC

12,2

1094584

11

Nunca Digas Adeus

TVI

11,9

1067668

12

Chiado Terrasse - Armageddon

SIC

11,6

1040752

13

Futebol: Espanha - Portugal

RTP1

11,4

1022808

14

Survivor

TVI

11,0

986920

15

Os Malucos do Riso

SIC

10,5

942060

(in Revista TV / Dias nΊ 766)

TVI – 35,2%

SIC – 31,2%

RTP1 – 18,8%

 

Tabela 1 – Tipo de programas mais vistos/Novembro 2001

Tipo de Programa

Total

RTP1

RTP2

SIC

TVI

Ficção

27,1

24,1

18,0

27,3

37,5

Eruditos

0,1

-

0,5

-

-

Divertimento

7,9

6,0

1,8

10,3

12,6

Informação

20,1

16,6

32,7

19,2

13,8

Cultura

8,7

11,4

22,0

2,5

1,2

Desporto

5.1

6,2

12,0

2,0

1,4

Juventude

10,0

8,8

7,0

13,0

10,7

Publicidade

16,2

21,7

2,3

20,7

17,8

Diversos

4,8

5,2

3,7

4,8

5,1

Eróticos

-

-

-

-

-

Outros

-

-

-

-

-

(in Revista TV7Dias nΊ 766)

À excepção da RTP2 – onde, mesmo assim, ocupa 18% do total da respectiva programação – a ficção está a ganhar cada vez mais terreno na televisão portuguesa.

No mês de Setembro, segundo dados da Marktest, este género televisivo preencheu 37,5% do total da programação da TVI, a estação que mais horas emite de ficção. Para se perceber melhor, em termos quantitativos, o que estamos a dizer, imagine-se que, na estação de Queluz, a informação aparece em segundo lugar com 13,8% - isto claro se exceptuarmos a publicidade, que conseguiu no referido mês 17,8% do total da antena da TVI. Pelo contrário, a área cultura/conhecimento é a que menos carinho recolhe na estação de José Eduardo Moniz – apenas 1,2% - o que atesta, perfeitamente, o actual elevado grau de popularidade da TVI.

No outro canal comercial, a SIC, a ficção vence também. E com larga margem. Chega aos 27,3%, quase mais 8 pontos do que a informação (19,2%) do seu total de tempo de emissão, em Setembro, o canal de Carnaxide rentabilizou 20,7%. Ou seja, foi essa a percentagem de publicidade que entrou na SIC.

Na RTP, e para não fugir à regra, foi também a ficção que dominou. Contas feitas, 24,1% da programação da estação pública foi dedicada à ficção, cabendo o segundo lugar – tal como nos canais comerciais – à informação, com 16,6 pontos percentuais. Curioso é constatar que, no caso da televisão da 5 de Outubro, a publicidade quase que chega aos números do "vencedor": ficção 24,1 – publicidade 21,7.

Na RTP 2, sem grande surpresa, quem "ganha" é a informação com 32,7, seguida da cultura/conhecimento 22,0.

Constata-se finalmente que, no caso dos reality shows (novo conceito que provocou fenómenos de popularidade inexplicável, junta-se a outros que, ao longo dos tempos, vai reflectindo o gosto e a mentalidade da sociedade) não têm qualquer expressão no estudo apresentado. Estamos confrontados com um tipo de televisão feita de modas que como já se viu, será sempre, na opinião de Mário Castrim, "Como for a sociedade" e adianta este conhecido e reconhecido crítico "haverá hoje uma potencial audiência que exija uma televisão ainda pior? Temo que sim". Mas, adverte Castrim, "quanto mais dessa televisão, mais dessa audiência. Portugal pode vir a tornar-se num país de pigmeus". A menos que "a potencial audiência que se recusa a viver no lixo – que também a há – se mobilize, ajudada por leis democraticamente estabelecidas e obrigue a televisão da mediocridade a recuar".

4 – TELEVISÃO QUE FUTURO

 

4.1 - Televisão Generalista

Quando em 1939, a RCA exibiu o primeiro protótipo de um televisor, ninguém previa que aquela pequena caixa, parecida com um aparelho de rádio, pudesse deixar tantas marcas.

Considerada um dos melhores inventos do séc. XX, a televisão joga com os instintos mais primários do ser humano.

Durante anos, a televisão generalista viveu sozinha. Na competição entre os vários canais, tentou conseguir cada vez maiores audiências. A tecnologia exigida é cara e não se compadece com a procura de nichos de mercado. A TV tinha de ser para todos, de transmitir para uma "salada russa" de públicos e de nivelar por baixo.

Mas o sinal de alerta foi dado em França, com anunciantes a fugir dos programas de mau gosto.

Com o aparecimento de alternativas, os generalistas foram perdendo as classes mais abastadas em todo o mundo. Agora tentam segurá-las, implementando novas técnicas e criando programas ou canais paralelos especializados.

Exemplo disso mesmo foi o Brasil. Também aí, com o aparecimento da TV por cabo, a televisão de massas começou a perder a minoria, a que tem poder de compra.

Os cadáveres, os corpos flagelados, as cenas de violência entre famílias, a desgraça de crianças pobres e o voyerismo não conseguem vender carros topo de gama nem perfumes de marca. Conseguem audiência é certo, mas sem poder de compra.

Um exemplo bem conhecido da televisão brasileira é o denominado "Programa do Ratinho" onde as cenas de violência são frequentes no estúdio, onde, apresentador, convidados, assistência e os denominados "gorilas" (seguranças), trocam socos e pontapés, numa tentativa de cativarem mais audiência, composta pela classe pobre do Brasil que não tem dinheiro para viajar, vestir roupa cara ou andar de BMW.

Os produtores das televisões generalistas já começaram a sentir o abandono dos grandes anunciantes que, por uma questão de crédito dos seus produtos, começam a virar as costas a este género televisivo que caiu rapidamente em desgraça.

Mas mesmo com este recuo, é certo que as televisões generalistas vão perder a guerra com o cabo e o satélite. Vão ficar com o grosso da população, a que não compra.

 

4.2 – Televisão Digital

É este o futuro da televisão aberta.

A televisão interactiva, associada à explosão dos computadores pessoais e da Internet, dá agora os primeiros passos.

Para todos aqueles que estão ligados directamente ou indirectamente com o mundo da televisão, por certo que o tema televisão digital não será estranho.

Mas o que é a televisão digital? Será que a televisão digital é a utilização de câmaras digitais, ou a gravação com formatos digitais, ou ainda um sistema de transmissão digital?

O conceito de televisão digital é óbvio que é bastante abrangente e tem diferentes conceitos, dependendo do ponto de vista que a analisarmos pode ir desde a fase de produção até à transmissão, passando é claro pela pós-produção e pela distribuição.

Relativamente à produção e pós-produção significa que podemos usar ferramentas de produção digital como câmaras, gravadores, mesas de mistura, geradores de caracteres, etc.

Na distribuição e transmissão, significa enviar o sinal de vídeo e de áudio digitalmente até ao seu destino.

Mais do que conceitos técnicos importa saber que inovações o digital traz consigo e o que vai mudar nos hábitos dos telespectadores.

Para o telespectador a televisão digital pode significar televisão de alta definição (HDTV) no formato 16:9 (hoje em dia os televisores analógicos, têm na sua maioria o formato de 4:3).A televisão digital poderá também significar som surround Dolby Digital. As imagens de alta definição têm melhor qualidade do que qualquer imagem produzida pela televisão analógica.

A televisão digital também significa transmissão múltipla, onde dois ou mais programas de televisão podem ser partilhados na largura de banda normalmente usada por um programa analógico. Mas, uma transmissão de televisão digital pode não ser um programa televisivo. Usando de uma forma oportuna o que resta da largura de banda, as estações de televisão podem transmitir informação – conteúdos de Internet, cupões electrónicos que uma impressora poderá imprimir, ou até a lista telefónica.

Dentro do audiovisual a grande tendência é para a convergência (interactividade), ou seja deveremos caminhar para o verdadeiro conceito multimedia, (não aquele de um computador com CD-ROM e colunas de som), onde se possa trabalhar o vídeo, o áudio, a animação 3D, etc., como a informação. Trabalhando de uma forma dinâmica este conceito multimedia, é possível criar tanto conteúdos vídeo lineares como vídeo para a Internet com o mesmo conjunto de ferramentas, em versões optimizadas para múltiplos canais de distribuição.

Só o tempo e a tecnologia, poderão dizer o que irá acontecer com a televisão digital. Novos serviços estão a aparecer todos os dias. Televisores panorâmicos, televisores com ecrã plano, computadores preparados para a alta definição estão a surgir em força. Tecnicamente a televisão só poderá melhorar.

 

5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

A "aldeia global" de McLuhan pressupõe uma dimensão informativa autónoma da experiência comunicacional. A evolução dos media e das redes de informação, derruba as barreiras erguidas pelas culturas tradicionais, ampliando e automatizando o seu domínio.

Esta separação entre a esfera da informação e o domínio comunicacional é comprovada na experiência quotidiana: apesar de se vislumbrar uma "sociedade da informação", de alcance planetário, assistimos, nos nossos dias, ao recrudescer dos fenómenos nacionalistas, regionalistas e fundamentalistas, que constituem discursos "à margem", provavelmente antagónicos, de uma pretensa cultura universal instituída pelos media.

A abundância informativa e a rapidez com que ela é transmitida contribuiu para um desfasamento entre a percepção da actualidade e os "ritmos concretos da experiência Humana que alimentam os processos comunicacionais" (Duarte Rodrigues, 1994), originando a impressão de que o mundo se altera muito mais rapidamente do que os quadros de referência pessoais, contribuindo para uma sensação de impotência e perda de controlo sobre a realidade.

Se por um lado estamos todos perdidos dentro da rede de informação mundial (Internet) e continuamos a receber milhões de bits de dados, existe cada vez mais a percepção de direccionar a "informação certa para o indivíduo certo". Ainda nos meandros desta revolução tecnológica, desse salto vertiginoso dos mass – media ao self – media, perspectiva-se já uma nova fase que é a passagem ao cyber – media.

A televisão perspectivada no conceito de comunicação global – hoje em grande expansão – aponta para a articulação entre diferentes formas de tecnologias. Estas podem representar aumentos em economia de escala, novas assimetrias sociais e económicas, puro fascínio em si (exibição simbólica das máquinas, que pode levar a investimentos não rentabilizados), perda de confiança nas competências individuais, culminando na iliteracia electrónica e receio de contacto com as máquinas.

Um estudo recente, no Reino Unido, chega a esta perturbante conclusão: um em cada quatro britânicos, entre os 18 e os 30 anos, prefere sacrificar o seu companheiro a perder o aparelho de televisão. É este o poder da TV e, usando-o, a televisão construiu impérios empresariais.

É este o mundo, feito de operários responsáveis por linhas de produção. Uma indústria que aprendeu a conciliar dinheiro e criatividade, sempre em prejuízo da última.

A televisão é cultura mas é, antes de mais, um negócio. Quem não entender isto ficará sempre à espera do que a TV não lhe pode dar.

Mas a espera de muitos, de quantos desesperam com o bombardeamento de publicidade, dos Big Shows e outros "Big..." de mau gosto em hora de ponta, também vale dinheiro.

Muitos dos que desejam outra televisão têm dinheiro para comprar carros, depositar em bancos, contrair empréstimos, fazer viagens. Esses começaram a debandar da velha televisão generalista e redutora. Foram para a televisão por cabo. Os mais novos para a Internet. E com eles, vão os anunciantes.

Assim começa a segunda parte da história da televisão. Uma televisão inteligente, que nos deixa escolher à nossa medida o que queremos, como queremos e quando queremos.

A televisão interactiva, associada à explosão dos computadores pessoais e da Internet, dá agora os primeiros passos.

A televisão de massas, feita para o povo e de graça, começa a sentir a crise. Vai sobreviver, mas como subproduto de baixa categoria.

O futuro é mais animador para quem tiver dinheiro. Porque agora é a valer e desta vez paga-se.

O Novo Capitalismo Televisivo mostra a sua face: segmentado, cirúrgico, multicultural e sem fronteiras.

Esta revolução tecnológica para além das vantagens e consequências impõe novos desafios e novos reajustamentos nos comportamentos sociais dos futuros "consumidores multimedia".

A televisão não é mais do que um instrumento deste universo contraditório e perante a complexidade de interesses que giram à sua volta.

Ao saber fazer dos jornalistas, "acto intrinsecamente democrático, pois permite fazer boa televisão e boa informação, - conceito polémico e longe de consensualidade -, transformando o jornalismo num acto de intervenção eminentemente cultural, exige-se o saber ler do espectador de televisão - aprendemos durante cinco, oito ou doze anos a ler as letras do abecedário, a literatura, os romances, mas ninguém nos ensina a ler os sinais de uma outra língua - a da imagem.

É que o aprofundamento da liberdade e da democracia constrói-se mas fundamentalmente ensina-se. O conceito de cidadania participativa desenvolve-se numa dialéctica de ensino-aprendizagem e na solidariedade dos que ensinam e dos que aprendem. E aqui a escola tem um duplo papel. Mais do que ensinar o uso ou não uso das técnicas audiovisuais, o importante é ajudar/ensinar a descobrir (a descodificar) a sua linguagem específica e não pretender reduzi-las a "truques" mágicos e espectadores que apenas servem para reforçar o autoritarismo e facilitar o dirigismo.

É nestas comunidades de aprendizagem que o Homem em vez de se ajustar ou de ser "domesticado", deve tomar consciência de si e do mundo que o rodeia, traçando e assumindo ele próprio o seu destino, por forma a tornar-se sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, criar com outros homens relações de reciprocidade, fazendo a sua cultura e fazendo história.

Iniciar os nossos jovens na reflexão, pesquisa e prática do audiovisual é um imperativo na sua educação para que de espectadores dóceis dos media se transformem em receptores conscientes, selectivos e críticos dos mesmos.

No dia em que solucionarmos este problema da formação do(s) público(s) particularmente de televisão, certamente não teremos mais produtos indiferenciados e de má qualidade.

Os self media chegaram e a televisão interactiva é já uma realidade.

Não aceitar esta evidência, é fomentar a "info-exclusão".

Mais uma vez, como no resto, como na Segurança Social ou na Educação, a televisão para todos tem os dias contados. Os ricos ficam com o melhor e pagam por isso. Os pobres ficam com a ganga generalista e de baixa qualidade.

 

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