"Congresso Internacional de Comunicação De Gutenberg ao Terceiro Milénio"

Lisboa, 6, 7 e 8 de Abril de 2000

Luís Miguel Oliveira de Barros Cardoso

Escola Superior de Educação de Viseu

 

A Universidade Autónoma de Lisboa realizou, entre os dias 6 e 8 de Abril, na Fundação Calouste Gulbenkian, o "Congresso Internacional de Comunicação De Gutenberg ao Terceiro Milénio", no qual tivemos o privilégio de participar.

O Congresso reuniu especialistas de áreas muito variadas que proporcionaram um cruzamento de saberes concernente ao universo da Comunicação.

Dado o polimorfismo temático deste evento – realizaram-se várias sessões simultâneas – os participantes puderam usufruir de uma galeria temática muito heterogénea. Face à relevância e pluralidade de conferências a que assistimos, gostaríamos de destacar algumas que se impuseram por motivos distintos.

Após a Sessão Solene de Abertura, presidida pelo Reitor da Universidade Autónoma de Lisboa e pela Vice-Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, foi proferida a conferência inaugural por Philippe Quéau (Directeur de la Division Information et Informatique UNESCO) subordinada ao título "Cyberespace et Noosphère".O conferencista reflectiu sobre a sociedade de informação, a «cybercultura» e mundialização da cultura.

Ainda no primeiro dia destacamos as conferências "Design de Objectos-quase-sujeitos" de Vasco Branco (Universidade de Aveiro), "Ano 2000: a revolução digital na rádio" de José Manuel Nunes (RDP), "La société de l’information du coté des enjeux symboliques et imaginaire: l’horizon privatiste de la cyberculture" de Laurence Allard (Univ. de Lille 3), "Sociéteé de l’information: utopie dúne Société Asociale" de Asdrad Torres (Univ. de Rennes), "Lições das políticas audiovisuais europeias dos anos 90" de Francisco Rui Cádima (Univ. Nova de Lisboa), "L’ imaginaire d’Internet" de Patrice Flychy (CNRS – Reseaux) e "Audiovisual e multimedia: uma política europeia" de João Maria Mendes (Univ. Autónoma de Lisboa).

No dia 7 de Abril seleccionámos um conjunto de conferências que reuniram especialistas de duas áreas: "Espaço Público e Tecnologias" e "O jornalismo na viragem do século". Quanto ao primeiro tema, salientamos a sessão plenária que teve como moderador Philippe Breton e que incluiu as comunicações "Room for only one" de Robert Cailliau (CERN) e "Globalisation et culture" de Jacques Leenhardt (EHESS).

Durante a manhã, assistimos ainda às conferências "Élements pour une definition de l’ imaginaire de la fin" de Bertrand Gervais (Univ. du Québec) e "Politicas de información y comunicación en la Unión Europea" de Sanchez Bravo (Univ. Complutense de Madrid).

Durante a tarde, forma debatidas, na Sala 1, várias temáticas concernentes ao universo jornalístico. Destacamos as intervenções "A comunicação regional e local perante os desafios do século XXI" de José d’Encarnação (Univ. de Coimbra), "Jornalismo e feminismo: estudo de um caso", de Maria Antónia Fiadeiro, bem como as participações de Dalila Carvalho (UAL), Fernanda Mestrinho (UAL), Mário Figueiredo (UAL) e Pedro Luíz de Castro (UAL).

O último dia de trabalhos foi preenchido com diversas intervenções como "Oligarquizacion del discurso informativo"de Pedro Farias(Univ. Complutense de Madrid), "Das ligações: observações sobre a erótica generalizada na época da técnica" de José Bragança Miranda (Univ. Nova de Lisboa), "Morte e ressurreição de Gutenberg" de José Magalhães (Deputado),e "Nova tecnologia, nova comunicação. Nova comunicação, nova expressão ?" de Rui Mário Gonçalves (Univ. de Lisboa).

A sessão da tarde foi subordinada ao tema "Perspectivas do Jornalismo Contemporâneo" e contou com comunicações de J. A Saraiva (Director do Expresso), Ignacio Ramonet (Monde Diplomatique), Sebastán Serrano (El País), José Carlos Vasconcelos (director do Jornal de Letras) e F. Sena Santos (UAL).

A sessão de encerramento contou com a presença de F. Rutelli (Sindaco da Comuna de Roma) e Lucien Sfez (Univ. de Paris I – DEA) que apresentou o balanço do Congresso.

No espaço do Congresso esteve patente, durante os três dias uma interessante mostra, comissariada pela Dra. Simonetta Luz Afonso, organizada pela RTP, sob a orientação do Dr. Alfredo Tropa.

Em singela conclusão, podemos dizer que este congresso foi uma experiência muito rica no domínio dos universos da Comunicação. Invocamos as palavras da Comissão Organizadora: "Um universo cada vez mais interdependente coloca-nos face a uma nova era de mundialização das redes de comunicação. Da pluralidade das intervenções, do diálogo, da troca de experiências, da intercompreensão, tendo presente a nova paisagem estratégica, resultará certamente uma aprofundada reflexão que encaminhe a novos acercamentos solicitados pela actual conjuntura."

Acreditamos que este Congresso foi um marco no actual debate sobre várias temáticas prementes no mundo da globalização da informação.

SUMÁRIO