ENCONTRO

"A COMUNICAÇÃO SOCIAL NO MUNDO RURAL"

Margarida Santos

3º Ano do Curso de Comunicação Social

A Câmara Municipal de Vouzela, com o apoio do Lions de Alvalade levou a efeito, nos dias 5, 6 e 7 de Novembro do ano de 1999 um encontro sobre a temática "A Comunicação Social no Mundo Rural".

Esteve presente neste evento a Escola Superior de Educação de Viseu, que se fez representar pelo Senhor Doutor Luís Miguel Cardoso acompanhado de um pequeno grupo de alunos do Curso de Comunicação Social.

Este encontro teve inicio na Sexta-feira (dia 5), ao fim da tarde, com a recepção aos participantes, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, feita pelo Senhor Presidente da Câmara e Vereadores.

A abertura da sessão no dia 6, Sábado, iniciou-se com a apresentação do 1.º painel, moderado pelo Director do Jornal "Notícias de Vouzela", Prof. Manuel Lopes Martinho, denominado "Ler, Ouvir e Ver Comunicação Social". Foi palestrante o representante da RTP o jornalista Carlos Daniel, também professor universitário de comunicação social. A presença deste "Grande senhor" da Comunicação Social fez com que este encontro atingisse o momento alto aquando da sua intervenção sobre a temática atrás referida. Salientamos algumas referências efectuadas por este jornalista no momento da sua comunicação: "quando se dá uma opinião deve-se ser imparcial, mas não necessariamente neutral; contar a verdade dos factos mas contar ao factos com verdade; acredita que há jornalistas que não cedem a pressões; fazer sempre o que a consciência mandar; não dar opinião quando se está a narrar um facto; quem anda a estudar jornalismo não pode pensar em começar por cima; no jornalismo diz-se mal dos colegas em voz alta e nas outras profissões em surdina(!)."

Relativamente ao poder da imagem na televisão, o jornalista justificou a sua importância com a célebre frase – « uma imagem vale por mil palavras ».

Questionado sobre a influência de grupos económicos nos meios de comunicação social, lamentou a opção pelo lucro em detrimento da qualidade, chegando mesmo a afirmar que « o poder económico corrompe mais do que o poder político ». Numa última perspectiva, Carlos Daniel estabeleceu uma fronteira entre o que é interesse público e o interesse do público.

Após uma pausa para café, prosseguiu-se o Encontro com a intervenção de Maria Teresa Alvares Carvalho, a qual falou sobre a temática "Telenovelas e Mundo Rural". Demarcando-se de qualquer posição, começou por situar o aparecimento das novelas no nosso país e a aceitação do público ao longo destes 25 anos. Segundo dados apresentados, esta rápida aceitação deveu-se não só à linguagem acessível (levantou-se muito a questão da musicalidade do falar português no Brasil), mas também por permitir uma evasão tão necessária para quem trabalha muitas horas.

Já numa fase de debate, e depois de um pré-aviso da autora para eventuais polémicas, surgiram opiniões cruzadas sobre quem vê telenovelas, como se distingue o real do virtual e que tipo de mensagem é veiculada pelas mesmas.

Após o almoço realizaram-se dois painéis moderados pelo presidente da «Rádio Vouzela», Dr. Arsénio Saraiva Martins. O primeiro esteve a cargo do eng.º Jorge Manuel Vieira Neves e versou «As rádios nas regiões do Interior», enquanto que o segundo, «Comunicação social e entidades locais», foi abordado pelo Dr. Luís Freitas Costa, jornalista da RTP. Foram referidos factos históricos como o pioneiro da Rádio Portuguesa (CTI-AA), Abílio Nunes Santos, a rádio Graça (1925), a nacionalização da rádio (1975), as rádios piratas, que surgiram em 1981, e a legalização em 1988, com a atribuição de cerca de 300 alvarás, metade dos «piratas», as fusões em grupos económicos. Também foi abordado algo que o «ouvinte» espera da rádio: companhia (solidão, doença, privação); estímulo (informações, piadas); utilidade (notícias em 1.ª mão); conselhos (sobre a região, gastronomia). Também se pretende que as rádios sejam independentes, pluralistas, que sejam vozes reivindicativas dos povos, equidistantes entre os vários poderes, com pluralismo interno e externo, com variedade de informação (com respeito pelos valores locais, usos e costumes), não esquecer a formação/educação (jovens, campanhas de saúde).

No Domingo (dia 8), cerca das 10h00, decorreu debate geral com a apresentação de sugestões, tendo sido moderador o Dr. Carlos Alvares de Carvalho, da RTP.

Foram abordados temas como as (futuras) televisões regionais, a «desculturação» das telenovelas, a comunicação social no interior e manifestada a vontade unânime de a este se seguir outro encontro, já no próximo ano.

O Governador Civil, Prof. Dr. João Inês Vaz, encerrou o encontro felicitando a autarquia pela iniciativa.

Considerou que o jornalista é um observador que ouve, vê e transmite, condicionando o pensamento de quem lê ou ouve e que deve informar sempre com o objectivo de formar. Também referiu que a Comunicação Social, às vezes, é mais do que o quarto poder, é mesmo o primeiro.

SUMÁRIO