O OUTRO LADO DO TELEJORNAL

Por PAULO BRUNO PEREIRA PAIVA ALVES

 

Posso considerar-me um privilegiado no mundo estudantil da Comunicação Social, porque conheço o interior de uma Estação de Televisão, a R.T.P.

Ao longo do meu Estágio, de três meses, na Rádio Televisão Portuguesa, tive a oportunidade de conhecer por dentro o Telejornal. E é isso que lhe vou mostrar agora.

Com a televisão sintonizada na R.T.P.1, as 20 horas marcam o início do noticiário.

Confortavelmente instalado em sua casa, vê o Telejornal todos os dias na sua televisão. Mas, para que tenha a informação disponível às 20 horas, há um trabalho diário de bastidores que agora vai conhecer.

Só se pode falar de verdadeiro stress na redacção a partir das 19 horas. A partir dessa altura, é conveniente que as peças, que fazem parte do alinhamento do jornal, já estejam prontas ou prestes a concluírem-se.

O apresentador de serviço do noticiário escreve os pivots de abertura e do sumário, a partir das reportagens feitas pelos jornalistas. É um trabalho que consiste na elaboração de um pequeno resumo da peça, e que servirá de ponto de partida à apresentação da mesma.

Mesmo ao lado da redacção, as salas de montagem ainda estão em plena actividade, mesmo quando o relógio ameaça com as 20 horas. Por vezes, acontece que as peças não estão prontas no início do Telejornal e, nessa altura, o stress é total: na regie espera-se pela cassete que nunca mais chega, no estúdio, o pivot improvisa 10 segundos, esperançado que da regie oiça o o.k., para prosseguir a apresentação da peça, e na sala de montagem amaldiçoa-se o relógio, como a mais vil invenção humana...

De qualquer forma, são nestas salas de montagem que os jornalistas visionam as imagens recolhidas no local da reportagem, e claro, onde montam as suas peças.

O processo é simples: corte, colagem e um texto em locação (voz off) a suster as imagens com informações.

Quando o Telejornal está prestes a ir para o ar, o ambiente na redacção torna-se cada vez mais descontraído. Os coordenadores esperam que corra tudo como planeado, os jornalistas anseiam por ver as suas peças no ar.

Se a paz reina neste 2 andar, dois andares abaixo, o ambiente é de um frenético nervosismo e stress.

Na regie, tudo tem de estar operacional e nada pode falhar. A regie de vídeo controla a entrada das peças e saída das mesmas, as deixas que servirão de guia à reentrada de pivot no ar...

Na regie de áudio, faz-se o controlo do som para o estúdio e para o exterior. É aqui que a Produção do Telejornal estabelece os contactos com os enviados especiais e com os directos do dia. Antes de entrarem no ar, os correspondentes no exterior fazem os testes de som/imagem, para que no momento que forem questionados pelo pivot em directo, não haja falhas.

Normalmente, é isto que acontece nos dias calmos. Quando algo corre mal na regie, em sua casa poderá assistir a essas falhas: negros de emissão (alguém carregou no botão errado), ouvir a voz do pivot quando as peças já estão no ar (alguém não desligou o som de retorno do estúdio)...

O que não pode ouvir nem ver nestas situações são os murros na mesa ou os gritos de raiva dos coordenadores do jornal.

Mas, por isso é que você fica comodamente sentado a ver o Telejornal, abstraindo-se destes problemas internos. Se as pessoas soubessem aquilo que se passa aqui dentro enquanto estão sentadinhas a ver televisão...

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