UM SALTO NAS NUVENS ... EM BARCELONA

por: Maria Luíza Alagoa

 

Erasmus é, sem dúvida, uma experiência única que marca toda uma vida de um grupo de jovens provenientes de todos os cantos do mundo, partilhando ideais e o gosto pelo desconhecido.

Só o conhecimento de novas terras já nos enriquece, pois como alguém um dia me disse: "Uma viagem é uma força positiva através da qual uma pessoa vê, constrói em si mesmo a sua identidade e novas relações humanas".

O importante não é ver coisas novas, o que conta é aprender a ver todas as coisas como novas com olhos diferentes.

O momento mais verdadeiro de uma viagem é a solidão, mas temos que encontrar em nós a capacidade de renovar, de rejuvenescer, de recomeçar.

Uma pessoa que não seja capaz de desejar algo apaixonadamente, nada conseguirá realizar.

Este é o caminho e o preço de acreditar. Então, poderemos ver verdades que ninguém diz, descobrir coisas que ninguém pensa. E que as nossas conclusões sejam superiores ao silêncio que elas quebram...

Depois da ressaca da saudade (não fôssemos nós portugueses) começamos a viver o verdadeiro estatuto de estudantes Erasmus.

Tudo é diferente, novo, envolvente e atractivo, esquecendo por vezes o verdadeiro objectivo da nossa viagem: o estudo.

Há um convívio intenso entre pessoas que somente têm em comum um sonho e uma língua, o Castelhano, que cada um tenta fazer entender à sua maneira, podendo mesmo dizer que a comunicação se faz numa multiplicidade de línguas, menos em Castelhano, tal como "Espanholês", "Italianês", "Francelhano" e por aí fora, dando origem ao mais recente dialecto: o "Espanhoitalianês" que se mistura com uma variação ainda mais complexa de Polaco, Alemão, Basco, Português, Austríaco, Italiano, etc., ...culminando com uma pitada de Catalão, língua dominante para os demais, mas pouco usada entre "nós", "nosotros" ou "nosaltres", como diríamos.

A boa vontade e simpatia reinam entre nós, tanto estudantes Erasmus como Castelhanos.

Curiosamente, todos gostariam de conhecer Portugal e saber tudo sobre o país à beira mar plantado, encantando-se sobretudo com a melodia da Língua Lusitana.

O Português. Aqui está um assunto que não posso deixar passar em branco.

A verdade é que nunca gostei tanto de o falar e de o ensinar; as pessoas ficam encantadas com a sua sonoridade e musicalidade. Talvez seja pelo pouco contacto que têm com o país vizinho e com o Português de Portugal, visto que com o Português do Brasil isto já não se passa, pois este é mais usual, não só pela música comercializada, como também pela variedade de bares existentes que têm esse tipo de música como estandarte.

Quanto à cidade, Barcelona, acolhe-nos de mãos abertas e oferece-nos o que de mais belo tem.

O ar que respiramos cheira-nos a cultura, talento, arte, e os nossos olhos ficam perplexos perante tanta beleza, fazendo-nos viajar num mundo de sonho e fantasia.

Aqui, não há tempo para nada, porque aqui vive-se com uma tal intensidade que não se deixa lugar para o ócio.

Todo o nosso ser se modifica, crescendo a vontade incontrolável de ser pintor, músico, escritor, bailarino ou simplesmente um espectador atento.

Toda esta alquimia é ensaiada no maior atelier de Barcelona: as Ramblas, passeio longo, decorado com os mais fabulosos artistas, passeio esse que curiosamente nos leva ao mar, como que metáfora de infinito, de procura da própria lenda pessoal. O cenário não podia ser mais perfeito!

Falo de "lenda pessoal", porque tal como Paulo Coelho descreve no seu livro O Alquimista, todos temos uma, mas poucos são aqueles que a conseguem encontrar, por isso há que aceitar todas as oportunidades e caminhos enviesados que a vida nos dá, porque nada mais são do que sinais para chegarmos ao verdadeiro objectivo que nos move: a nossa lenda pessoal.

Lamento que nem todas as pessoas possam ter uma experiência como esta, pois apesar de difícil, é bastante enriquecedora. Só espero que o continue a ser...

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