A IMAGEM E A SUA IMPORTÂNCIA NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE

 

Por CLÁUDIO VITORINO

UMAS PALAVRAS INICIAIS

A presente reflexão é a face exposta de alguma preocupação e aspirações de um formando do Curso de Comunicação Social da ESEV.

A complexidade e pertinência do tema objecto de estudo justificam por si só a sua escolha.

Com a realização deste trabalho não se pretende, de modo algum, esgotar todas as perspectivas de abordagem deste tema. No seu decurso procura-se a elaboração de uma pesquisa sobre os mass media, como a televisão e o cinema, bem como fazer uma oposição entre a escola dita tradicional e a "escola paralela(1)" (televisão). No entanto, o grande móbil desta reflexão situa-se no impacto causado pela imagem na criança e no adolescente e quais as razões que fundamentam esse facto.

É não só oportuno, mas também bastante importante, esclarecer as problemáticas atrás referidas não só pela sua actualidade, como pela importância que possuem hoje em dia.

Através de alguma pesquisa e dedicação, tentar-se-á recolher o máximo de informação possível para abordar os temas da maneira mais completa possível.

REFLEXÃO SOBRE OS MASS MEDIA

O Homem, desde sempre, necessitou de comunicar, ou seja, tornar comum, trocar ideias, expressar opiniões, no fundo partilhar algo com os seus semelhantes. Tendo em conta um período relativamente recente, apareceram os meios de comunicação de massa, vulgarmente designados de mass media, que englobam, entre outros, o cinema, a televisão, a rádio, a imprensa e mais recentemente a Internet que é considerado o maior depósito artístico de sempre. Os mass media são não só um produto da história, mas desempenham, actualmente, um papel muito próprio na formação da história.

Hoje, quer consciente quer inconscientemente, os media tornaram-se parte integrante da vida quotidiana dos sujeitos, tendo em conta tanto a perspectiva individual como a perspectiva social. Pode-se então afirmar que os mass media são efectivamente um potentíssimo meio de controlo, de direcção e de inovação na sociedade. Os mass media são extraordinariamente poderosos e, perante esse poder os indivíduos encontram-se relativamente indefesos podendo tornar-se "presa fácil" deles. Crianças e mesmo adultos menos preparados podem ser facilmente enganados e manipulados pelos conteúdos dos meios de comunicação, em especial dos conteúdos que se relacionam com a violência, sexualidade, a raça e mesmo a ideologia.

O aparecimento dos meios de comunicação de massas não se deu ao acaso mas resultou da necessidade de veiculação rápida e eficaz da informação que se destina a um elevado número de indivíduos.

A rapidez é uma característica muito importante pois o objectivo deste tipo de comunicação é atingir o maior número de indivíduos no menor espaço de tempo, principalmente se se tratar de um acontecimento de importância social relevante. Esse acontecimento é relevante e "absorvido" imediatamente, desactualizando-se no momento seguinte . Um facto ou acontecimento é tanto mais informativo quanto mais inesperado e surpreendente for. A rapidez também é essencial pelo facto de quem chega e noticia primeiro ganha as quotas de audiência , aumenta a sua credibilidade, afirmação e prestígio e consequentemente aumenta os lucros inerentes. Mas o demasiado interesse pelo aspecto económico pode levar à existência de corrupção nos mass media que se reflecte na parcialidade da informação que circula (não expondo demasiado os detentores do poder) e na deturpação dos factos noticiados. As características dos media foram ditadas, ao longo dos tempos, pelo contexto social, processo de comunicação e pelo público (audiência).

Harold Lasswell diz que "os valores próprios de uma sociedade são, de facto, reformulados e transmitidos pelos media de forma a constituírem-se como uma verdadeira ideologia(2)". Esta afirmação reflecte bem o papel dos mass media na formação das atitudes e opiniões, e a sua função como agentes socializadores. A televisão e o cinema recorrem frequentemente à utilização de estereótipos que consistem em "imagens ou opiniões aceites, sem reflexo, por uma pessoa ou grupos ; (...) exprimem juízos de valor simplificados e por vezes errados(3)". O facto de os media apresentarem inúmeros estereótipos "de massa" pode levar à perda de particularidades regionais e à diminuição da criatividade cultural.

A informação tornada comum sobre as pessoas, grupos ou factos sociais aumenta-lhes ou diminui-lhes o prestígio pelo simples facto de terem despertado a atenção dos media, pois estes procuram acontecimentos o mais informativos possível para causarem um certo impacto no receptor.

Os media podem ser um bom meio de reforço e promoção do controlo e coesão social, mostrando, por vezes, comportamentos desviantes, fazendo-lhes a respectiva crítica e a consequente condenação social.

A abordagem cultural dos media deve interessar-se pelo público e pela mensagem, tendo em conta o nível de instrução dos diferentes subgrupos da sociedade. A crescente globalização da informação provoca a chamada "colonização cultural" dos países mais ricos sobre os países mais pobres.

Os autores McCombs e Shaw defendem que a função dos media não é impor modelos de pensamento, mas alertar sobre aquilo que se deve pensar.

Os meios de comunicação de massa, particularmente a televisão, têm reflectido de forma razoavelmente fiel a mudança social, mas a diferença entre o real e o ideal, na actuação dos media constitui, ainda, um problema de fundo.

A análise dos efeitos (quer directos quer indirectos) da comunicação dos media foi uma questão que reuniu, ao longo dos tempos, a preferência dos investigadores da «comunicação de massas».Contudo, a maioria parece interessar-se mais pelo grau com que tal influência se manifesta.

Os indivíduos com hábitos de leitura possuem uma maior capacidade de descodificação e retenção das mensagens do que aqueles que apenas usam a televisão como fonte de informação e conhecimento.

A TELEVISÃO : UMA "CAIXINHA DE SURPRESAS"

Talvez não seja demasiado atrevido dizer, e talvez com apoio absoluto da maior parte da população mundial, que a televisão é nada mais nada menos do que o media mais importante no quotidiano das pessoas.

A televisão é cultura para uns e destruição e violência para outros; essa "caixinha mágica" constitui, por um lado, motivo de debate para os adultos, por outro, objecto de culto para as crianças.

A televisão está cada vez mais a fazer o papel dos pais, é uma espécie de "baby sitter" electrónica que desperta a atenção da criança, acalmando a sua impaciência e irritabilidade. Mas as crianças não são todas iguais e utilizam o televisor para se divertirem e não para se instruírem. Eu penso que esta última informação é pura teoria pois as crianças ao verem televisão interiorizam modelos de comportamento e mesmo valores que tendem a imitar. Este facto pode tornar-se perigoso pelo simples facto de a criança não ver na televisão o seu próprio mundo nem mesmo uma representação real do mundo que a rodeia. Já agora, e só a título de curiosidade, vou passar a referir um exemplo; estudos internacionais publicados na revista TV Guia (números 822 e 823, de 5 a 11 e de 12 a 18 de Novembro de 1994) revelam que "os meninos da escola portuguesa são os que mais horas de televisão vêem por dia; vêem, em média, 3 horas de TV por dia útil e 5 horas aos sábados e domingos. Em média, as crianças dos países participantes(dado que o universo destes estudos foi limitado), vêem cerca de 2 horas de TV por dia útil e 2 horas e meia ao fim de semana. Na média dos países participantes a maioria das crianças vê televisão, nos dias úteis, entre as 17 e as 21 horas, ou seja, quando chegam a casa vindas do infantário. Ao fim de semana, pelo contrário, é sobretudo entre as 9 e as 17 horas que as crianças vêem televisão, pois não vão para o infantário e necessitam de "passar o tempo" de uma maneira divertida. Depois das 21 horas é entre as crianças portuguesas, espanholas e americanas que se encontram mais telespectadores.

As pessoas, por vezes, ou por ignorância ou por conformismo não sabem fazer uma leitura adequada da informação, nem mesmo uma selecção dos programas que devem ou não ver.

Pode também dizer-se que o pequeno écran utiliza a designada linguagem de imagem e som sendo, por isso, necessário captar estas duas componentes para se receber a totalidade da mensagem.

Continuará a existir violência na televisão e nos restantes media como na vida, porque há maldade no mundo e na natureza humana no seu lado escuro.

 

O CINEMA : CONDUTOR E MODELADOR DE COMPORTAMENTOS

O cinema apareceu em Portugal durante os "loucos anos 20" encarnando essa nova época de prazer e optimismo com todos os valores e comportamentos a ela ligados. Considera-se esta época como sendo de optimismo, pois apesar das grandes dificuldades de vida nunca houve tanto luxo e tanto gosto pelos divertimentos assim como pelos bens supérfluos.

O cinema começou por consistir em mais uma atracção presente em barracas de feira ou mesmo em espectáculos de circo, sendo considerado um divertimento para os pobres. Apresenta-se como sendo um acontecimento social que conquistou, ao longo dos tem