O REGRESSO À CONDIÇÃO

 

Eu nunca sonhei tanto como agora!

E que ventura, para quem está preso,

Por momentos deitar isto ao desprezo;

dentro da noite imaginar a aurora!

 

Sonhar! Sonhar! A gente sonha - embora;

Das celas de prisão e grande o peso...

Pode abrandá-lo qualquer sonho aceso,

Mas sempre, n' alma, qualquer coisa chora!

 

Hoje, mal acordei, ouvi, distante,

Um gemido tão áspero e cortante

Que me parecia quasi não ter fim...

 

- Carro de bois! - pensei. E vi a serra,

E vi a Beira-Alta, a minha Terra,

Em Campolide - a soluçar por mim!

 

António Alves Martins

 

Percurso pela poesia e pela pintura de nomes que em Viseu nasceram ou viveram uma parte das suas vidas, O Regresso à Condição junta em livro e em exposição alguns dos mais proeminentes criadores do distrito e região de Viseu.

Geografia do pensamento, de emoções e de linguagens que o disseminam, O Regresso à Condição é, simultaneamente, produção e reprodução de uma identidade cultural fortemente eivada de experiências e influências polifacetadas de universalismo.

apresentação

menu autores

imprimir

Galeri@ ispV

 

 

António Alves Martins (Viseu, 1897 - Viseu,1929).

Frequentou o liceu de Viseu. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa. Redactor do Diário de Lisboa. Entrevistou Fernando Pessoa para a Revista Portuguesa em 1923. Com obra poética escassa, que a tuberculose andava por perto, a força da sua poesia radica na simplicidade cristã: "Quando eu deixar de ser de mim cativo" (Fogueira Eterna).