Soneto nº 4

 

Por que dor, ou destino, só o pé

avança contra si, traz ao lugar

de pedras e de terra de andar

a circunscrita volta, se até

 

a casa que se houve não desloca?

E assim vai: dobrando, sem resposta,

a ferro qualquer passo, -- se aposta

o sonho nesse canto ou invoca

 

a porta que outrora foi medida.

Nenhum termo, agora, dá à boca

o som que mal concebe: desviado

 

do sulco onde colhe dom e vida.

E a noite que vê aí o toca:

no peito, -- ou no centro do seu lado.

Diogo Alcoforado

SEM TÍTULO - Tinta da China Sobre Papel - 29,7cm x 41,7cm

 

Percurso pela poesia e pela pintura de nomes que em Viseu nasceram ou viveram uma parte das suas vidas, O Regresso à Condição junta em livro e em exposição alguns dos mais proeminentes criadores do distrito e região de Viseu.

Geografia do pensamento, de emoções e de linguagens que o disseminam, O Regresso à Condição é, simultaneamente, produção e reprodução de uma identidade cultural fortemente eivada de experiências e influências polifacetadas de universalismo.

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Galeri@ ispV

 

 

Diogo Alcoforado. (Espinho, 1937).

Viveu e leccionou em Viseu, onde reside ainda família. Licenciado pela E.S.B.A.P., hoje F.B.A.U.P. (Pintura) e pela F.L.U.P. (Filosofia). Doutorado em Filosofia e professor do Departamento de Filosofia da F.L.U.P. Como artista plástico, e tendo deixado de expor desde a sua entrada para a docência na Faculdade de Letras do Porto (com ressalva da participação em algumas exposições colectivas em que intervém, por convite, e com trabalhos antigos), está representado no Museu de Amarante, na colecção da F.B.A.U.P. e em colecções particulares.