quando falo de lugares cidades países

não são viagens não são imagens para ter à sobremesa ou vestidas de cão

à hora de fugir no saco com gavetas incerto voante por Sintra

de nada servirá sentares-te ao espelho no meio de tanto gado e porcelanas

sorridente amável satanás de província

abres os olhos sobre os teus olhos intemerato pensa-dor

e as coisas ardem por dentro alheias á tua memória

a terra imóvel apesar de toda a árdua astronomia E eis senão quando

 

as carruagens apressam o passo para o cais

cavalos pesarosos com coloridas grinaldas militares É altura de exclamares avidamente

Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo! Como quem engole lorenine

antes da neve pedra cair por dentro como um coágulo de vozes

um pássaro cai na água adormecido por um tiro arriscando-se a uma morte prematura

a cada passo tropeço em ti E este é um poema de amor encomendado de véspera

embrulho-me nele acordo com a tua boca húmida nos cabelos

não direi que te amo

 

António Franco Alexandre

 

 

Percurso pela poesia e pela pintura de nomes que em Viseu nasceram ou viveram uma parte das suas vidas, O Regresso à Condição junta em livro e em exposição alguns dos mais proeminentes criadores do distrito e região de Viseu.

Geografia do pensamento, de emoções e de linguagens que o disseminam, O Regresso à Condição é, simultaneamente, produção e reprodução de uma identidade cultural fortemente eivada de experiências e influências polifacetadas de universalismo.

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Galeri@ ispV

 

 

António Franco Alexandre (Viseu, 1944).

Frequentou o Liceu de Viseu. Professor de Filosofia na Universidade de Lisboa. Estudos de Filosofia e de Matemática efectuados em Toulouse e Harvard. "Prémio de Poesia" da APE (2000) e "Prémio Luís Miguel Nava" (1999). Colaborou na revista viseense Ave Azul com "Poema Simples" (2000). Figura cimeira da poesia portuguesa: "Vejo a pequena terra em que nasci / o sossego das grandes chuvas desabando no pátio e o respirar da casa / o rosto de minha mãe" (Oásis).