O Caminho de Viseu

 

Saí da Casa de Marta. na ilharga

do mistério que é ser óleo. perspectiva

: uma face deste chão: beira de uma alma

adormecida no granito ainda quente

sob um leito rupestre de vinho.

Segui pegadas de broa que S. Pedro

foi largando a abençoar os pardais: a soltar

os caminhos em direcção ao Fontelo

onde doze druídas tentam deus: convencê-lo

a por ali ficar se ele quiser provar

uvas mais doces do que as dele: ver homens

por ele não criados. e ainda mais felizes que ele.

Quando cheguei: uma sé inteira iluminada

de figos e amoras. me esperava

: aconchegou-me no seu colo. por entre

o sussurrar de ladainhas ancestrais

e ainda antes de adormecer a eternidade

vi ao longe três cavaleiros atravessarem

uma porta de cristal: iam semear a boa nova

deste lugar. onde a vida aprendeu a ser barbo

castanheiro e mulher. iluminura apenas: tanto faz.

 

Jorge Branquinho

 

 

Percurso pela poesia e pela pintura de nomes que em Viseu nasceram ou viveram uma parte das suas vidas, O Regresso à Condição junta em livro e em exposição alguns dos mais proeminentes criadores do distrito e região de Viseu.

Geografia do pensamento, de emoções e de linguagens que o disseminam, O Regresso à Condição é, simultaneamente, produção e reprodução de uma identidade cultural fortemente eivada de experiências e influências polifacetadas de universalismo.

apresentação

menu autores

imprimir

Galeri@ ispV

 

 

Jorge Branquinho (Nelas, 1950).

Professor de Filosofia e de Psicologia na Escola Secundária de Nelas. Bacharelato em Filosofia e Licenciatura em Animação Sócio - Cultural / Museologia, pela Escola Superior de Educação de Viseu. 2º Prémio do Concurso C.P.L.P.-1ª obra, 1998, patrocinado pelo Instituto Camões, com o livro de poesia O Ser da Linguagem: " Só há sombra do que há: escrito / somente há o que for: registo. sinais / acasalando o barro. e o grão. no remanso / da alma. No voo da andorinha."