O Professor Sowards ...

 

O Professor George Wesley Sowards era professor na School of Education da Florida International University. Depois dos contactos necessários, veio trabalhar na Escola Superior de Educação de Viseu durante os meses de Abril, Maio e Junho de 1982.

Para além de extremamente competente, era notável a sua capacidade de trabalho, o empenhamento com que se envolvia nas tarefas a desenvolver e o rigor com que cumpria o horário de trabalho que impôs a si próprio. Para a Comissão Instaladora foi um privilégio ter a colaboração de um profissional tão completo.

O Professor Sowards chegou a Viseu no dia 5 de Abril de 1982, não sem antes ter passado uma semana em Lisboa onde se inteirou plenamente sobre o ensino superior politécnico, nomeadamente sobre as escolas superiores de educação, através de uma recolha exaustiva da documentação existente e de contactos múltiplos com os diferentes gabinetes do Ministério da Educação ligados à formação de professores, e não só.

Uma vez em Viseu, durante duas semanas, explorou profundamente o contexto em que iria trabalhar: visitou escolas de todos os níveis de ensino, onde assistiu a aulas, estudou os manuais e procurou inteirar-se pormenorizadamente de todas as variáveis envolvidas; debateu pormenorizadamente, com a Comissão Instaladora e com o grupo da Universidade de Aveiro, o perfil de professor a formar, os objectivos implícitos e explícitos, metodologias, alternativas, etc. Saliente-se ainda que o Professor Sowards fez sempre questão de participar nas reuniões periódicas das comissões instaladoras empossadas, onde a ESEV colocava em debate o andamento do processo.

Conversador exímio e um líder por excelência, o Professor era ávido de opiniões, ávido de dados e de discussões produtivas. Depois, no seu gabinete, dava asas à sua notável capacidade de produção intelectual e escrevia, escrevia ... Do ritual fazia parte uma conversa diária comigo, ao fim da tarde, para entregar o material que tinha produzido e discutir aspectos profissionais relacionados; se eu não estivesse presente, ficava o recado.

Enfim, a colaboração do Professor Sowards foi, de facto, um privilégio extraordinário, decisivo na qualidade e carácter vanguardista dos planos de estudo resultantes. A título de exemplo, realço que, desde o início, teve relutância em esboçar planos de estudo de três anos para a formação inicial de qualquer dos níveis de ensino e apontou também para a necessidade de criar o ano de indução. Isso vem explícito num dos documentos que elaborou e todas as suas propostas de planos de estudo abrangem, de facto, quatro anos.

Inserimos, a seguir, parte do espólio escrito que o Professor Sowards produziu durante a sua estadia entre nós, cientes de que constitui uma colecção de documentos que merecem ser divulgados, não só pelo seu valor histórico, mas também pela actualidade e interesse formativo dos seus conteúdos na área da formação de professores.

Nota - Em virtude de se tratarem de documentos da época não é possível, por razões técnicas, aqui reproduzi-los. A sua consulta deve ser feita na Revista Millenium (formato papel).

SUMÁRIO