ESEV: dois marcos numa história!...

FERNANDA TAVARES

Equiparada a Professora Adjunta da ESEV - Área Científica de Matemática

Estávamos em Outubro de 1987 e iniciava-se ali uma nova etapa da minha vida. Os quatro anos que se seguiriam seriam passados numa instituição que eu esperava me preparasse para exercer no futuro a profissão que eu havia escolhido: ser professora.

Uma manhã, entrei numa das salas do edifício onde funcionara a Escola Normal de Educadores de Infância (ENEI), na Avenida Infante D. Henrique, e juntei-me a um grupo de catorze raparigas e um rapaz que haveriam de me acompanhar naquela aventura de quatro anos... E que aventura!...

Nessa mesma semana começou a nossa caminhada... Sim, foi uma caminhada no mais verdadeiro sentido da palavra... As aulas de Educação Física eram no Pavilhão do Fontelo e as de Expressão Musical no Conservatório (junto à Sé). Havia ainda algumas aulas nas instalações da Universidade Católica e, mais tarde, na Escola da Ribeira. Naquelas salas, espalhadas pelos quatro cantos da cidade, conheci alguns dos professores que haveriam de marcar a minha forma de entender e estar na profissão docente, anos mais tarde. Poderia referir uma boa meia dúzia de nomes mas, para não correr o risco de ser injusta, não o farei.

Um dos lugares que quase poderia apelidar de mítico era a cave existente na ENEI. Aí funcionavam o Laboratório de Ciências da Natureza e a sala de Informática, para além de mais uma ou duas salas de aulas. Foi aí que começou, quase sem que eu me apercebesse, um gosto que me acompanhou até hoje: os computadores. Foi na sala de Informática que, pela primeira vez, tive a oportunidade de mexer num computador! Nessa altura, o Dr. Fernando Duarte e o Dr. Joaquim Seixas ofereciam algumas disciplinas de opção cujas actividades implicavam a utilização de computadores. Algumas eram essencialmente voltadas para o ensino de linguagens de programação e de aspectos técnicos relacionados com a utilização dos computadores, como por exemplo, "Introdução à Informática"; outras, como "O Computador e a Aprendizagem", tinham como objecto essencial a utilização pedagógica do computador. Afinal, há doze anos atrás, aqueles professores tentavam ajudar-nos a desbravar um caminho que seria o do futuro!

Um destes dias, em conversa com o Dr. Fernando Duarte, recordávamos que, em 1987, existiam na sala de informática três computadores AMSTRAD com 512 KBytes de RAM e com duas drives de 5 1/4'', para além de três ZX Spectrum (sim, esses mesmos... tinham um teclado preto e ligavam-se a uma televisão!). Ainda nesse ano, ou no ano seguinte, passámos a ter também uma impressora de agulhas e um Macintosh SE.

Em 1989 arrancou o Projecto Minerva, tendo sido instalado um pólo na ESEV. Assim, nesse ano pudemos contar com mais algum equipamento, entre o qual estava o primeiro computador com disco rígido (20 Mbytes) que a escola teve. Desde então, o equipamento informático não parou de crescer todos os anos! Em 1991, ano em que concluí o meu curso, o centro de informática funcionava na sala onde hoje é o gabinete da Área de Matemática, com um equipamento bastante razoável.

Em 1989, penso eu, foi anunciada a mudança para novas instalações - o edifício onde funcionara o Magistério Primário.

Um dia, o Doutor João Pedro Antas de Barros, visivelmente satisfeito, veio "apresentar-nos" a nossa nova casa. Lembro-me perfeitamente dos comentários que eram feitos e daquilo que eu própria pensava enquanto via o novo edifício: era uma coisa mesmo grande!... Iríamos ter uma enorme Biblioteca, refeitório, um espaçoso Laboratório de Ciências, e as salas eram bastantes... Dois anos depois já todos achávamos que precisávamos de mais espaço.

Quando, finalmente, mudámos de instalações, aquele portão, junto do qual hoje ficam os Securitas, era, sempre que chovia, a entrada para um enorme campo de lama... O que nós reclamávamos com o Doutor João Pedro e com o saudoso Sr. Medeiros!... Mas o passo que acabara de ser dado era motivo de regozijo para todos!...

Em 1991 deixei aquela que, durante anos, fora um pouco a extensão da minha casa, isto porque, para além das aulas, tinha a Associação de Estudantes, à qual pertenci desde o primeiro ao último ano do curso!

Terminava ali mais uma etapa, no mesmo momento em que outra começava! Mas nada me faria supor que, dois anos mais tarde, havia de regressar!...

Em Junho de 1993, o Dr. Fernando Duarte, um dos professores que mais marcara a minha passagem pela ESEV, enquanto aluna, foi o responsável pelo desvio da trajectória da minha vida profissional, ao abrir-me a possibilidade de eu voltar àquela escola, agora como docente. Eu sabia que o meu regresso era um desafio bem maior do que a primeira passagem por lá! Não poderia desiludir aquela pessoa que, pela primeira vez, teve a coragem de mostrar a sua confiança no valor dos ex-alunos da escola. Quando alguém deposita em nós a sua confiança temos a obrigação de fazer, até o impossível, para lhe corresponder.

Ao regressar à ESEV, em 1993, foi-me dito que, para além das funções docentes que iria desempenhar na área da Matemática, deveria apoiar a Dra. Cristina Santos Silva na coordenação do funcionamento do Centro de Informática. Nesta altura, contávamos já com mais de dezena e meia de computadores, entre 286 e 386. No ano lectivo seguinte, continuei a desenvolver o mesmo trabalho, desta vez colaborando com o Doutor Belmiro Rego. Na Área Científica de Matemática comecei também a leccionar disciplinas ligadas à utilização de computadores.

Hoje, temos na ESEV duas salas equipadas com cerca de 40 computadores Pentium, estando 24 deles ligados à Internet. Todos estes computadores estão disponíveis para utilização pelos alunos, fora do horário das aulas.

Aos poucos, fui tomando um verdadeiro gosto por tudo o que estivesse relacionado com tecnologias. Este gosto viria a ser decisivo quando, em 1994, tive que decidir, de entre os três mestrados em que fora admitida, qual o que iria frequentar. A escolha foi: "Informática e Educação". Não sei se foi ou não a melhor... mas sei que essa decisão começou sete anos antes, na sala de informática, na cave da ENEI...

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