NOS TEMPOS DA CONSTRUÇÃO. UMA PERSPECTIVA

JOÃO PEDRO BARROS

Presidente do Instituto Superior Politécnico de Viseu

À medida que os anos vão passando vamos perdendo, como é sabido, muitas das nossas acuidades ou, pelo menos, vamos diminuindo as nossas capacidades de percepcionar e de ponderar com o mesmo rigor epistemológico muito do que á nossa volta vai acontecendo. De igual modo vamos perdendo a capacidade de memorizar o quotidiano e de consciencializar a vida em acção, a vida criadora, a vida fecunda ardendo em labaredas e esculpindo-se em gestos(Bergson.1934).Em compensação, vamos adquirindo uma enorme experiência de vida e um conhecimento consciente das nossas "circunstâncias" e das dos que à nossa volta se mantêm activos.

Conhecemos, com rigor, todas as "circunstâncias" que conduziram à criação e desenvolvimento das Escolas integradas no nosso Instituto Politécnico, nomeadamente as que significaram e significam complexos esforços, responsabilidade profissional, enorme voluntarismo e muita, muita paciência para seguir em frente em terrenos minados interna e externamente sem perder de vista o objectivo primeiro da nossa actividade que era, e continua a ser, o de pôr no terreno, com qualidade, alternativas de formação para os jovens da nossa região, em especial, e do País, em geral.

Dezasseis anos de vida podem ser considerados como significativo distanciamento temporal que possibilite um razoável juízo de valor sobre o que de essencial foi acontecendo na vida das nossas unidades orgânicas, nomeadamente na nossa Escola de Educação.

A verdade é que muito se tem dito e escrito sobre a nossa escola de uma forma que me faz lembrar os relatos históricos medievais também conhecidos por "crónicas" da autoria de cronistas que, segundo Rodrigues Lapa (Lições de Literatura Portuguesa), em muitos casos agiam por incumbência superior. Por interesses superiores (?), diremos nós, quando analisamos a visão truncada de alguns dos intervenientes no grandioso processo de preparar a abertura da nossa escola e bem assim criar-lhe as condições estruturais para prosseguir a sua evolução em crescendo.

Temos ,como expressámos no nosso artigo publicado no nº13 de Millenium, uma visão clara do ponto de vista histórico de todo o processo evolutivo da Escola Superior de Educação que, a seu tempo, iremos publicar na revista do ISPV, quiçá. Referiremos, estou certo, como nasceu a primeira Comissão Instaladora, quem eram os professores, sem retirar nenhum, como se recrutaram, como se iniciou o processo de pós-graduações no nosso País e fora dele, como e porquê foram feitas nomeações, quem foram os Presidentes dos Conselhos Científicos e qual o seu contributo real para o crescimento da Escola, sem complexos nas decisões tomadas em tempo e sem apoio jurídico de nenhuma espécie naqueles tempos, diríamos pré-históricos, e como nos conseguimos articular num ambiente quase familiar, etc., etc..

Bons tempos esses em que as ambições estavam guardadas a sete chaves e as questiúnculas políticas não se vislumbravam. Estamos convictos, hoje, de que havia "elevação" e capacidade para construir sem curar de saber se era ou não politicamente correcto.

Passaram apenas dezasseis anos! Como quase tudo mudou!

Ás vezes pensamos que" os deuses estão loucos". Só pode ser! Ou então teremos que dar razão a Sir Winston Churchill que, ao referir-se aos homens, afirmou, com sentido de humor, que o Homem tropeça por vezes na verdade, mas na maior parte das vezes, recompõe-se e segue o seu caminho.

Como ex-vogal da primeira Comissão Instaladora, ex-presidente da mesma de 20.06.85 a 04.11.85, ex-presidente do conselho cientifico que teve a responsabilidade de todas as nomeações para as categorias de professor adjunto e coordenador, conforme permitia o Decreto-Lei nº 185/81 de 1 de Julho, sinto-me muito honrado por ter participado no nascimento e evolução da Escola de Educação, bem como ter tido a enorme responsabilidade da sua abertura em Março de 1983, por razões que também haverei de escrever.

Desejo cumprimentar todos os que lutaram para que a Escola Superior de Educação seja, hoje, uma positiva realidade.

SUMÁRIO