O ANO DE LANÇAMENTO DA ESEV

MARIA JOSÉ PINTO MOURA

Professora Coordenadora da ESEV - Membro do Conselho Directivo

A História das instituições, tal como a das pessoas, é feita de pequenos e grandes acontecimentos, alguns de muita importância, outros de apenas rotinas de maior ou menor qualidade que vão dando corpo ao projecto iniciado.

Sendo assim, todos os documentos, testemunhos escritos ou sinais que espelhem os diversos momentos e os percursos vividos pela organização e pelos seus actores sociais, são material necessário à história e à construção da memória desse corpo instituído e instituinte.

Com a autenticidade de documentos vivos e testemunhos reais, aqui ficam dois exemplos de relatórios, enviados à então Direcção Geral do Ensino Superior, respeitantes a dois anos da vida da ESEV na fase inicial do seu regime de instalação.

Outros se poderiam seguir, mas ficamo-nos por estes.

RELATÓRIO – SÍNTESE DO FUNCIONAMENTO DA ESEV

Ano lectivo de 1982/83

  1. Projecto Curricular
  2. Em 28 de Julho de 1982, a Comissão Instaladora da ESEV enviou à Direcção-Geral do Ensino Superior sete exemplares do projecto curricular elaborado, visando a formação inicial, bivalente, de professores para leccionar a faixa etária compreendida entre os 3 e 12 anos de idade.

    Deste projecto curricular, que contém não só os planos e regimes de estudo como também a proposta de criação de uma nova área nos 10º e 11º anos do Ensino Secundário, conducente especificamente aos cursos da ESEV e de outras Escolas Superiores de Educação, foi apresentado um projecto de portaria da qual se aguarda publicação.

    Em 27 de Dezembro de 1982, foi enviado também à Direcção-Geral do Ensino Superior o regulamento da prática pedagógica, componente indispensável à formação integrada dos alunos.

  3. Criação dos Cursos na ESEV

9 de Novembro de 1983 - RECEPÇÃO AOS "CALOIROS"

Assim, e porque se encontravam satisfeitas as condições indispensáveis ao início das actividades lectivas na ESEV, o Decreto do Governo nº 12/83 de 16 de Fevereiro de 1983 criou na ESEV os cursos de bacharelato em:

  1. educação pré-escolar e ensino primário
  2. e

  3. ensino básico, desdobrado este em 4 áreas.

Na sequência da publicação do citado Decreto, foi publicada a Portaria nº 250/83 de 4 de Março que fixou o "numerus clausus" para o ano lectivo 82/83, bem como as datas para as candidaturas e matrículas dos alunos.

9 DE Novembro de 1983 - RECEPÇÃO AOS "CALOIROS"

3 – Documentos Enviados

1 - Regulamento interno

O regulamento interno, expressamente elaborado para apoiar o funcionamento da ESEV, foi enviado à D.G.E.S. no dia 14/09/82, aguardando-se um parecer sobre o mesmo.

Entrando a ESEV em funcionamento na data homologada pelos serviços centrais, a Comissão Instaladora não recebeu informações em sentido contrário sobre os restantes documentos enviados:

2 – Plano de estudo

3 – Projecto curricular

4 – Perfil do professor a formar pela ESEV

5 – Proposta de uma nova área de acesso às ESE`s

6 – Regulamento da Prática Pedagógica

4 – Equipa Docente

9 DE Novembro de 1983

Para a docência das diferentes disciplinas foram abertos concursos para recrutamento de assistentes, recorrendo também a Comissão Instaladora a orientadores pedagógicos (de profissionalização em exercício) do ensino secundário e básico, cuja prática em formação de professores viria colmatar as lacunas inerentes à inexperiência de recém-licenciados. O apoio de professores universitários, conseguido através de convénios com as Universidades de Aveiro, Coimbra e I.S.E.F., assim como o apoio de assistentes da Universidade Católica, constituiriam uma garantia ao equilíbrio (entre formações diversas) indispensável à concretização do Projecto.

Assim, constituíam esta equipa docente os seguintes professores:

Dr.ª Maria Avelina Raínho – Presidente da CI e professora de Ciências da Educação;

Dr.ª Maria José Moura – Vogal da CI e professora de Língua Inglesa;

Dr.ª Ana Maria Oliveira – Professora de Língua Francesa;

Dr.ª Maria Paula Carvalho – Professora de Ciências da Natureza, Área de Física;

Dr.ª Maria Fernanda Martins – Professora de Psicopedagogia;

Dr. Ricardo Cardoso – Professor de Psicopedagogia;

Dr.ª Anabela Ramalho – Professora de História;

Dr. Fernando Vale – Professor de Português;

Dr. António Soares Marques – Professor de Literatura Portuguesa;

Dr. Fernando Duarte – Professor de Matemática;

Dr. Carlos António Ferreira – Professor de Educação Física;

5 – Conselho Científico

Entretanto, no dia 3 de Fevereiro de 1983, a Comissão Instaladora enviou à Direcção Geral do Ensino Superior a proposta de composição do seu Conselho Científico, o qual foi nomeado pelo Despacho nº 34/SES/83, entrando imediatamente em funções.

6 – Instalações

Funcionando a ESEV no edifício na Escola do Magistério Primário de Viseu, foi publicado o Despacho conjunto nº 49/ME/83, no dia 25 de Março de 1983, o qual permitiu a utilização de parte das instalações para funcionamento da ESEV.

7 – Actividades

Publicadas as listas dos candidatos colocados na ESEV e elaborados os horários, as actividades lectivas decorreram com normalidade, assim como as actividades da prática pedagógica, as quais se desenvolveram em escolas públicas e privadas, rurais e urbanas.

Também com a regularidade necessária, reuniram os membros do Conselho Científico, cujo apoio se estendeu, inclusivamente, à leccionação de aulas.

Algumas acções de formação, no âmbito das Ciências da Educação, foram realizadas por especialistas estrangeiros, exclusivamente destinadas ao corpo docente da ESEV.

Para o corpo discente , realizou-se uma visita de estudo a Lisboa, durante 3 dias, cujo objectivo foi a visita aos 5 núcleos da XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura, acrescida de uma sessão específica no Planetarium relacionada com a disciplina de Ciências da Natureza.

Após a época de exames, em Outubro de 1983 outro contigente de alunos (90) foi colocado na ESEV.

Ano lectivo de 1983/84

  1. Equipa Docente
  2. Às reuniões regulares do Conselho Científico, a Comissão Instaladora apresentou os "curricula vitae" de novos assistentes e de novos professores para se obter o seu parecer, com vista a outros contratos:

    - Dr. Nelson Lima, professor de Ciências da Natureza, Área de Geologia;

    - Drª Anabela Novais Lobo, professora de Ciências da Natureza, Área de Biologia;

    - Drª Susana Fidalgo, para a área de Inglês

    - Dr. Milton da Encarnação para a área de Francês

     

  3. Actividades Lectivas

Renovados os protocolos com as escolas oficiais que, a nível local, a Comissão Instaladora foi forçada a fazer, dado que o regulamento da prática pedagógica ainda não obtivera qualquer parecer pedagógico, e elaborados os novos horários, a 17 de Outubro de 1983 foram iniciadas as actividades lectivas.

3. Instalações

Para que a ESE pudesse utilizar mais espaços físicos do edifício da Escola do Magistério Primário de Viseu, que se encontravam totalmente desactivados, porquanto a Escola do Magistério Primário já não dispunha de alunos nem de professores pelo 2º ano consecutivo, a Comissão Instaladora diligenciou junto da Direcção Geral do Ensino Superior no sentido de que fosse racionalizada a utilização do referido edifício. Foi publicado, então, um novo Despacho conjunto nº 4/SEES/SEEBS/84, de 24 de Janeiro, o qual veio permitir novas facilidades na utilização de tal imóvel.

4. Pessoal Administrativo e Auxiliar

Debatendo-se a ESEV com carência de unidades e estando a Escola do Magistério Primário totalmente desactivada, a Comissão Instaladora deu conhecimento da situação à Direcção Geral do Ensino Superior.

Depois de vários ofícios com insistência na solução do problema, e como a Comissão Instaladora apresentava uma visão correcta da situação, a Direcção Geral do Ensino Superior reuniu com elementos da DGEB, da Direcção Geral de Pessoal, com a responsável encarregada da direcção da Escola do Magistério Primário e com a Comissão Instaladora, nas instalações da ESEV, para estudo das possibilidades de transferências do pessoal, ratificando, ao mesmo tempo, o projecto de decreto da extinção da Escola do Magistério Primário de Viseu e Escola Normal de Educadores de Infância.

A Comissão Instaladora procedeu em conformidade com o que fora estabelecido nessa reunião, aguardando-se, ainda hoje, que a lista de transferência do pessoal seja homologada e que seja publicado o Decreto de extinção.

No entanto, a partir de então, a ESE passou a utilizar a parte física do edifício, conforme as necessidades, e o pessoal auxiliar e administrativo passou a desempenhar as suas funções na ESE. Não fora este procedimento e a ESE teria forçosamente de ficar paralisada.

5. Serviços Sociais

No dia 31/08/82 foi apresentado à Direcção Geral do Ensino Superior o pedido para criação dos serviços sociais da ESEV. Apesar de conhecido o parecer favorável do Conselho de Reitores, até ao presente momento, esses serviços ainda não foram criados, nem atribuída qualquer verba, estando a ESE a fazer um esforço titânico para que os seus alunos não sejam privados da única regalia que podem usufruir: - o subsídio de refeição.

A Comissão Instaladora já deu a conhecer, várias vezes, à Direcção Geral do Ensino Superior (de quem não depende a solução) a situação alarmante dos alunos sem serviços sociais. Por isso, entregou directamente na Direcção Geral do Ensino Superior os requerimentos recebidos dos alunos onde se solicitam os devidos e necessários subsídios.

Na verdade, se a ESE dispõe da tal utilização do refeitório e serviço de bar, inclusivamente do pessoal adstrito, isso resultou dos esforços feitos pela Comissão Instaladora através do coordenador da zona do NASE do Ensino Secundário e Básico. Com o seu apoio e as diligências junto das entidades responsáveis, na Avenida Duque de Ávila, conseguiu-se atendimento e colaboração, que se traduziram na cedência efectiva das instalações e pessoal para servir os alunos.

6. Acções de Formação

Embora os vários documentos pedagógicos apresentados ainda não tivessem obtido qualquer parecer, a ESE tem desenvolvido toda a sua actividade, não só elaborando e dinamizando planos de trabalho em colaboração íntima com os professores cooperantes das escolas locais e da zona, mas também executando planos de trabalho para novas actividades. Entre outras, tem apresentado ao Conselho Científico propostas de alterações aos programas vigentes, conjungando-se todos os esforços para que as actividades decorram sem qualquer anormalidade ou hiatos.

Resta ainda mencionar que os assistentes, além da prática da docência, contribuem para o enriquecimento da Escola, executando os seus projectos de investigação, devidamente aprovados pelo Conselho Científico.

A par destas actividades, tem sido desenvolvidas acções de formação para o corpo docente da ESE, para os professores da região e para o corpo discente.

Assim, passo a discriminar:

6.1. Para o corpo docente:

6.1.1. Um curso (2 dias nas férias do Carnaval) sobre Desenvolvimento Curricular, pelo Dr. Varela de Freitas;

6.1.2. Uma acção sobre Biblioteconomia pela bibliotecária, Dr.ª Ana Maria Pessanha;

6.1.3. Uma acção sobre Desenvolvimento Curricular pelo professor Richard Diem;

6.1.4. Uma acção sobre "Metodologia da Comunicação Audio-Visual e da Informática aplicada ao ensino", pelo Sr. Eduardo Vasconcelos, funcionário da ESEV.

6.2. Para o corpo discente:

6.2.1. Uma acção de sensibilização à área da educação pré-escolar, realizada precisamente antes de os alunos optarem por uma das bivalências que a ESE lhes oferece. A dinamizadora foi a Srª D. Ana Maria Guardiola, Técnica da Divisão de Ensino Pré-Escolar, da D.G.E.B.;

6.2.2. Também a acção acima referida sobre Biblioteconomia;

6.2.3. Uma acção sobre Desenvolvimento Curricular pelo prof. R. Diem;

6.2.4. A acção acima referida sobre "Metodologia da Comunicação Audio-Visual e de Informática aplicada ao ensino";

6.3. Para professores da região:

6.3.1. Cursos sobre Desenvolvimento Curricular, realizados pelo professor R. Diem.

6.4. Neste momento, estão já agendadas e marcadas uma acção sobre Orientação Escolar, pela Dr.ª Maria Ermelinda Pereira Galamba de Oliveira, "Master" em Ciências da Educação, acção essa igualmente destinada ao corpo docente e adaptada ao corpo discente;

6.5. Três acções sobre o Ensino de Língua Inglesa, como Segunda Língua, pelo prof. Jonh Morgan, que se desloca de Londres propositadamente para estas acções, as quais foram distribuídas da seguinte maneira:

  1. - um dia destinado aos professores do ensino secundário da região;
  2. - um dia destinado aos professores do ensino preparatório da região e alunos da ESEV (Área B2);
  3. - um dia destinado aos professores da ESEV

7. Bolseiros

7.1. A Comissão Instaladora, que se encontra reduzida a um único elemento em exercício, desde Dezembro passado, teve uma reunião de trabalho com todos os docentes que estão a frequentar os diferentes cursos de mestrado. A reunião proporcionou uma agradável e frutuosa troca de impressões e informações que muito contribuíram para um conhecimento recíproco e um enriquecimento mútuo.

7.2. Também a Comissão Instaladora accionou atempadamente os mecanismos legais junto da D.G.E.S., que permitiu autorizar a frequência dos cursos de mestrado, na Universidade de Aveiro, a dois assistentes da ESEV.

7.3. A convite do professor Searles, da Universidade de Boston, o Sr. Eduardo Vasconcelos, técnico de audio-visuais da ESE, realizou uma sessão em Lisboa, na Escola do Magistério Primário de Lisboa, expressamente destinada aos mestrandos, cujo tema foi a "Metodologia de Comunicação Audio-Visual e da Informática aplicada ao ensino".

8. Próximo Ano Lectivo de 1984/85

Estabelecido já o "numerus clausus" para o próximo ano lectivo, e enviado à D.G.E.S., assim como a documentação necessária para abertura de concursos para recrutamento de mais pessoal docente, estão feitas as diligências necessárias ao arranque do próximo ano lectivo de 1984/85.

9. Instalações Provisórias

Sabido, como é, que o edifício da E.M.P.V., onde funciona a ESE, vai ser totalmente reconstruído, devendo começar as obras no próximo mês de Agosto, a Comissão Instaladora diligenciou já junto do IFADAP no sentido de utilizar o seu edifício, que se encontra devoluto, assim como junto de outras entidades com o mesmo objectivo.

Por outro lado, a Comissão Instaladora tem levado a efeito reuniões com técnicos locais, reuniões para estudo de novos arruamentos de acesso à ESE. Este estudo já foi entregue à D.G.E.S. que solicitamente se encarregou de o analisar.

 

Viseu, 25 de Maio de 1984

P` A Comissão Instaladora

 Maria José Pinto Moura

SUMÁRIO