E O MUNDO ACABOU DE VEZ

Majô Macedo e Silva

 

 

Parece incrível que esta coisa de fim de mundo tenha realmente provocado tanta ansiedade.

Com um milhão de coisas atropelando o meu dia-a-dia, e aquele objetivo louco que não me deixava ter um minuto de distração, fiquei indiferente aos comentários, ao noticiário e toda a atenção dedicada ao assunto.

Naquele dia onze, a única coisa que realmente interessava era ter meu texto aceito pelo editor daquela revista. Se um dos Mesquitas me fizesse um elogio público, via Estadão, não teria o mesmo efeito.

Tudo que sempre quis ser, ter ou parecer está impresso naquelas páginas que tem o meu jeito. O meu estilo. Tem a minha cara.

Ter meu nome naquela revista mudaria minha vida. E a resposta ficou de ser dada no dia onze. O tal do fim do mundo.

Na véspera, alguns amigos promoveram uma festa para esperar com alto astral a grande decisão. Do mundo e não do meu sonho. Entramos no dia onze jogando conversa fora e rindo muito.

Pela manhã havia uma certa dúvida quanto a hora do grande acontecimento. Eu não tinha a menor dúvida. Seria às 16.00 horas.

Pontualmente cheguei à elegante redação. Quinze minutos depois, ouvi elogios delicados e uma longa explicação de como são contratados os colaboradores da revista. Eu não me encaixava na longa lista de perfis ilustres.

Finalmente, na tarde do dia onze meu mundo acabou, quando me foi dada a oportunidade de encerrar com dignidade a entrevista.

Uma semana depois, como o velho mundo resistiu mais uma vez às previsões, já tenho outro grande sonho. O mundo pode acabar um milhão de vezes, porque atrás de um grande sonho sempre vem outro ainda maior.

 

São Paulo, 17/08/1999

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