EDITORIAL

 

Num número em que se contemplam, em diversos artigos, as realidades nacionais, em particular as educativas, de dois países recentemente visitados pelo Instituto Superior Politécnico de Viseu (ISPV), a República Checa e a Hungria, não poderíamos deixar de expressar a nossa satisfação face à intensificação da cooperação internacional com a Europa Central e de Leste, tornada hoje uma das prioridades da União Europeia.

A promoção da cooperação com estas áreas geográficas não é uma iniciativa tão recente quanto se possa pensar. De facto, após as transformações políticas e económicas de 1989, a União Europeia procurou de imediato adoptar medidas de forma a proporcionar a participação destes países em programas comunitários de carácter educacional, tendo lançado Tempus (em 1990), cujo objectivo era o de fomentar a cooperação interuniversitária, assim como a colaboração entre instituições de ensino superior e a indústria, implementando iniciativas para o aumento da mobilidade de estudantes, docentes, pessoal administrativo e elementos ligados à indústria.

Estas medidas ao nível da educação fizeram e fazem parte de um plano mais abrangente que procura apoiar o processo de reforma económica e social nestas regiões. O estabelecimento de relações económicas e sociais mutuamente enriquecedoras entre a União Europeia e a Europa Central e de Leste poderão solidificar o desenvolvimento harmonioso da Europa como um todo.

A formação foi identificada como uma das áreas prioritárias da cooperação, em particular nos domínios dos intercâmbios e mobilidade no sector do ensino superior, como uma resposta imediata às necessidades verificadas na Europa Central e de Leste e também como uma forma de estreitar as relações económicas e culturais entre os diferentes países da Europa. Esta cooperação torna-se urgente sobretudo nos casos dos países associados e dos que se preparam para a associação à União Europeia (como é o caso da República Checa e da Hungria). A cooperação promovida por Tempus torna-se uma estratégia destinada a proporcionar às instituições destes países o desenvolvimento de competências e políticas de gestão para uma participação activa noutros programas comunitários tais como Sócrates, Leonardo da Vinci e Juventude para a Europa, o que é já hoje uma realidade para muitos destes países, na sequência do recente alargamento daqueles programas a novas regiões europeias. Para além disso, é necessário trabalhar no sentido de promover a harmonização curricular no seio da União Europeia, de forma a facilitar a circulação não só de estudantes como de profissionais. De uma forma geral, qualidade e renovação são os termos-chave destas iniciativas.

Enquadrado por esta orientação política, o alargamento de Sócrates à República Checa e Hungria, em 1997, proporcionou ao Instituto Superior Politécnico de Viseu a realização, com o apoio deste programa, de visitas preparatórias a duas instituições de ensino superior, nomeadamente à Universidade de Horticultura e Indústria Alimentar de Budapeste (Hungria) e à Universidade Checa de Agricultura (Praga). Estando Portugal entre os países que menos cooperam com a Europa Central e de Leste, o ISPV procurou orientar a sua política de alargamento e diversificação de intercâmbios para esta região, com a convicção de que as relações já iniciadas, aos níveis da mobilidade de estudantes/docentes e desenvolvimento curricular, poderão ser mutuamente enriquecedoras para as instituições e, a um nível mais global, contribuir para a correcção daquele desequilíbrio.

Embora com as dificuldades próprias de instituições que se encontram em regime de transição, visíveis sobretudo na instituição checa, que desde 1990 está a implementar os princípios de autonomia institucional e auto-gestão académica (na sequência de décadas de um sistema centralizado), as duas universidades referidas acumularam um património científico de reconhecido valor e de grande interesse para o ISPV. Interesse esse que se reflecte no presente número de Millenium, no conjunto de trabalhos aqui apresentados, quer sobre os países de uma forma mais geral, quer sobre os seus recursos e potencialidades educativos. Desde já, deixamos aqui o convite para viajar por Millenium e descobrir alguns reflexos das realidades destes dois países. A todos quantos trabalham no ISPV, e à comunidade envolvente, abrimos a possibilidade de envolvimento em actividades de cooperação com estas regiões. Esperamos!

 

Sónia Silva

SUMÁRIO