Viena, a Sissi e Sachertorte

MARIA DA CONCEIÇÃO *

 

Provenientes de Salzburgo, entrámos em Viena ao fim da tarde do dia 7 de Agosto. Depois do repouso dos guerreiros esperava-nos um opíparo jantar em Grinzing, numa das inúmeras tabernas desta típica aldeia vinícola dos arredores de Viena. Antes, em jeito de aperitivo, a magnífica música Vienense num espectáculo de café-concerto de cerca de uma hora. O cenário, sem ser esplendoroso, era, no entanto, imponente. Do tecto do salão pendia um enorme lustre que, se não era cristal, imitava muito bem. As cortinas, de veludo e tonalidade bordeaux, enfeitavam as inúmeras e altaneiras janelas. O soalho, todo em madeira, apresentava duas tonalidades distintas: beije e castanha. Encostado a uma das paredes, à laia de palco para os músicos, um palanque forrado com um tecido igual ao das cortinas e debruado com um folho. Nas paredes numerosos apliques, mais pequenos, mas em tudo iguais ao lustre do tecto. Defronte da porta principal, um monumental quadro a óleo de Johann Strauss. Olhar pueril, crespa e revolta cabeleira, farfalhudo bigode, casaco negro e camisa branca onde sobressaía um gravata borboleta. À nossa disposição, nas mesas corridas, frapés com garrafas de champanhe e jarras de sumo de laranja.

O espectáculo foi simples e sem grandes pompas. Mas um deleite para os olhos e ouvidos. A magnífica orquestra, composta por dez elementos, era liderada por uma esbelta jovem violinista. Extasiou-nos com as suas valsas, polcas e marchas, pérolas da música vienense. Um par de excelsos bailarinos compôs o cenário, deslizando pela sala perante os maravilhados espectadores. Havia-nos sido dito que, logo que se fizesse ouvir a celebérrima Marcha Radetzky, epílogo do espectáculo, deveríamos aprontar-nos para sair. Assim fizemos.

Depois de tão encantador início dirigimo-nos a Grinzing. Na taberna, simples e sem grande aparato, as mesas já estavam postas. Pratos brancos, talheres cuidadosamente embrulhados em guardanapos de papel, canecas repletas de vinho branco e travessas compostas com as mais diversas e coloridas saladas. Também lá estava o avinagrado choucrute. O pão, escurecido por força de especiarias e ervas aromáticas, exalava um forte odor e o seu sabor assemelhava-se ao da erva doce. Estava devidamente fatiado e disposto em elípticas cestinhas de palha. O repasto, de fartar vilanagem, consistia numa travessa de carnes frias - Kalte Platte -, onde figuravam salsichas, frango, e grossas fatias de uma rosada carne fumada, porco certamente. Lembrava, no aspecto e no sabor, paio ou salpicão. Tudo isto acompanhado de batatas fritas. À sobremesa Apfelstrudel, a deliciosa torta de maçãs com recheio de frutos secos. Como não podia deixar de ser, ou não fosse Viena a capital da música, o serão foi animado. Dois músicos locais, trajados a preceito, com um simples acordeão e um vulgar violino, encheram a sala até ao tecto. Iam passando de mesa em mesa, tocando as típicas e tradicionais melodias dos países de origem dos inúmeros turistas que se encontravam na sala. Aos portugueses calhou, imagine-se, o Verde Vinho. O ridículo é que a música nem sequer é portuguesa. É uma versão do tema original de Udo Jürgens, que o Paulo Alexandre adaptou e celebrizou. Foi aqui que vi, pela primeira vez, uma mulher a ladrar e a ganir. Eu explico! Era uma senhora, que por acaso até era portuguesa, falsa loura platinada, e que estava perfeitamente eufórica e passada dos carretos. Decerto não acautelou a graduação do vinho quando o fez escorregar pelas goelas. Daí ao vexame, foi um passo...

O dia amanhecera claro e límpido. Propício à visita que faríamos da cidade, acompanhados da Sílvia, a nossa guia local. Iniciámos o périplo pelo Palácio de Schönbrunn, cujo nome significa bela fonte. Palácio da Bela Fonte. Foi residência de Verão do séquito Habsburgo, nomeadamente da Imperatriz Maria Teresa, seu consorte Francisco Estêvão de Lorena e numerosa prole - 16 filhos - 11 raparigas e 5 rapazes. Mulher enérgica e decidida, subiu ao trono em 1748. Durante o seu reinado a Áustria viveu um dos mais prósperos períodos da sua história. Considerada a sogra da Europa, os seus inúmeros filhos povoaram as cortes do velho mundo, por via de casamentos estrategicamente apalavrados. A mais nova, Maria Antonieta, ficou célebre por perder a cabeça durante a Revolução Francesa. Mas voltemos a Schönbrunn!... Entrámos e subimos ao primeiro andar conduzidos por uma enorme escadaria de madeira, sumptuosa, ladeada por paredes forradas de magníficas pinturas, também presentes no esplendoroso tecto. São inúmeras as salas e aposentos de que dispõe. Cada um mais belo do que o outro. Na Sala de Cerimónias, para além da sua beleza e exotismo, podem admirar-se dois curiosos quadros do retratista da corte Martin Van Mytens. Um, apresenta Maria Teresa de uma forma quase esmagadora. Sentada, enverga um magnífico vestido rosa-velho, repleto de rendas e bordados. Nos pulsos, grossas pulseiras de pérolas e a mão direita apoiada num bastão encimado por uma esfera azulada. Nos lóbulos das orelhas reluzem magníficos pingentes e o cabelo, apanhado na nuca, é sustido no alto por uma riquíssima tiara. Mira-nos com desdém, faces vermelhuscas, proeminente nariz e queixo duplo. Era espécime para mais de cem quilos! O outro, tem um pormenor deveras curioso. Nada mais nada menos do que, no meio de uma multidão de cortesãos por altura de um enlace real, o pequeno Mozart fazendo-se acompanhar por seu pai e pelo arcebispo de Salzburgo. Esta cena passaria completamente despercebida, não fora o facto de Mozart apenas ter estado em Viena, pela primeira vez, em 1762. Contudo, o quadro foi pintado em 1760.

Estamos agora na Sala dos Milhões, assim chamada porquanto a sua faustosa decoração terá custado, dizem, para cima de um milhão de gulden. A preços da época, claro está. É totalmente revestida de madeira caribenha de tonalidade rosa e coberta de pinturas que representam cenas de um reino mongol. Para a tornar ainda mais especial foram-lhe colocados espelhos simétricos, frente a frente, para que simulem uma galeria infinita...

Encerrada num compartimento de vidro e exposta à curiosidade dos visitantes, uma enormíssima e pesada cama de dossel, ricamente decorada com fabulosas rendas e brocados de corres garridas. É a cama das cerimónias! Foi esse o pomposo nome que lhe deram. Nela viam pela primeira vez a luz do dia os filhos da corte. E o curioso é que tinham assistência. Um grupo de nobres, escolhidos a dedo, certificava-se de que a criança era, de facto, de quem a estava a dar à luz. Questões de pedigree...

Já na Grande Galeria, os brancos e os dourados sufocam-nos! Um ciclópico e majestoso lustre de cristal desce do centro do tecto onde, um não menos magnífico fresco, presta homenagem à fidelidade dos domínios austríacos. Aqui decorriam os lautos banquetes com que a corte obsequiava aos seus convidados. Por vezes o número de convivas ascendia aos mil e os pratos a servir aos comensais perfaziam as três dezenas. Um aparte caricato. Não se contavam por muitos os satisfeitos. E isto porque o Imperador era sempre o primeiro a ser servido e todos tinham que parar de comer tão logo ele satisfizesse os seus apetites, que é como quem diz, acabasse a sua refeição. Como o Imperador Francisco José era um voraz devorador, num ápice fazia desaparecer as iguarias que se lhe deparavam pela frente. Isto porque considerava pura perda de tempo a hora das refeições. Ora, num banquete com mais de mil pessoas, havia sempre aqueles pobres coitados que, sendo os últimos a ser servidos, mais não faziam do que cheirar os pratos.

Falando de Francisco José, é inevitável que se mencione a sua esposa, a Imperatriz Elizabeth, a eterna Sissi que ainda hoje tem um lugar cativo nos corações austríacos. A sua presença está em todos os aposentos. Sente-se!... Extremamente bela, casou aos 17 anos por amor, coisa rara por esses idos. Participou muito pouco, para não dizer nada, na vida política e foi considerada uma das mais belas mulheres do seu tempo. A sua figura rectilínea, do alto do seu quase um metro e oitenta, fascinava os que a circundavam. A sua extrema magreza, quarenta e poucos quilos segundo escritos da época, fazem adivinhar, nos dias de hoje, uma suposta anorexia. Personagem de algum modo controversa, educada que foi de forma liberal por seu pai, o Duque Maximilian da Baviera, foi-lhe difícil submeter-se à rígida etiqueta da corte, na pessoa da sua sogra a Imperatriz Maria Teresa. Por isso foram poucas as temporadas que passou em Viena. Era de igual modo olhada de soslaio porque, pasme-se, tomava banho todos os dias! Uma excentricidade para a época! Pois se até a sogra apenas lavava os pés de três em três dias!... Está bom de ver que higiene era palavra vã. Assim sendo, não era de admirar que as pulgas e os piolhos proliferassem sem dó nem piedade. Para as evitar as senhoras usavam, debaixo das suas saias, um pequeno saco com sangue animal. Quando estava cheio, era substituído por outro. Isto no que concerne às damas. E quanto aos cavalheiros? Será que também usavam o dito saco? Se sim, onde? Deixo a resposta ao critério da vossa fértil imaginação...

Só existem retratos de Sissi enquanto jovem. Até aos 35 anos. Recusou, sistematicamente, deixar-se retratar daí em diante. Porque demonstrou sempre uma profunda compreensão pelo anseio magiar de independência do império Austro-Húngaro, Budapeste rende-lhe as suas homenagens perpetuando o seu nome numa ponte que liga Buda a Peste e vice-versa. Foi assassinada em 1898, aos 61 anos, por um anarquista em Genebra. Não era sua intenção assassinar Sissi, mas apenas um membro da família imperial. Quis o destino que fosse ela a primeira a aparecer-lhe pela frente. A sua bonita figura, imortalizada na tela pela não menos malograda Romy Schneider, multiplica-se por Viena estampada nos mais diversos objectos. Canecas, bonés, t'shirts e, de há um ano para cá por via do primeiro centenário da sua morte, nos afamados Mozart Kugeln, bombons austríacos, esféricos, com recheio de maçapão e praliné de avelã e pistáchio. Faz, deste modo, concorrência ao dito. Já fora do palácio, deleitámo-nos com os seus magníficos jardins, cuidadosa e geometricamente tratados, belíssimas fontes de Neptuno e das Ninfas e a Gloriette, monumento que honra o exército imperial.

Rumamos agora ao Palácio de Belvedere, residência de Verão do Príncipe Eugénio de Sabóia, aclamado estratega militar amplamente condecorado, graças às inúmeras e vitoriosas campanhas bélicas. Por exemplo nos Balcãs, quando repeliu a ameaça turca. Dizem as bocas negras que nada ficou a dever à beleza. Solteirão de uma fealdade chocante, como se isso não bastasse, era senhor de uma volumosa protuberância nas costas, vulgo marreca e mirolho. Não visitámos o seu interior que, nos dias de hoje, alberga dois magníficos museus - a Galeria Austríaca dos séculos XIX e XX e o Museu do Barroco. Dos jardins, que pudémos percorrer e admirar, avista-se a Catedral de Santo Estêvão e os celebérrimos Bosques de Viena, imortalizados nas partituras de Strauss. Aí, podem observar-se grandiosas figuras mitológicas de pedra, de uma anatomia estranhíssima. Aladas, corpo de felino, mas busto e face femininas. Diz a lenda que, quem tocar os seios das esfinges com a palma da mão bem aberta, regressa breve a Viena e é amplamente bafejado pela sorte...

Dando continuidade à visita, vamos passeando pelas artérias vieneses e observando as suas inúmeras construções. O Arsenal, cuja arquitectura em tudo lembra o britânico Castelo de Windsor, alberga no seu interior um complexo de instalações militares. No museu, pode ver-se o automóvel onde se fazia transportar o Arquiduque Francisco Fernando e sua esposa, quando foram assassinados em Sarajevo em 1914. O monumento aos Russos, os primeiros a entrar em Viena quando acabou a II Guerra Mundial e que foi concluído em Agosto de 1945. A Igreja de S. Carlos, construída por ordem de Carlos VI. O edifício da Filarmónica de Viena cuja sala, dourada, possui a melhor acústica do mundo. É chamada a sala dourada com um som de ouro. Tem capacidade para 2.000 pessoas e o seu órgão é um dos maiores do mundo. É sede da Orquestra Filarmónica, que integra os melhores elementos da Orquestra da Ópera de Viena. Aqui têm lugar inúmeros concertos. O mais conhecido, o Concerto de Ano Novo, é transmitido no primeiro dia do ano por inúmeras cadeias de televisão por esse mundo fora. Portugal não é excepção e a ele tem acesso através da RTP. As estações do metro de Viena surpreendem pela sua extraordinária beleza. A que pudémos apreciar na Praça de S. Carlos, construída em art-nouveau, é um edifício cuja estrutura metálica está revestida de placas de mármore e decorada com detalhes dourados. Um espanto! Vamos passando pela cidade, pelo que resta das suas antigas muralhas, demolidas para que esta se pudesse expandir, e vamos descobrindo coisas pitorescas e curiosas. Como uma discoteca à qual foi dado o nome de Viagra. Modernices... Ou a estátua de Goethe, pachorrentamente sentado.

Estamos agora no exterior do Palácio de Hofburg, residência de Inverno de quase todos os Habsburgos. É um complexo de construções de diferentes épocas e estilos. No seu interior pode admirar-se, entre outras, a Escola de Equitação Espanhola e a Capela da Corte, sede dos mundialmente famosos Pequenos Cantores de Viena.

Continuando, passamos pelos Museus de Belas Artes e Ciência Natural, construídos de raiz, e que não derivaram de palácios adaptados. No Parlamento, construído em estilo neo-grego, pode admirar-se no átrio uma estátua grega que simboliza a sabedoria política. Empunha na mão direita Nike, a deusa grega da vitória. Na base, as figuras alegóricas da legislação e da administração. Sempre que está em exercício de funções ostenta, orgulhoso, as suas bandeiras. Jocosamente se diz que, quando as bandeiras estão fora, os ladrões estão dentro... Isto saiu da boca da Sílvia. Admiramos agora a Câmara Municipal, que nos faz parecer estar na Grand Place de Bruxelas, dada a sua semelhança com o edifício da edilidade belga. A sua torre mede 99 metros. Diz quem sabe que são mesmo 99 e não 100. Isto porque a Igreja Votiva, construída em memória de um atentado falhado a Francisco José I ocorrido em 1853, possui duas torres com 100 metros. Nunca poderia o profano suplantar o sagrado. À nossa frente vemos agora uma casa branca, outrora residência de Ludwig van Beethoven, que aqui viveu até à sua morte e aqui compôs a maior parte das suas obras. Depois a Universidade de Viena, enorme, cujo corpo discente beira os 80.000 alunos. Nela se pode estudar de tudo, menos Engenharia dos Montes, no dizer da Sílvia. De passagem pelo Jardim Municipal (Stadtpark), não pudémos deixar de admirar o monumento erigido em memória de Johann Stauss Jr, o mago das valsas. Herdeiro de uma já longa tradição musical, contra a vontade do pai mas todo o apoio materno estudou música, legando-nos para a posteridade um vastíssimo património musical que vai das valsas às polcas, sem esquecer as épicas marchas. Por força da sua sonoridade fizeram, fazem e farão sempre sonhar sucessivas legiões de admiradores. O seu Danúbio Azul levou o nome de Viena aos mais recônditos cantos do universo.

Está a chegar ao fim a nossa estada em Viena. É hora do almoço e apeamo-nos do autocarro. Eis-nos em frente ao edifício da Ópera Nacional, em pleno coração da Ringstrasse. À direita, uma edificação curiosa, o monumento ao Arquiduque Albrecht. Certamente a figura equestre que se encontra no topo. Na base, uma fonte denominada Fonte do Danúbio. No topo pode ler-se: Franz Josef I - Der Stadt Wien... À esquerda o Hotel Sacher, um dos mais famosos e tradicionais de Viena e de toda a Áustria. Lá nasceu a sachertorte, concebida por um chefe pasteleiro do hotel no séc. XIX, em honra do grande diplomata Metternicht, e para gáudio dos lambareiros... Depois do almoço, vamos observando as lojas da Kärtnerstrasse, infelizmente encerradas pois era domingo. Dirigimo-nos à Catedral de Santo Estêvão. Construída entre os séculos XII e XVI, experimentou várias vicissitudes ao longo da sua história. Depois de um incêndio, em 1263, foi construída a sua nave principal em estilo gótico. A torre mede 136 metros e, ao seu topo, pode chegar quem tiver pernas para subir 343 degraus. Depois de novo incêndio, desta vez em 1945, o telhado foi coberto com 250 mil azulejos. Magníficos, mas apenas perceptíveis na íntegra por via aérea. Nós vimo-los em postais. No interior, pode observar-se: o belíssimo e monumental sarcófago do Imperador Federico III, totalmente elaborado em mármore de Salzburgo de uma tonalidade sanguínea; a nave central, gótica, com altares barrocos; a Virgem das Criadas e o Púlpito, obras primas do gótico austríaco e os vitrais, também góticos, profusamente coloridos. Quando banhados pelo sol, espargem torrentes de luz que nos inundam a alma de uma deliciosa e cristalina paz...

Já cá fora e na hora do adeus, não poderíamos partir sem comer a sachertorte. Degustámo-la numa pequena pastelaria, que nos impeliu a entrar porque a sua montra repleta de bolinhos, pudinzinhos e docinhos, era um regalo para os olhos e um íman para as papilas gustativas. Tão pequenina e tão apetitosa! Lá dentro, duas senhoras de provecta idade mas, refira-se, em magnífico estado de conservação. Uma atrás do balcão e outra a atender os clientes. Esta última a nós se dirigiu, sorriso rasgado, alta, magra, cabelo branco, outrora loiro, certamente, e óculos de massa de aros arredondados, encavalitados num aristocrático nariz. A saia pelo joelho, coberta por um imaculado avental e nos pés, ocultos por meias brancas até ao artelho, umas sandálias acinzentadas de salto considerável. Esta indumentária pareceu-nos ser um traje tradicional austríaco. Com o tabuleiro perfeitamente equilibrado na mão direita, a nós se dirigiu com um sorriso rasgado. Pedimos café e sachertorte. Com ou sem natas, perguntou. Claro que com elas. Agoniantes camadas delas. Curiosamente, sem açúcar. Uma delícia! Perdoámos o mal que fez pelo bem que nos soube...

Era chegada a hora do adeus. Tínhamos que abalar. Até porque era longo o caminho que nos separava de Budapeste, o nosso próximo destino. A inexorável passagem do tempo não se compadece perante os prazeres mundanos. A nossa visita a Viena, apesar de meteórica, marcou-nos de forma indelével.

A despedir-se de nós, o Danúbio. O magnífico Danúbio que, pelo que nos foi dado constatar, apenas os líricos olhos de Strauss o viram azul...

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* Assistente Administrativa Principal do ISPV.

SUMÁRIO