DIA DA ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA DE VISEU

Discurso do Presidente da E. S. T. Eng. Fernando Sebastião

Sr. Presidente do Instituto Superior Politécnico Viseu

Sr Governador Civil

Sra Vereadora da Câmara Municipal de Viseu

Srs Vice-Presidentes do ISPV

Sr Presidente da ESEV

Sr Director da ESA

Sr Presidente da Associação Académica do Instituto

Sr Presidentes das associações de estudantes

Digníssimas autoridades civis e militares

Ilustres convidados

Srs representantes dos órgãos de comunicação social

Caros colegas

funcionários

alunos

Minhas Sras e meus Srs

 

As minhas primeiras palavras são de saudação e agradecimento pela presença de todos vós, nesta cerimónia de comemoração de mais um dia da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Superior Politécnico de Viseu.

Este dia foi escolhido pela Assembleia de Representantes, por coincidir com a data de publicação do Decreto Lei n 46/85, que alargou a rede nacional dos estabelecimentos de ensino superior politécnico e determinou o início da nomeação das diversas comissões instaladoras, como foi o caso da nossa Escola, que tomou posse em 11de Janeiro de 1986.

Este sub-sistema de ensino Superior, surgiu com o objectivo de suprir uma lacuna importante verificada no País, e particularmente nas zonas de interior, que era a falta de quadros superiores necessários ao funcionamento ou à fixação das empresas e serviços e, portanto, condicionadora de um desenvolvimento harmónico e sustentado de todo o território nacional.

Havendo necessidade de uma resposta rápida para este problema, o ensino politécnico foi definido, então, como ensino de curta duração, com cursos de 3 anos e a atribuição do grau de bacharelato.

Sendo um ensino que se pretendia novo e diferente, entendia-se, nessa altura que as próprias designações dos cursos deveriam ser diferentes dos habitualmente conhecidos e ministrados nas Universidades.

Efectuado um levantamento das necessidades da região, através da consulta das mais diversas entidades regionais públicas e privadas, empresas e serviços e personalidades de reconhecida competência técnica e científica, que culminou com a constituição do primeiro conselho consultivo da Escola, surgiu então a definição do primeiro leque de 5 cursos considerados prioritários e cuja designação era a seguinte:

Gestão

Electricidade e Electrónica

Tecnologia das Madeiras

Tecnologia da Produção e da Manutenção Industrial e

Tecnologia da Construção Civil

Cedo, porém, se verificou que, apesar de o processo ter sido o mais adequado no levantamento das necessidades e construção curricular dos cursos, não o foi nas designações atribuídas, particularmente nas tecnologias, por se tratar de um sub-sistema de ensino novo e se correr o risco de os cursos se confundirem com cursos de nível médio e com limitações futuras em termos de acreditação e em consequência, no exercício da profissão.

Assim, ainda antes de saírem os primeiros diplomados, liderámos um processo nacional com todas as escolas congéneres no sentido da alteração das designações dos cursos que no nosso caso passaram a

Engenharia Electrotécnica

Engenharia de Madeiras

Engenharia Mecânica e Gestão Industrial

Engenharia Civil

Sem se esperar pela construção das novas instalações, a Escola entrou em funcionamento em instalações provisórias e os cursos foram gradualmente implementados.

Temos actualmente 3 000 alunos e 150 professores. No espaço curto de 13 anos, foram criados e entraram em funcionamento 10 cursos. Na área da gestão, o de Gestão de Empresas, já referido, e ainda Contabilidade e Administração, Gestão Comercial e da Produção e Turismo. Nas engenharias, os anteriormente indicados e ainda Engenharia do Ambiente e Engenharia de Sistemas e Informática.

À medida que os alunos iam terminando os respectivos cursos, começava a surgir um novo problema. Uns ingressavam no mercado de trabalho, outros pretendiam prosseguir estudos e mesmo os que ingressavam no mercado de trabalho, muitos deles gostariam de continuar a sua formação, sendo o principal objectivo de, quer uns ,quer outros, para além da valorização científica, a obtenção do grau de licenciado.

Verificámos, assim, que um dos principais objectivos do ensino superior politécnico, que era a fixação de quadros na região,, não estava a ser cumprido na sua plenitude porque uma parte significativa dos nossos alunos e, porventura, os melhores, se estavam a deslocar para outras zonas do país para terminarem a licenciatura e dificilmente voltavam à região.

Para além disso, os que entretanto tinham optado pelo mercado de trabalho, viam-se impedidos de prosseguir estudos por não haver, localmente, essa possibilidade.

Embora o recurso aos Ceses, Cursos de Estudos Superiores Especializados, tenha sido a solução encontrada para minorar estes problemas, estes só foram completamente resolvidos com a alteração da Lei de Bases do Sistema Educativo, que permitiu aos estabelecimentos de ensino superior politécnico ministrar cursos de licenciatura até então reservados às Universidades.

Após a aprovação da lei 115/97 de 19 de Setembro, o primeiro processo de reformulação dos cursos para atribuição do grau de licenciado a ser apresentado no Ministério da Educação foi o da Escola Superior de Tecnologia de Viseu.

Assim, actualmente, todos os cursos que temos em funcionamento, são cursos de licenciatura, continuando a manter no final do 3 ano o diploma de bacharelato.

Continua, deste modo, a haver, como de início, uma resposta rápida do sistema, com a atribuição deste grau e simultaneamente a possibilidade de prosseguimento de estudos sem necessidade de mudança de estabelecimento de ensino.

A atribuição das licenciaturas veio, por outro lado, dar resposta às expectativas de muitos candidatos ao ensino superior da região que, querendo optar por um curso que atribuísse aquele grau, passaram a poder fazê-lo sem necessidade de sair de Viseu. Esta situação terá, de entre outras, contribuído em larga medida para a crescente procura dos nossos cursos numa altura em que a situação inversa seria a mais natural dada a redução progressiva que se tem verificado nos alunos que frequentam o ensino secundário.

Ao longo destes curtos 13 anos de vida da instituição, desenvolveu-se na Escola um trabalho intenso:

- A criação e implementação dos cursos,

- a organização e estruturação dos serviços,

- a construção de instalações e equipamento dos laboratórios,

- a formação do corpo docente e

- a ligação à comunidade, através do acompanhamento de estágios,

prestação de serviços e elaboração de projectos, foram actividades desenvolvidas com o esforço de todos quantos trabalham nesta instituição.

Passámos momentos de grandes dificuldades, de grandes incertezas, mas também momentos de grandes alegrias, por verificarmos que o esforço despendido não foi em vão.

No ano em curso, na primeira fase do concurso Nacional de acesso ao ensino Superior, ocupámos 96% das 555 vagas postas a concurso, tendo as restantes sido ocupadas na totalidade na segunda fase. Para aquelas vagas concorreram 3850 candidatos, dos quais 762 em primeira opção.

Estes dados, aliados ao elevado nível de emprego dos nossos diplomados, que confirmam o prestígio crescente da Escola na região e no País e o espírito de corpo e o bom ambiente que se vive na instituição, são motivo da maior satisfação e que superam largamente o esforço dispendido.

Ao fazer esta reflexão sobre a evolução da Escola, não poderia deixar de evocar aqueles que connosco trabalharam, colaboraram e conviveram e com os quais, lamentavelmente deixámos de poder contar.

Refiro-me, em concreto ao primeiro administrador do Instituto Politécnico, Sr. José Medeiros e, muito em especial, à nossa saudosa colega Engenheira Fátima Borrego, que foi, durante 7 anos Directora do Departamento de Engenharia de Madeiras e também primeira Presidente da Assembleia de Representantes, e que, por iniciativa dos alunos e professores do seu Departamento, e por vontade expressa de toda a Escola, hoje homenageamos, de forma simples, como simples foi a sua maneira de ser e estar na vida.

Termino, renovando os meus cumprimentos aos nossos ilustres convidados, colegas, funcionários e alunos, e também aos novos diplomados e respectivas famílias.

Desejo a todos as melhores felicidades.

SUMÁRIO