EDITORIAL

 

Num momento em que a União Europeia, sob a Presidência Portuguesa, dá um particular destaque ao sector da Educação e, especificamente, aos generalizados processos de internacionalização das instituições de ensino, em grande parte fomentados por iniciativas e programas comunitários, Millenium não quis deixar de se unir a estes esforços. O presente número tem como objectivo dar a conhecer e promover o que tem sido um dos instrumentos de força da internacionalização das instituições de ensino superior, falamos da European Association for International Education (EAIE).

 

Apesar de já existir desde 1989, e da importância comprovada que tem tido na promoção e no desenvolvimento da dimensão internacional das instituições de ensino superior (na Europa, e não só), a EAIE continua, no entanto, a ser amplamente desconhecida no nosso país, sendo a percentagem de participação portuguesa nas iniciativas desta Associação uma das mais baixas. A publicação deste número especial pretende, assim, dar um contributo para a maximização do potencial das oportunidades criadas pela EAIE, através da sua divulgação no nosso país, entre as instituições de ensino e outros organismos eventualmente interessados. Esperamos, assim, poder de alguma forma motivar todos os profissionais portugueses desta área para uma maior participação e um crescente envolvimento nas actividades promovidas por esta Associação.

 

Desde a sua fundação, na Idade Média, as universidades europeias são por natureza internacionais. A crescente cooperação académica, acelerada nos finais dos anos 80 sob o impulso de programas comunitários, exigia a criação de uma associação que permitisse a organização e profissionalização dos recursos humanos envolvidos em actividades internacionais nas instituições de ensino superior. Foi neste contexto que, em 1989, surgiu a EAIE, que trouxe consigo inúmeras oportunidades para o aperfeiçoamento e desenvolvimento profissional, o intercâmbio de informação e experiências, e a promoção do estabelecimento de redes para a cooperação. A EAIE tem proporcionado aos seus membros a oportunidade de estabelecer e renovar contactos pessoais que estão, com frequência, na origem dos laços de cooperação. Por outro lado, a actividade da Associação confere um novo "estatuto" aos serviços de relações internacionais das instituições de ensino e contribui para a definição das identidades e perfis profissionais de todos quantos neles trabalham. Também tem assumido uma crescente relevância enquanto fonte de informação e conselhos para as agências nacionais de coordenação dos programas comunitários, e mesmo para os organismos da Comissão Europeia que têm funções de decisão neste domínio, podendo também funcionar, em muitas situações, como grupo de pressão na defesa dos interesses deste sector. Para além das conferências que organiza anualmente, a EAIE proporciona ainda cursos de formação de curta duração, faz publicar brochuras e publicações especiais sobre questões de grande actualidade, e é da sua responsabilidade a edição de um fórum electrónico, que permite aos associados debruçarem-se sobre questões específicas, ligadas a segmentos profissionais particulares, que têm em comum a preocupação em lutar pelo desenvolvimento de uma Educação verdadeiramente internacional. Por fim, não podemos esquecer as vertentes cultural e humana destes encontros. Os programas das iniciativas da EAIE incluem sempre actividades que têm como objectivo proporcionar aos seus participantes o contacto com as realidades culturais dos países/cidades onde os eventos têm lugar. Numa altura em que o Inglês tende a tornar-se a língua franca nos meios académicos, é interessante notar que existe a preocupação em fazer das actividades culturais integradas a expressão das culturas nacionais, sinal de que a filosofia de internacionalização inerente não passa pela homogeneização cultural e académica mas sim por um esforço de harmonização que se traduza na 'unidade na diversidade', um slogan comunitário acolhido desde o início. Os programas de trabalho e as actividades culturais integradas acabam por funcionar como cenários de relacionamento profissional, mas também pessoal, de uma riqueza extrema. São, em si, espaços de internacionalização que proporcionam os mais diversos intercâmbios e a expressão de uma interculturalidade surpreendente.

 

As conferências, uma das suas iniciativas de maior impacto, são uma referência obrigatória para todos quantos se movem neste domínio. De 1989 (Amsterdão) a 1999 (Maastricht), os desenvolvimentos foram verdadeiramente surpreendentes. As 16 sessões e os 6 workshops de 1989 deram lugar a 102 sessões e 16 workshops em 1998. O aumento da variedade e especialização temáticas foi igualmente notório. Também no que diz respeito aos cursos de curta duração se verificou esta diversificação temática, mantendo-se, apesar disso, a formação nuclear no âmbito da administração da educação internacional.

 

Já no seu quinto ano de existência, Millenium tem procurado ser expressão e acção no domínio da Educação Internacional. Desta vez, através da publicação de um conjunto de artigos dedicados à EAIE ou decorrentes da participação do Instituto Superior Politécnico de Viseu nas suas iniciativas. Também se publica um índice de artigos disponíveis noutros números desta revista, que se prendem com a temática da internacionalização da educação.

 

Assim, este número inclui um conjunto de textos disponibilizados pela própria EAIE. O primeiro, da autoria de Hillary Callan, Directora Executiva da Associação, é um texto introdutório que nos fala da natureza da Associação, das suas iniciativas e estrutura. Segue-se um outro, da responsabilidade de Hanneke Teekens, actualmente a coordenadora dos cursos intensivos da EAIE, que nos dá a conhecer os temas, formatos e funcionamento daquele tipo de formação. Belinda Stratton, responsável pelo sector de publicações e informação, traz-nos uma breve informação sobre a próxima conferência anual, subordinada ao tema Re-forming Higher Education: the international way, que terá lugar em Leipzig, Alemanha, de 30 de Novembro a 2 de Dezembro de 2000. Por fim, Svend Poller, Director do Centro Internacional da Universidade de Leipzig e Ulrike Renker, Técnica do Gabinete de Assuntos Europeus e Internacionais da mesma instituição e Coordenadora da próxima conferência da EAIE, dão-nos as boas vindas à cidade e à Universidade de Leipzig, onde, como já se referiu, terá lugar a 12 Conferência Anual da EAIE.

 

A este conjunto de textos, segue-se uma série de artigos que foram sendo publicados em Millenium e que, de uma forma mais ou menos directa, resultaram da participação de representantes do Instituto Superior Politécnico de Viseu em algumas das iniciativas da Associação conferências e cursos intensivos. Tratam-se de reflexões, de opiniões, ou simplesmente de pequenas notas que foram produzidas a propósito de um tema particular posto a discussão nas conferências, de experiências de aprendizagem vividas num contexto intercultural, de uma cidade, de um lugar ou até mesmo de pessoas que marcaram um momento. Embora sem a pretensão de traduzir a dimensão e valor das experiências da participação do ISPV nestas conferências e cursos, Millenium tem sido, sem dúvida, um espaço privilegiado de partilha das ideias e sentimentos trazidos pelos representantes do ISPV dos mais variados lugares.

Num terceiro momento, e porque falar da EAIE é falar de Educação Internacional, não poderíamos deixar de fazer referência à secção "Educação sem Fronteiras" de Millenium que, desde o primeiro número desta publicação, tem procurado constituir-se como um espaço de registo e divulgação de actividades e oportunidades de internacionalização, respeitantes ao ISPV e outras instituições/organismos, assim como um veículo de transmissão de informação relativa a países, culturas e sistemas de ensino diversos. Ao leitor deixamos a possibilidade de aceder a esta informação, aqui referenciada e disponível na Internet em www.ipv.pt/millenium.

E porque a força da Associação está em quem dela faz parte, deixamos aqui um apelo à participação dos associados e ao envolvimento dos potenciais associados. Instituição pioneira na Europa, a EAIE procura agora, e já com um percurso de 11 anos, assumir uma crescente maturidade institucional e reforçar a sua posição enquanto referência obrigatória no panorama da Educação Internacional e causa do seu desenvolvimento. A EAIE espera por si!

 

Sónia Silva

Técnica Superior do ISPV - Relações Internacionais

 

Referência

 

EAIE ( 1999) Europe in Association. The First Ten Years of the European Association for International Education. Amsterdam: EAIE.

 

SUMÁRIO