A EXPERIÊNCIA HÚNGARA DE

COOPERAÇÃO ACADÉMICA

 

SÓNIA SILVA

Técnica Superior do ISPV - Relações Internacionais

 

Tem pouco mais de vinte anos a cooperação académica húngara com a Europa comunitária, os Estados Unidos e o Canadá, uma cooperação fundamentalmente desenvolvida, no início, no âmbito do intercâmbio de resultados de investigação e de estadias de curta duração para professores e pessoal administrativo. Até meados da década de 80, quando se operou uma mudança considerável a nível das relações internacionais das universidades e dos colégios húngaros, a cooperação bilateral organizada por estas instituições e por agências governamentais não esteve orientada para a mobilidade estudantil nem para o desenvolvimento curricular e institucional. Porém, a progressiva internacionalização do ensino superior, sobretudo alimentada pelos programas comunitários ERASMUS E COMETT, e a importância do trabalho no âmbito do cada vez mais necessário reconhecimento de graus e de diplomas, por um lado, e a introdução de cursos regidos em línguas estrangeiras em mais de metade das universidades da Hungria, pelo outro, deram um impulso considerável não só à mobilidade de estudantes como também às trocas de informação sobre os sistemas de ensino superior, os seus graus e os requisitos para os adquirir.

Um outro impulso dado à cooperação académica no pais ficou a dever-se ao programa TEMPUS, parte integrante do programa PHARE de apoio à reconstrução económica dos países da Europa central e de leste. Segundo Tamas Lajos, em 1996 a maior parte das universidades e dos colégios húngaros tinham estabelecido já contactos e cooperação efectiva com muitos departamentos de ensino superior da União Europeia. Ainda segundo o mesmo autor, a cooperação com os Estados Unidos e o Canadá mantinham-se a níveis muito modestos.

 

///

 

As principais responsabilidades atribuídas ao ensino superior em países com experiência democrática muito recente são, entre outras, a reflexão aprofundada sobre a modernização, a democratização e a coesão social; o apoio na resolução de problemas complexos decorrentes da reestruturação económica; a promoção do desenvolvimento e da solidariedade, especialmente entre estados vizinhos. O desenvolvimento do ensino superior, a sua actualização e o fortalecimento das ligações com o exterior são hoje considerados como estratégias imprescindíveis para esse conjunto complexo de tarefas que os países do centro e do leste europeu terão de enfrentar num mundo caracterizado pela competitividade à escala global.

No caso específico da Hungria, com um sistema diversificado de ensino superior, que inclui universidades tradicionais, universidades vocacionais em sectores como as tecnologias, a medicina e a agricultura; colégios, também com orientação profissional; e uma oferta elevada de cursos regidos em línguas estrangeiras. A introdução de novos conceitos e modelos derivados das necessidades reais do país e da experiência internacional, com o objectivo da modernização do sistema, não se revelará particularmente difícil se as actuais dificuldades financeiras forem sendo ultrapassadas e se alguns obstáculos processuais começarem a ser derrubados no âmbito da cooperação académica, nomeadamente com os Estados Unidos da América. Esses obstáculos situam-se a nível do reconhecimento mútuo de graus e de diplomas; da prioridade dada à colaboração e à troca de investigação, e não ao desenvolvimento institucional ou à cooperação educacional estruturada; do carácter relativamente fragmentado da cooperação, sem coerência global, com um impacto reduzido, do lado húngaro, na transformação do sistema de ensino superior.

A experiência de cooperação da Hungria com os países europeus tem-se revelado mais positiva. Instrumentos importantes têm sido os programas PHARE e TEMPUS a que já se fez referência acima, o primeiro, criado em 1989 pelos países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE) para apoiar a reconstrução económica da Polónia e da Hungria (a relação entre o desenvolvimento da economia e o desenvolvimento de recursos humanos determinou a inclusão neste programa de elementos que envolviam tanto o ensino superior como a formação vocacional, elementos que foram subsequentemente administrados através do programa TEMPUS); O segundo, o TEMPUS, um programa de assistência à reestruturação do ensino superior na Europa central e oriental através do desenvolvimento de projectos ou de adaptação de curricula em áreas académicas chave. A combinação destes dois vectores com a mobilidade académica e a actualização do equipamento técnico tem sido a força determinante do programa na medida em que se tem procurado o fortalecimento dos laços entre as instituições e a vida real do país através de uma colaboração multi lateral.

 

(Num próximo número, Millenium vai dedicar uma informação mais detalhada e mais técnica ao programa Tempus, cujo impacto real no processo de reforma da gestão e da administração do ensino superior nos países da Europa central e oriental está presentemente a ser estudado)

 

FONTES:

 

LAJOS, T., The Hungarian Experience of Academic Cooperation with North America and the European Community. In Academic Mobility in a Changing World - Regional Global Trends, edited by Peggy Blumenthal, Craufurd Goodwin, Alan Smith and Ulrich Teichler. London: Jessica Kingsley Publishers, 1996, pp.188-198. GREENWOOD, P. "Resolving the TEMPUS paradox". ln EAIE NEWSLETTER, no. 23, June 1996.

SUMÁRIO