EAIE (EUROPEAN ASSOCIATION FOR INTERNATIONAL EDUCATION)

9ª. CONFERÊNCIA ANUAL

 

 VASCO OLIVEIRA E CUNHA

 Vice-Presidente do ISPV

Realizou-se em Barcelona, entre 20 e 22 de Novembro de 1997, a 9ª Conferência anual da EAIE, dedicada ao tema "Boundaries and Bridges in International Education" (Fronteiras e Pontes em Educação Internacional), com apoios das DG XXII e DG XII da Comissão Europeia, dos Departamentos de Assistência Técnica em Bruxelas e Torino, da DG 1B (para a área "Mediterranean Link" (O Elo Mediterrânico). Entre outros.

Alguns dados fundamentais sobre esta associação de professores e técnicos do ensino superior foram já apresentados em Millenium (nº.1, Fevereiro de 1996), publicando esta revista em todos os seus números já editados (com excepção dos específicos), na secção "Educação sem Fronteiras", informações sobre diferentes realizações por ela levadas a cabo: seminários, workshops, cursos, conferências, etc.

Sobre a conferência de Barcelona Millenium abordará no próximo número, com algum detalhe, as áreas que os dois participantes do Departamento Cultural do ISPV elegeram para trabalhar - a das questões concretas dos programas comunitários e a da cooperação no mundo mediterrânico. Áreas que, simultaneamente, são relevantes para o trabalho institucional em geral e para a revista em particular.

Neste número procurar-se-á dar uma informação quantitativa do que foi esta realização da EAIE, em termos de participação, procurando tirar algumas conclusões que nos parecem pertinentes.

1. Entre participantes e speakers, estiveram em Barcelona 1775 docentes e técnicos de setenta e cinco países directamente envolvidos na cooperação internacional a nível do ensino superior, um número que representa um acréscimo de 17% relativamente à participação na Conferência de Budapeste (Hungria) em 1996.

2. A Europa (sem a Turquia, que incluímos na Ásia), com 1420 presenças (83%), foi a região do globo que, como vem sendo habitual, teve maior representação. Seguiram-se-lhe a América, com 192 (11,2%), a Ásia (incluindo o Japão e a Indonésia), com 55 (3,2%), o Pacífico, com 24 (1,3%) e a África, também com 24 (1,3%).

3. Dez dos quarenta países europeus presentes fizeram deslocar 1044 docentes e técnicos, número que corresponde a 73% da participação continental e a 61% da global. Sete desses países situam-se no Norte e no Noroeste - Bélgica, Holanda, Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia - e a sua representação (834) corresponde a 58,6% do total europeu e a 48,6% do total global.

4. Os vinte e dois países da orla mediterrânica representados na capital catalã (13 europeus, 6 asiáticos e 3 africanos) registaram 288 presenças (17 portugueses), 16% do total global. A representação mediterrânica europeia aquivale a um pouco mais de 17% do total continental.

5. As restantes presenças europeias foram as seguintes: países do leste, 137; do centro, 184; Islândia e Irlanda, 20.

6. Os Estados Unidos da América (com 153 presenças) salientam-se no conjunto da participação continental, o mesmo sucedendo com a Austrália (21), no Pacífico, com a África do Sul (9) e com o Japão (23), na Ásia.

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• A primeira conclusão que se poderá extrair dos números acima é a de que a distribuição geográfica, cultural e económica da participação é profundamente desigual, tanto em termos globais como por grandes espaços do mundo actual.

• A Europa do Norte e do Noroeste dispõem de uma presença nitidamente maioritária, um facto que, inevitavelmente, tem contribuído para a definição do actual quadro teórico (e dos reflexos práticos) da cooperação internacional a nível do ensino superior.

• Os países do Leste europeu começam a surgir de forma cada vez mais visível, uma tendência que já tinha sido esboçada em Budapeste (1996) e que, estamos certos, virá a reforçar-se significativamente com a entrada próxima de alguns deles na Europa comunitária.

• Os países mediterrânicos europeus encontram-se ainda longe de poderem influenciar significativamente na associação decisões que se impõem no quadro da cooperação actual, nomeadamente a nível do seu financiamento.

• Ainda no Mediterrâneo, a presença de apenas três países africanos (10 participantes) e de cinco asiáticos (20 participantes) representa uma expressão carenciada de cooperação. Salienta-se como positiva, contudo, a primeira delegação palestiniana nas conferências da EAIE.

• A presença de um número já elevado de participantes dos Estados Unidos da América numa realização de uma associação europeia poderá significar por um lado, uma participação intrinsecamente preocupada com a própria cooperação e, pelo outro, o desenvolvimento do interesse de agências privadas por este sector promissor da vida contemporânea e, segundo se crê, da sua crescente importância no futuro.

A cooperação internacional no âmbito da educação e da formação de nível superior, e nas suas ligações intrínsecas com o mundo do trabalho, é hoje uma realidade por demais visível para poder ser ignorada. A expressão que Portugal e o Mediterrâneo têm nesta realidade é ainda reduzida sendo imperioso que ela se fortaleça muito rapidamente.

Tendo sempre presente o quadro em que estas breves notas estão balizadas - a actividade da EAIE -, é pensamento de Millenium que um dos primeiros passos a dar pelas instituições portuguesas de ensino superior, e pelos Politécnicos em particular, poderia bem ser o da apresentação de uma candidatura à realização em Portugal da Conferência Anual desta Associação no ano 2000, depois de Estocolmo (1998), onde se debaterão as interacções da educação internacional na comunidade, em sentido amplo, e de Maastricht (1999), no décimo aniversário da EAIE.

 

SUMÁRIO