EURASHE

European Association of Institutions In Higher Education

RITA CASTRO LOPES *

Foi fundada em 1990 em Patras, na Grécia, e é, hoje, uma organização de peso que lida com os novos desafios da internacionalização da educação no palco europeu- Associação Europeia de Instituições do Ensino Superior (Eurashe). Esta organização, que representa as instituições do ensino superior não-universitário (politécnico e outros sub-sectores equivalentes), tem como objectivo fundamental contribuir para internacionalização destas instituições, a todos os níveis, fortalecendo a sua capacidade de responder de um modo rápido e flexível às necessidades e exigências do novo mercado de trabalho, que tem sido aliás o grande objectivo da "experiência politécnica" um pouco por todo o mundo.

Áustria, Chipre, República Checa, Dinamarca, Grécia, Irlanda, Lituânia, Luxemburgo, Polónia, Portugal e Eslováquia uniram esforços para defender os interesses das instituições de Ensino Superior não Universitário no seio das organizações internacionais. Este é assm um dos objectivos primordiais desta organização, cujas actividades têm, nos últimos dez anos, procurado ser um contributo importante para a reflexão e promoção da cooperação internacional, não só entre os seus membros como também com outras instituições espalhadas pelo mundo inteiro. De facto, o alargamento da cooperação a outros países e instituições é agora outro dos grandes objectivos da Eurashe, que tem desenvolvido contactos com França, Alemanha, Escócia, Finlândia, Noruega e Estónia, tendo em vista tornar cada vez mais abrangente a área geográfica em que se desenrolam as suas iniciativas.

Tem sido também uma grande aposta desta organização a troca de experiências entre todos os membros. Não se pode negar que, numa área em que muito está ainda por fazer, este é um passo essencial para o desenvolvimento de uma estratégia forte e coerente de internacionalização da educação, que reflicta não só os interesses particulares de cada instituição, mas também uma base de valores e objectivos comuns a serem atingidos nos próximos anos.

A Eurashe tem também promovido vários estudos sobre a situação actual do Ensino Superior e sobre as futuras medidas a tomar nesta área, e, embora muitos sejam cépticos relativamente a estas actividades, a verdade é que o desconhecimento dos diferentes sistemas de ensino europeus se tem revelado um importante entrave à prossecução de objectivos comuns e ao fortalecimento das relações de cooperação entre os diferentes países, o que torna estes estudos, senão vitais, pelo menos um passo muito importante no derrube das barreiras que ainda continuam a existir na área da internacionalização da educação.

É neste espírito que a Eurashe se tem esforçado por não ser uma organização fechada sobre si própria e tem conjugado os seus esforços com os de outras organizações, tais como a Associação Europeia das Universidades (CRE), a Confederação dos Reitores da União Europeia (CEUR), a OCDE, a UNESCO e em particular a Comissão Europeia, que tem desempenhado um papel catalisador nesta matéria.

Não é com certeza por mero acaso que a Eurashe foi, ao longo dos últimos dois anos, frequentemente consultada pela Comissão Europeia acerca da implementação da Segunda fase do Programa Sócrates. Aliás, é neste contexto que esta organização, enquanto representante das instituições do ensino superior não universitário, tem desenvolvido um notável trabalho tendo em vista a diminuição do peso burocrático que acarreta, na maior parte dos casos, a aplicação dos Programas Comunitários. É também nesta lógica que tem defendido as desvantagens, para as instituições mais pequenas, da ausência, nesta segunda fase do Programa Sócrates, do conceito de free movers1. Na verdade, para estas instituições, que na maior parte dos casos estão ainda a iniciar o processo de internacionalização, torna-se muito mais fácil começar com este tipo de mobilidade, uma vez que a experiência é ainda reduzida e não há quadros suficientes para apoiar um projecto de mobilidade mais alargado.

O reconhecimento de que a missão das instituições de ensino superior não se pode reduzir ao ensino e à investigação, devendo também ser um contributo importante para o desenvolvimento social, cultural e económico das suas regiões; reconhecer que a mobilidade de estudantes (com pleno reconhecimento académico) constitui sem dúvida uma mais valia para a performance educacional e ainda fortalecer o intercâmbio e a mobilidade de todas as pessoas envolvidas no processo de internacionalização da educação, permitindo às instituições que recentemente iniciaram o processo de internacionalização aprender com a experiência de outras instituições, têm sido também algumas das batalhas travadas por esta organização.

É evidente que uma instituição deste cariz não poderia deixar de reflectir sobre as condições do ensino superior não universitário a nível europeu. A verdade é que nos últimos anos a confusão, relativamente não só à terminologia, como também às características dos diferentes sectores do ensino superior, o universitário e o politécnico, tem-se tornado reveladora da falta de definição em relação ao que representam estes dois tipos de instituição em matéria de ensino superior. Aliás, esta situação insere-se claramente numa tendência mais alargada e que torna a "comunicação" entre os diferentes sistemas de ensino europeus absolutamente caótica: a terminologia relacionada com a educação continua a ser um assunto profundamente ligado à soberania estadual, em que não se aceitam facilmente interferências vindas do exterior. Situação curiosa quando a internacionalização da educação anda, em bom português, nas bocas do mundo, e se tornou uma tendência irreversível. Toda esta situação levou a que esta organização se tenha empenhado em promover o conhecimento dos diferentes sistemas de ensino europeus, que permita não só uma clarificação dos conceitos (com os quais, quem trabalha nesta área, tem que lidar diariamente), como também fortalecer a capacidade de diálogo europeu nesta matéria.

Outra das grandes apostas da Eurashe tem sido a realização de Seminários apelidados de SPA's (Successful Project Applications). Tem-se procurado, através destes seminários, reforçar a formação de todas as pessoas envolvidas no processo de internacionalização da educação, nomeadamente no que diz respeito à apresentação de candidaturas para financiamento de projectos de cooperação em qualquer área do Ensino Superior. Os objectivos fundamentais destes seminários são que os participantes se tornem capazes de:

- identificar projectos que digam respeito a necessidades práticas e específicas;

- avaliar a viabilidade dos diferentes projectos;

- compreender as várias componentes de um projecto;

- compreender o contexto político, os recursos, a filosofia e as implicações financeiras de cada projecto:

- apresentar projectos de qualidade de uma maneira sistemática, relevante e atempada;

- apresentar uma candidatura com grandes hipótese de atrair financiamento.

No fundo, trata-se de desenvolver todas as capacidades práticas envolvidas na apresentação de uma candidatura a diversas fontes de financiamento ( nacionais, comunitárias e internacionais), à medida que se vai tornando cada vez mais óbvio que esta é uma área que não pode desenvolver-se na base do voluntarismo/voluntariado, mas sim com o apoio de pessoas com a formação científica e técnica adequadas, que dêem ao processo uma estratégia coerente e continuada no tempo.

As atenções da organização estão agora também voltadas para o processo de reforma do Ensino Superior na Europa, processo este que inevitavelmente irá determinar o futuro de todas as instituições de ensino superior europeias, incluindo os Politécnicos. É por isso que a EURASHE tem procurado ter uma voz activa neste processo, que reflicta os interesses e as particularidades do ensino superior politécnico, ao mesmo tempo que se esforça por consciencializar os responsáveis destas instituições que não podem ficar alheios a estas alterações, sob pena de mais tarde terem que enfrentar uma realidade que não conhecem e para a qual não estão preparados.

Uma das actividades da Eurashe, que se tem tornado cada vez mais visível ao longo dos últimos anos, é a realização da sua Conferência Anual, no âmbito da reunião plenária (onde estão presentes três participantes de cada instituição-membro), que procura reflectir sobre os grandes temas da actualidade, no que diz respeito ao ensino superior, em particular o politécnico, no contexto europeu. Temas como "Inovação no Ensino Superior Europeu", "A Avaliação da Qualidade no Ensino Superior" , "A Mudança das Relações entre o Governo e as Instituições do Ensino Superior em Matéria de Autonomia, Qualidade e Financiamento" , foram já títulos de algumas destas conferências que muito têm contribuído para estimular o debate sobre os grandes desafios que enfrenta hoje o ensino superior, permitindo aos participantes comparar as diferentes realidades com que se confrontam os seus parceiros de outros países e aprender com os seus sucessos e fracassos.

É através de todas estas actividades, e de outras que se prevêem que venham a ter um grande impacto nos próximos anos, que a Eurashe tem contribuído de forma inquestionável para o desenvolvimento da internacionalização da educação no contexto europeu, o que não pode deixar de ser uma prioridade para todas as instituições, se tivermos em conta que o seu objectivo primeiro - formar pessoas capazes de desempenhar um papel activo no mercado de trabalho - já não cabe dentro das fronteiras nacionais, à medida que o próprio mercado de trabalho sofre um processo irreversível de internacionalização.

________________________

* Estagiária do Dep. Cultural do ISPV na Área de Relações Internacionais

1 -free-movers são, no fundo, estudantes que se candidatam a título individual , ao programa Sócrates/Erasmus, nas áreas nas quais a sua instituição de origem não tenha ainda celebrado acordos bilaterais com instituições de ensino superior estrangeiras

SUMÁRIO