TESTEMUNHO DE UM SOLDADO

 

ANA MARGARIDA MATOS MONTEIRO *

 

Na noite escura de Abril,

no nosso peito,

o medo imperava

como a um condenado no leito.

Era esse medo que aumentava a nossa espera,

quase senil.

 

Esperávamos com expectativa

e com força no coração

o dito sinal, com ardor.

A rádio iniciava a sua transmissão

e com a rapidez de um condor

todos ouvimos a canção emotiva.

 

A tirania derrubámos

o pesadelo acabou,

todo o tipo de opressão terminara.

E foi com alegria que se proclamou

que uma nova "era" começara

por causa dos valores em que todos acreditámos.

 

Desde já quero dizer:

pela liberdade lutámos

e não fizemos ninguém sofrer.

Pelos cravos, ao peito, simbolizámos

uma nova forma de poder

e o sangue que não derramámos.

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* Escola Secundária Alves Martins, Viseu - 17 anos.

SUMÁRIO