Ao Sol do Mondego

 

RUI TORRES DE ALMEIDA *

 

Ó rio que vais levando

Os sonhos da mocidade,

Sabe-se lá até quando

As fontes irão chorando

Lágrimas duma saudade!

 

Nas encostas do Mondego

Há serpão e rosmaninho,

Nas margens paz e sossego.

Calhandras! Guardai segredo!

Poetas, sonhai baixinho!

 

Cantam melros nas florestas,

Gemem rolas nos silvados,

Os rouxinóis fazem festas,

Ocultos entre giestas

Do olhar dos namorados.

 

Amo o céu da Felgueira

Os montes, a serrania,

As lindas jovens da Beira

Que nos serões à lareira

São amor e poesia.

1989

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* Um Homem da Beira.

SUMÁRIO