INTRODUÇÃO

Gay Corr*

 

Identidade

Quando a EURASHE foi fundada há dez anos, os seus membros eram, em geral, oriundos do sector não-universitário; daquilo que constituía na época uma clara linha de fronteira na maior parte dos países. Depois, a representação alargou-se, passando a considerar não só organizações nacionais de instituições de tipo Politécnico mas, também, instituições individuais, incluindo colleges, politécnicos e, na verdade, universidades. Embora a maior parte dos membros que entraram para a EURASHE se devotem à missão distinta das suas instituições – com ênfase particular na formação inicial, na investigação aplicada e no desenvolvimento, com uma forte focalização regional das suas actividades, creio, contudo, não se sentirem à vontade ao verem-se negativamente retratadas como instituições não-universitárias. Na verdade, os Politécnicos britânicos e as Escolas Superiores holandesas, (Hogescholen) que foram membros fundadores da EURASHE, afastaram-se, creio que por pensarem que a sua identidade própria e o seu estatuto não poderiam ser adequadamente representados pela nossa associação, tal como ela é actualmente percepcionada. É minha convicção que a EURASHE deve assumir o desafio de procurar melhorar a sua auto-imagem e o respeito social de todas as instituições de ensino superior dedicadas à aplicação do conhecimento, ao ensino e à aprendizagem em todas as suas formas, à relevância e ao enfoque regional das suas actividades. Tais instituições incluem actualmente muitas universidades por toda a Europa devido à convergência que está genericamente a verificar-se na estrutura do ensino superior. Deveríamos, penso, deixar para trás de nós a imagem negativa de representarmos apenas instituições não-universitárias, e olhar a EURASHE como uma organização de defesa de todas as instituições de ensino superior cuja missão e espírito comunitário as devotam explicitamente à relevância do seu ensino, à aproximação íntima com a vida económica na sua investigação e no desenvolvimento, e com uma ênfase regional em grande parte das suas actividades académicas.

Cooperação Europeia/Internacional

Embora seja verdade que as instituições que representamos têm uma dedicação profunda pelas responsabilidades locais e regionais, elas têm de olhar para o exterior para assegurarem uma crescente dimensão internacional da sua actividade. O comércio, a indústria e, certamente, o mercado de trabalho foram globalizados – e as instituições de ensino superior têm de fazer o mesmo e unir-se através das fronteiras nacionais de modo a aprenderem a partilhar e a partilhar para aprenderem. É útil saber que embora as instituições que representamos tenham uma forte ligação com a indústria e com o mundo dos negócios, a participação das instituições em programas como LEONARDO e o seu antecessor, COMMET, não foi visivelmente maior do que a do sector universitário mais tradicional. Do mesmo modo, para um sector como o nosso, com uma tradição longa de envolvimento em formação contínua e a tempo parcial, a participação em redes europeias de formação ao longo da vida não foi, até ao presente, tão manifesta. A EURASHE, através da participação dos seus membros, pode actuar como catalizador para estimular uma cooperação trans-europeia mais ampla pela via da participação em Redes Europeias agora emergentes em áreas de particular vigor das nossas instituições. Gostaria, igualmente, de sugerir que olhemos de novo para a constituição da EURASHE, e que exploremos, pelo menos, a possibilidade de convidar representantes do mundo dos negócios e da indústria a entrarem para a nossa organização, talvez através de alguma forma de participação associada.

Uma visão do Futuro

Espero que daqui por dois dias possamos ter uma boa compreensão do futuro próximo do ensino superior, dada a qualidade elevada de eminentes oradores que discursarão na nossa Conferência Anual. Por esta razão, limitarei as minhas notas a alguns comentários sobre a Declaração de Bolonha e sobre a sua relevância para tarefas futuras na EURASHE.

A Declaração, que é uma afirmação política subscrita por vinte e nove países da Europa, sublinha a necessidade de criar uma área ou espaço europeus para o ensino superior, considerados essenciais para enfrentar resolutamente o novo quadro agora marcado pela globalização, pelas novas tecnologias da informação, por uma competição alargada e uma comercialização crescente. Emerge agora por toda a Europa um sector educativo inteiramente novo que está a competir com as instituições europeias tradicionais reguladas pelo estado. Universidades estrangeiras de fora da Europa estão a recrutar cada vez mais estudantes no nosso continente – pela primeira vez nos anos noventa o número de europeus que estudam nos E.U.A. excede o número de americanos que estudam na Europa. A nível de post-graduação, os números de estudantes estrangeiros que estudam actualmente nos E.U.A. ultrapassam largamente os daqueles que vêm estudar para a Europa. As universidades e outras instituições europeias de ensino superior têm de aceitar o desafio e unir forças a nível europeu para erigir um sistema compatível no continente que seja competitivo com o resto do mundo.

Creio que a EURASHE tem uma enorme responsabilidade na articulação dos valores fundamentais e éticos das instituições que representamos de modo a poderem ser consagrados no que quer que emirja das propostas de Bolonha. Entre estes, um forte compromisso institucional que tenha em consideração a diversidade estudantil, os níveis de certificação, a aprendizagem ao longo da vida e uma sensibilidade e uma responsabilidade não só relativamente aos nossos stakeholders primários, os estudantes, mas também para com as comunidades que temos o privilégio de servir a nível local, nacional e europeu.

* Presidente da EURASHE.

SUMÁRIO