Cooperação em (e entre) Educação e Vida Comercial

László Dinya *

 

Introdução

Hoje em dia toda a gente fala de cooperação. Basta ver a agenda da nossa conferência: trabalho em rede sobre a garantia de qualidade, projectos de candidatura aprovados, apoio a associações da UE, etc. A própria EURASHE é um exemplo vivo de cooperação. A noção de cooperação é hoje mais popular do que a de competição, mas elas encontram-se muito próximas uma da outra (como na adivinha húngara: qual é a diferença entre a máfia e um grupo de pressão? Quase nenhuma. Se eu estiver fora do grupo de pressão chamo-lhe máfia!) Agora, falando seriamente: a cooperação é uma forma de nos tornarmos mais competitivos. Mais competitivos na luta pelas fontes (possibilidades) limitadas com actores que se situam fora da parceria. Esta é uma abordagem muito radical para se lidar com a cooperação, e muito diferente (mas racional) da perspectiva: "gostamos um do outro, e a cooperação é tão boa e tão simpática!"

Quando se fala de cooperação entre educação e mundo dos negócios é melhor optar por uma abordagem de tipo comercial para compreender a motivação dos potenciais parceiros. Seria muito fácil falar apenas das diferenças de possibilidades, de tendências de cooperação, mas gostaria de colocar primeiramente a questão num contexto mais amplo e ver mais tarde a coloração do quadro.

A Educação e o mundo dos negócios estão no mesmo saco

Todas as necessidades de actores na sociedade são satisfeitas por três esferas principais:

a esfera comercial

a esfera pública

a esfera civil

Numa sociedade saudável (= bem desenvolvida) existe uma cooperação forte entre as esferas (para satisfazer as necessidades) e uma forte competição também (pelas fontes limitadas). A cooperação de esferas (entre os actores das esferas) necessita de bases importantes: bases culturais, interesses comuns e identificados e comunicação intensiva. Há uma distinção entre cooperação e trabalho em rede: o trabalho em rede e uma cooperação duradoura.

Transformações no mundo dos negócios – e o papel da Educação

Estamos todos familiarizados com os estereótipos dos desafios actuais (globalização, sociedade do conhecimento, tecnologia da informação, etc.). Em vez de lidar com estes estereótipos, gostaria de falar muito sucintamente sobre as suas consequências na, e para a educação, especialmente para o ensino superior, incluindo o sector extra-universitário. Deverão mencionar-se quatro implicações:

"O homem neuronal"

A utilização crescente e rápida das novas tecnologias da informação é hoje um fenómeno vulgar na maior parte dos países. Qualquer pessoa pode hoje contactar com outra em qualquer lugar e a todo o momento. Qualquer organização pode conectar com uma base de dados para obter a informação de que necessita, sem um intermediário! Banco directo, seguro directo, diagnóstico directo, ensino directo e auto-desenvolvimento tornaram-se a regra da nossa sociedade: uma pessoa será como um neurónio numa enorme rede! As consequências são as seguintes:

"O estranho sedutor"

A complexidade torna-se mais convencional – toda a gente está de acordo com o nível de complexidade. Mas paralelamente à complexidade crescente há um papel cada vez maior dos actores individuais a afectar um equilíbrio muito sensível (como o bem conhecido vírus da Internet "I love you!"). Na teoria da complexidade, um pequeníssimo factor que afecte significativamente um contexto estável é designado por "estranho sedutor". Existem previsões de que no futuro as empresas podem necessitar apenas metade dos empregados, pagar-lhe duas vezes mais e trabalharem três vezes mais.

Mas nascemos numa sociedade industrial estruturada e organizada segundo os princípios do Taylonismo. Parece que, em função da grande prioridade da eficácia e da competição, cada geração tem de enfrentar a mobilidade de um terço da sua população de um tipo de trabalho para outro totalmente diferente. Não foi um processo rápido e fácil trocar a agricultura pelo sector industrial e entrar posteriormente nas indústrias de serviços. E a próxima geração transferirá pessoal das indústrias de serviços para outras actividades (cuja natureza permanece uma incógnita). Esta a razão por que temos:

"O mundo em rede"

O mundo está a transformar-se numa rede de cidades (aproximadamente 50% dos seres humanos vivem em cidades; cada vez mais gente viaja diariamente para longe de casa para trabalhar). Não se podem dirigir "empregados à distância", como aqueles que se sentam no mesmo edifício. A capacidade empresarial e a criatividade serão privilegiadas, e as competências exigidas da força de trabalho tornar-se-ão ainda mais complexas e mais individualizadas. O planeamento de carreiras a longo prazo já não é exequível na maior parte das empresas e os trabalhadores têm de cuidar do seu próprio futuro pensando antecipadamente no que vai acontecer com os seus empregos, e como manter, ou mesmo melhorar, a sua empregabilidade.

"Organizações de aprendizagem"

Numa sociedade fundamentada no conhecimento, todos os actores, mesmo nas organizações de ensino superior, têm de estar focalizados na aprendizagem, o que significa que têm de:

Da instituição escolar a centros de aprendizagem

Assiste-se a uma crescente competição no mercado do conhecimento na área de programas educativos oferecidos ao mundo dos negócios. Os clientes são cada vez mais exigentes ( rentabilidade do tempo e do dinheiro investidos). Esta a razão pela qual as instituições têm de tornar-se centros de aprendizagem, as preocupações fundamentais deslocando-se:

O perfil dos centros de aprendizagem deveria ser de:

Pelo menos cinco das questões aqui identificadas conduzem à cooperação, à parceria em ou entre a educação e o mundo dos negócios.

A gestão de uma instituição – relação com o cliente

Com os clientes do mundo dos negócios é importante conhecer os seus focos de interesse, saber o que pretendem relativamente:

(por exemplo, previsibilidade, ritmo e simplicidade, avaliação dos resultados em termos de benefícios, etc.).

Dado que há nestas áreas um conjunto de potenciais conflitos entre fornecedor e cliente, torna-se necessário categorizar os tipos de clientes e descobrir (gerir) esses conflitos potenciais. O modelo de categorização contém alguns termos básicos:

As categorias de clientes são as seguintes:

Grau de flexibilidade

Elevada

"Bombeiros"

"Alunos"

"Guarda-redes"

"Rígidos"

Baixa

Baixa

Elevada

Grau de influência

 

Parcerias trans-fronteiriças

As parcerias, a aprendizagem mútua e o trabalho em rede trans-fronteiriça são tópicos quentes na reformulação da educação e do desenvolvimento. A natureza e a diversidade da nova Europa oferece muitas oportunidades. A primeira questão é: porque precisamos de atravessar fronteiras? Porque há numerosas:

e queremos

Mas tem de reconhecer-se que:

Existem muitas formas de alianças de fornecedores (instituições):

Terminologia e princípios de redes de trabalho efectivas

Quando se abordam questões de cooperação e de trabalho em rede é necessário clarificar as terminologias:

Para estabelecer redes efectivas têm de conhecer-se os "quatro venenos mortais" para elas e que são os seguintes:

A segunda questão é: como gerir a cooperação e o trabalho em rede a nível institucional? As instituições têm de possuir a capacidade de utilizar efectivamente estes mecanismos e gerir adequadamente as suas oportunidades de trabalho em rede. De contrário, este revelar-se-á, de imediato, um exercício caro e consumidor de tempo. Para evitar este problema, uma instituição terá de:

Relativamente ao último ponto, o método proposto inclui cinco fases:

  1. formação de um grupo representativo da capacidade de trabalho em rede;
  2. busca de acordo sobre objectivos;
  3. atribuição de prioridades para as questões baseadas no plano estratégico;
  4. atribuição de responsabilidade para a implementação do plano;
  5. divulgação dos resultados do trabalho entre os trabalhadores que não estiveram envolvidos nele.

Uma tal abordagem considera a cooperação e o trabalho em rede como partes integrantes da estratégia institucional. Ela torna possível a determinação de questões prioritárias e de áreas de cooperação, de parceiros e de níveis de colaboração, de métodos a utilizar e de recursos apropriados. Em síntese: não pretendi discutir todos os aspectos da cooperação entre a educação e o mundo dos negócios, mas penso realmente que terá sido útil não apenas para os participantes da conferência mas também para a EURASHE como forma potencialmente boa de trabalhar em rede nos próximos 10 anos!

* Vice-Presidente da Eurashe.

 

SUMÁRIO