Pesquisa breve dos 10 anos de História

e de Actividades da EURASHE

Edward Dhondt *

 

Introdução

Será difícil pensar numa conferência de 10Ί Aniversário de uma organização – nacional ou internacional – sem examinar a história desta organização ou associação.

A EURASHE – Associação Europeia de Instituições de Ensino Superior – reúne uma grande variedade de países, disciplinas e níveis (formação inicial, licenciatura, universidades profissionais, etc.). Por isso, a EURASHE reflecte muito nitidamente a diferenciação e a riqueza do complicado panorama de ensino superior na Europa.

A criação da EURASHE coincidiu mais ou menos com a primeira fase do processo de internacionalização do ensino superior. Sem dúvida, a internacionalização significava uma nova abordagem e uma nova estratégia e, simultaneamente, um desafio para o vasto leque de disciplinas que a EURASHE representa e reflecte.

Na semana passada fiz uma ampla pesquisa sobre as alegrias e as tristezas da EURASHE. Explorei os arquivos (mais ou menos 20 volumes), onde foram cuidadosamente reunidos e relatados acontecimentos diários, factos, reuniões, conferências, relatórios de contas e outras vicissitudes.

Depressa compreendi, contudo, que entrar em detalhes levar-me-ia a um êxodo sorvedor de tempo demasiado e o resultado não seria relevante para a maioria das pessoas não familiarizadas com os "segredos de cozinha" da EURASHE. Por dispor de um tempo limitado, poderei referir apenas as etapas mais importantes da história da Instituição. Omitindo, ou negligenciando, infelizmente, muitos pormenores vivos e coloridos que muitas vezes suavizam a seriedade maçadora da internacionalização diária. Mas, por outro lado, devo referir – com toda a objectividade – que posso considerar-me testemunha e espectador privilegiado e actor genuíno na história de 10 anos da EURASHE.

Como membro fundador, e residindo em Bruxelas – no coração da Europa – sucessivamente como vice-presidente, presidente e secretário-geral, tive a honra e o prazer de desempenhar um papel substancial no governo de casa da EURASHE. Podeis imaginar, por conseguinte, que a EURASHE representou, e representa um marco significativo não só na minha carreira internacional como também na minha vida e no meu carinho de cada dia.

Antes de mergulhar nos factos históricos, quero expressar a minha sincera gratidão e o meu apreço às inúmeras pessoas interessantes e excelentes com quem contactei em vários países e contextos pela amizade real e franca que vivi e pelos momentos inesquecíveis de enriquecimento intelectual e emocional.

Fundação e primeiros anos

Tudo aconteceu e começou quando dois pioneiros, Yves Beernaert (B) e Kees van Gageldonk (NL), pessoas com interesses e preocupações internacionais, se convenceram de que, além do "comité de ligação" - que representou os interesses das universidades durante tantos anos – era necessária uma segunda instituição que reflectisse os interesses de algumas outras formas de ensino superior (colleges/politécnicos, universidades de ensino profissional).

Visão relevante e correcta, especialmente porque muitas dessas instituições muito jovens não possuíam qualquer conhecimento em internacionalização ou porque se encontravam apenas na sua fase embrionária. Não poderiam confiar no apoio ou na experiência das organizações representativas no contexto internacional.

Os muitos contactos e esforços dos dois pioneiros resultaram em algumas reuniões preparatórias e, finalmente, numa conferência de fundação que teve lugar em Patra (Grécia) nos dias 2 e 3 de Fevereiro de 1990. Finalmente, a nova associação foi designada por EURASHE e ficou sediada (o seu secretariado) em Bruxelas. A conferência foi apoiada e financiada pela Comissão Europeia (Task Force), representada por Sandra Pratt, que substituiu V. Papandreou.

Estiveram presentes no encontro, além dos representantes dos países membros, observadores de outros países (e.g., França, Espanha, Itália) e o secretário-geral do Comité de Ligação (o senhor Luttikholt). Bruxelas foi a primeira localização da EURASHE.

Actividades

1991: Directório das Instituições Europeias de Ensino Superior (Task Force)

1992: Estudo: Participação do Ensino Superior (Colleges, politécnicos e universidades profissionais) no programa Erasmus (base para campanha de informação – Task Force)

1993: Envolvimento num projecto sobre o estabelecimento de um novo sector de ensino superior nas repúblicas Checa e Eslovaca (cf. Holland – 12 escolas de educação secundária – DG XXII)

1994:1995: Campanha de informação em 10 países para estimular a cooperação e a internacionalização (DG XXII)

1994:1995: Execução de 4 projectos (DG XXII):

Mobilidade de pessoal (IRE)

Trabalho em rede no ensino superior (P)

Formação de gestores académicos (DK)

Ligação do ensino superior com o mundo sócio-económico (GR)

1996: Conferência Europeia (Bruxelas) sobre os novos programas Sócrates e Leonardo (B) – (DG XXII)

1998:1999: Projecto SPA: A preparação de candidaturas de projectos de sucesso

8 seminários: - Praga (CZ) – Tallinn (E) – Katowice (PL) – Viborg (DK) – Antuérpia (B) – Osnabrück (GE) – Galway (IRE) – Lisboa (PT)

2000: - Projecto de ensino no âmbito da saúde

Projecto de Garantia de Qualidade

Outras Actividades

Reuniões do Presidium (2-3)

Reuniões do Conselho Executivo (2-3)

Reunião do Conselho Plenário (1)

Subcomité Sócrates de Ensino Superior (Comissão de Consulta)

Participação ou presença em conferências: CRE – EAIE – UNESCO – OCDE

– CIEE – ACA – etc.

Newsletters

Apoio, consultoria, aconselhamento, lobbying

Cf brochura, etc.

Conferências Anuais

1991: Setúbal: O papel do Ensino Superior no Desenvolvimento de Recursos Humanos

1992: Portsmouth: Transferência de Créditos e Colaboração Europeia

1993: Copenhague: O Ensino Superior na Europa depois de Maastricht

1994: Dublin: Avaliação da Parceria Académica na Europa

1994: Bruges: Educação e Vida Económica: Juntas ou Separadas?

1995: Chipre: Inovação no Ensino Superior Europeu

1996: Galway: Garantia de Qualidade no Ensino Superior

1998: Budapeste: Relações Mutáveis entre Governo e Ensino Superior em termos de Autonomia, Qualidade e Financiamento

1999: Viena: Garantia de Qualidade no Ensino Superior

2000: Chania: O Ensino Superior no século XXI: Desafios e Potencialidades

Conclusão

De acordo com a lista de actividades e de conferências, a EURASHE, apesar de organização pequena e jovem, pode sentir-se orgulhosa do que realizou nestes dez anos de vida.

Não subestimeis a quantidade do trabalho realizado na condução de projectos internacionais, seminários ou conferências. Em regra, isto implica muito esforço, uma dose substancial de dedicação pessoal, muitas vezes de natureza voluntária.

Uma explicação parcial reside no facto de a EURASHE dispor apenas de um número limitado de pessoal e de meios financeiros também limitados que reduzem grandemente o seu raio de acção. Por exemplo, o mais recente projecto realizado da associação – o projecto SPA – constituiu uma empresa muito difícil. Este projecto fascinante absorveu todas as forças de trabalho da EURASHE, quase não deixando espaço para outras iniciativas.

Um outro exemplo flagrante, de data menos recente, ilustra bem as dificuldades que uma pequena organização, com pouco pessoal, tem de enfrentar. No início de 1995, Kees van Gageldonk (NL), então secretário-geral, adoeceu. Eu era nessa altura o vice-presidente, mas a minha função real era a de Director das Relações Internacionais, sediada em Bruxelas. Era, portanto, óbvio que assumisse o secretariado. Mas, simultaneamente, eu estava encarregado da importante e exigente campanha Erasmus em 10 países europeus. Ainda por cima, tinha de organizar a Conferência Anual de Bruges (B). Pode facilmente imaginar-se como era excessiva a conjugação de todas estas tarefas. Mas devido a um pessoal reduzido e a meios escassos parecia ser a solução mais plausível mas, certamente, não a mais fácil.

Esta situação, porém, assumiu um carácter permanente quando um anos depois a Holanda, em consequência de diferenças estratégicas pessoais e internas, abandonou a EURASHE.

Continuei a gerir as diferentes responsabilidades. Isto só era possível para alguém sediado em Bruxelas, muito bem relacionado com os gabinetes de educação (e.g., a DG XXII) e cujo rendimento era totalmente independente do apoio da EURASHE. Obviamente que esta situação era excepcional e longe de ser a ideal e só podia ter um carácter temporário.

Destes exemplos poderá concluir-se que qualquer organização de certa influência e representação tem de ter pelo menos alguns membros que participem nas actividades da cena internacional para conduzir estudos e análises e para desempenharem a sua importante tarefa de representação. O facto de que a grande maioria dos representantes da EURASHE (por exemplo, o presidium, o conselho executivo) têm geralmente um trabalho altamente responsável e exigente no seu próprio país contribui para tornar quase impossível a sua participação activa nas actividades da associação.

Permitam-me, para finalizar, fazer algumas recomendações pragmáticas:

Queridos amigos da EURASHE: Agradeço-vos, e a muitos outros que não puderam estar hoje aqui, a vossa compreensão, o apoio e a simpatia. O meu único objectivo foi, e continua a ser, tornar a nossa associação mais forte de modo a podermos competir melhor com os desafios internacionais. Os colleges e os politécnicos e outros tipos de instituições EURASHE merecem uma instituição forte que explore e desenvolva melhor as suas manifestas e indesmentíveis oportunidades e capacidades. Estou certo de que a EURASHE não atingiu ainda todo o seu potencial.

Quero expressar os meus agradecimentos e o meu elogio a tantos de vós que serviram e promoveram a EURASHE durante todos estes anos. Comecemos então um novo decénio. Tenho esperança de que ele será criativo e próspero.

* Director de Negócios e de Política Académica.

 

SUMÁRIO