A propósito do Centenário da morte de... AUGUSTA CRUZ - Cantora Lírica Viseense - (Viseu 13.08.1869 – Lisboa 06.01.1901)

ARTUR VALENTE DA CRUZ *

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Nota prévia:

Ao propor-me fazer o estudo da vida e obra de Maria Augusta Correia da Cruz, parti do ligeiro conhecimento que da sua existência tinha, quer pelo nome de uma rua da nossa cidade (que liga a praça onde viveu e o Soar de Cima), quer por uma notícia que, em 1991, encontrei no Democracia da Beira de 5 de Agosto de 1891, quando buscava dados para o artigo que então publiquei na revista Feira de S. Mateus/91, que intitulei: Cem Anos Depois...Viseu: Economia, Cultura e Feira de S. Mateus no ano de 1891.

Ficou-me no subconsciente o facto de se comemorar, este ano, o centenário da morte da grande cantora que, internacionalmente, foi embaixadora da nossa cidade nas duas últimas décadas do século XIX.

A Revista Millenium recebe hoje um modesto contributo da minha investigação sobre esta personalidade viseense. Parti de uma pequena referência na Enciclopédia Portuguesa Brasileira. Colhi os principais dados no nosso rico Arquivo Distrital (livros de Baptismos, de Matrimónios e de Óbitos) e na nossa Biblioteca Municipal ( jornais locais ).

Não é trabalho acabado... precisaria de uma equipa pluridisciplinar, constituída por um historiador, um economista, um musicólogo, um analista literário....

Peço, por isso, aos que lerem estes meus escritos e a documentação anexa, que agucem o seu espírito crítico, "espremam" o que apresento e avancem o trabalho...

Lembro-me sobretudo dos jovens estudantes de História do nosso ensino superior viseense e dos nossos professores de História nas escolas secundárias... Honremos os nossos antepassados, cresçamos em sentido crítico na nossa cultura local...

O trabalho vai, metodologicamente, dividido em quatro partes :

I - Viseu: cidade culturalmente pujante no século XIX;

II - Vida e obra de AUGUSTA DA CRUZ

III - Augusta da Cruz na imprensa viseense da época.

IV - Documentação em cartório referente à Família de Augusta da Cruz.

 

I

VISEU : cidade culturalmente pujante no século XIX

No dealbar deste século XXI, e ao comemorarmos o centenário do falecimento de duas grandes figuras da nossa região, ocorridos nos primeiros dias do século XX (o da grande cantora lírica Augusta da Cruz (1869-1901), natural da nossa cidade; e o do grande poeta e romancista Tomás Ribeiro (1831-1901), nascido na vizinha povoação de Parada de Gonta, do concelho de Tondela), não podemos deixar de analisar o panorama cultural da nossa cidade durante o século XIX, que foi o "plasma" onde as suas personalidades "beberam" os seus primeiros contactos e aprofundamentos educacionais..

Viseu teve o condão de atrair e desenvolver intelectuais díspares, naquele tormentoso séc. XIX.

Aqui se cruzaram a morte do absolutismo com o liberalismo então nascente.

1. duas " pedras de toque":

Enriqueceram Viseu na sua cultura e viver político, entre outros, os seus bispos. Deles destacamos: o bejense alentejano, D. Francisco Alexandre Lobo (1763-1844) e o alijosense transmontano, D. António Alves Martins (1808-1882). Que bem se entrosaram estas mentalidades na nossa mentalidade beirã. Quanto não receberam elas das vivências com as nossas gentes e quanto não recebemos nós com a sua reflexão.

Que o digam os grandes nomes que Maximiano Correia de Aragão, um fagildense enraízado em Viseu, nos enumera no seu livro "Viseu Letras e letrados viseenses", com prefácio que Aquilino Ribeiro lhe fez na Cruz Quebrada em Dezembro de 1934. (Uma listagem - síntese desses ilustres viseenses pode o leitor encontrá-la, em apêndice, no fim desta primeira parte.)

Se seguirmos atentamente a imprensa do séc. XIX, vamos encontrar traços político - ideológicos dos dois mencionados bispos da nossa diocese, em tempo de estrutural mudança.

Repare-se que 45 anos separam estes dois homens no seu nascimento e 38 anos na sua morte.

Duas épocas e duas estruturas socio - económicas e político - mentais distintas. Riqueza cultural, enriquecimento das liberdades políticas.

D. Francisco nasceu no Antigo Regime e recebe a Revolução Francesa com 16 anos ; D. António nasce na época das invasões francesas, já as ideias liberais pululavam em terras transmontanas e beirãs. Quando Alves Martins tem 16 anos, já D. Francisco Lobo era bispo de Viseu, há 5 anos. Daí a grande diferença entre as ideologias políticas que defendem; mas certo paralelismo nas consequências às suas tomadas de posição:

Alexandre Lobo tomou parte activa ao lado do miguelismo e foi ministro, par e conselheiro do Reino; todavia, em 1831, não concordando com o governo do reino, regressou a Viseu.

Alves Martins, por defender ideias liberais, aos seus 20 anos, foi suspenso da frequência do 3º ano teológico, e, após a vitória liberal, também veio a ser ministro do reino.

Alves Martins , aos 24 anos, foi condenado a morrer fuzilado, em Viseu, em Janeiro de 1832, pela defesa das suas ideias liberais (mas conseguiu evadir-se no trajecto para a nossa cidade ), estava D. Francisco na nossa Diocese.

D. Francisco teve de partir em 1834 , aos 71 anos , por ideias absolutistas, para o exílio em Inglaterra, onde viveu muito modestamente.

D. Francisco Alexandre Lobo foi dotado de uma vastidão de cultura eclesiástica, política, científica e literária, ao ponto de ser considerado por Herculano "modelo de consciência literária, de erudição e de estilo". 1 Mesmo na sua ausência, Viseu recebeu a sua influência, tendo-nos deixado, entre outros escritos seus, os "Estatutos do Seminário Maior" e a "Resumida notícia dos Bispos de Viseu, desde o séc. XVI" inclusos no tomo I , Lisboa,1848, das suas "Obras Completas ", impressas à custa do nosso Seminário, após a sua morte.

D. António Alves Martins, inclinado para as matemáticas, a filosofia e a teologia, bom orador sagrado, jornalista no Nacional (1848/49), no Jornal do Comércio (1858) e no Arquivo Nacional (1861).

Ambos foram lentes de Teologia.

Caminhos díspares em épocas distintas. Ambos de valor!

E Viseu demonstrou-lho. Ao primeiro, recebendo o seu corpo com grandes honras, quando, no dia 9 de Outubro de 1844, em Lisboa, três meses após o seu regresso do exílio de 10 anos, e com 81 anos, deu a alma ao Criador (18 anos antes da nomeação de D. António para bispo de Viseu). O alentejano repousa em Viseu, e uma rua da nossa cidade tem o seu nome.

Ao segundo, que morreu em Viseu, no Paço de Fontelo, em 5 de Fevereiro 1882 (38 anos depois !), deixando partir o seu corpo para Alijó, mas conservando-lhe a memória. Exemplo desta minha afirmação, em honra de D. António Alves Martins, são as demonstrações da Academia do Liceu de Viseu, abaixo apresentadas (realizadas 12 anos após a sua morte !), construindo-lhe grandiosa estátua e dando o seu nome a uma praça e uma avenida. O "transmontano" partiu, mas ficou "no coração dos viseenses".

In A Liberdade nº 1280, de 19 de Janeiro de 1894, pg.3 , col.1..

Theatro – Recita académica

Sempre é na proxima segunda feira, 22 do corrente, a recita dos académicos do nosso lyceu, para o costeamento das despezas com as exequias que elles tencionam mandar celebrar em homenagem a D. Antonio Alves Martins.

Assistimos aos ensaios da troupe, e realmente saimos de lá bem dispostos, porque o que vimos nos convence de que o espectaculo de segunda feira deve ser deveras attrahente, já pela escolha das peças, já pelo desempenho, que promette, ser correctissimo.

Todos os rapazes andam com habilidade nos seus papeis, e sentem-se animados da melhor von tade, para que a missão de

 

que se incumbiram seja plenamente desempenhada com agrado de todos.

A casa esta quasi toda passada. Da primeira ordem de camarotes não há um só disponivel, e estão marcados muitos lugares de plateia.

(................................................ )

1ª PARTE

Entre a flauta e a viola

Arthur Miramar... Eduardo Borges

Aniceto da Silva... Ludgero S. P.

José Pimenta........Arnaldo Menezes

Victorina(fl.d’Aniceto)..Carolina Sousa

Gregorio (creado)....Emygdio Coelho

2ª PARTE

A Grammatica

Francisco Cabanas..... Ludgero

Soeiro Leitão.............. Borges

Ricardo....................... Arnaldo

João (creado).............. Olegário

Branca(fl. De Cabanas)..Carolina

3ª PARTE

Os dois estroinas

Arthur (estudante).... Ludgero

Alfredo( estudante)... Borges

Simplicio( brazileiro)..Emygdio

X

Os estudantes pediram ao conselhodo lyceu auctorisação para collocarem o retracto numa das salas d’aquelle estabele-cimento.

Foi concedida por unanimidade.

X

Nos entre-actossobe á scena o gracioso dialogo " Dois operários em greve" desempenhado pelos academicos Arnaldo de Menezes e Emygdio d’Almeida Coelho.

O brioso academico Arnaldo de Menezes recitará n’um dos intervalos uma brilhante poesia do eminente poeta Guerra Junqueiro.

 

 

Exequias

É no dia 14 do corrente, que se celebram as exequias que a academia projecta fazer á memória do saudoso bispo D. Antonio Alves Martins.

X

No dia 13 será a sessão solemne para a inauguração do retrato a oleo que a mesma academia mandou fazer ao professor do lyceu, sr. Antonio José Pereira e que nos dizem estar bem acabado.

( In A Liberdade nº 1293, de 6 de Março de 1894, pg.3.col.2)

X

Sessão solemne

Com assistencia dos corpos docentes do lyceu e seminario, de todas as auctoridades civis e militares, e das familias mais gradas da nossa boa sociedade realisa-se hoje ao meio dia a sessão solemne da inauguração do retrato do saudoso bispo D. Antonio Alves Martins.

X

Os academicos convidaram, para esse acto, grande numero de pessoas da cidade, mas como é possivel ter havido faltas, pedem-nos para tornarmos publico que á sessão pode assistir qualquer pessoa que se apresente decentemente vestida e queira prestar homenagem á memoria do saudoso bispo.( in A Liberdade nº 1295 de 13 de Março de 1894, pg.2, col.2. )

 

RECITAS ACADEMICAS

Contas de receita e despeza das duas recitas promovidas pela academia de Vizeu para comemorar a memoria do saudoso e grande bispo, D. Antonio Alves Martins.

DESPEZA

1ª RECITA

Despeza com o theatro..... 23$480

Orchestra............................ 7$200

Acriz.................................. 5$000

Caracterisação.................... 1$000

Bilhetes e prospectos......... 2$250

Mise-en - scene.................... $420

Brinde ao ensaiador.............6$000 45$350

2ª Recita

Despeza com o theatro... 19$740

Orchestra........................ 7$200

Bilhetes e prospectos........ 2$000

Piquetes de bombeiros...... 2$100

Actriz................................. 3$000

Caracterisação.................... 1$800

Mise - en - cene.................. $600 36$440

81$790

Retrato a oleo.................... 27$000

Moldura............................. 9$570 36$570

118$360

RECEITA

Primeira récita................ 116$470

Segunda récita.................. 91$440 207$910

Saldo...................... 89$559

O Presidente – Eduardo Borges

Secretários - Luiz Figueiredo e Arnaldo de Menezes

Thesoureiro – Ludgero Pereira

Vizeu, 26 de fevereiro de 1894

( In A Liberdade nº 1293, de 6 de Março de 1894, pg.3.col.2)

 

 

 

 

 

 

D. António Alves Martins

____________

CONVITE

Tendo de realisar-se, na proxima quarta feira, 14 do corrente, pelas 10 horas da manhã, na Sé Cathedral d’esta cidade, as exequias comme morando a memoria do inolvidavel bispo D. Antonio Alves Martins, os abaixo assignados convidam em nome da Academia de Vizeu, todos os habitantes não só desta cidade mas de toda a diocese incluindo o reverendo clero afim de assistirem a este acto religioso.

 

Vizeu, 10 de Março de 1894.

 

O presidente, Eduardo Borges

Os secretarios, Luiz Figueiredo

– Arnaldo Menezes

( in A Liberdade nº 1295 de 13 de Março de 1894, pg.2, col.3. )

Quem estuda personagens históricas deve preocupar-se em fazer uma análise lúcida, considerando as conjunturas político-ideológicas sincrónicas ou anacrónicas, da época em que vivem essas personagens. Só assim será justo o seu juízo de valor!

Vede também a seriedade económica da nossa juventude, nesta época, mostrando a todos os seus concidadãos o destino dos dinheiros, que apesar de obtidos com esforço, consideravam públicos.

 

2. Valores literários viseenses do século XIX

Como dissemos, os já mencionados bispos, entre outros, contribuíram para o desenvolvimento das mentalidades viseenses, no século XIX.

Mas, como bem demonstrou Maximiano Aragão, no já mencionado livro, muitos outros, nativos da nossa cidade ou nela longamente residentes que a tomaram como sua, fizeram dela uma das principais cidades do país, logo após Lisboa, Porto, Coimbra e Braga.

Maximiano Aragão apresenta-nos, segundo rápida contagem nossa, com valor cultural e literário: 3 ministros do reino, 1 consul, 25 bacharéis e licenciados em Direito e 3 escrivães, 19 médicos e um farmacêutico, 2 engenheiros, 6 músicos de renome, 12 oficiais do exército, 13 sacerdotes e 2 bispos, 3 pintores de renome, 10 deputados e dirigentes políticos, 9 autarcas, 5 professores do ensino primário, 9 professores do ensino secundário, 3 reitores (do liceu, seminário e escola normal primária), 6 benfeitores públicos e 3 bibliotecários.

Desses, contámos: 17 prosadores (entre os quais Silva Gaio com o seu valioso Mário e Tomás Ribeiro), 19 poetas (entre os quais Tomás Ribeiro e Augusto Hilário), 13 especialistas de ciências diversas, 14 historiadores (entre os quais 2 colaboradores de Alexandre Herculano no seu deambular por terras de Viseu), 30 jornalistas e colaboradores da imprensa local, regional e local e ... 21 teatrólogos.

É claro que, só se conseguem tais números porque:

1. - basta ter escrito a sua tese de licenciatura para o nosso grande historiador local os considerar literatos;

2. - alguns são incluídos, simultaneamente, em três ou mais actividades literárias.

Mas, mesmo assim... faz a biografia (alguma muito incompleta!) de 124 personalidades.

 

3. Valores artísticos do século XIX:

3.1. Arquitectura e Pintura:

3.1.1. Património construído

É rico o património construído em Viseu durante todo o século XIX. Destacam-se, entre outros, o hospital da Misericórdia, o Lar Viscondessa de S. Caetano, a nossa Câmara Municipal, o Governo Civil e algumas das belas e ricas casas burguesas da nossa cidade.

3.1.2. Pintura e Escultura

É a temática artística mais tratada pelos nossos actuais historiadores de arte. Destacamos os belíssimos trabalhos realizados pelos Ex.mos Senhores Drs. Alexandre Alves e Alberto Correia.

Têm eles dado excelente nota avulsa de valor dessas maravilhosas obras, quer em pequenos opúsculos, quer em artigos publicados em revistas, nomeadamente na Revista Beira Alta .

Tem o nosso Museu Grão - Vasco, a Casa - Museu Almeida Moreira e os Amigos da Beira feito valiosas exposições de obras dos pintores viseenses do nosso século XIX, com destaque para Almeida e Silva, António José de Almeida .

Mas, estão ainda por identificar, mais quanto à personalidade retratada que ao seu autor, (e algumas em mau estado !), obras de pintura nas nossas instituições de solidariedade social (nomeadamente na Misericórdia, no Lar - Escola de Santo António, no Internato Viseense de Santa Teresinha) e em colecções particulares. E muito pouco se fala de um escultor e pintor José Monteiro Nelas, falecido em 24 de Junho de 1897, com 51 anos, e das suas obras; mas a sua morte é destacada no A Liberdade nº 1633 de 29/06/97, pg.2, col. 2.

3.2. Espéctaculo:

3.2.1. Teatro Lírico:

A proximidade de Viseu com Salamanca, apesar das barreiras geo- morfológicas (orográficas e hidrográficas), que à época dificultavam as viagens, tornando-as morosas e penosas, não inibiu os viseenses de receberem de Espanha grande influência, nomeadamente no teatro lírico (ópera e zarzuella). Uma nova ópera, a morte ou dificuldade económica de um compositor ou artista do teatro lírico, qualquer que seja a sua nacionalidade, é publicada nos principais jornais da cidade. E, quando surge a ligação da linha do Dão à linha da Beira Alta, surgem nos jornais da nossa cidade anúncios de viagens de ida e volta a Salamanca, na altura da Semana Santa e na de outras Festas e acontecimentos culturais, com respectivos preços

É neste ambiente, onde o teatro lírico é tão vivido e apreciado, que vai germinar a vocação de Maria Augusta Correia da Cruz, a nossa homenageada neste 2001, centenário da sua morte.

Abaixo mostramos em síntese, os principais espectáculos líricos, na nossa cidade,em finais do século XIX.

Data

Empresário

Nº de Récitas

Operas

1883

Chegada: 7/1883

Última: 19/7/1883

Saída: 21/7 para Coimbra e Figueira

 

 

D. Juan Molina

 

11 ordinárias

+

1 extraordinária

Asrtistas principais: soprano :Escaldante ; contralto: Baillou ; baritono: o célebre Fárvaro

Óperas: Favorita ( coros com 16 figurantes de ambos os sexos), Lucia de Lamermoor, Trovador (que repetiu), Rigoleto, Hernani, Traviata, Barbeiro de Sevilha, Sonambula, Maria de Robau e Fausto

Chegada:22/7/1883

Última: 26/7/1883

Em 27, seguem para Nelas onde tomam o comboio de regresso à capital.

 

Companhia Dramática do Teatro da Trindade de Lisboa

4 exibições

(Nota: "Com limitada concorrência, calor asfixiante e insuportável")

 

1885

Chegada: 20/5/1885

1ª récita: 21/7/1885

Última: 14/6/1885

16/6/1885- saída para Salamanca

 

 

O baixo Medini

 

18

Rigoleto, Trovador, Luísa Miller, Martha, Lucia, Favorita,Dinhora,Linda de Chamounix, Lucrecia Bórgia, Puritanos, Barbeiro de Sevilha, Hernani, Sonambula e Baile be Máscaras

Nota: Colaboraram na festividade de Santo António

O melhor de todos foi o barítono Fárvaro

1887

Chegada: 18/ 4/1887

1ª récita: 20/ 4/1887

Última: 8/ 5/1887

18/ 8/1887: Saída para Coimbra

 

 

M.me Helder

 

 

14

 

Lucrécia Borgia, Traviata, Trovador, Policeto, Favorita, Norma, Fausto, Ione, Baile de Máscaras e Ruy Blas.

 

Nota: Em 8 de Maio a empresária Julieta Helder foi protagonista. Mas... antes do espectáculo parte dos cantores promoveram uma manifestação hostil contra a empresária, exigindo pagamentos dos seus salários em atraso.

1887

Início de temporada de teatro de Zarzuela no Grémio

25/11/1887

 

José Arroyo

 

8

 

A Liberdade, nº 886 de 25 / Novº /1887

1890

Chegada: 3/ 6/1890

1ª récita: 5/ 6/1890

Última: 17/ 6/1890

18/ 6/1890: :extraordinária

20 /6 : dissolução da Companhia

 

12/ 7/1890: retomado o contracto(1ª récita)

Última: 17 /7/1890

18/ 7/1890: Saída para Lamego

 

 

 

 

 

Maestro Arthur Barata

 

 

 

6 de assinatura

+

1 extroardinária

 

1ª Nota: Em 18 de Junho, na récita para benefício do empresário... os coristas fizeram parede, com exigências que o beneficiário não quis aquiescer...

 

 

2ª Nota: O empresário para cumprir contracto foi a Madrid contratar novos coristas e outros artistas para reforçar a companhia.

 

 

 

 

 

 

1891

1ª récita: 11/ 6/1891

Última: 28/ 6/1891

Saiu no dia seguinte para o Porto às 11 horas da manhã

 

D. Vicente Petri

&

Medini

 

 

14

 

 

Nota: A companhia era composta por 50 pessoas.

1893

1ª récita: 29/ 7/1893

Última: 15/ 8/1893

 

José Camano

 

7

 

Trovador (repetiu), Favorita , Fausto(repetiu), Lucrécia Bórgia, Rigoleto.

Figurantes: Tenor: Perez Rios; Barítono: Ferrer; Contralto: srª Ané Marchesi; Baixo: Conese.

Nota: O Grupo foi muito bom.

1895

7 e 8 de Maio

no Boa União

   

 

Distintos alunos do Instituto Musical de Lisboa , acompanhados de alguns artistas de S. Carlos, depois de terem estado no Porto, Coimbra e Braga, vêm acabar a sua "tournée" em Viseu

Operas: Somnambula e Pescadores de Perolas

( Fonte: A liberdade nº 1414 de 10 /5 /1895 )

12 de Novembro de 1895

no

Teatro do Grémio

   

 

" O ilustre violinista Caggiani é delirantemente aplaudido (Não é favor, é justiça ) (... ) Alberto Cunha, clarinete, com mimo e correcção (... ) Ao piano, D. Luiz Arnedo, muitissimo bem ( ... ) A orquestra bem, regida por Manoel Benjamim(... ) Martinvalle com toda a sua companhia, a actuarem no Boa União, partilharam os aplausos" ( Fonte: A liberdade 15/11/1895, nº1468, pg. 2 col. e pg.3 col.1)

 

N. B.: O distinto maestro Manuel Benjamim foi autor da música Fada Branca, posta em cena no Teatro Trindade em Julho de 1896

Novembro de 1895

no

Boa União

 

Martinvalle

 

 

... engraçadas zarzuelas...

 

 

1898

Temporada no Grémio

Início em Dezº de 1898

 

Alberto Cunha, mestre de orquestra dos amadores do Grémio

 

 

Programa: 1º - Caprichosa; 2º - Il Tradimento; 3º -Traviati; 4ª - Os sustos;

5º-Loin du bal; etc.

( Fonte: A Liberdade nº 1787 , de 23/12/1898, pg.2, col. 7

NB: Em 5 épocas (1883,1885,1887,1890,1891) houve 68 espectáculos. "Com excepção de Lisboa e Porto, nenhuma outra terra do paiz se poderá vangloriar de outro tanto ". ( A Liberdade, nº 1224, 7/7/1893, pg.1 col 5)

3.2.2. Teatro não musicado:

Percorrendo as páginas dos nossos jornais notamos que no Teatro Boa - União, sala de teatro do Grémio e sala de teatro do Montepio, é constante a passagem de companhias nacionais de valor que, após se apresentarem em Lisboa, Porto e Braga actuavam na nossa cidade, mesmo antes de visitarem Coimbra.

O Teatro amador local era também escola de artistas. Fazem-se constantes ensaios e apresentações, onde vamos encontrar os académicos do nosso Liceu e os que, estudantes de Coimbra ou Porto, vinham de férias. Não raro era, depois de terem mostrado aos nossos conterrâneos as suas habilidades, se deslocarem à Guarda e às localidades do nosso distrito.

É de notar a presença de Augusto Hilário, nosso académico boémio, como actor teatral e declamador.

Neste ramo da arte destaque-se que nasceu em Viseu a grande artista nacional e internacional Josefa de Oliveira (Viseu 1852/ Porto, 17.04.1909).

3. 2. 3. Música:

Devemos destacar o papel da Banda do nosso Infantaria nº 14 no desenvolvido entretenimento público da população viseense, no Passeio de D. Fernando (o nosso actual Rossio), regidos por experientes músicos (um dos quais o pai de Emídio Navarro, nosso conterrâneo).

No grupo de compositores músicos, seguindo Maximiano Aragão e algumas notícias do já mencionado jornal A Liberdade, temos de destacar: Alberto António Luís de Campos, P.e António Duarte Moura, Augusto Hilário da Costa Alves "O Hilário" (Viseu, 1852 - Viseu, 03. 08.1896), criador do fado Hilário ou fado de Vizeu (no dizer do lord Schiffarroth (1), João Lopes, P.e José Abreu Pessoa e Manuel Benjamim. Para homenagear Augusto Hilário surgiu um jornal, que teve curta duração, chamado "O Hilário". Para homenagear Manuel Benjamim (o autor da música da opera Fada Branca, posta em cena no Teatro Trindade, em Lisboa, em Julho de 1896) os seus amigos criaram a "Troupe Manuel Benjamim" que se deslocou, país fora, a honrá-lo e honrar as suas composições.

É digno de menção o significativo episódio passado com Augusto Hilário no Suisso, em Lisboa. Depois de uma sua actuação naquele local, Lopes de Mendonça, o escritor da letra do nosso Hino Nacional, após ter abraçado o nosso Hilário pede-lhe a guitarra e beija-a, muito emocionado.

É de notar também a existência de "um ilustre músico viseense em S. Carlos", Severo da Silva . (2)

3. 2. 4. Tauromaquia:

Apesar de todas as polémicas, nas quais não nos queremos envolver, havidas no século XIX contra o toureio, tal como as houve no século XX, ele continua a ser considerado uma arte. E...também nesta arte teve Viseu filhos seus, um por opção e outro por nascimento. E com que carinho os nossos jornais do século XIX acompanham as lides tauromáquicas do seu "filho adoptivo" Manuel Casimiro de Miranda, ao ponto de sofrerem com ele na perda de um filhinho, (3) ou com a morte do seu cavalo "Guerrita" (4)

 

ALGUNS ILUSTRES VISEENSES NO SÉCULO XIX...

Fonte: (Aragão, Maximiano - Viseu: Letras e Letrados Viseenses)

com subtítulo "Vida e Obra dos escritores que nasceram em Viseu e seu concelho

ou que por circunstância de relevo digam respeito à capital da Beira Alta"

1 Benfeitores públicos:

página

  • D. Beatriz da Conceição Pais Pinheiro de Lemos ........................
  • Dr. Eduardo Correia de Oliveira...................................................
  • D. Eugénia Mendes Viseu ( Viscondessa de S. Caetano ) ............
  • P.e José Dias....................................................................................
  • José Ribeiro de Carvalho e Silva...................................................
  • Maria do Céu da Silva Mendes......................................................

168

129

129

194

 

121

 

2. Bibliotecários:

Dr. Amadeu da Silva - temporário ..........................................

  • Dr. António Correia de Lemos......................................................
  • Dr. José Augusto Pereira...............................................................

232

199

225

 

3. Consules:

Amadeu da Silva, em Cantão..................................................................

231

 

4. Direito

 

4.1 Licenciados:

  • Álvaro Soares de Melo.....................................................................
  • Amadeu da Silva...............................................................................
  • António Barroso Pereira Vitorino..................................................
  • António Cândido de Figueiredo ( Tondela)....................................
  • P.e António Coelho de Albuquerque e Brito ( Moimenta

de Maceiradão) .................................................................................

  • António Francisco Santar do Amaral............................................
  • António Joaquim Lopes da Silva Junior.......................................
  • António Ribeiro da Costa e Almeida.............................................
  • António Ribeiro de Liz Teixeira....................................................
  • Celestino Henriques Correia Severino..........................................
  • Eduardo de Almeida Saldanha......................................................
  • Emídio Júlio Navarro......................................................................
  • Joaquim Alvares Maria Sinval......................................................
  • José Augusto Pereira......................................................................
  • José Homem Correia Teles............................................................
  • José Júlio César..............................................................................
  • José de Melo Borges e Castro........................................................
  • José do Vale de Matos Cid ............................................................
  • Júlio Gomes da Silva Abranches...................................................
  • Lopes da Silva.................................................................................
  • Lourenço Trigo de Loureiro..........................................................
  • Manuel da Cunha Paredes............................................................
  • Maximiano Pereira da Fonseca Aragão ( Fagilde- Mangualde)....
  • Paulo de Azevedo Coelho e Campos..............................................
  • Pedro Ferreira dos Santos ( defensor da agricultura).....................

Tomaz António Ribeiro Ferreia.....................................................

228

231

242

178

-

192

230

155

127

109

222

211

151

106

225

139

252

155

230

112

192

110

107

218

108

223

181

 

4.2 Escrivães:

  • Augusto Frederico de Bayma Forte Gato......................................
  • Francisco Cardoso Pereira " Beiço Rachado"...............................

Henrique Augusto David e Cunha.................................................

126

126

132

5. Engenheiros:

  • Alexandre de Sousa Figueiredo ( Sátão) Engº Agrónomo - ........

António de Sousa Figueiredo ( Sátão ) Engº de Obras Públicas....

191

191

 

6. Escritores:

 

6.1 Prosadores:

  • Alfredo de Araújo de Almeida Campos..............................................
  • António Albuquerque do Alardodo Amaral Cardoso Barba............
  • P.e António de Almeida ( P.e Cota)......................................................
  • António Cândido de Figueiredo.( Lobão)....................................
  • António Joaquim Ferreira...........................................................
  • António de Oliveira Silva Gaio...................................................
  • D. Beatriz da Conceição Pais Pinheiro de Lemos......................
  • D. Eugénia Mendes Viseu "O Drama de uma Alma"..............
  • P.e Fernando Moura Sêco............................................................
  • Francisco Bento Alexandre Figueiredo Magalhães...................
  • Henrique Augusto David e Cunha ("Caessa", " Pancada").........
  • Henrique Augusto Luso................................................................
  • J. Carlos de Andrade e Silva........................................................
  • João Lopes.....................................................................................
  • Joaquim Santar do Amaral..........................................................
  • José de Almeida e Silva.................................................................
  • José Pais de Sampaio....................................................................
  • Samuel Domingos Maia de Loureiro..........................................

157

236

163

178

227

116

168

129

197

136

132

213

113

171

173

210

134

215

 

6.2. Poetas:

  • Afonso Bandeira de Melo da Gama Castel Branco...................
  • Alfredo Araújo Almeida Campos...............................................
  • António Cândido de Figueiredo..................................................
  • António Pereira de Almeida .......................................................
  • Augusto Hilário da Costa Alves " O Hilário" ...........................
  • Celestino Henriques Correia Severino.......................................
  • D... Correia de Oliveira " Zélia" ................................................
  • General Francisco Correia da Silva Menezes.............................
  • Henrique Augusto David e Cunha ("Caessa", " Pancada") ....
  • Henrique Augusto Luso................................................................
  • João Lopes......................................................................................
  • Joaquim Santar do Amaral..........................................................
  • José Antunes da Silva e Castro....................................................
  • José Augusto Pereira....................................................................
  • José Gomes de Almeida Branquinho..........................................
  • José Henriques da Cruz Lima.....................................................
  • José de Melo Borges de Castro....................................................
  • Serafim da Fonseca Bandeira " O Olho de Vidro" .....................

235

157

178

170

166

222

197

197

132

213

171

173

170

225

215

157

156

173

 

6..3. Especialistas:

  • Alberto David Branquinho..........................................................
  • Alexandre de Sousa Figueiredo...................................................
  • António Cardoso Pereira ( Economia).........................................
  • António Correia de Sousa Montenegro......................................
  • António Joaquim Ferreira...........................................................
  • Eduardo de Almeida Saldanha...................................................
  • Hermínio Barbosa........................................................................
  • João Diogo Cabral Mascarenhas................................................
  • João Ferreira de Almeida............................................................
  • José de Almeida e Silva................................................................
  • José do Vale de Matos Cid...........................................................
  • Pedro Ferreira dos Santos...........................................................
  • Rafael Carlos Pereira de Sousa...................................................
  • Samuel Domingos Maia de Loureiro..........................................

233

191

156

190

227

211

169

172

217

210

230

223

165

215

 

7. História:

  • Delfim dos Santos Faria da Guerra............................................
  • Eduardo de Almeida Saldanha...................................................
  • Francisco Cardoso Pereira" Beiço Rachado" .............................
  • Francisco Manuel Correia...........................................................
  • João Ferreira de Almeida............................................................
  • João Lopes.....................................................................................

João da Silva Mendes " Rei João" – colaborador de Alexandre Herculano......................................................................................

  • Joaquim Augusto de Oliveira Mascarenhas (Viana do Castelo).
  • P.e Joaquim Pais de Sobral.................................................
  • José de Almeida Silva ( Arte e Arqueologia ) .....................
  • P.e José de Oliveira Berardo - colaborador de Alexandre

Herculano.

  • Manuel Pereira de Oliveira.................................................
  • Maximiano Pereira da Fonseca Aragão.............................

202

211

126

160

217

171

-

117

200

191

210

-

113

138

218

 

8. Jornalismo:

  • Alberto António Sampaio...................................................
  • Alfredo de Araújo de Almeida Campos............................
  • Álvaro Soares de Melo........................................................
  • Amadeu da Silva.................................................................
  • P.e António de Almeida ( Padre Cota) .................................
  • António Barroso Pereira Vitorino.....................................
  • Dr. António Correia de Lemos, pai....................................
  • António Correia de Sousa Montenegro.............................
  • P.e António Duarte Moura.................................................
  • António Joaquim Lopes da Silva Junior ..........................
  • António Pinto de Magalhães Leal, revisor e colaborador

do "Districto de Viseu" ..................................................................

  • António Xavier de Campos (" A. Campos" ) .........................
  • Delfim dos Santos Faria de Guerra (Sátão) ........................
  • Emídio Júlio Navarro............................................................
  • João da Silva Mendes - fundador do Liberal (1854 ) e

Jornal de Viseu (1868 ) ............................................................

  • Joaquim Álvares Maria Sinval.............................................
  • P.e José de Almeida e Silva.................................................
  • José Gomes de Almeida Branquinho...................................
  • José Henrique da Cruz Lima................................................
  • José de Melo Borges de Castro fundador do Jornal

de Viseu (1868 ) ......................................................................

  • P.e José de Oliveira Berardo- co - fundador do Liberal (1854 )
  • José Perdigão.......................................................................
  • P.e José Ribeiro Lopes administrador e revisor do Viriato.
  • José do Vale de Matos Cid..................................................
  • José Vitorino de Sousa e Albuquerquefundador de

"O Commercio de Viseu" .........................................................

  • Manuel António dos Santos Lima......................................
  • Manuel José de Almeida - co - fundador do Liberal (1854 )

e Jornal de Viseu (1868 ) ..........................................................

  • Maximiano de Almeida ......................................................
  • P.e Miguel Ferreira de Almeida.........................................

Paulo de Azevedo Coelho e Campos..................................

234

157

228

231

163

242

199

190

134

155

.

131

204

202

151

-

117

106

200

215

157

-

156

113

239

125

230

-

129

172

-

 

240

208

108

 

9. Ministros do Reino / República:

  • Emídio Júlio Navarro..........................................................
  • José do Vale de Matos Cid ( Justiça, 1921...........................

Júlio Gomes da Silva Abranches.......................................

152

230

112

 

10. Músicos:

  • Alberto António Luiz de Campos......................................
  • P.e António Duarte Moura.......................................................

Augusto Hilário da Costa Alves " O Hilário" ..................

  • João Lopes...........................................................................
  • P.e José de Abreu Pessoa...................................................

164

134

166

171

107

 

11. Oficiais do Exército:

  • Alberto David Branquinho................................................
  • Alfredo de Araújo de Almeida Campos............................
  • António Augusto Correia de Campos...............................
  • Carlos Ribeiro Nogueira Ferrão........................................
  • Francisco António de Almeida Moreira............................
  • Francisco Cardoso Pereira. " Beiço Rachado"...................
  • General Francisco Correia da Silva Menezes (Lamego)....
  • João Diogo Cabral Mascarenhas.......................................
  • Joaquim Augusto de Sousa Mascarenhas.........................
  • José Freire de Matos Mergulhão.......................................
  • José Vitorino de Sousa Albuquerque................................
  • Manuel de Freitas Barros...................................................
  • Miguel de Sousa Figueiredo ( Sátão) .................................

233

157

171

137

243

126

197

172

200

138

129

198

191

 

 

12. Pintores:

  • António José Pereira...........................................................
  • José Augusto Pereira...........................................................
  • José de Almeida e Silva.......................................................

225

225

210

 

13. Políticos:

 

13.1 Autarcas:

Alberto da Siva Basto..........................................................

  • António Barroso Pereira Vitorino.....................................
  • António Joaquim Lopes da Silva Junior...........................
  • António Ribeiro da Costa Almeida....................................
  • Francisco António de Almeida Moreira............................
  • Joaquim Augusto de Oliveira Mascarenhas.....................
  • Joé Augusto Pereira............................................................
  • José Júlio César...................................................................
  • José Simões Dias..................................................................

239

242

155

127

243

200

225

252

195

 

13.2 Deputados / Dirigentes Políticos:

  • Alberto António Sampaio..................................................
  • D. António Alves Martins...................................................
  • António de Oliveira Silva Gaio – médico-escritor, percur-

sor do Partido Reformista em Viseu .....................................

  • Carlos Ribeiro Nogueira Ferrão........................................
  • Eduardo Correia de Oliveira.............................................
  • Henrique Augusto David e Cunha....................................

João da Siva Mendes "Rei João" amigo e colaborador de

Alexandre Herculano............................................................

  • José Homem Correia Teles................................................
  • General-médico José Vitorino de Sousa Albuquerque

chefe do Partido Regenerador...............................................

  • José Simões Dias.................................................................

234

193

-

116

137

 

132

-

117

139

-

129

195

 

14. Professores:

 

14.1. Professores do Ensº Primário que se destacaram:

  • António Joaquim Ferreira................................................
  • António Pinto de Magalhães Leal.."M.L."......................
  • Henrique de Matos Cid....................................................
  • Manuel António dos Santos Lima....................................
  • Manuel Salvador Vieira....................................................

227

131

161

172

195

 

14.2. Professores do Ensº Secundário que se destacaram:

  • Alexandre de Sousa............................................................
  • Alexandre de Sousa Figueiredo ( Sátão ) .........................
  • P.e António de Almeida ( P.e Cota ).................................
  • António Ribeiro da Costa e Almeida ...............................
  • António de Sousa Figueiredo ( Sátão ) .............................
  • José Bento Said...................................................................
  • José Simões Dias.................................................................
  • Manuel Fernandes Dias.....................................................
  • Manuel Salvador Vieira.....................................................

 

191

163

127

191

176

163

177

195

 

14.3. Reitores do Liceu que se destacaram:

  • José Júlio César..................................................................

252

 

14.4. Reitores do Seminário que se destacaram:

  • P.e Joaquim Dias Pais Sobral. ( Nelas )...........................

191

 

14.5. Directores da Escola Normal Primária que se destacaram:

José do Vale de Matos Cid........................................................

230

 

15. Sacerdotes / Bispos:

  • P.e António de Almeida ( Padre Cota ) ..............................
  • D. António Alves Martins...................................................
  • P.e António Duarte Moura.................................................
  • P.e António Coelho de Albuquerque Brito.......................
  • P.e Francisco Moura Sêco " M.S. " ( Lamego ) ..............
  • P.e Henrique de Matos Cid..................................................
  • P.e Joaquim Dias Pais Sobral ( Nelas ) ..............................
  • P.e José de Abreu Pessoa.....................................................
  • Cónego José de Almeida Martins........................................
  • P.e José de Almeida e Silva..................................................
  • P.e José Dias..........................................................................
  • Mons. Dr. José Marques Rito e Cunha..............................
  • P.e José de Oliveira Berardo...............................................
  • P.e José Ribeiro Lopes........................................................
  • D. Manuel de Almeida Carvalho, religioso, Bispo do Pará
  • Cónego Manuel Fernandes Dias..........................................
  • P.e Dr. Miguel Ferreira de Almeida...................................

163

193

134

192

197

161

191

107

209

200

194

222

113

125

105

177

208

 

16. Saúde:

 

16.1. Farmacêuticos:

  • António Carvalho da Fonseca.............................................

239

16.2. Médicos:

  • Adolfo Augusto Pereira.....................................................
  • Alexandre Barbosa de Almeida Campos – Director do

Hospital Militar da Estrela...................................................

  • António Augusto Correia de Campos..............................
  • António Correia de Lemos, pai ( Cabanas)........................
  • António de Oliveira Silva Gaio.........................................
  • Eduardo Correia de Oliveira............................................
  • Eduardo Pereira do Vale..................................................
  • Francisco Alexandre dos Santos.......................................
  • Francisco Bento Alexandre de Figueiredo Magalhães,

Visconde de Gumiei...............................................................

  • João Ferreira de Almeida..................................................
  • João Henriques da Cruz....................................................
  • João Pereira Dias Lebre....................................................
  • José Antunes da Silva e Castro.........................................
  • José Nogueira Pereira Lobo..............................................
  • José Vitorino de Sousa Albuquerque...............................
  • Luís de Azevedo Melo e Castro........................................
  • Manuel Duarte Roque.......................................................
  • Samuel Domingos Maia de Loureiro...............................

229

-

128

171

199

116

116

233

134

-

136

217

156

109

170

235

129

132

224

215

 

17. Autores Teatrais:

  • Adriano Teotónio Coimbra...............................................
  • Alberto António Sampaio..................................................
  • Alfredo de Araújo de Almeida Campos...........................
  • Álvaro Soares de Melo........................................................
  • P.e António Coelho de Albuquerque e Brito....................
  • António Lopes da Costa.....................................................
  • António Xavier dos Santos ( " A. Campos","Escorpião",

"Zig-zag", "Plim Plão", "Reivax", "Ripanso")....................

  • Bernardo António de Almeida Marques " O Gerigôto" .
  • General Francisco Correia da Silva Menezes...................
  • Henrique Augusto David e Cunha....................................
  • Henrique Augusto Luso.....................................................
  • João Lopes..........................................................................
  • Joaquim Augusto de Oliveira Mascarenhas ( Viana do

Castelo) ...............................................................................

  • José de Almeida e Silva.....................................................
  • José Antunes da Silva e Castro........................................
  • José Augusto Pereira........................................................
  • José Gomes de Almeida Branquinho..............................
  • Júlio César de Faria Coutinho de quem Tomaz Ribeiro

falou – Viriato de 24/3/57...................................................

  • Lourenço Trigo de Loureiro............................................
  • Manuel António dos Santos Lima...................................
  • Manuel de Freitas Barros( Coimbra) ..............................

203

234

157

228

192

228

-

204

162

197

132

213

171

-

200

200

170

225

215

-

128

110

177

198

Nota: No título académico de Dr. segui a anotação do autor. Não usei qualquer juízo de valor.

I I

Vida e obra de Augusta da Cruz

Maria Augusta Correia da Cruz nasceu na Praça, situada na actual freguesia de Santa Maria de Viseu (à época, freguesia Ocidental de Viseu) às onze horas da manhã do dia treze de Agosto de 1869. Era a 3 º filho de António Coelho da Cruz e de D. Júlia Correia da Cruz; neta paterna de José Coelho da Cruz e Dona Maria da Assunção e materna de Dr. Alexandre Correia de Lemos e Dona Maria da Luz da Silva Pacheco.

No dia 5 de Setembro seguinte foi baptizada pelo Revº P.e José d'Abreu Castello Branco, sendo seus padrinhos José Luís do Amaral, solteiro, e Dona Maria Augusta d'Almeida Amaral, viúva.

Infância e adolescência em Viseu...

Nasceu numa família da burguesia visesense. É familiar directa de dois médicos - os Drs. António Correia de Lemos (pai) e António Correia de Lemos (filho) . São bem relacionados com: os Senhores Dr. Eduardo Correia de Oliveira, médico; Conselheiro Manuel de Abreu; o ourives Caetano José do Amaral e as Famílias Correia de Barros, Silva Facho e Barbedo Facho.

À altura do nascimento de Maria AUGUSTA tinha Josefa de Oliveira (mais tarde grande artista teatral de renome internacional) 17 anos, Manuel Casimiro de Almeida (que veio a ser grande cavaleiro tauromáquico) 15 anos e Augusto Hilário (artista de teatro amador e grande compositor e cantor de " fado coimbrão" ,"fado Hilário" ou " fado deViseu"?) 5 anos.

Como a sua casa ficava a dois passos da de Hilário, não nos é difícil supor que ela e os seus irmãos Maria Palmira, José, Maria da Assumpção e Arminda, tenham, com ele, frequentado lugares públicos comuns (a Sé, sobretudo) apesar da diferença de condição social que os separava.

Não nos é difícil ver, em Julho de 1883, Maria Augusta - então com os seus 14 anos e filha da alta burguesia viseense ! - assistir às récitas da companhia de ópera do empresário D. Juan Molina e aplaudir a soprano Escaldante.

Maria Augusta gostava realmente do canto lírico. Necessitava de quem lhe desse umas lições para seu adestramento.

As primeiras lições de canto foram-lhe dadas em Vizeu por Luiz Dalhunty (1), então em Viseu, e fez a sua aparição na Sala do Grémio de Vizeu em 1887.

Em Lisboa...

Em 5 de Maio de 1888 parte para Lisboa, para estudar canto, acompanhada da mãe e dos irmãos.

Nessa altura, o núcleo da sua família restrita era constituído por:

O pai, aspirante de 1ª classe da repartição de fazenda distrital, só partirá no dia 19 de Dezembro daquele ano, quando foi colocado como adido na repartição de fazenda do distrito de Lisboa.

Em Lisboa recebe aulas de Arthur Pontechy, professor do Conservatório. Os professores desse Conservatório António Melchior Oliver (2) e Napoleão Vallerany classificaram a sua voz de " admirável em timbre e extensão".

Em Outubro de 1988 está no Teatro de S. João, no Porto, actuando numa festa de beneficência" a fazer "travesti" no papel de Siebel, o jovem pagem, estudante alemão, da ópera "Fausto" de Gounod, com tal qualidade que o Governo resolve concecer-lhe uma bolsa para estudar em Milão.

Em 19 de Dezembro de 1888 vimos seu pai, à altura 1º aspirante da repartição de fazenda distrital, partir para Lisboa, onde fora colocado como adido na repartição de finanças daquela cidade, para se juntar à família, que aí se estabelecera " por causa da educação artistica da sr.ª D. Augusta Cruz, essa formosa esperança d'uma futura gloria lyrica".

Em Itália...

A 17 de Agosto do ano seguinte, e com dezanove anos, vimo-la partir para Milão, a fim de estudar canto lírico, graças ao referido subsídio estatal. E, logo em Dezembro, os viseenses tomaram conhecimento dos seus progressos no canto lírico em terras italianas.

Em Milão foi aluna do professor S. Giovanni, do Conservatório de Milão. E, no dia 11 de Novembro de 1890 (dia de S. Martinho), Augusta da Cruz debutava no Teatro Garibaldi de Pádua, representando Leonor na ópera O Trovador. O êxito foi total.

Os viseenses liam então em A Liberdade: " D. AUGUSTA CRUZ " -" É com vivo enthusiasmo que noticiamos a estreia d'esta nossa notabilissima patricia, quanto talentosa cantora, no theatro de Padua, fazendo a parte de Leonor no Trovador."/ " O debute, como se esperava, brilhante e presagiador de uma formosa carreira artistica para a distinta cantora viziense."

A carreira de uma das duas meninas de ouro de Viseu, de finais do século XIX - a outra era a actriz de teatro Josefa de Oliveira ! - era seguida " a par e passo"... A imprensa da nossa cidade estava atenta ao evoluir da vida dos seus filhos! E reconhecia-lhes o seu valor!

Depois foi a Veneza fazer o papel de Julieta na ópera Romeu e Julieta de Gounod. " Um trumpho" - diz L' Indipendent"

Na Primavera de 1891 era a imprensa milanesa a elogiar a sua actuação no Teatro Dela Verme de Milão, no já mencionado papel de Leonor da ópera O Trovador.

O Teatro Nacional de Roma recebe-a, com calorosos alpausos, algum tempo depois, nessa Primavera, ao ouvi-la nas óperas Ruy Blas ("em que se tornou celebre" - afirma o jornal Carmen , daquela cidade) e O Trovador.

Segue-se uma ida a Trieste (então pertencente ao Império Austro-Hungaro), onde canta Ruy Blas, Cavallaria Rusticana e Lohengrin.

Encontramo-la na temporada Inverno 91/ Primavera 92 em Savona interpretando o papel de Elsa na ópera Lohengrin de Wagner e o papel de Santuzza na ópera Cavallaria Rusticana de Mascagni.

Nessa altura escrevem os italianos na revista Carmen: "Mostrou-se uma artista excepcional, uma insuperavel Santuzza. A sua festa artística em Savona, dada em a noite de 21 de fevereiro do ano findo, foi tão encantadora que os jornais daquela cidade escreveram: "Savona registará nos annaes do seu theatro lyrico o nome de tão brilhante artista" .".

Não poderá ser verdadeira a notícia que encontrámos no nosso "Democracia da Beira" (nº 35, Ano I, de 5 de Agosto de 1891, pg.2, col.4) que afirma que ela "acaba de Assignar escriptura para o theatro lyrico do Rio de Janeiro, em substituição de Kupfer, que foi pateada na Aida".

Os lisboetas querem-na ouvir cantar, e, em Julho de 1892, os seus jornalistas vão noticiando uma próxima actuação no Coliseu dos Recreios.

Os jornalistas viseenses, que se mantêm bem informados, negam essa notícia e falam do contrato da artista para actuar no Theatro Vittorio Emanuel de Turim (?) onde se propõe cantar "Roberto, o Diabo" e "Vesperas Sicilianas". Para já, não encontrámos notícias dessa deslocação, nem dessas actuações.

Naquele Verão de 1892 encontramo-la, disso temos a certeza, em Macerata, onde o povo maceratez, a recebeu e aplaudiu em delírio. A nossa soprano terá aí interpretado papéis nas óperas Cavalaria Rusticana, Lohengrin, Ruy Blas, Acis e Galateia e Roberto, o Diabo. Temos referência de que nesta ópera actuou ao lado de Gambardella, Sabellico Antonio e But Giuseppine.

Por essa altura o jornal maceratez Vessilo d'Elle Marche conclui numa das suas notícias:"

"Foi, como se vê, um verdadeiro triumpho o qual foi de justiça para a sr.ª Cruz (que não necessita de favores).

Foi acompanhada a casa com musica e enthusiasmo - chegada a casa agradeceu comovida ao povo que a aclamava, emquanto a musica tocava uma alegre melodia.

E agora só me resta dizer á srª Cruz que volte a visitar-nos; augurando-lhe, como fazem prever os seus dotes artisticos, um novo triumpho e uma carreira tão florida como de flores o palco estava atapetado na noute de terça feira .

A gentil artista mandou-nos o seguinte agradecimento, que de bom grado publicamos:

"Commovida com as demonstrações de affecto de que fui alvo durante a minha estadia aqui, e especialmente na minha festa artistica, sinto do meu dever agradecer a todos aquelles que me rodearam de tantos affectos e cortezias.

Macerata ficará sempre gravada bem fundo no meu coração, posso assegurar-lhe; e suspiro pelo dia em que novamente poderei apresentar-me ao publico " Maceratez" tão bom e intelligente e ao qual não digo adeus, mas, até á volta." AUGUSTA CRUZ

D. Augusta da Cruz actuou no Theatro Imperial de Varzovia, Russia Polaca, onde cantou Cavallaria Rusticana, Lohengrin, Força do Destino, Hugnottes e Le Ville.

"Não podiam ser mais lisongeiros para ella os importantes periodicos varzovianos Gazeta Polska, Kurjer, Purannz e Kurjer Warszaewsti, dos quais possuímos transcripções fieis sobre o assumpto, que bem provam que a Arte é universal" (In Occidente nº 535 de 1 de Novº de 1893).

E.... a fama de Augusta da Cruz passa o Atlântico...

Augusta da Cruz no Novo Mundo... México, Cuba...

A 20 de Agosto de 1893 - então com 24 anos! - parte para o Novo Mundo com destino às cidades do México e de Havana (Cuba), com contrato para durante quatro meses as óperas Lohengrin, Mephistoples, Roberto, o Diabo, Fausto, Huguenotes e Falstaff.

No México obtém um sucesso colossal n' O Trovador.

Em 1 de Novembro desse 1893 a revista portuguesa "Occidente" no seu nº 535 publica-lhe a fotografia e biografia.

No início de 1894 está já em Havana a cantar O Trovador. Depois Ruy Blas e Falstaff.

Relatos do El Pueblo são transcritos em Viseu n' A Liberdade. Aí se fala do grande júbilo em Viseu pelo triunfo da artista e da "justa glória de uma viseense distintíssima". Na transcrição traduzida do El Pueblo pode ler-se: (...)" os seus inquestionáveis dotes de artista de pur sang" (...) "É assim que se canta, é assim que se é artista, é assim que se ganha com plenitude de justiça, o triumpho e a gloria e um lugar entre os eleitos da Arte".

... e Brasil.

Estava na cidade de Havana, quando Marino Mancinelli a convida para fazer parte de uma companhia lírica que, a partir de Maio daquele ano, actuaria no Rio de Janeiro.

Ali juntou-se a D. Maria Judice da Costa, outra nossa grande cantora lírica internacional, que também havia sido contratada para a mesma companhia.

A 7 de Julho desse 1894 estreou Augusta da Cruz no teatro lírico do Rio de Janeiro na ópera Aída de Verdi.

As relações entre Portugal e Brasil estavam suspensas, naquele Verão de 1894 . Alguns espectadores, com botinas de tacão, preparavam-se para "chinfrinar" em nome da ruptura. Mas Augusta começa com beleza tal o seu canto que, ao chegar ao quarto acto, o grupo estava desarmado e "começou doidamente a bater palmas".e, "graças à fascinação artística d'essa meiga e brilhante cantora, deram a rixa por terminada"( O Século).

Foi um sucesso. Outrotanto aconteceu na ópera "O Escravo" do compositor brasileiro Carlos Gomes.

Mancinelli, que na época de Inverno que se aproximava, deveria reger em Portugal a orquestra de S. Carlos, suicida-se em Agosto(?), julga-se que por questões financeiras.

Eram os projectos de Augusta ir a S. Paulo, seguir para Lisboa e visitar Viseu; mas o suicídio do seu empresário complica tudo.

Regressa de imediato a Lisboa, no paquete Thames. Na primeira quinzena de Outubro, após alguns dias de quarentena no "Lazareto", percorre Lisboa, mas deixa decepcionados os viseenses que "perderam uma das melhores ocasiões, que se lhe deparavam para poder ouvir os primores d'aquella garganta privilegiada".

De novo em Itália...

Em Janeiro de 1895, Augusta da Cruz está no Teatro Reggio de Pádua, Itália, "onde conquistou verdadeiros tirumphos na sua brilhante carreira de cantora".

Depois... novo triunfo em Parma onde canta "Otelo" de Verdi, e onde, ao intrepretar o papel de Desdemona, ao terminar a "Ave Maria" recebe enorme ovação, recebendo uma imensidade de flores em elegantíssimas corbeilles e ramos.

No Outono daquele ano está no Teatro Social de Treviso onde recebe as mais encomiásticas referências dos jornais "Gazeta de Trevisto" e "L'Adriatti".

Em 1896 foi contratada para actuar no Teatro Carlo Felice, de Génova.

Definitivamente em Portugal...

Tem agora 30 anos. Deixa o teatro para, na madrugada de 24 de Junho de 1899 e na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, celebrar o seu matrimónio com Manuel da Costa Carneiro, um proprietário e negociante de Lisboa. E, no dia 25 partiu para Sintra, onde gozou a sua lua de mel.

 

Em 6 de Janeiro de 1901, após 19 meses e meio de casamento, faleceu na capital, com apenas 31 anos , 4 meses e 22 dias, com uma vida toda dedicada à arte do canto. Saiu de Viseu para Lisboa em 1888, aos dezoito anos de idade, e de Lisboa para Milão em Agosto de 1889. Em Itália se manteve cerca de 10 anos, com uma breve passagem pela América Latina.

AUGUSTA DA CRUZ (Soprano Viseense)

 

( Principais Óperas em que actuou):

Compositor

Operas

Carlos Gomes

"O Escravo"

Gounod

"Fausto" ; "Romeu e Julieta"

Handel

"Acis e Galateia"

Marchetti

"Ruy Blas"

Mascagni

"Cavalaria Rusticana"

Meyerbeer

"Huggenotes" ; "Roberto, o Diabo "

Puccini

" Le Ville "

Rossini

"Semiramis "

Verdi

" Aída"; "Falstaff "; "Força do Destino; "O Trovador "; " Otelo "; "Baile de Máscaras"; "Vésperas Sicilianas "

Wagner

" Lohengrin "; "Tannhauser"

Óperas cantadas

Compositores

Papel desempenhado

Local de actuação

Mês e Ano de actuação

"FAUSTO"

GOUNOD

(Paris - 1859)

"Siebel", pobre pagem, estudante na Alemanha

Porto

11 de Novembro de 1888

 

"O TROVADOR"

 

VERDI

(Roma – 1853)

 

"Leonor"

Pádua

Milão

Roma

México

Havana

Outono de 1890

Primavª de 1891

Verão de 1891

 

Outº/Invº 1893

Março de 1894

 

"ROMEU E JULIETA"

 

GOUNOD

(1867)

 

"Julieta

 

Veneza

 

 

" RUY BLAS"

 

MARCHETTI

 

"Maria de Neuburg"

Roma

Trieste

Savona

Havana

 

Verão de 1891

Outono de 1892

 

Março de 1894

 

"LOHENGRIN"

 

WAGNER

(Weimar - 1850)

 

" Elsa "

 

Savona

 

Inverno de 1891

Primavª de 1893

 

"ROBERTO, O DIABO"

 

MEYERBEER

(Paris -1831)

 

"Alice"

 

Turim

Macerata

 

 

Verão 1892

 

"VESPERAS SICILIANAS"

 

VERDI

(Paris – 1855)

 

?

 

Turim

 

Verão 1892

 

"FORÇA DO DESTINO"

 

VERDI

(Petrogrado – 1862)

 

" Leonora"

 

Turim

 

 

Outono de 1892

 

"CAVALARIA RUSTICANA"

 

MASCAGNI

(Roma – 1890)

 

" Santuzza"

 

Turim

Savona

 

 

Outono de 1892

 

"ACIS E GALATÉA"

 

HANDEL

( Londres - 1718 )

 

" Galateia"

 

Savona

 

Outono de 1892

 

"HUGGENOT-TES"

 

MEYERBEER

( Paris – 1836 )

 

?

 

Varsóvia

 

Primavª/ Verão

1893

 

 

" LE VILLE "

 

 

PUCCINI

( 1884)

 

?

 

 

Varsóvia

 

 

Primavª/ Verão

1893

 

"SEMIRAMIS"

 

ROSSINI

( Verme - 1825)

 

"Semiramis"

 

Macerata

 

Verão 1892

 

"FALSTAFF"

 

VERDI

( Milão –1893)

 

"Alícia"

 

México

 

Primavª de 1894

 

"AIDA"

 

VERDI

(Cairo – 1871 )

 

"Aida"

 

Rio de Janeiro

 

Primavª/ Verão de 1894

 

" O ESCRAVO "

 

CARLOS GOMES

(Rio de Janeiro – 1889)

 

?

 

Rio de Janeiro

 

Verão de 1894

 

"OTELO"

 

VERDI

( Milão – 1890 )

 

"Desdémona"

Parma

Bolonha

 

Inícios de 1895

 

"BAILE DE MÁSCARAS"

 

VERDI

( Roma – 1859 )

 

" Amélia "

 

?

 

?

 

TANNHAUSER

 

WAGNER

( Dresda – 1847)

 

" Isabel "

 

?

 

?

 

Nota: Apesar de alguns esforços meus, mesmo junto do Conservatório de Música de Coimbra, não consegui completar este quadro. O que a Ex.ma Senhora Drª.Isasel Melo e Silva, distinta professora daquele Conservatório, que encontrei assoberbada de trabalho, me afirmou é que a nossa conterrânea desempenhou os principais papéis destinados à soprano nas óperas que cantou.

 

 

 

ROMANZAS (cantadas por Augusta Cruz)

no Teatro Lauro Rossi de Macerata, no Verão de 1892

Nome

Papel

 

"Vanne disse alfiglio meo"...............

" Ojos negros"...................................

" Nel lascin la Normandie"

" Semiramis "

 

- de camponesa normanda

- c/ trágico típico espanhol

 

Alguns dos Teatros onde actuou:

País / Cidade

Nome

 

Itália - Pádua

Milão

Roma

Macerata

Treviso

Génova

Turim

Áustria - Trieste

Russia Polaca - Varsóvia

 

  • - Garibaldi; Reggio
  • - Dal Verme
  • - Vítor Manuel
  • - Lauro Rossi
  • - Social de Treviso
  • - Carlo Felice
  • - Vittorio Emanuele
  • - Theatro Imperial

 

Alguns Jornais e Revistas, nacionais e estrangeiros

(que falaram de Augusta da Cruz):

Estrangeiros (até à sua morte)

Nacionais (até à sua morte)

 

Brasil- Rio de Janeiro – L’Echo du Brésil

Paiz

Revista Theatral

 

Cuba –Havana - El Pueblo

 

Itália - Savona - Il Cittadino

Caffaro

L’Indipendente

Ma cerata - Don Falcucci

Vessilo d’Elle Marche

Roma - Carmen

 

México- México El Universal

El Partido Liberal

Diario del Hogar

 

Russia Polaca - Varsóvia Gazeta Polska

Kurjer

Purannz

Kurjer Warszewsti

 

  • - Actualidade
  • - Almanach Illustrado do Occidente
  • - Commercio Portuguez
  • - Correio do Norte
  • - Epoca
  • - Gazeta de Noticias
  • - Jornal da Manhã
  • - Jornal de Noticias
  • - Jornal do Porto
  • - Lucta
  • - Novidades
  • - O Occidente
  • - O Recreio
  • - Primeiro de Janeiro
  • - Século

 

Jornais e Revistas, nacionais e estrangeiros

(que publicaram a fotografia de Augusta da Cruz):

Amphion

Don Falcuccio

Gazeta de Notícias (em Junho ou Julho de 1894)

O Almanach Illustrado do Occidente nº 14 para 1895

O Occidente nº 535 de 1 de Novº de 1893 (fotografia de Emblemi e Bellarini)

O Recreio, de Lisboa (em Abril ou Maio de 1894)

 

 

I I I

AUGUSTA DA CRUZ

Na imprensa viseense... e nacional...

 

1888

 

D. Maria Augusta da Cruz

O reporter d’um dos jornaes da capital que assistiu aos ensaios do Fausto escreve a respeito da nossa talentosa patricia o seguinte:

"Siebel, o pagem, não podia ter melhor desempenho. A Sr.ª D. Maria Augusta da Cruz,uma formosissima viseense, que tem, por assim dizer, o instincto musical, consegue, apesar da insignificancia relativa do seu papel enthusiasmou o auditorio. O timbre de voz não pode ser mais delicado."(A Liberdade, nº 932 de 12 de Outubro de 1888,Pág...., coluna...)

*

O FAUSTO

A nossa patricia D. Augusta Cruz

" Justissimo é o orgulho da imprensa local referindo a ovação explendida que no Porto deu o primeiro baptismo ao talento radiante da nossa gentil patricia Augusta da Cruz." Se seguir o theatro lyrico, virá a ser n’um futuro proximo uma gloria paiz" dizia para a Gazeta de Portugal o seu correspondente do Porto. "Terá um exito seguro na carreira theatral", diz outro." Tem diante de si um futuro brilhantissimo", diz um terceiro.

Se seguisse a carreira que a sua voz parece predestinar-lhe, certamente viria a Ter um dos primeiros logares no mundo lyrico", accrescenta a "Actualidade". Ainda em S. Carlos, ninguem deu execução mais brilhante ao seu papel", dizem todos.

Bravo, bravo, adoravel e sublime patricia nossa! Ao som dulcissimo da tua voz d’artista, os horisontes do teu futuro dilatam-se n’uma fulgurante surprehendente e esmeraldaram-se com as vivissimas cores da gloria e do triumpho!

Bafejou-te o berço a musa da mais divina arte que pode encantar ouvidos humanos. Sobe! Sobe! Libra-te ás luminosas alturas, ao formoso ceu estrellejado por ainda bem poucos astros! Dá um novo realce ao teu paiz, immortalisa com mais uma manifestação de genio a tua terra natal.

 

Bravo, querida artista, creança hoje,amanhã dilecto objecto de admiração de todos nós!

Ao nosso amigo, Antonio Coelho Cruz, pai inexcedivel em amor que para aproveitar as aptidões artisticas da sua filha, jogou uma partida em que podia comprometter o seu futuro inteiro, um affectuoso e sincero abraço. Como deve encher-lhe o coração de desvanecimento e orgulho aquella fraze escripta por um estranho, em terra estrenha, na serenidade d’uma critica alheia a condescendencias pessoaes – "certamente virá a ter um dos primeiros lugares no mundo lyrico"!

Ainda uma vez mais Vizeu se engrandece a sublima na gentil personalidade de D. Augusta Cruz. Mil felicitações lhe enviam os nossos ardentes e sinceros cultos.

Respigamos de alguns collegas do Porto e Lisboa as impressões despertadas, na sua estreia, pela futura gloria lyrica:

 

Correio da Noite:

"D. Maria Augusta Correia da Cruz – o melhor Siebel que temos ouvido – mesmo em S. Carlos – bisou as estrophes do terceiro acto cantadas com primor. Tem uma bella e extensa voz e pode-se affiançar que terá um exito seguro na carreira theatral."

 

Epoca:

"Terminado a acto do jardim Siebel surprehende a plateia pela frescura e timbre da voz. Repete-se a aria, que canta como nunca se ouviu em S. Carlos."

 

Novidades:

"Augusta Correia Cruz deliciosa voz, argentina e clara, a sua canção do 3º acto foi bisada com grande enthusiasmo".

 

Primeiro de Janeiro:

"O papel Siebel deu logar a que a sua interprete, a exm.ª sr ª D. Augusta Correia da Cruz ostentasse os dotes da sua formosissima voz, uma voz deliciosamente timbrada, revelando a bella direcção artistica que teve e uma notavel aptidão para a scena, onde sabe conservar-se graciosamente, á vontade, com quem não teme o palco".

"Confessamos sem vislumbre de lisonja que ainda não vimos artista algum fazer mais brilhantemente esta papel."

 

Commercio Portuguez:

"Da srª D. Augusta Correia da Cruz não seremos exaggerados affirmando que poucas vezes na scena dos nossos theatros terá passado um Siebel tão encantador como o que hontem realisou . A sua gentil figura "mignonne", presta-se excellentemente a essa personagem tão graciosa e delicada que põe em toda a opera uma nota de viva alegria. Foi o que se pode chamar encantadora, no modo corretissimo como cantou toda a sua parte, especialmente a canção do 3º acto, dita com toda a expressão e esmaltada com uma fina graça. Tem recursos para muito, é de certo uma vocação brillantissima."

 

Jornal do Porto:

"A srª D. Augusta Correia da Cruz realisou o papel de Siebel. É ella uma amadora de grandes qualidades e conseguiu no "Fausto" um destaque de mencionar. A voz é limpida, extensa assaz, e ella usa-a com completo exito, emittindo a nota n’uma luminosa inteireza e n’uma expressão fagueirissima.

A aria no terceiro acto, cantou-a magnificamente, com uma certeza e uma exactidão que enthusiasmaram. O publico tanto gostou que depois de palmear vigorosamente a gentil amadora, pediu a repetição do trecho.

Uma bella felicidade auxiliou a srª Augusta da Cruz, que, repetindo a aria, a realisou com maior brilho e com a intensidade da primeira vez."

 

Lucta:

"O papel de Siebel, foi interpretado por exmª srª D. Augusta Correia da Cruz de uma maneira distintissima, dando logar a que a illustre amadora ostentasse a sua bella voz em toda a sua frescura e limpidez crystalina, bem timbrada e agradavel, e revelando a boa direcção artistica que recebera.Com uma accentuada vocação para a scena, o seu papel foi rigorosamente feito, como por uma artista de merito."

 

Jornal de Noticias:

"O apaixonado Siebel teve um interprete gentilissimo, a srª D. Augusta Correia da Cruz.

Há muito tempo que não ouvimos voz mais docemente timbrada, nem mais graciosa mulher, traduzindo a desesperada paixão do pobre estudante da Allemanha. Gorgeiou deliciosamente a sua canção do 3º acto que bisou, no meio de enthusiasticos applausos."

 

Jornal da Manhã:

"A srª D. Augusta Correia da Cruz foi intelligentemente o pagem Siebel; colheu muitos applausos realmente merecidos.

A estrophe Le parlate damore foi cantada com esmero, merecendo as honras de bis. A intelligente senhora possue uma deliciosa voz, muito egual suave e doce e uma vivacidade e disposição para a scena realmente admiraveis. A notavel amadora, se se dedicasse ao theatro, tinha diante de si um futuro brilhantissimo.

 

Actualidade:

"D.Augusta da Cruz, um formoso Siebel, é perfeitissima tanto na parte dramatica como no canto; parece uma artista experimentada, conhecedora de todos os segredos da arte.

Não procura effeitos artificiaes;dá as notas precisas, com a devida extensão, conscienciosamente, como o maestroescreveu. Se seguisse a carreira que a sua voz parece predestinar-lhe, certamente viria a Ter um dos primeiros lugares no mundo lyrico."

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A srª Augusta Cruz recebeu um bouquet de rosas, lilazes, primulas, miosotis e verbenas, e uma explendida corbeille de flores artificiais.

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No final da opera houve um delirio de chamadas e applausos; e á saida do theatro marcha aux flambeaux, por mais de cem rapazes da primeira sociedade de Lisboa e Porto, todos elles com archotes, até ao hotel de Paris, e seguidos por uma banda de musica tocando a marcha do Fausto.

Dois landaus, puxados a duas parelhas cada um, conduziam os principais amadores e maestros Pontecchi e Antonio Duarte.

Á porta do hotel, ovação delirante, indo os amadores á varanda agradecer. Depois serviu-se uma magnifica ceia de sessenta talheres, em que se fizeram enthusiasticos brindes.

(A Liberdade, nº 934 de 26 de Outubro de 1888 Pág.2, coluna 1,2 e 3.)

 

*

"Para Lisboa" – "No mesmo dia (... 19 de Dezº ) partiu também o nosso velho amigo Antonio Coelho da Cruz, aspirante de 1.ª classe da repartição de fazenda districtal e que agora foi collocado como addido na repartição do districto de Lisboa. O sr. Coelho da Cruz sollicitou a sua deslocação para ir juntar-se a sua familia, que teve necessidade de estabelecer-se na capital por causa da educação artistica da sr.ª D. Augusta Cruz, essa formosa esperança d’uma futura gloria lyrica. Que o nosso amigo veja excellentemente coroadas as suas dignissimas diligencias paternas e que em breve novas amisades lhe mitiguem em terra estranha o desgosto de sahir da sua terra natal, onde o bom e honrado Antonio Coelho só tinha quem muito o estimasse e apreciassem..."( A Liberdade, nº 942 de 21 de Dezembro de 1888 -Pág.1, coluna5)

 

1889

 

D. Augusta Cruz – " Noticias de Milão dizem que são notaveis os progressos que a nossa gentil patricia D.Augusta da Cruz, ali tem obtido debaixo da direcção do seu famoso maestro d’aquella cidade.

A nossa patricia possue uma esplendida voz e em breve sera uma das glorias artisticas do nosso paiz.

Folgamos por dar uma noticia que tanto interesse deve ter n’esta cidade.

Parabens à talentosa cantora e a seu bom pae o nosso amigo sr. Antonio Coelho da Cruz. "

(A Liberdade, nº 992 de 2 de Dezembro de 1889

Pág.2, coluna 4)

 

1890

NOTICIÁRIO: (........) "Para os theatros de Verona e Trieste para outubro e novembro, foram escripturadas as mossas patrícias Maria Cruz que debutará no Trovador de Leonora e Judice Costa no de Adalgisa da Norma" (Gazeta Musical de Lisboa, Ano II, nº 86, 1/10/1890

pg.7.col.1 )

 

"Uma cantora Viziense" – " Está prestes a debutar na arte lyrica a nossa distincta patricia D. Augusta Corrêa da Cruz.

A talentosa cantora estreiar-se-há no theatro de Padua (o mesmo onde se estreou D. Judice da Costa), desempenhando a parte de Leonor no Trovador.

Que as auras da Felicidade lhe acalentem a sua luminosa carreira, é o que estimamos. "

(A Liberdade, nº 1039 de 1 de Novembro de 1890

Pág.2, coluna 4 )

*

"D. AUGUSTA CRUZ " –" É com vivo enthusiasmo que noticiamos a estreia d’esta nossa notabilissima patricia, quanto talentosa cantora, no theatro de Padua, fazendo a parte de Leonor no Trovador.

O debute, como se esperava, brilhante e presagiador de uma formosa carreira artistica para a distinta cantora viziense."

(A Liberdade, nº 1040 de 8 de Novembro de 1890)

Pág.2, coluna 1 )

 

1891

 

"D. Augusta Cruz – É agradavel ver como toda a imprensa de Milão cobre de elogios a nossa adoravel patricia D. Augusta Cruz pela sua primorosa estreia no Theatro Dal Verme, com o Trovador.

 

Orgulhamo-nos com as glorias obtidas pela nossa distincta cantora".

( A Liberdade, nº 1066 de 9 de Maio de 1891

Pág.1, coluna1 )

*

NOTICIÁRIO: (........) "As nossas patricias Augusta Cruz e Judice Costa estão escripturadas para os theatros de Mexico e Havana"

(Gazeta Musical de Lisboa, Ano III, nº 102

 

D. Augusta Cruz – "Esta nossa distincta patricia acaba de obter mais um enorme sucesso nas óperas Ruy Blas e Trovador, em Roma. Todos os jornaes italianos são unanimes em tecer os maiores elogios a nossa notavel cantora, uma das glorias artisticas de Portugal.

(A Liberdade, nº 1087 de 1 de Agosto de 1891

Pág.2, coluna1 )

*

Augusta Cruz – " Esta nossa patricia e distincta cantora tem sido alvo das mais ruidosas manifestações d’apreço no desempenho das operas que está cantando no Theatro Nacional, em Roma, tecendo-lhe todos os jornais os maiores elogios pelo seu distincto methodo de canto, timbre e qualidade de voz e brilhante figura.

Augusta da Cruz tem já cantado nas principaes cidades e theatros d’Itália e em todos tem alcançado grandes applausos e sido recebida como cantora de elevado merito."

(O Commercio de Vizeu, nº 527, de 2 de Agosto de 1891

Pág.3, coluna3)

*

D. Augusta Cruz – " A nossa distincta patricia acaba de assignar escriptura para o theatro lyrico do Rio de Janeiro, em substituição de Kupfer, que foi pateada na Aida."

(Democracia da Beira, nº 35,Ano I, de 5 de Agosto de 1891

Pg.2, col.4)

*

D. Augusta Cruz – " Acaba de ser recebida no theatro opera de Trieste com as maiores provas de estima e apreço ao seu talento, esta nossa patricia.

Realisou há dias a illustre cantora a sua festa artistica com a opera Ruy Blas que lhe valeu applausos estrepitosos, sendo-lhe offerecidos varios bouquets de flores de subido valor com riquissimas fitas de seda com dedicatorias."

(A Folha, Ano III, nº 263 de 11 de Outubro de 1891

Pág.2, coluna2)

 

1892

 

Augusta Cruz – " É enorme o nosso regozijo, pelas excellentes noticias que os jornaes italianos nos veem transmitindo sobre os grandes triumphos da nossa illustre patricia D. Augusta Correia da Cruz.

A notavel cantora, que se encontra em Savona, tem obtido no theatro lyrico d’aquella cidade ruidosos applausos nos successivos desempenhos do Lohengrin, a famosa opera de Wagner.

Il Cittadino, Caffaro, L’Indipendente e varios outroa jornaes d’aquella cidade referem-se á nossa patricia da maneira mais calorosa e encomiastica.

Do coração desejamos o prolongamento dos triumphos de D. Augusta Cruz."

(A Liberdade, nº 1102 de 16 de Janeiro de 1892

Pág.2, coluna2)

*

D. Augusta Cruz – " Com o mais enthusiastico prazer continuamos a registrar aqui os triumphos, por assim dizer inimperruptos, que a nossa estimavel patricia D. Augusta Correia da Cruz vae obtendo em Italia, em todas as noites que se exibe, nos palcos lyricos d’aquelle formoso paiz.

Agora, em Savona, realisou a sympathica cantora a sua festa artistica, a qual, no dizer dos jornaes mais importantes d’aquella cidade, foi deveras brilhante.

Brindes de valor, poesias, flores, applausos, e até numeros especiaes de periodicos em sua honra, não lhe faltaram.

D’aqui felicitamos a joven artista viziense, fazendo votos para que os seus triumphos se contem por cada exibição á luz da ribalta."

(A Liberdade, nº 1110 de 12 de Março de 1892

Pág.3, coluna2)

*

D. Augusta Cruz – " Propalaram alguns jornaes da capital que a nossa ilustre patricia D. Augusta Cruz iria dar alguns espectaculos de canto no Colyseu dos Recreios, de Lisboa.

Tal notícia é absolutamente destituida de fundamento, porquanto D. Augusta Cruz está no firme proposito de não cantar tão cedo em Portugal, tendo acceitado mesmo agora uma escriptura para cantar nos theatros lyricos de Verona e Turim o Roberto do Diabo e Vesperas Sicilimas."

(A Liberdade, nº 1129 de 29 de Julho de 1892

Pág.2, coluna2 )

A CANTORA PORTUGUEZA

 

Augusta Cruz

"Accentuam-se dia a dia, no theatro lyrico, os progressos da nossa compatriota Augusta Cruz, que na Italia tem sido alvo constante de ruidosas ovações e da estima e apreço de todos os publicos que a têem apreciado nas varias scenas d’aquelle paiz.

A cantora portugueza Augusta Cruz, há perto de dois annos que não vem a Portugal, pela simples razão de seus contractos successivos para cantar em theatros lyricos não lh’o permittirem. É este o maior elogio que se póde fazer ao merito da artista Augusta Cruz, que em breve esperamos encontrar nas primeiras scenas lyricas do mundo, a julgar pelas criticas que a imprensa italiana tem dispensado a esta nossa compatriota.

Augusta Cruz está actualmente cantando no theatro de Macerata. Os jornaes recebidos dizem-nos:

 

" A cantora portugueza Augusta Cruz é muito nova, e pisa o palco há apenas dois annos, porém, n’esse curo espaço de tempo, as ovações a esta graciosa artista que allia ás riquezas dos dotes naturaes da voz e da sua esplendida figura para a scena, rara intelligencia alimentada pelo sagrado fogo da arte com que a natureza não é prodiga, senão para os seus mais queridos e dilectos filhos. E Augusta Cruz é d’esses talentos privilegiados.

Completou esta artista seus estudos musicaes, (encetados em Portugal, onde debutou na parte de Siebel, do Fausto) em Milão, com o professor de canto San Giovanni.

Decorrido um anno estreou-se Augusta da Cruz com successo, em Padua, na opera Trovador, e depois fez-se ouvir em Veneza, Milão, no theatro Dal Verme, Trieste, Roma, Savona e agora em Macerata, sempre com applauso.

O reportorio já hoje d’esta talentosa artista compõe-se das seguintes operas:Trovador, Romeo e Julietta, Lohengrin, Ruy Blas, Cavalleria Rusticanna e presentemente o Roberto do Diabo, que tem valido a Augusta Cruz, em Macerata, noutes de verdadeiro enthusiasmo do publico na interpretação da difficil parte de Alice.

Augusta Cruz possue voz agradavel e extremamente flexivel, e patenteia-nos ao mesmo tempo boa escola italiana de canto.

Á talentosa sr.ª Cruz prevemos uma serie de triumphos que êm breve a collocarão em lugar eminente na scena lyrica, ao qual tem direito por seu merito e reconhecido talento artistico".

Por nossa parte resta-nos felicitar a nossa patricia illustre, quem desejamos em breve ouvir em Lisboa."

(A Liberdade, nº 1143 de 23 de Setembro de 1892

Pág.3, coluna2)

*

Augusta Cruz – " Prosegue triumphante na carreira da arte a gentil e talentosa artista, nossa conterranea, D.Augusta da Cruz.

É com o mais vivo enthusiasmo que transcrevemos dos jornaes italianos Vessillo d’elle Marche e Dom Falcuccio, que se publicam em Macerata, as apreciações que seguem:

Do Don Falcuccio:

" Portugueza de origem. Muito joven, e pisa o palco há só dois annos, onde porém tem colhido as saudações reservadas unicamente áquelles que sabem demonstrar que possuem força e uma grande vontade de adquirir um grande nome. Se tivessemos que dizer a grande impressão que nos fez, confessar devemos que ella apresenta o typo de artista consumada, porque as riquezas dos dotes naturaes da voz e da pessoa resplendem n’ella ao raio de uma intelligencia indiscutivel e se rescaldam e vivificam ao sagrado fogo da arte com que a natureza presenteia os seus filhos mais queridos.

Completou os seus estudos, encetados na patria onde tinha debutado no não facil papel de Siebel do Fausto, em Milão e náquelle conservatório teve por mestre o San Giovanni.

Decorrido um anno debutou em Padua com um exito explendido, no Trovatore. Os auspiciosos prognosticos que desde então se fizeram ao futuro da artista que debutava, a pouco e pouco se manifestaram, e em theatros successivos fez ver que podia e sabia manter o que tinha prometido desde o começo. Foi applaudida em Veneza, na Julietta e Romeo, de Gounod, em Milano no Dal Verme, a sua interpretação do Trovatore foi julgada perfeita.

Os publicos de Trieste, Macerata, Roma , Savona e Veneza foram prodigos de applausos e festas a esta talentosissima artista, que com grande intelligencia musical representava o Trovatore, Lohengrin, Ruy Blas e la Cavalleria Rusticana.

A sua voz por natureza melodiosa se dilata com suaves caricias de som por effeito da modulação incantavel do vocalizo firme, de pureza de estylo que de seguida apresentam a cantante educada conforme as nobres tradições da escola italiana.

Á talentosissima senhora Cruz nós desejamos uma série de triumphos taes de fazer-lhe occupar bem cedo na arte quelle lugar eminente ao qual tem direito pelos seus indiscutiveis merecimentos o que ella saberá com certeza conquistar".

Do Vessillo d’Elle Marche:

"A festa de Augusta Cruz coroada de applausos pelo publico maceratez ficará gravada sem duvida como memoravel na sua brilhante carreira.

Augusta Cruz soube conquistar o favor do publico desde o começo da epocha até Terça feira a noute, passando de triumpho em triumpho até captivar por completo a simpatia e a predilecção do publico Maceratez.

A estima e a admiração do publico manifestou-se por tal forma na Terça feira que tornaram esta festa a mais bella do nosso theatro.

Tudo quanto de mais elegante e disctinto de Macerata encerrava o Lauro Rossi – o palco cheio de elegantissimas damas e cavalheiros, a platêa cheia, os camarotes a transbordar, eis ahi o theatro.

A fada, que havia operado o milagre de attrahir tanta gente ao theatro, foi a sr.ª Augusta Cruz , a sympathica Alice.

A sua apparição foi saudada com uma calorosa ovação; apesar de visivelmente impressionada com aquella expontanea manifestação, ella soube dar maior realce á parte d’Alice sendo muito applaudida no final da romanza "Vanne disse alfiglio meo" depois do 2º acto a Cruz deixou de ser a ingenua camponeza normanda, apparecendo-nos com o fascinante trjo hespanhol – foi acolhida com uma prolongada ovação.

Cantou então a romanza hespanhola "ojos negros" enthusiasmando o publico, já pela correcção e agilidade da voz já pela belleza de musica.

Foi chamada por tres vezes ao palco; e repetindo a romanza teve tres outras chamadas, sendo brindada com uma enormidade de flôres em corbeilles, uma lyra de flôres e muitos outros brindes de que me não recordo.

No 3º acto renovaram-se os applausos na aria "Nel lasciar la Normandia" - no directo com o baixo, especialmente no explendido agudo da phrase "El meco Iddio" etc... juntamente com "Sabellico"fazendo compartilhar dos applausos no maravilhozo " Mibemolle" e no terceto do 3º acto.

Depois no 4º acto foi applaudida na Cavatina da " Semiramis" o raggio lusinghiero á qual ª Cruz deu uma interpretação superior a todo o elogio, conseguindo com summa nitidez e agilidade vocal vencer toda a difficuldade sem que o canto perdesse a animação. Foi para ella um novo triumpho sendo acclamada com bis por tres vezes e outras tres vezes com bravos.

Um admirador offereceu-lhe uma Paradisea toda de flores, trabalho distincto do amigo Galassi. No 5º acto novamente saudada com applausos no tercetto e depois do panno cahido, teve duas novas chamadas. Foi, como se vê, um verdadeiro triumpho o qual foi de justiça para a sr.ª Cruz (que não necessita de favores).

Foi acompanhada a casa com musica e enthusiasmo – chegada a casa agradeceu comovida ao povo que a aclamava, emquanto a musica tocava uma alegre melodia.

E agora só me resta dizer á srª Cruz que volte a visitar-nos; augurando-lhe, como fazer prever os seus dotes artisticos, um novo triumpho e uma carreira tão florida como de flores o palco estava atapetado na noute de Terça feira .

A gentil artista mandou-nos o seguinte agradecimento, que de bom grado publicamos:

"Commovida com as demonstrações de affecto de que fui alvo durante a minha estadia aqui, e especialmente na minha festa artistica, sinto do meu dever agradecer a todos aquelles que me rodearam de tantos affectos e cortezias.

Macerata ficará sempre gravada bem fundo no meu coração, posso assegurar-lhe; e suspiro pelo dia em que novamente poderei apresentar-me ao publico " Maceratez" tão bom e intelligente e ao qual não digo adeus, mas, até á volta." AUGUSTA CRUZ

( A Liberdade, nº 1145 de 30 de Setembro de 1892

Pág.2, coluna 3 )

 

(N.R. : A gratidão da jovem de 23 anos! Fica tão bem a gratidão!)

 

1893

 

D. Augusta Cruz – "Em um dos principaes jornaes italianos ultimamente publicados; deparamos com um artigo relativo á nossa illustre patricia, em extremo lisongeiro para ella.

O auctor do artigo, critico musical, depois de dar algumas notas biographicas de Augusta Cruz, natural de Viseu, de alludir aos seus 20 anos e aos seus estudos na Italia; e de fazer, com enthusiasmo a estylo levantado, a apreciação das prendas moraes e physicas da cantora, e ao modo como tem sido agora recebida no theatro Victor Emmanuel, acrescenta.

Em Milão o seu nome passou a ser referido nas columnas dos jornaes mais serios pela perfeita execução do "Trovador", no Dal Verme.

Em Roma tornou-se celebre no "Ruy Blas" e ainda em Trieste, onde applaudidissima nas mais difficeis spartitos.

Em Savona, Augusta Cruz alcançou verdadeiros triumphos, como certifica a imprensa local na "Cavellaria Rusticans" no "Lohengrin " no "Ruy Blas" e na opera "Acis e Galatéa ". Ainda n’esta ultima cidade tivemos a fortuna de ouvi-la na vigesima representação da obra prima do grande Mascagni, e podemos dizer conscienciosamente que se mostra uma artista excepcional uma insuperavel Santuzza.

Augusta Cruz é a artista de linhas correctas, de inflexão potente, de voz extensa, vibrante, espontanea, dúm timbre simpathico e de uma escola elegante e aprefeiçoada.

O seu olhar é apaixonado, o seu gesto segue os movimentos da alma tumultuosa, desperta a commoção do drama e faz desapparecer o artificio que sempre existe na ligação da musica com a palavra.

O publico consciencioso, á sua apparição, aplaude-a delirante e festeja-a com expansão, não se saciando jámais de ouvi-la.

Indifferente á "claque" e aos grandes "reclames", ella prefere rodear-se de uma reserva digna e é tanta a sua modestia quantos são os meritos que a adornam."

( A Liberdade, nº 1172 de 3 de Janeiro de 1893

Pág.2, coluna 3)

 

 

(N. R. : Em Viseu reclama-se nesta altura que "há quase dois annos que não ouvimos emitidas por genuina garganta duas ou três notas de boa musica classica". (A Liberdade nº 1182, de 7/2/1893, pg. 3, col 2 – "Lyrica") E em 7 de Julho desse ano de 1893 (A Liberdade nº 1224, de 7/7/1893) faz-se uma descrição da lírica em Viseu entre 1883 (tinha Augusta da Cruz 14 anos! ) e 1891, da qual fizemos nós a síntese-quadro que publicámos atrás, pág. 12 e 13

 

 

D. Augusta Cruz – " Acabamos de receber notícias d’esta nossa sympathica patricia e distincta cantora. É no dia 20 do corrente que ella partirá para o Mexico e Havana em contracto especial para cantar durante 4 mezes, nos primeiros theatros lyricos d’aquelles paizes, as operas Lohengrin, Mephistophles, Roberto do Diabo, Fausto, Huggenotes e outras mais, assim como a nova composição do genial VerdiFalstaff.

D. Augusta Cruz foi agora delirantemente applaudida na grande opera de Varzovia (Russia) onde cantou brilhantemente os Hugguenotes e Le Ville de Puccini.

Do coração estimamos os triumphos inimperruptos da patricia illustre, a quem mandamos o nosso sincero parabem."

(A Liberdade, nº 1231 de 1 de Agosto de 1893

Pág. , coluna)

 

D. Augusta Cruz – "Referimo-nos há tempos aos brilhantes progressos artisticos da nossa illustre patricia D. Augusta Cruz, e á sua partida para a America, para onde havia sido escripturada pelos principais theatros do Mexico e Havana.

N’uma carta do Mexico, agora recebida em Lisboa, annumcia-se a estreia da distincta prima donna viziense, com o Trovador, obtendo um sucesso collossal.

Apesar do gosto do publico ser wagneriano e da opera de Verdi ser muito conhecida, a talentosa artista portugueza conquistou as sympathias geraes e foi calorosamente applaudida pela extensão e brilho da sua voz, pelo seu esplendido methodo de canto e pelas suas excellentes aptidões scenicas.

Novamente nos congratulamos com todos os nossos compatriotas pela continuação da serie brilhante de triumphos lyricos conquistados por D. Augusta Cruz, que é a Segunda cantora portugueza festejada pelo Novo Mundo (A primeira foi D. Judice da Costa, que há pouco regressou do Brazil para ir cantar no Theatro de Madrid)."

*

"Consta-nos que a bella revista nacional O Occidente, publicará brevemente o retrato e biografia de D.Augusta Cruz."

(A Liberdade, nº 1254 de 20 de Outubro de 1893

Pág. , coluna)

*

Augusta Cruz – "A excellente revista O Occidente nº 535 do 1º do corrente mês, traz o retrato da nossa sympathica patricia e já hoje notavel cantora – D. Augusta Cruz – copiado de uma photographia de Emblemi e Bellarini, e acompanha-o da sua bem elaborada biographia, devida a pena do nosso collega n’esta redacção ª Campos a qual com muito prazer com a devida venia transcrevemos brevemente na nossa folha.

(A Liberdade, nº 1261 de 14 de Novembro de 1893

Pág..., coluna... )

*

1894

Morte de Barbieri - Morreu em Madrid o maestro Barbieri, o mais ilustre dos compositores espanhoes; era auctor de varias operas, algumas das quaes foram cantadas em Vizeu, e de um grande numero de zarzuellas magnificas.

(A Liberdade, nº 1292 de 2 de Março de 1894

Pág.1, coluna 2)

Augusta Cruz – "Com jubilo continuamos registando os triumphos da nossa patricia, que se encontra actualmente no theatro lyrico de Habana.

Como são para nós extremamente gratas as notícias que recebemos, apressamo-nos em participal-as aos leitores,que comnosco por certo hão de estimar immenso o sabel-as, visto referirem-se á justa gloria d’uma viziense distinctissima. Diz El Pueblo.

"Fechamos esta chronica com o que pode verdadeiramente chamar-se a chave de oiro da semana de Tácon. Referimo-nos á audição do Ruy Blas e á bellissima interprete a senorita Augusta Cruz. Não nos enganámos quando ao fallar da distinta artista do Trovador, prevemos que em outras operas, ella demonstrará com maiores galas e com maior esplendor os seus inquestionaveis dotes de artista de pur sang. Nunca o palco de Tacón foi pisado por uma rainha de Hespanha tão digna de o ser, não só pela sua belleza e pela sua arte, mas tambem pela Augusta e egregia diva que nos deu a conhecer o que é a Maria de Neaburg creada por Marchetti.

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Voz de timbre argentino e harmonioso, graça e flexibilidade na voz e no corpo, belleza e magestade no porte, dominio da scena, grandiosidade egregia, eis finalmente esse sublim conjuncto o que se chama Augusta Cruz.

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Os portuguezes teem razão de orgulhar-se em terem por compatriota essa estrella, da arte émula de Tetrazzini.

Não podemos, pelo menos reconhecer que todos os artistas que interpretaram o Ruy Blas foram correctos e alguns d’elles como o eximio tonor Grani, mais de que correcto, excellente, mas deve-se confessar que toda a gloria, todo o triumpho foi para Augusta da Cruz. Grande será a recordação que deixa entre os "dilettanti" essa encantadora Maria de Neuburg. Nós sentiamo-nos satisfeitos e vaidosos por Ter visto confirmadas na interpretação d’essa opera as nossas previsões e augurios ao fallar da Cruz no Trovador . Receba a formosa e sympathica artista, além da nossa fervorosa admiração e os nossos mais sinceros applausos.

É assim que se canta, é assim que se é artista, é assim que se ganha com plenitude de justiça, o triumpho e a gloria e um lugar entre os eleitos da Arte. "

No Falstaff a opera que no dia 27 pela primeira vez foi apreciada pelo publico de Lisboa, tambem Augusta Cruz colheu os mais lisongeiros applausos. Os jornaes de Mexico, El Universal, El Tiempo, El Partido Liberal e Diario del Hogar dedicam à nossa gentil patricia, phrases de verdadeiro elogio, em que muito se accentuam os meritos de Augusta Cruz, no seu papel de Alicia.

(A Liberdade, nº 1292 de 2 de Março de 1894

Pág.2, coluna 2)

*

D.Augusta Cruz – "O illustre maestro Marino Mancinelli que organisou uma companhia lyrica para em Maio proximo dar alguns espectaculos no Rio de Janeiro, convidou a nossa distincta patricia e cantora D. Augusta Cruz para fazer parte da companhia.

O convite foi acceite, encontrando-se D. Augusta Cruz já escripturada.

Tambem o foi o contralto D. Judite da Costa."

(A Liberdade, nº 1303 de 10 de Abril de 1894

Pág.1, coluna 2)

 

*

Augusta Cruz – "O nosso presado collega O Recreio de Lisboa, publicou o retrato da nossa illustre patricia e distincta cantora D. Augusta Cruz."

(A Liberdade, nº 1313 de 15 de Maio de 1894

Pág.2, coluna 4)

*

Varias Noticias – "A já distincta cantora, Augusta Cruz, nossa patricia, estreiou-se no dia 7 do corrente no theatro lyrico do Rio de Janeiro, com a Aída, causando enthusiasmo.

A Gazeta de Noticias publicou-lhe o retrato."

(A Liberdade, nº 1333 de 27 de Julho de 1894

Pág. 3, 4ª coluna)

*

D. Augusta Cruz – Todos os jornaes do Rio de Janeiro se referem com um vivo elogio a D. Augusta Cruz, a proposito da representação da "Aída" pela companhia Mancinelli, de que faz parte aquella distinta cantora, nossa compatriota. Eis o que diz o Jornal do Commercio de 8 de Julho:

"O attractivo principal da noite foi a estreia da prima-dona portugueza Augusta Cruz, que fez recentemente na Havana a mais honrosa temporada para o credito de uma cantora, Nasceu em Vizeu. Cantou no Porto, há 4 annos, o papel de Siebel. Vendo seus paes que tinha reaes aptidões para o canto, mandaram-na para Italia, onde estudou com o professor S. Glovanni, estreando-se há dois annos em Parma.

Cantou hontem toda a parte de "Aída" com muitissima correcção e sentimento, fraseando bem, terminando sempre com mimo e doçura as bellas frases do seu papel. A sua voz não é mui volumosa, é pallida no registo grave; não tem pelo caracter de sua emmissão, aliás espontanea, o vigor e a bravura de um verdadeiro soprano dramatico, mas é purissima, de um timbre suave que, por vezes, acaricia os ouvidos, bastante egual e extensa.Não impressiona pelas vibrações da voz atirada com impeto dramatico;mas commove e seduz pela meiguice da expressão, pela doçura da frase, que pende dos seus labios com muito mimo. È em genero de voz inteiramente differente do de Adalgisa Gabbi: com dois bons sopranos de indole tão diversa não nos parece arrojado profetisar deliciosas e variadas noites lyricas.

A srª. Cruz emitte delicadamente os sons à flor dos labios, desenha bem as frases do seu canto. Essas boas qualidades compensam a falta de sonoridade da sua voz. Correcta como cantora, é distinta como actriz."

L’Echo du Brésil:

"M.lle Augusta Cruz est une artiste parfaite; elle a saisi son rôle sur le vif et nous a donné une Aíde idéale. Le rôle d’ Aíde ne comporte pas d´´eclats ni d’impétuosités; Aide est une jeune captive, timide, plutôt sentimentale, et ce rôle ne saurait guére être mieux tenu que par M.lle Augusta Cruz. As voix est duce, suave, caressante, limpide, et son timbre, - oh, son timbre! – èminemment sympathique; son registre est, en outre, assez étendu; dans la seconde moitié superieure, chaque note est une parle et dans son quart le plus élevé toutes les notes se distinguent et se dêtachent parfaitement bien dans les ensembles, Dans la deuxième moitié inférieure de son régistre, la voix perd graduellement en intensité, tout en conservant les qualités que nous avons énuméré s et dans les ensembles,as voix est couverte par celles de ses collegues.

Son jeu atteint la perfection même et as diction est pure."

(A Liberdade, nº 1334 de 31 de Julho de 1894

Pág. 3, 3ª coluna )

*

D. Augusta Cruz – Foi com muito prazer que vimos, pelos jornaes do Rio de Janeiro, que a imprensa fluminense tecia os mais calorosos louvores á nossa compatriota, a cantora D. Augusta Cruz.

A nossa illustre conterranea cantou a Aída, opera com que se estreiou no theatro lyrico do Rio. Tendo sido ouvida com certa reserva no primeiro acto, foi alvo de merecidas ovações no decorrer da mimosa opera. Como dissemos, os jornaes exaltam-lhe as qualidades de cantora e de actriz. A Gazeta de Notícias publicou-lhe o retrato, e Marcello na sua chronica no Paíz, escreve graciosamente:

"Ahi está a srª. D. Augusta Cruz para demonstrar a minha theoria, de que a arte musical hoje é um instrumento de governo. Receei, digo-lhes a verdade, do os agitadores, a pretexto de estarem suspensas as relações entre Portugal e o Brazil, não quizessem ouvir a cantora portugueza.

"De um jacobino sei eu que se preparava com botinas de tacão valente para protestar, na orbita de seus direitos de espectador, contra a arte da graciosa lisboeta. O meu adversário, porém,sob as apparencias de uma grande ferocidade, tem como bom brazileiro todas as suavidades e todas as meiguices da raça e, mais do que isso, um culto absorvente pela ineffavel musica. Nas suas aguas tinha ido um grupo decidido a chinfrinar, em nome da ruptura.

"Começa a cantar, porém, a esbella prima donna, e logo a sua voz de veludo e de ouro espalha na sala como que o fremito de uma amorosa carícia. E no 4º acto, quando a victoriaram todas as almas que a paixão do seu canto commovera e seduzira, os taes homens , esquecidos do programma, desataram doidamente a bater palmas. Muitos que até aqui, por um explicavel sentimento patriotico, mantinham para com tudo que era portuguez hostilidade ou desconfiança, graças á fascinação artistica d’essa meiga e brilhante cantora, deram a rixa por terminada. Só um sujeito encontrei no dia seguinte, que, para se desculpar da impetuosidade com que applaudia, sahiu-se me com esta.

Eu lhe digo, homem, a bandeira cobre a carga e a bandeira da companhia é italiana...

"Apesar da distancia enorme que separa Portugal do Brazil, d’aqui enviamos á illustre cantora os nossos applausos e os nossos parabens."

(O Seculo)

(A Liberdade, nº 1335 de 3 de Agosto de 1894

Pág. 3, 3ª coluna)

 

Carta de Lisboa - "Suicidou-se no Rio de Janeiro o maestro Mancinelli, muito conhecido e muito estimado em Lisboa pelos frequentadores do theatro lyrico.

Estava dirigindo no Rio uma companhia lyrica e presume-se que más condições financeiras o levaram aquelle acto de allucinação.

No proximo inverno devia encarregar-se da regência da orchestra de S. Carlos."

J.V.

(A Liberdade, nº 1343 de 7 de Setembro de 1894

Pág. 2, 2ª e 3ª colunas ( suicídio de Mancinelli))

*

Augusta Cruz – "Os jornaes fluminenses, que temos presentes, são unanimes em tecer elogios á nossa distinctissima patricia D. Augusta Corrês da Cruz, pela maneira brilhantissima como interpretou o seu difficil papel na bella opera de Carlos Gomes -O Escravo -, ultimamente cantada no theatro lyrico S. Pedro, do Rio de Janeiro. A Revista Theatral insere o retrato da notavel cantora (por signal mal desenhado) e dedica-lhe algumas columnas de prosa encomiastica em extremo. O critico do Paiz, que é mestre no genero, não pode ser mais lisongeiro e amavel nas phrases que lhe dedica. Os fluminenses estão enthusiasmadissimos com a distincta apresentação artistica da illustre prima-donna.

Ao nosso patricio Roberto Campos, que foi visital-a no hotel em que se encontra installada, disse D. Augusta Cruz que tencionava ir a S. Paulo, e que no seu regresso á Europa visitaria Lisboa, vindo de simples passeio até Vizeu, onde se demoraria alguns dias. Todavia, é crivel que a desastrosa morte do notabilissimo maestro e empresário Mancinelli, haja transtornado no todo, senão em parte, os projectos excursionistas de D. Augusta Cruz."

*

A Revista Theatral dirige-lhe o seguinte

CARTÃO DE VISITA

" Augusta Cruz que aqui chegou modestamente, sem vir precedida de grande fama, é uma artista de valor e que tem largo futuro deante de si.

O publico fluminense tem-n’a coberto de applausos e a Revista Theatral presta justa homenagem ao merito, retratando em sua primeira pagina a distincta cantora portugueza, a quem no Brazil e com felicidade rara soube interpretar operas de Carlos.

Alvarenga Fonseca "

( A Liberdade, nº 1348 de 18 de Setembro de 1894

Pág. 2, 3ª coluna )

*

D. Augusta da Cruz – "Esta nossa distincta patricia chegou, na Terça feira, regressando do Rio de Janeiro em companhia de sua mãe. Veio no paquete Thames. Saiu já do lazareto."

(A Liberdade, nº 1355 de 12 de Outubro de 1894

Pág. 2, 5ª coluna)

*

D. Augusta Cruz – "Consta no Commercio, de fonte limpa não vir já a Vizeu a nossa patricia e cantora srª D. Augusta Correia da Cruz. A ser isto verdade, lamentamos o facto, pois que Vizeu perde agora uma das melhores occasiões, que se lhe deparavam, para poder ouvir os primores d’aquella garganta privilegiada. Parece que a srª. D. Augusta Cruz partirá dentro de breves dias para Milão."

(A Liberdade, nº 1358 de 23 de Outubro de 1894

Pág. 1, 5ª coluna)

1895

 

D. Augusta Cruz – "As Novidades fazem transcricções dos jornaes de Padua, Italia, referentes o mais amavelmente possível á nossa distincta cantora e patricia a srª D. Augusta Correia da Cruz, que no Theatro Reggio, d’aquella cidade, tem conquistado verdadeiros triumphos na sua brilhante carreira de cantora. Muito nos agradam essas noticias, pelo que aqui as registamos com prazer."

(A Liberdade, nº 1382 de 15 de Janeiro de 1895

Pág.1, coluna 4 )

*

Augusta Cruz – "O Almanach Illustrado do Occidente", no seu nº 14, para 1895, publicando o retrato d’esta nossa patricia acompanha-o dos seguintes traços bibliográphicos:

 

"A distincta cantora portugueza, que é já uma gloria de Portugal, honrando a arte d’este paiz em terras estrangeiras, nasceu em Vizeu a 13 d’Agosto de 1869, filha do sr. Antonio Coelho da Cruz e de D. Julia Correia da Cruz.

Tendo manifestado de creança propensão para a bella arte do canto, recebeu as primeiras lições de Luiz Dalhunty, que então se achava em Vizeu, e assim a preparou para a apresentar em um concerto, na sala do Gremio, em Vizeu, no anno de 1887.

Foi brilhante essa apresentação e animadora para maior commetimento, e assim se realisou.

Augusta Cruz veio para Lisboa, em 1888, proseguir os seus estudos de canto com Arthur Pontechy, e os seus progressos foram rapidos, alcançando os maiores elogios dos professores do Conservatorio de Lisboa, os srs. Melchior Oliver e Napoleão Vallerany, que classificaram a sua voz de admiravel em timbre e extensão.

N’esse mesmo anno tomou parte em uma festa de caridade que se deu no Theatro de S. João do Porto, com a representação do Fausto, por distinctos amadores.

Fez n’esta opera a parte de Siebel, n’um elegante travesti, e o exito foi completo, occupando-se por essa occasião toda a imprensa portuense da joven cantora, fazendo-lhe os mais levantados e justos elogios.

Com tão evidentes provas de aptidão para o canto, era chegado o momento de continuar os seus estudos em Italia e para isso alcançou o subsidio do governo.

Na Italia como em Portugal, os seus progressos foram rapidos, sob a direcção do professor San Giovanni, do Conservatório de Milão, e em a noite de 11 de Novembro de 1890, Augusta Cruz debutava no Theatro Garibaldi, de Padua, cantando o Trovador.

O exito foi extraordinario, e a reputação da cantora podia considerar-se feita.

Cantou depois no Theatro de Veneza o Romeu e Julieta, de Gounod, em que alcançou um triumpho.

Em Roma, no Theatro Nacional, cantou o Ruy Blas, e esta mesma opera cantou depois em Trieste, assim como Lohengrin, Cavallaria Rusticana e outras, sempre com ruidosos aplausos.

Augusta Cruz tem seguido uma carreira gloriosa nos Theatros de Turim, Genova e Varsovia.

A imprensa d’estas cidades tem-se occupado sempre de Augusta Cruz com os maiores elogios, e o jornal Don Falcuccio publicou o seu retrato.

A notavel cantora portugueza está actualmente no Mexico, e é de esperar que em breve a possamos ouvir em Lisboa."

(A Liberdade, nº 1398 de 12 de Março de 1895

Pág.1, coluna 4)

*

Augusta Cruz. "Os jornaes de Parma noticiam a festa artistica celebrada ali ultimamente pela nossa patricia Augusta Cruz, que foi muito applaudida e brindada. Cantou-se o " Otello" de Verdi, sendo a parte de Desdemona bellamente realisada pela distincta artista, que, ao terminar a "Ave Maria", foi alvo de uma grande ovação, recebendo uma immensidade de flôres em elegantissimas corbeilles e ramos."

(A Liberdade, nº 1405 de 9 de Abril de 1895

Pág. 1, coluna 3)

( Nota: Em 7 e 8 de Maio daquele ano, o Boa União de Viseu recebia "distintos alunos do instituto Musical de Lisboa , que, acompanhados de alguns primeiros artistas de S. Carlos, Trariam a Viseu as óperas " Sonâmbula" e "Pescadores de Pérolas", enquanto no Teatro do Grémio actuava a companhia de Martinvalle. E havia plateia para os dois grupos! ... )

 

*

Augusta Cruz. "No ultimo numero do Amphion encontra-se o retrato de Augusta Cruz acompanhada de um magnifico artigo de Lino d’Assumpção, em que se presta justiça ao verdadeiro talento da nossa patricia, cuja carreira lyrica, embora curta, é já das mais brilhantes. D’esse artigo destacamos os seguintes periodos, em que o escriptor tão nitidamente desenhe a sua biographada:

"Alma impressionavel, coração vibratil ao sentimento, intelligencia aberta á comprehensão, são qualidades que, unidas ao espirito tenaz, persistente, fatalista de beirã,a teem levado por seguros embora difficeis estadios, á culminancia honrosa em que se acha.

A formosa e inexperiente rapariga – que saiu de Vizeu, sua terra natal, trazendo como único viatico a sua insaciavel ambição de ser artista – é hoje, nos primeiros Theatros de Italia, uma figura de elleição.

Ella é Leonor amante e dedicada ao sacrificio do Trovador; e a Santuzza tragicamente amorosa da Cavallaria Rusticana; a Amelia, crendeira e sentimental do Baile de Mascaras, levada a eterno remorso pela fatalidade do seu amor; é essa mimosa e dulcissima Desdemona, que murmura a suave melopêa da Ave Maria, sem paralello ainda na memoria dos nossos dias – antes do stertor final; e a poetica Isabel do Teunhauser; é... é emfim a cantora querida a quem os maestros não temem confiar as suas novas producções, ás quaes ella sabe sempre dar o seu justo valor, ao mesmo tempo que imprime o cunho da sua accentuada individualidade."

*

Jornaes italianos, dos ultimos dias, prestam as mais sympathicas homenagens á distincta cantora, na sua actual escriptura no Theatro Social de Treviso. D’esses jornaes destacamos o seguinte:

Gazeta de Trevesio: - "A sympathica artista srª Cruz foi uma Lereley perfeita no canto e na acção scenica. A sua explendida voz, educada n’uma escola finissima, faz ouvir todas as minucias da sua parte com rara perfeição. Obteve applausos á entrada e durante toda a opera, até á altura da sua parte."

L’Adriatii: - "Loreley não podia ser mais bem interpretada pela srª Augusta Cruz, soprano perfeito em todos os registos e na expressão dramatica cheia de intelligencia artistica."

*

"Mais uma vez felecitamos a nossa gentil e talentosa patricia, cuja carreira lyrica tem sido das mais brilhantes, pela sua incontestavel força de vontade e pelas suas extraordinarias aptidões."

(A Liberdade, nº 1422 de 29 de Novembro de 1895

Pág. 2, coluna 4)

 

1896

CARLOS GOMES: " O telegrapho transmittiu a noticia confirmando a morte do illustre maestro brazileiro Carlos Gomes, occorrida no Pará, no meado d’este mez, vitimado por um cancro na bocca, que o torturava á muito tempo.

A morte do auctor do Guarany e de outras operas de largo folego, é uma perda irreparavel para a arte e para os brazileiros que sabiam apreciar os dotes artisticos do seu conterraneo." (A LIBERDADE nº 1557 de 29/ 9/ 1896, pg. 1 col. 3 )

*

CANTORES PORTUGUEZES:

Honrosa referencia...

(A Liberdade, nº 1569 de 12 de Novembro de 1896

Pág. ..., coluna... )

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1899

 

Consórcio – " Na madrugada do dia 24 do corrente, consorciarem-se na Igreja de Santa Cruz, de Coimbra, a nossa patricia sr.ª D. Maria Augusta Corrêa da Cruz, distincta cantora dos theatros lyricos de Italia e o Sr. Manoel da Costa Carneiro proprietario e negociante de Lisboa. Os noivos a quem desejamos todas as felicidades, partiram no dia immediato para Cintra, gosar a lua de mel.

A nossa conterranea há cêrca de onze anos que sahiu de Vizeu com sua mãe e irmãos para Lisboa. "

( A Liberdade, nº 1839 de 27 de Junho de 1899

Pág. 1, 5ª coluna)

*

"Coimbra, 23 de Junho (do nosso correspondente )"

"Casa amanhã, pelas 2 horas da madrugada, na egreja de Santa Cruz, a srª D. Augusta Correia da Cruz, irmã do sr. José Correia da Cruz, distinto official de infantaria 23, com o sr. Manuel da Costa Carneiro, cavalheiro descendente d’uma familia illustre e abastada.

São padrinhos, porparte da noiva – uma formosa senhora que conquistou um nome brilhante entre as nossas artísticas líricas, coroado ainda por um conjunto de nobilissimas virtudes – sua mãi a srª D. Julia Correia da Cruz e seu pai por procuração passada a seu irmão o sr. Antonio Correia da Cruz; e por parte do noivo um cidadão brazileiro, de nome Fernandes, e uma distinta dama d’aqui, cujo nome não pude saber.

Aos noivos infinitas venturas."

(O Primeiro de Janeiro nº 149, 51º ano 1899,

Porto, Domingo, 25 de Janeiro)

1901

D. Maria Augusta Cruz – "Alguns jornaes do Porto dão na sua secção telegraphica a noticia do fallecimento de Augusta Cruz, nossa patricia e cantora distinctissima, que actualmente residia em Lisboa.

Sem tempo nem espaço para mais desenvolvida noticia, limitamo-nos, por hoje a lamentar tão infausto acontecimento."

(Commercio de Vizeu, nº 1510 de 10 de Janeiro de

Pág. 2, coluna 2)

D.Augusta Cruz – "Alguns jornaes da capital trazem-nos a noticia de haver fallecido ali, no dia 7, a nossa patricia D. Maria Augusta Corrêa da Cruz, filha do conhecido Antonio Coelho Cruz que há tempos tambem succumbiu n’aquella cidade.

Pelos seus apreciaveis dotes de cantora D. Augusta Cruz foi uma viziense distinta que honrou a nossa terra, e que deve figurar, portanto, na galeria dos que mais a teem enaltecido com o seu nome.

Estudou o canto em Lisboa, sob a direcção d’um distincto maestro italiano, e debutou no Porto, no theatro de S. João quando um grupo de esperançosos amadoresali foi cantar o Faustoem recita de beneficencia. Auspiciosissimo foi esse debute e, tanto assim que, seguindo para Italia, logo encontrou ali abundantes escripturas para os principais theatros lyricos.

Durante a sua carreira artistica, D. Augusta Cruz esteve em quasi todas as grandes cidades italianas e passando à Austria, cantou tambem no theatro lyrico de Trieste e outros.

Regressando a Portugal deixou o theatro para casar com o capitalista Manoel da Costa Carneiro, o que realisara há poucos mezes, segundo então noticiámos. Ignoramos as causas do fallecimento da illustre compatricia, mas lamentamol-o deveras, porque era uma entidade cujo nome constituia um justo orgulho para a nossa terra."(............)

(A Folha, nº 1:222 de 10 de Janeiro de 1901- II Ano – X

pg.2, col.2)

*

"Maria Augusta da Cruz Correia

Manuel da Costa Carneiro, Julia Correia da Cruz, Assumpção Correia da Cruz, Palmyra Correia da Cruz, Arminda Correia da Cruz, Gracinda Correia da Cruz e sua mulher, Antonio Coelho Correia da Cruz, Julietta da Cruz e Costa e seu marido (ausentes ), Marianna da Gloria Teixeira Marques Carneiro d’Assis e seu marido, Henrique Guedes de Assis Junior e seus filhos, Maria Luiza Teixeira Marques Carneiro Mendes e seu marido Eduardo José Mendes, José da Costa Carneiro e sua mulher Maria Clotilde Bom de Sousa Carneiro cumprem o doloroso dever de participar o fallecimento de sua estremecida esposa, filha, irmã e cunhada e que o funeral realisa-se hoje, às 3 horas, sahindo o prestito da rua de S. José, 57, para o cemitério oriental."

 

(Século, 21º ano nº 6828 de 7 de Janeiro de 1901)

 

Actuações de D. Augusta Cruz

Palavras da crítica

(respigada em jornais coevos, nacionais e estrangeiros)

 

No Porto, no fim da sua primeira actuação:

"A srª D. Augusta Correia da Cruz realisou o papel de Siebel. É ella uma amadora de grandes qualidades e conseguiu no "Fausto" um destaque de mencionar. A voz é limpida, extensa assaz, e ella usa-a com completo exito, emittindo a nota n’uma luminosa inteireza e n’uma expressão fagueirissima ." ("Jornal do Porto", in A Liberdade nº 934 de 26 de Outubro de 1888, Pg.2, coluna 1)

*

"D.Augusta da Cruz, um famoso Siebel, é perfeitíssima tanto na parte dramática como no canto, parece uma artista experimentada, conhecedora de todos os segredos da arte.

Não procura effeitos artificiaes;dá as notas precisas, com a devida extensão, conscienciosamente, como o maestroescreveu. Se seguisse a carreira que a sua voz parece predestinar-lhe, certamente viria a Ter um dos primeiros lugares no mundo lyrico."("Actualidade", in A Liberdade nº 934 de 26 de Outubro de 1888, Pg.2, coluna 1)

*

Imprensa italiana:

"A sua voz por natureza melodiosa se dilata com suaves caricias de som por effeito da modulação incantavel do vocalizo firme, de pureza de estylo que de seguida apresentam a cantante educada conforme as nobres tradições da escola italiana.

Á talentosissima senhora Cruz nós desejamos uma série de triumphos taes de fazer-lhe occupar bem cedo na arte quelle lugar eminente ao qual tem direito pelos seus indiscutiveis merecimentos o que ella saberá com certeza conquistar". ( "Don Falcuccio", Macerata-Itália , in A Liberdade nº 1145 de 30 de Setembro de 1892, Pg.2, coluna 3)

*

" Depois no 4º acto foi applaudida na Cavatina da " Semiramis" o raggio lusinghiero á qual A. Cruz deu uma interpretação superior a todo o elogio, conseguindo com summa nitidez e agilidade vocal vencer toda a difficuldade sem que o canto perdesse a animação. Foi para ella um novo triumpho sendo acclamada com bis por tres vezes e outras tres vezes com bravos. (...)

Foi acompanhada a casa com musica e enthusiasmo – chegada a casa agradeceu comovida ao povo que a aclamava, emquanto a musica tocava uma alegre melodia.

E agora só me resta dizer á srª Cruz que volte a visitar-nos; augurando-lhe, como fazer prever os seus dotes artisticos, um novo triumpho e uma carreira tão florida como de flores o palco estava atapetado na noute de Terça feira ." ("Vessillo d’Elle Marche", Macerata-Itália , in A Liberdade nº 1145 de 30 de Setembro de 1892, Pg.2, coluna 3)

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Imprensa do Novo Mundo:

"(....)Voz de timbre argentino e harmonioso, graça e flexibilidade na voz e no corpo, belleza e magestade no porte, dominio da scena, grandiosidade egregia, eis finalmente esse sublim conjuncto o que se chama Augusta Cruz."(....)

(...)É assim que se canta, é assim que se é artista, é assim que se ganha com plenitude de justiça, o triumpho e a gloria e um lugar entre os eleitos da Arte. " ( "El Pueblo", Havana - Cuba , in A Liberdade nº 1292 de 2 de Março de 1894, Pg.2, coluna 2)

*

" (....)Cantou hontem toda a parte de "Aída" com muitissima correcção e sentimento, fraseando bem, terminando sempre com mimo e doçura as bellas frases do seu papel. A sua voz não é mui volumosa, é pallida no registo grave; não tem pelo caracter de sua emmissão, aliás espontanea, o vigor e a bravura de um verdadeiro soprano dramatico, mas é purissima, de um timbre suave que, por vezes, acaricia os ouvidos, bastante egual e extensa.Não impressiona pelas vibrações da voz atirada com impeto dramatico;mas commove e seduz pela meiguice da expressão, pela doçura da frase, que pende dos seus labios com muito mimo."( "Jornal do Commercio", Rio Janeiro - Brasil , in A Liberdade nº 1334 de 31 de Julho de 1894, Pg.2, coluna 3)

*

"(...)As voix est duce, suave, caressante, limpide, et son timbre, - oh, son timbre! – èminemment sympathique; son registre est, en outre, assez étendu; dans la seconde moitié superieure, chaque note est une parle et dans son quart le plus élevé toutes les notes se distinguent et se dêtachent parfaitement bien dans les ensembles, Dans la deuxième moitié inférieure de son régistre, la voix perd graduellement en intensité, tout en conservant les qualités que nous avons énuméré s et dans les ensembles,as voix est couverte par celles de ses collegues.

Son jeu atteint la perfection même et as diction est pure." ("L’Echo du Brésil", Rio Janeiro - Brasil , in A Liberdade nº 1334 de 31 de Julho de 1894, Pg.2, coluna 3

 

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"Alma impressionavel, coração vibratil ao sentimento, intelligencia aberta á comprehensão, são qualidades que, unidas ao espirito tenaz, persistente, fatalista de beirã,a teem levado por seguros embora difficeis estadios, á culminancia honrosa em que se acha.

A formosa e inexperiente rapariga – que saiu de Vizeu, sua terra natal, trazendo como único viatico a sua insaciavel ambição de ser artista – é hoje, nos primeiros Theatros de Italia, uma figura de elleição.

Ella é Leonor amante e dedicada ao sacrificio do Trovador; e a Santuzza tragicamente amorosa da Cavallaria Rusticana; a Amelia, crendeira e sentimental do Baile de Mascaras, levada a eterno remorso pela fatalidade do seu amor; é essa mimosa e dulcissima Desdemona, que murmura a suave melopêa da Ave Maria, sem paralello ainda na memoria dos nossos dias – antes do stertor final; e a poetica Isabel do Teunhauser; é... é emfim a cantora querida a quem os maestros não temem confiar as suas novas producções, ás quaes ella sabe sempre dar o seu justo valor, ao mesmo tempo que imprime o cunho da sua accentuada individualidade." ("Amphion" , in A Liberdade nº 1422 de 29 de Novembro de 1895, Pg.2, coluna 4)

*

De novo a imprensa italiana:

 

"A sympathica artista srª Cruz foi uma Lereley perfeita no canto e na acção scenica. A sua explendida voz, educada n’uma escola finissima, faz ouvir todas as minucias da sua parte com rara perfeição. Obteve applausos á entrada e durante toda a opera, até á altura da sua parte." ("Gazeta de Trevesio", in A Liberdade nº 1422 de 29 de Novembro de 1895, Pg.2, coluna 4)

"Loreley não podia ser mais bem interpretada pela srª Augusta Cruz, soprano perfeito em todos os registos e na expressão dramatica cheia de intelligencia artistica." ("L’Adriatii", in A Liberdade nº 1422 de 29 de Novembro de 1895, Pg.2, coluna 4)

 

I V

AUGUSTA DA CRUZ

(Documentos Paroquiais)

 

1. Da sua família restrita:

 

Assento do Matrimónio dos pais de Augusta da Cruz: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Casamentos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º19º .......Maço 31 N.º78 Fl. 63/v e 64 )

 

"Aos nove dias do mez de Junho de mil oito centos esessenta eseis, nesta Sé Cathedral de Vizeu, na minha presença comparecerão os Nubentes António Coêlho da Cruz e Dª. Julia Corrêa de Barros, os quaes sei serem os proprios, com todos os papeis d’estilo correntes, esem impedimento algum canonico, ou civil, para o casamento: ele d’edade de vinte enóve annos, solteiro,natural e morador em a Práça desta cidade, ebaptisado nesta Sé Cathedral; filho legitimo de Jose Coêlho da Cruz e Dª. Maria d’Assumpção desta cidade: ella d’edade de vinte e um annos, solteira, natural desta cidade emoradora na Práça ebaptisada nesta Sé de Vizeu; filha legitima do Dr. Alexandre Correia de Lemos e Dª.Maria da Lus da Silva Pachêco desta cidade: os quais Nubentes se receberão por marido e molher eos uni em Matrimonio procedendo em todo este acto conforme o rito da Santa Madre Egreja Catholica Appostolica Romana. Forão testemunhas presentes que sei serem os proprios Jose Coêlho da Cruz de Passos de Silgueiros e Joaquim Corrêa de Meneses desta cidade ambos casados. E para constar lavrei em duplicado este termo, que assignei. Era ut supra.

O Parocho Jose d’Abreu Castello Branco"

*

Assento de Baptismo de Maria Palmira da Cruz: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Baptismos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º56 Maço 31 N.º74 Fl. 40 )

"Aos tres dias do mez de Abril de mil oito centos esessenta esette, nesta Sé Cathedral de Vizeu baptisei solemnemente um individuo do sexo feminino, aquem dei o nome de Maria Palmira, que nasceo em aPráça, desta cidade no dia vinte e quatro de Fevereiro, do dito anno pelas quatro horas da manhãa, filha legitima, eprimeira deste nome, d’Antonio Coêlho da Cruz e Dona Julia Correa da Cruz, naturaes desta cidade, moradores na Práça erecebidos nesta Sé Cathedral: nepta paterna de Jose Coêlho da Cruz e Dona Maria d’Assumpção, ematerna do Doutor Alexandre Corrêa de Lemos e Dona Maria da Luz da Silva Pachêco. Foi padrinho o Doutor António Correia de Lemos, casado, e madrinha Dona Maria d’Assumpção, avó paterna da baptisada, moradores nesta cidade, os quais sei serem os proprios. E para constar lavrei em duplicado este termo, que assignei. Era ut supra.

Parocho Jose d’Abreu Castello Branco"

*

Assento de Baptismo de José da Cruz: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Baptismos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º 52 Maço 31 N.º74 Fl. 71)

"Aos trinta dias do mez de Maio de mil oito centos esessenta e oito, nesta Sé Cathedral de Vizeu baptisei solemnemente um individuo do sexo masculino, aquem dei o nome de José, que nasceo em aPráça, desta cidade no dia oito de Fevereiro, do dito anno pelas sete horas da noute, filho legitimo, eprimeiro deste nome, d’Antonio Coêlho da Cruz e Dona Julia Correa da Cruz, naturaes desta cidade, moradores na Práça erecebidos nesta Sé Cathedral: nepto paterno de Jose Coelho da Cruz e Dona Maria d’Assumpção, ematerno d’Alexandre Correa de Lemos e Dona Maria da Luz da Silva Pachêco. Foi padrinho Jose Maria Marques Caldeira, casado, empregado do thesouro, e madrinha sua molher Dona Guilhermina Carlóta Pereira Caldeira, representada or sua bastante procuradôra Maria Augusta Correa de Menezes, solteira, todos moradores nesta cidade, os quais sei serem os proprios. E para constar lavrei em duplicado este termo, que assignei. Era ut supra.

Parocho Jose d’Abreu Castello Branco"

*

Assento de Baptismo de Augusta da Cruz: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Baptismos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º115º .......Maço 31 N.º75 Fl. 26/v e 27)

 

"Aos cinco dias do mez de Septembro de mil oito centos esessenta enove, nesta Sé Cathedral de Vizeu baptisei solemnemente um individuo do sexo feminino, aquem dei o nome de Maria Augusta, que nasceo em aPráça, desta cidade no dia trese d’Agosto, do dito anno pelas onse horas da manhãa, filha legitima, eprimeira deste nome, d’Antonio Coêlho da Cruz e Dona Julia Correa da Cruz, naturaes desta cidade, moradores na Práça erecebidos nesta Sé Cathedral: nepta paterna de Jose Coelho da Cruz e Dona Maria d’Assumpção, ematerna d’Alexandre Correa de Lemos e Dona Maria da Luz da Silva Pachêco. Foi padrinho Jose Luiz d’Amaral, solteiro, e madrinha Dona Maria Augusta d’Almeida Amaral, viuva, moradores nesta cidade, os quais sei serem os proprios. E para constar lavrei em duplicado este termo, que assignei. Era ut supra.

Parocho Jose d’Abreu Castello Branco"

*

Assento de Baptismo de Maria d’Assumpção: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Baptismos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º 61 .......Maço 31 N.º75 Fl. 213)

"Aos dose dias do mez d’Abril de mil oito centos esetenta etres, nesta Sé Cathedral de Vizeu baptisei solemnemente um individuo do sexo feminino, aquem dei o nome de Maria d’Assumpção, que nasceo em aPráça, desta cidade no dia onse de Março, do dito anno pelas quase horas da manhã, filha legitima, eprimeira deste nome, d’Antonio Coêlho da Cruz , empregado na tesouraria deste concelho e Dona Julia Correa da Cruz, naturaes desta cidade, moradores na Práça erecebidos nesta Sé Cathedral: nepta paterna de Jose Coelho da Cruz e Dona Maria d’Assumpção, ematerna d’Alexandre Correa de Lemos e Dona Maria da Luz da Silva Pacheco. Foi padrinho Caetano Jose d’Amaral, ourives e madrinha Dona Maria Elisa Correa de Barros, ambos solteiros, moradores nesta cidade, os quais sei serem os proprios. E para constar lavrei em duplicado este termo, que assignei. Era ut supra.

Parocho Jose d’Abreu Castello Branco"

Nota: À margem deste assento consta: Faleceu a 16-6-956,na freguesia de Camões – Lisboa. Registo 323 da 7ª Conservatória de Lisboa. Viseu,20-6-1956, O Conservador ( assinatura ilegível )

*

Assento de Baptismo de Arminda: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Baptismos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º 214º .......Maço 31 N.º76 Fl. 10)

"Aos vinte e sete dias do mez de Dezembro de mil oito centos esetenta equatro, nesta Sé Cathedral de Vizeu baptisei solemnemente um individuo do sexo feminino, aquem dei o nome de Arminda, que nasceo em aPráça, desta cidade no dia dose d’Outubro, do dito anno pelas uma hora da manhã, filha legitima, eprimeira deste nome, d’Antonio Coêlho da Cruz, empregado na thesouraria deste concelho e Dona Julia Correa da Cruz, naturaes desta cidade, moradores na Práça erecebidos nesta Sé Cathedral: nepta paterna de Jose Coelho da Cruz e Dona Maria d’Assumpção, ematerna d’Alexandre Correa de Lemos e Dona Maria da Luz da Silva Pachêco. Foi padrinho o Bacharel em medecina Eduardo Correia d’Oliveira, e madrinha Dona Arminda da Silva Facho,ambos solteiros e moradores nesta cidade, os quaes sei serem os proprios. E para constar lavrei em duplicado este termo, que assignei. Era ut supra.

Parocho Jose d’Abreu Castello Branco"

Nota: À margem deste assento consta: Faleceu a 26-7-54,na freguesia de Camões – Lisboa. Registo 557 da 7ª Conservatória de Lisboa. Viseu,29-7-1954, O Conservador ( assinatura ilegível )

*

Assento de Baptismo de Juliêta: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Baptismos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º138º .......Maço 31 N.º78 Fl. )

"Aos vinte e quatro dias do mez de Junho de mil oito centos esetenta eoito, nesta Sé Cathedral de Vizeu baptisei solemnemente um individuo do sexo feminino, aquem dei o nome de Juliêta, que nasceo em aPráça, desta cidade no dia sete de Maio, do dito anno pelas oito horas da manhã; filha legitima, eprimeira deste nome, d’Antonio Coêlho da Cruz, empregado na thesouraria deste concelho e Dona Julia Correa da Cruz, naturaes desta cidade, moradores na Práça erecebidos nesta Sé Cathedral: nepta paterna de Jose Coelho da Cruz e Dona Maria d’Assumpção, ematerna d’Alexandre Correa de Lemos e Dona Maria da Luz da Silva Pachêco. Foi padrinho o Conselheiro Manoel de Méllo Castro e Abreu, solteiro,representado por seu bastante procurador Jose Correia de Lemos, casado, emadrinha Dona Gracinda de Barbêdo Facho, solteira, moradores nesta cidade, os quais sei serem os proprios. E para constar lavrei em duplicado este termo, que assignei. Era ut supra.

Parocho Jose d’Abreu Castello Branco"

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Assento de Baptismo de António: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Baptismos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º253 .......Maço 31 N.º81 Fl. 235)

"Aos quinze dias do mez de Novembro de mil oito centos e oitenta e dois, n’esta Sé Cathedral de Vizeu baptizei solemnemente hum individuo do sexo masculino, aquem dei o nome d’Antonio, que nasceo na Práça d’esta cidade no dia vinte e quatro de Setembro do dito anno pelas duas horas da tarde, filha legitima, e primeiro deste nome, d’Antonio Coelho da Crus, empregado na thesouraria deste concelho, e Dona Julia Correa da Crus, naturaes desta cidade, moradores na Práça e recebidos n’esta Sé Cathedral: nepto paterno de Jose Coelho da Crus, e Dona Maria d’Assumpção; e materno d’Alexandre Correa de Lemos e Dona Maria da Luz da Silva Pacheco. Foi padrinho Jose Coelho da Crus, casado, thio paterno do baptizado, e madrinha Dona Maria Palmira Correa da Crus,solteira, irmã do baptizado, rezidentes n’esta cidade, os quais sei serem os proprios. E para constar abri em duplicado este termo, que assigno. Era ut supra.

O Parocho João Nunes d’Almeida"

2. Da sua família alargada:

Assento de Óbito de Dr. António Correia de Lemos, casado com Dona Maria das Dores da Silva Pacheco: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Óbitos, Freguesia Ocidental, Concelho de Viseu, Assento n.º66 .......Maço 31 N.º82 Fl. 4, vº )

"Aos vinte e tres dias do mez de Septembro de mil oito centos esetenta etres, pelas oito horas da noute, em aPráça, desta cidade de Vizeu, falleceo, com o Sacramento da Penitencia, um individuo do sexo masculino, por nome d’Antonio Correa de Lemos, Bacharel formado em medecina, casado com Dona Dona Maria das Dores da Silva Pacheco, d’edade de cincoenta e dous annos, natural do logar e freguesia de Cabanas emorador em aPráça desta cidade; filho do Doutor Jose Alexandre Correa e Dona Maria Alexandrina, da dita freguesia de Cabanas: não testou, deixou filhos ejaz sepultado em o cemiterio desta cidade. E para constar lavrei em duplicado este termo, que assignei. Era ut supra.

O Parocho Jose d’Abreu Castello Branco"

Assento de Óbito de Dr. António Correia de Lemos, solteiro: (Fonte: Arquivo Distrital de Viseu, Livro de Óbitos, Freguesia de Cabanas, Concelho de Carregal do Sal, Assento n.º18 .......Maço ...N.º...Fl.)

 

"Aos sete dias do mez de Julho do anno de mil oitocentos e noventa e sete, às seis horas da manhã no lugar dos Casainhos desta freguezia de Cabanas, concelho do Carregal diocese de Viseu falleceu, sem sacramentos um individuo do sexo masculino, por nome d’Antonio Correa de Lemos,solteiro, de idade de quarenta e seis annos, medico, natural de Viseu, filho legítimo do Dr. Antonio Correia de Lemos e D. Maria das Dores Correia, naturais, aquelle de Cabanas, e esta de Viseu, não fez testamento e consta deixar filhos illegitimos de menor edade, foi sepultado no cemiterio de Viseu em jazigo de familia. E para constar lavrei em duplicado este assento, que assigno. Era ut supra.

O Abbade João Paes Pinto"

Nota final:

Ainda me desloquei às Bibliotecas da Universidade de Coimbra e Municipal da mesma cidade, em busca dos jornais e revistas do Porto e de Lisboa daquela época, para encontrar a última actividade no bello canto, as razões do seu matrimónio em Coimbra, a sua vida matrimonial, a " causa mortis" e o local exacto da morte da nossa jovem. Não encontrei nem um único.

Nas consultas feitas nas duas referidas Bibliotecas faltam todos os órgãos de comunicação social daquelas cidades, nos anos de 1893, 1894, 1895 e 1901.

De igual modo não consegui obter fotocópia do assento de matrimónio, por o Arquivo da Universidade, onde se encontra o livro de assentos, estar fechado, temporariamente, para desinfecção das instalações e precaução na saúde dos seus funcionários. Contava eu encontrar um averbamento nesse assento, uma vez que nada encontrei averbado no assento de baptismo.

Na Biblioteca Nacional, onde me desloquei depois, consegui dois novos dados: um, retirado do Primeiro de Janeiro de 25/1/1899, que noticiando o seu casamento, dá realce ao seu irmão José Correia da Cruz como "distinto official de infantaria 23"; outro, obtido no Século de 7/1/1901, que nos diz que o seu funeral se realizaria nesse dia 7 "às 3 horas, sahindo o prestito da rua S. José, 57, para o cemitério oriental" de Lisboa.

Nessa altura já sabia que as suas irmãs Maria da Assunção e Arminda morreram em Lisboa, na freguesia de Camões (actual freguesia do Coração de Jesus, 1º Bairro Administ. e 3ª Conservatória do Registo Civil), respectivamente em 16/6/956 e 23/7/954. Que aconteceu à restante família? Sabemos que a mãe a acompanhou ao Brasil e que o pai faleceu pouco tempo antes dela, também em Lisboa.

Tudo ficou, como vemos, bastante incompleto... Vamos tentar saber algo mais.

 

Artur Valente da Cruz - Fevereiro 2001

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Notas:

* Professor aposentado do Ensino Secundário, historiador e investigador

1 In Herculano, Alexandre- " Memória acerca de Frei Luís de Sousa" - Prólogo dos Anais de D. João II

(1) - A Liberdade nº 1572 de 24/11/1896, pg.3, col. 5

(2) A Liberdade nº 1083, de 05.09.1891, pg.3, col. 1 "Concerto"

(3) A Liberdade nº 1117

(4) A Liberdade nº 1618 de 07.05.1897

(1) Luiz Dalhunty era filho do irlandês Marcos Dalhunty, professor do Colégio Militar, e da irmã do visconde de Castilho, foi afinador de pianos e instrumentos afins. Aluno do Conservatório , foi depois professor de piano e escreveu várias composições musicais para esse instrumento, de que destacam L'Espiegle e Les Hirondelles (editadas pela Casa Neuparth, de Lisboa), e o livro Tratado teórico do temperamento do piano, ou Guia do afinador de pianos (editado em 1901 por Olímpio Figueirinhas).

(2) Filho do músico catalão Melchior Oliver (que se incorporara no exército português após a Guerra Peninsular, fora mestre da banda do Regimento de Infantaria 18 do Porto , acompanhara as tropas liberais para Lisboa e compusera Batalha de Coruche, executada no Teatro de S. João em Dezº de 1827 ), António Melchior Oliver nascera no Porto em 1830, fora aluno do mestre Máximo Carrara e estreara-se no Teatro de S. João do Porto, em Janeiro de 1847. Em 18 de Junho de 1865 foi nomeado professor de canto do Conservatório de Lisboa e a 30 de Junho de 1887, substituiu Augusto Neuparth como secretário daquele Conservatório.

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