Majô Macedo e Silva *

 

Assim não dá!

Ficção desenvolvida a partir da notícia publicada no jornal Folha de São Paulo, 28/09/2000: FMI e Bird acabam reunião antes da hora.

 

Todos os anos, no solstício de outono, magos e bruxos poderosos se reuniam na floresta para trocar experiências, pós e artimanhas, e ano a ano ficavam mais poderosos.

Durante os fatídicos cerimoniais, uns elogiavam os outros de forma que todos tinham a vaidade e a prepotência reforçados para mais um ano de total domínio sobre os mortais.

Definiam o que cada uma das tribos deveria fazer até o próximo solstício e cobravam as metas estabelecidas na macabra festa do ano anterior.

Os humanos já haviam se conformado com o domínio dessas criaturas sobrenaturais e para tornar o sofrimento mais ameno, justificavam aquela forma de organização do mundo, alegando que isto era inevitável, que tudo fazia parte do desenvolvimento maior.

Tanto aceitavam, que eram convidados para participar dos sangrentos cerimoniais, e muito fracos para discordar, compareciam e prestavam contas de tudo o que haviam feito durante o ano e, principalmente, do que não haviam conseguido fazer. Por isso eram duramente castigados.

Os pequenos duendes, por serem muito pequenos e muito sinceros, não respeitavam o poder dos magos e dos bruxos e viviam livres e felizes.

Os magos e os bruxos não ligavam muito para os duendes. Afinal, meia dúzia de criaturinhas minúsculas não representavam ameaça para o poder maior.

Mas os duendes, muito sinceros e inteligentes, ficavam penalizados com a situação dos humanos naquela ordem das coisas e resolveram interferir. Sabiam que não seria prático enfrentar os poderosos e, por isso, foram ao encontro dos homens e usando elementos simples, como paus e pedras, criaram tantos obstáculos que estes não conseguiam chegar à floresta.

Sem ter a quem oprimir, magos e bruxos desistiram do cerimonial e como acontece com todos os dominadores que têm o seu poder abalado, alegaram uma bobagem qualquer e voltaram para as trevas.

 

* Jornalista

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