Rui Torres de Almeida *

 

CIRURGIA II

Uma mocinha bonita

Veio dizer-me em segredo,

Um tudo nada aflita:

Vida e' luz que crepita,

Do golpe não tenhas medo.

 

Em salas de operações

Já estive mais de uma vez,

Neste mundo de ilusões

Diz o povo em seus rifões

Que nunca há duas sem três.

 

O mundo tem mais encantos

Na hora da despedida?

Ai, os meus sonhos são tantos,

Cale-se a dor, cessem prantos,

É belo sonhar na vida!

 

À malta deste Hospital

Sempre alerta no seu posto,

Eu quero dizer, afinal:

Esta vida é bestial,

Quero vivê-la com gosto!

 

Hoje é dia de festa;

Bisturis, gente de bata,

É tudo quanto me resta

E são três vezes com esta.

Já é preciso ter lata!

 

 

1988

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* Um homem da Beira

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