Rui Torres de Almeida *
CORDAS DO MEU VIOLINO
Quem me dera ser poeta, Saber fazer poesia. Transpor a porta secreta Onde a noite é sempre dia.
Tu sonhas de olhos abertos, Lá dentro é porto de mar E por roteiros incertos Há sempre um barco a chegar.
Vem carregado de esperanças De sonhos lá bem no fundo, No convés lindas crianças Que vão conquistar o mundo.
Quando o teu barco partir, O Ana vem-me chamar, Que a Mara gosta de ouvir Meu violino a tocar.
Sai um barco barra fora De velas soltas ao vento, O meu violino chora A Mara já lá vai dentro.
Olho da minha janela Esse barco que já foi meu E também choro por ela, Porque o meu sonho morreu.
1988 |
___________________________
* Um homem da Beira