Rosa Vermelha

Hélio Bernardo Lopes *

Deste já batido lugar onde escrevo,

ao ritmo do ciclo do Sol,

o fruto de um amor que é de sempre,

por perto se me dá a ver,

bonita e vivaz,

uma bela rosa vermelha,

como aquela que foi a primeira,

que ao Amor meu ofereci.

 

Uma mãe bela e dedicada,

a sua filha só

também meiga,

mesmo doce,

triste lá no seu íntimo,

imensamente, porém, mais nova,

uma outra e bela rosa,

de ardente vermelho, neste dia do amor,

se lhe determinou a dar.

 

Não foi em vão um tal acto,

comigo mesmo ali tão perto,

com tanto lugar de sentar...

 

No amor, contudo,

há o potencial

e há o que dele é actual,

limitado sempre,

como a vida por igual mostrou,

por tanto

e tão pouco importante,

mas que os grandes números

e também a lógica,

como a tradição,

acabaram por impor.

Desta prenda de uma real simpatia,

mesmo íntima gratidão,

sobrou, porém,

mas mais vivo ainda,

o que naquela rosa vermelha

do mais historicamente simbólico se contém:

o sonho bonito,

inesquecível,

daquele dia primeiro,

com a rosa que ao meu Amor levei.

 

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* Jornalista

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