A mãozinha da gratidão

Hélio Bernardo Lopes *

Não esqueci,

desde sempre e como há dias,

o dia do meu Amor.

 

Esse dia bonito,

tão inesquecível,

me dei a chegar-lhe

com a palavra,

única e mais bela,

que é a da Poesia.

 

Levei-lhe aquela rosa vermelha,

como a primeira,

tão viva ainda hoje,

com o melhor do meu amor,

de mesmo agora e de sempre.

 

E hoje mesmo,

como naquela noite,

de dor profunda

- até de lágrimas! -

que foi a de Neruda,

ali a vi,

sempre fina e tão bela,

com a sua mãozinha elegante,

protegendo quem sempre mais a amou.

 

Esta mãozinha,

de tão elegante,

e de tanto amor filial,

como vê-la ali tão perto,

foi para mim,

iniludivelmente,

a sua mãozinha da mais última gratidão.

 

 

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* Jornalista

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