Mergulhei no infinito

Rui Torres de Almeida *

Eu fui à feira do Pedrão

Com ela de braço dado,

Palpitante o coração

Beijei-a mesmo no adro.

 

Junto às grades da capela

A recitar "padre-nossos",

Rezou por mim e por ela,

Também por pecados vossos.

 

Lá fomos ver o trilito

À beira de um pinheiral;

Mergulhei no infinito

E tive um sonho imortal:

 

Queria ser rei e pastor

Com ela guardando gado,

Trocar mil beijos de amor,

Amá-la sem ter pecado.

 

Ao passar em São Vicente

Perdi-me no horizonte,

Olhei a serra de frente

Saudei Fornelo do Monte!

 

E o carvalho secular,

O serpão, o rosmaninho,

São imagens desse altar

Onde rolas fazem ninho.

 

 

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* Um Homem da Beira.

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