editorial

Enquanto ainda se encontram em processo de maturação algumas ideias e o modo da sua aplicação a Millenium, no sentido de apresentarmos aos nossos leitores, não uma nova revista, mas uma revista com algumas modificações a nível da sua estrutura interna, é, entretanto, tempo de publicação de mais um número. Por outro lado ainda, tínhamos em acervo um conjunto vasto de textos que, por uma razão ou por outra, não tiveram a oportunidade de vir a lume. Por isso, optámos por proceder à publicação desse acervo neste e em próximos números, esvaziando as nossas prateleiras, e criando, assim, espaço e dando tempo a que apareçam outros textos numa Millenium reconfigurada, mas, de modo nenhum, desfigurada.

Não pense, contudo, o leitor que os artigos que ora se publicam se encontram desactualizados. Bem pelo contrário. É que há temas que teimam em manter-se actuais. E há questões e problemas que são de sempre; Humanos, demasiado humanos, no dizer de Nietzsche, que, por isso, sempre nos espicaçam e sempre a eles volvemos. Ou, dizendo de outro modo, há ou não há uma Philosophia perennis?

Aqui e além, salpica-se a estampa com textos recentes que, também por uma ou outra razão, se tornava oportuno publicar. Entrecruzam-se, assim, escritos de diferentes momentos temporais, sem que, contudo, se possam facilmente identificar uns e outros.

Cumpre, ainda, informar o leitor que uma das modificações a que acima nos referimos se prende com a periodicidade de Millenium que, doravante, passa a ser semestral.

Não poderia, de modo nenhum, antes de concluir este breve editorial, relembrar que nos encontramos no oitavo ano consecutivo de vida e de publicação de Millenium. Se atendermos a que o Instituto Politécnico de Viseu (IPV) é legal e formalmente criado mesmo no final do ano 1979, pelo Decreto-Lei n. 513-T/79 de 26 de Dezembro; Que o Presidente da sua primeira Comissão Instaladora foi nomeado só em 1985, seis anos volvidos, pelo Despacho n. 157/SEES/85, tendo tomado posse precisamente a 31 de Dezembro desse mesmo ano; Que o primeiro Presidente eleito do Instituto Politécnico de Viseu iniciou as suas funções a 19 de Setembro de 1995; Que o primeiro número de Millenium sai logo no início do ano seguinte, em 1996, não podemos deixar de fazer notar que esta publicação, sendo recente, é quase tão velha quanto a Instituição que a edita. Por isso tem acompanhado e tem dado a conhecer a vida e o pulsar do Instituto, e a produção científica e literária dos que nele trabalham. E se oito anos parece pouco tempo, é muito tempo para uma publicação periódica, sinal de que, com esforço e tendo sabido ultrapassar as muitas dificuldades que o caminho lhe apresentou, soube manter-se viva. Foi sábia e diligentemente dirigida, ao longo destes ininterruptos oito anos, por Vasco de Oliveira e Cunha, também Vice-Presidente do IPV, homem de poucas falas, mas de muitos escritos onde se espelha uma cultura sólida e imensa, um espírito acutilante, com um vivo sentido crítico, uma ironia soberba e uma enorme sabedoria de quem soube aproveitar as lições que a experiência e a vida dão.

Ao seu Director, Millenium muito deve. Desde a concepção, à planificação de cada um dos números, à revisão dos textos e até mesmo à concretização material de cada um deles, fez de tudo, às vezes tudo.

Por isso não podemos deixar de fazer referência neste Editorial à aposentação do Dr. Vasco Oliveira e Cunha, que recebemos com misturados sentimentos de tristeza e alegria. De alegria, porque a vida foi cheia e plena, podendo, finalmente, fazer o que sempre desejou e que o trabalho não deixou. Ler e escrever. Poderosamente, como sempre o faz. Assim, vamos continuar a ter o prazer de ler textos seus. Em Millenium, como habitualmente.

Tristeza porque deixamos de partilhar, no quotidiano, a sua presença e companhia, o deleite das nossas conversas e a elegância do seu humor. Não será fácil a Millenium encontrar-lhe sucessor à altura. Mas fica a certeza de podermos continuar a contar com a sua valiosa colaboração e as suas prestimosas sugestões e propostas. Então, até sempre!

Maria de Jesus Fonseca

sumário