UMA OUTRA VISÃO

( à ESEV na data do seu aniversário )

 

SUSANA MARTINS *

 

Não seria possível começar esta reflexão sem relembrar uma citação de Lawn que expressa um sentimento geral dos estudantes, com o qual me identifiquei por inteiro e, talvez por isso, trago ainda presente na memória estas palavras.

"Eu quero professores que não se limitem a imitar outros professores, mas que se comprometam (e reflictam) na educação das crianças de uma nova sociedade; professores que fazem parte de um sistema que os valoriza e lhes fornece os recursos e os apoios necessários à sua formação e desenvolvimento; professores que não são apenas técnicos mas também criadores"

in Nóvoa, A. (Org.) (1991), Profissão Professor - Vidas de Professores.

 

Uma escola que seja muito mais do que um laboratório de aprendizagens científicas e na qual professores e alunos são criadores é o desejo de qualquer indivíduo ligado à Educação. Quero que a minha escola me ensine a crescer enquanto pessoa humana, cidadã consciente e informada. Quero ser crítica, saber argumentar e ser respeitada pelas minhas opiniões na "selva" social.

Esta semana a nossa escola - a E.S.E.V. - celebra o seu décimo quarto aniversário. Na minha condição de finalista posso dizer que testemunhei com satisfação muitas mudanças ao longo destes quase quatro anos. Tenho orgulho nesta instituição à qual confiei a tarefa da minha formação.

Considero passado o tempo em que a qualidade do ensino era assegurada graças aos mecanismos de selecção, injustos e parciais. Nas últimas décadas começou a estar muito em voga a expressão "igualdade de oportunidades". Às portas do século XXI fala-se numa escola para os alunos. A nossa não é excepção (ainda recordo um recente debate sobre este tema). Com efeito, temos vindo a assistir a mudanças sociais profundas - é o "choque do futuro".

Uma escola que não corresponda a estas novas necessidades não pode responder com eficácia aos seus "clientes/inquilinos". Muitas vezes os professores deixam-se arrastar por um descrédito exacerbado na juventude. Contra esta fraqueza aconselho uma vacina. O resultado seria desastroso: alunos desmotivados, incompreendidos e revoltados.

Já ouvi muita gente lamentar-se dizendo que a escola é uma seca. Muitos são os que a encaram simplesmente como horas de aulas. Outros queixam-se do facto de não se fazer nada na escola. Na minha escola há muitas coisas que se podem fazer. Tornar a ESEV numa escola viva não é fácil, mas também não é impossível. Em minha opinião, a ESEV está a tornar-se uma verdadeira Escola Viva. Esta semana é um exemplo disso.

Alguns criticam, criticam... mas quando chega a hora de "deitar mãos à obra" negam-se, alegando que não têm tempo, que nada tem a ver com eles, enfim... a ausência quase total de espírito académico (responsável e educativo) ocupa-lhes a mente.

Quando aqui cheguei senti uma direcção com confiança nos seus professores, os quais participavam a diversos níveis. Contudo, os alunos viviam, por vezes, sem voz activa em vários sectores (currículos, metodologias, horários). Entretanto foram criados novos corpos, entre os quais um que evidencio pela sua relevância - o Conselho Pedagógico.

Tenho consciência do esforço que se tem feito nesta instituição no sentido de colmatar as carências da mesma. Acredito convictamente que só articulando estruturas de apoio, recorrendo ao planeamento (preventivo) que rectifique erros e até incorpore novos modelos no período de formação inicial, conseguiremos conquistar um clima de bem estar entre todos. A nossa escola tem bons profissionais que têm caminhado de acordo com um lema: "Uma escola para os alunos". Mas como dizia Miguel Torga - "Enquanto não alcançes, não descanses".

A formação veiculada na ESEV é de boa qualidade, mas tem chances de ser de óptima qualidade. É enquanto futura "pedagoga" que invoco e reitero a mensagem em que acredito: "identificarmo-nos a nós próprios como professores (sabendo e tendo modelos de referência de que ser professor é a entrega à profissão de forma completa e com humildade), adequarmo-nos aos estilos de ensino que somos capazes e devemos utilizar, e sabermos identificar os problemas decorrentes das actividades de ensino-aprendizagem, ultrapassando-os, são os objectivos máximos que a nossa escola deve tornar concretizáveis". Cabe à formação inicial dar ao professor um maior conhecimento da verdadeira realidade escolar. Defendo os princípios orientadores da Escola Activa - o aluno deve ter um guia para a sua descoberta no saber, o professor, na sua descoberta de bem ensinar. Creio que a nossa escola tem este espírito que uma efectiva escola activa consagra e vive.

Não vou terminar sem felicitar a minha escola pelo seu décimo quarto aniversário e pelo bom trabalho que tem desenvolvido nestes anos, em prol não só dos interesses da comunidade escolar, mas também da sociedade em geral. Desejo com todo o carinho aos amigos que fiz na ESEV - entre professores, estudantes e funcionários - que continuem a unir esforços de forma a atingir os fins da nossa instituição - que cada vez mais o estudante de qualquer nível de ensino necessita de reconhecer como a sua segunda família, a sua segunda casa. Prossigam com a vossa boa vontade e acreditem sempre na alma da escola: os alunos.

 

Muitos parabéns, ESEV!!!

* Aluna da ESEV

 

SUMÁRIO