PROJECTO DE CRIAÇÃO DE UM CURSO SUPERIOR DE TURISMO NA ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA DE VISEU

ALFREDO SIMÕES

Professor Adjunto da ESTV

JOAQUIM ANTUNES

Equip. a Prof. Adjunto da ESTV

JOSÉ L. ABRANTES

Equip. a Assistente do 2º Triénio

 

1. INTRODUÇÃO

O turismo alcançou uma dimensão que o coloca a par das actividades económicas mais relevantes, prevendo-se que na próxima década se transforme na maior indústria a nível mundial. A dimensão que já atingiu, as suas características peculiares, os efeitos que provoca e as relações que estabelece, transformam-no numa das actividades que melhor pode protagonizar e impulsionar o desenvolvimento económico a nível nacional, regional e local (Cunha, 1994).

A Região Centro de Portugal, área de influência da Escola Superior de Tecnologia de Viseu (ESTV), dispõe de grandes potencialidades que podem ser aproveitadas do ponto de vista turístico, sendo necessário, para tal, criar e melhorar as infraestruturas do sector e apostar fortemente nos Recursos Humanos.

Deste modo, e à semelhança do que tem sido prática na ESTV, a preocupação de responder às necessidades de formação de recursos humanos nos sectores produtivos levou a Escola Superior de Tecnologia de Viseu, através do seu Departamento de Gestão, a desenvolver um estudo com o objectivo de avaliar a oportunidade da criação de um Curso Superior de Turismo.

Na realidade, as experiências curriculares de formação no sector e a perspectiva de que a criação de novos cursos, deve provir, em grande parte, do interesse que despertam nas organizações, afinal os seus principais destinatários, levou à realização deste estudo de mercado, obtendo-se desta forma uma base sólida para o desenvolvimento de um Curso Superior de Turismo.

2. METODOLOGIA

O projecto de criação do Curso Superior de Turismo culmina um trabalho de pesquisa, contactos e observações que decorreram nos últimos dois anos lectivos. O desenvolvimento do projecto passou por várias etapas:

· entrevistas em profundidade a nove responsáveis influentes do sector da região de Viseu;

· inquérito directo a cerca de 300 empresas e outros organismos num universo de aproximadamente 900 organizações;

· participação dos docentes do Departamento de Gestão da ESTV na reunião nacional de Escolas e Cursos Superiores de Turismo (Março de 1998), a título de observadores;

· elaboração do Plano de Estudos do Curso Superior de Turismo.

3. ESTUDO QUALITATIVO

A não existência de estudos científicos anteriores na área do turismo levou a que se procurasse desenvolver um estudo inicial de carácter qualitativo que permitisse conhecer o sector e as suas necessidades de formação, bem como desenhar as variáveis que se consideram mais importantes para o estabelecimento de conclusões significativas na realização de um estudo quantitativo.

O desenvolvimento deste primeiro estudo com carácter exploratório iniciou-se com a identificação dos sub-sectores pertencentes à indústria do turismo e dos respectivos líderes de opinião regionais. Neste processo foram identificados os agrupamentos de lazer, termas, turismo rural, hotelaria e restauração, transportes, agências de viagens, organismos oficiais, feiras e exposições e imprensa.

Realizaram-se, assim, 9 entrevistas de carácter qualitativo, sendo uma por cada representante sectorial. O trabalho de campo decorreu no mês de Outubro de 1996.

Analisou-se a importância do sector na região, a sua evolução, os investimentos esperados e as áreas de maior relevância. Desejou-se, ainda, avaliar a opinião dos entrevistados em relação à criação de um curso superior de turismo, bem como as características e estrutura do referido curso.

As respostas apresentadas permitem-nos extrair as seguintes opiniões que serviram de base à realização do estudo com carácter quantitativo:

· o sector tem uma importância extrema na região de Viseu;

· esperam-se fortes áreas de crescimento como sejam as do Turismo Rural e de Habitação e a do Termalismo;

· é notório o papel de um grupo empresarial da região no desenvolvimento do sector (Grupo Visabeira);

· é reconhecida a área de animação turística como sendo de grande importância para o desenvolvimento do sector;

· as áreas de relevância turística na região são as do Turismo de Montanha, Percursos Turísticos Rurais, Espaços Termais, Cidade de Viseu, Caramulo, Turismo Cultural, Gastronomia, Golfe e Hipismo;

· faltam quadros especializados em todos os níveis de qualificação e, nomeadamente, aqueles com uma formação a partir do 11.º ano até à pós-graduação;

· existe uma opinião unanimemente favorável relativamente à hipótese de criação de um Curso de Bacharelato na área do Turismo;

· o curso deveria possibilitar a saída em cada ano terminal de entre 10 e 40 alunos, os quais deveriam usufruir de uma remuneração entre os dois e os três salários mínimos nacionais;

· o curso deverá evoluir para licenciatura;

· as saídas profissionais sugeridas foram as seguintes: agências de viagens, organismos estatais ligados ao sector, promoção e marketing e gestão hoteleira;

· foi reconhecida a importância de se leccionarem certas disciplinas base na área das técnicas turísticas, do marketing turístico, dos idiomas e das ciências sociais;

· todos os inquiridos foram unânimes quanto à relevância da realização de um estágio pelos futuros formandos;

· o ano escolar de 1997/98 constituiria o momento óptimo para iniciar o primeiro ano lectivo.

 

4. ESTUDO QUANTITATIVO

A primeira questão deste estudo quantitativo esteve relacionada com a definição da área geográfica. Assim, entendeu-se que o universo geográfico abrangido fosse o da área de influência natural do Instituto Politécnico de Viseu, considerando-se no caso o espaço geográfico delimitado a norte pelo rio Douro, a leste pela região da Serra da Estrela, a oeste por uma zona distante do Oceano Atlântico de 20 km e a sul pelo limite do distrito de Viseu (esta região corresponde à área de origem de mais de 90% dos alunos do curso de Gestão de Empresas).

Neste segundo estudo a amostra foi constituída por 305 organizações do sector, seleccionadas de um universo de cerca de 900, pelo método de amostragem por quotas, considerando-se um nível de confiança de 95% para uma percentagem de erro de ± 4,56%. O trabalho de campo decorreu no mês de Dezembro de 1996 e Janeiro de 1997. Os inquéritos foram realizados por alunos do 3.º ano do curso de Gestão de Empresas da Escola Superior de Tecnologia de Viseu.

Desenvolveu-se, nesta parte do trabalho, uma caracterização do sector do turismo na região, em termos de forma jurídica das organizações que o integram, Recursos Humanos existentes e a contratar por essas entidades e as suas necessidades de investimento para os próximos três anos. Na segunda parte, analisou-se a opinião das organizações turísticas sobre a criação de um curso superior de turismo. É apenas em relação a esta última parte que se vai apresentar um pequeno resumo dos resultados obtidos.

Foi praticamente unânime a posição das organizações inquiridas face à criação de um curso superior de turismo. Com efeito, 95,7% dos indivíduos questionados concordam com a sua criação ( 292 organizações num total de 305). Apenas 13 entidades, representando cerca de 4% do total, não concordaram com o seu aparecimento.

As respostas negativas não se concentram num ramo de actividade em particular, ou seja, não existe enviesamento significativo entre a percentagem na amostra e as respostas em cada um dos ramos de actividade. O clima de boa receptividade à criação do curso é geral em todos os sub-sectores (ver quadro 1). Os sub-sectores das Agências de Viagens, Turismo de Habitação, Termas e Animação são os que mais apoiam a criação de um curso de turismo ao nível superior. Em qualquer um deles a resposta afirmativa foi dada pela totalidade das organizações inquiridas.

 

Quadro 1

Opinião das organizações, por ramo de actividade, sobre a criação

de um curso superior de turismo

Ramo de actividade

Percentagem na amostra

Favoráveis

(%)

Desfavoráveis

(%)

Restauração

Organismos Estatais

Agências de Viagem

Imprensa

Turismo de Habitação

Transportes

Termas

Hotelaria/Alojamento

Animação

59,0

5,2

2,3

10,2

3,6

2,0

0,3

17,0

0,3

56,1

4,9

2,3

9,8

3,6

1,6

0,3

16,7

0,3

2,9

0,3

0,0

0,4

0,0

0,4

0,0

0,3

0,0

Total

100,0

95,6

4,4

 

Fonte: Inquérito às organizações turísticas em Dez/96 e Jan/97.

Das organizações que responderam favoravelmente à criação de um curso superior de turismo, 71,7% indica preferencialmente o grau de bacharelato, contra 28,3% que assinala o grau de licenciatura como sendo o óptimo (ver quadro 2).

 

Quadro 2

Nível escolar do Curso Superior de Turismo

Nível escolar

Número

Percentagem

Percentagem válida

Bacharelato

LicenciaturaNão resposta

2088215

68,226,94,9

71,728,3-

Total

305

100,0

100,0

 

Fonte: Inquérito às organizações turísticas em Dez/96 e Jan/97.O estudo teve também como objectivo saber a opinião das organizações turísticas inquiridas sobre as áreas de formação a incluir no plano de curso. Foram propostas para avaliação dos inquiridos, numa escala de likert de cinco pontos (1), as seguintes áreas a incluir no curso de acordo com a sua importância:

· Técnicas Turísticas;

· Marketing Turístico;

· Idiomas;

· Ciências Sociais;

· Gestão Empresarial.

De uma forma geral, e conforme se verifica no quadro 3, a inclusão destes conteúdos foi sempre avaliada favoravelmente, sendo Idiomas o item que recolheu os maiores apoios, considerado como "muito favorável" por 62% das organizações.

A classificação "muito desfavorável" apenas foi referida para as áreas de gestão empresarial com 0,7% e ciências sociais com 0,3%. Foram essas áreas de conhecimento as que registaram também uma maior percentagem de "indiferença", com 10,2% e 26,6%, respectivamente. No entanto, 37% dos inquiridos que responderam à questão são muito favoráveis à inclusão no plano de curso de disciplinas na área da "gestão empresarial".

As opções que, de uma forma muito directa, mais se associam ao Turismo tendem a ser avaliadas mais favoravelmente, relegando para um plano mais discreto as consideradas de apoio como são a gestão empresarial e as ciências sociais, comprovando-se, desta forma, a necessidade e a importância de uma formação mais específica do que generalista.

Quadro 3

Áreas temáticas preferidas pelas organizações turísticas

Área temática

Muito Favor.

Favor.

Nem Fav.

Nem Desf.

Desfav.

Muito Desfav.

Não Resposta

Técnicas Turísticas

Marketing Turístico

Idiomas

Ciências Sociais

Gestão Empresarial

32,5

35,7

62,0

18,0

37,0

51,5

47,9

29,2

45,2

43,6

8,5

6,9

3,9

26,6

10,2

0,7

1,6

0,0

2,0

0,7

0,0

0,0

0,0

0,3

0,7

6,9

7,9

4,9

7,9

7,9

 

Fonte: Inquérito às organizações turísticas em Dez/96 e Jan/97.Pretendeu-se, ainda, saber a opinião dos organizações turísticas inquiridas acerca do curso ter um carácter generalista ou especializado. Os resultados revelam que, para além do curso dever dar especial interesse a áreas estritamente relacionadas com o Turismo, a componente de especialização deve constar obrigatoriamente do programa curricular, sendo essa a opinião partilhada por 90,8% dos inquiridos (ver quadro 4).

Quadro 4

Existência de áreas de especialização no plano de curso

Resposta

Número

Percentagem

Percentagem

Válida

Sim

Não

Não resposta

277

17

11

90,8

5,6

3,6

94,2

5,8

-

Total

305

100,0

100,0

 

Fonte: Inquérito às organizações turísticas em Dez/96 e Jan/97.

Na escolha das áreas de especialização consideradas, destaca-se a Hotelaria/Alojamento/Restauração, posição justificada, predominantemente, pelo peso na amostra dos Ramos de Actividade afins (Restauração, 59% e Hotelaria/Alojamento 17%, num total de 76%).Mais uma vez, porém, surge em plano destacado o ensino de "Idiomas", 45,6%, do "Marketing Turístico", 40,7% e da "Animação Turística", 27,5% de respostas favoráveis. De notar, ainda, que o peso dado a algumas especializações ultrapassa, em muito, a ponderação registada na amostra para o ramo de actividades mais conexo com elas. É o caso das Agências de Viagens, 11,1% e do Termalismo, 19,7%.

Quadro 5

Áreas de especialização por Ramo de Actividade

Áreas de especialização

Favoráveis

%

Não Favoráveis

%

Não Resposta

%

Hotelaria/Alojamento/Restauração

Línguas

Marketing Turístico

Animação Turística

Espaços Rurais

Termalismo

Agências de Viagens

Outras

66,9

45,6

40,7

27,5

20,3

19,7

11,1

12,5

29,8

51,1

56,1

69,2

76,4

77,0

85,6

84,3

3,3

3,3

3,3

3,3

3,3

3,3

3,3

3,3

 

Fonte: Inquérito às organizações turísticas em Dez/96 e Jan/97.Aproximadamente 13% dos inquiridos sugeriram também outras especializações, acrescentando à lista proposta as vertentes da etnografia, artesanato, história das regiões, geografia e psicologia.

Quanto ao momento no ano em que a especialização deveria ter lugar, 51% das organizações defendem-na nos 3 anos lectivos, enquanto 26% e 23% são da opinião de que ela deveria ocorrer nos dois últimos anos lectivos e no último ano, respectivamente.

Analisou-se, ainda, a opinião dos inquiridos em relação à existência de um estágio curricular. Aproximadamente 99% das organizações que responderam à questão, manifestaram uma opinião favorável à sua inclusão no plano de curso, não existindo diferenças significativas nos resultados se efectuarmos uma análise pelos níveis escolares do curso. Quer seja licenciatura ou bacharelato, o curso deve conter um estágio curricular.

Relativamente à duração desse estágio, as organizações inquiridas mostram preferência pelo período de três meses, preterindo estágios mais curtos. Assinale-se, também, que a opção de um mês foi a menos preferida (ver quadro 6) entre todas as possíveis.

Quadro 6

Duração do estágio curricular

Duração do estágio

Número

Percentagem

Um mês

Dois meses

Três meses

Outro período

Não resposta

36

62

140

48

19

11,8

20,3

25,9

15,7

6,2

Total

305

100,0

 

Fonte: Inquérito às organizações turísticas em Dez/96 e Jan/97.

Os cerca de 16% de inquiridos que não escolheram qualquer das opções, preferem estágios superiores a três meses. Quanto ao calendário desse estágio, as respostas polarizam-se entre as alternativas de se realizar no final de cada ano lectivo (37%) e na conclusão do curso (35,1%).

Outro objectivo do estudo de mercado foi analisar as necessidades das empresas turísticas para os próximos três anos em termos de recursos humanos. Verificou-se que 38,7% das organizações pretendem proceder a novas contratações nos próximos anos, as quais ascenderão a 396 trabalhadores.

A procura de recursos humanos com formação na área de turismo (ver quadro 7) é manifestamente superior (77%) à procura de recursos humanos sem formação na área de turismo (23%).

Em relação à procura de recursos humanos com formação na área de turismo, a preferência recai sobre colaboradores com habilitações escolares inferiores ao 12.º ano. É de destacar neste ponto a procura de 34 bacharéis (11,1%) e de 19 licenciados (6,2%).

Quadro 7

Procura de recursos humanos pelas organizações turísticas

Tipo de formação

Número trabalhadores

Percentagem

Com formação em turismo

.com licenciatura

.com bacharelato

.com 12.º ano

.outra

Sem formação em turismo

306

19

34

121

132

90

77

6,2

11,1

39,5

43,1

23

Total

396

100

 

Fonte: Inquérito às organizações turísticas em Dez/96 e Jan/97.

Os sectores que mais procuraram licenciados e bacharéis com formação na área de turismo são a Hotelaria/Alojamento, Organismos Estatais, Restauração e Imprensa (ver quadro 8).

 

Quadro 8

Procura de licenciados e bacharéis da área do turismo

por ramo de actividade

Ramo de actividade

Licenciatura

(%)

Bacharelato

(%)

Restauração

Organismos Estatais

Agências de Viagem

Imprensa

Turismo de Habitação

Transportes

Termas

Hotelaria/Alojamento

Animação

21,1

26,3

0,0

15,8

0,0

0,0

5,3

31,6

0,0

14,7

11,8

2,9

23,5

5,9

0,0

8,8

32,4

0,0

Total

100,0

100,0

 

Fonte: Inquérito às organizações turísticas em Dez/96 e Jan/97.

O total da procura da amostra é de 19 licenciados e de 34 bacharéis com formação em turismo, a que corresponde uma procura previsível no total da população de 56 licenciados e de 100 bacharéis, com uma margem de erro de mais ou menos 4,56%.

 

5. REUNIÃO NACIONAL DE CURSOS SUPERIORES DE TURISMO

As escolas (Politécnicos e Universidades) que leccionam cursos superiores de turismo decidiram promover um encontro nacional com o objectivo de criar uma rede ou associação de modo a unir esforços e partilhar experiências em diversos aspectos:

A participação de docentes da ESTV na reunião nacional foi unicamente a título de observadores, visto ainda não dispor de nenhum curso nesta área. Neste encontro trocaram-se impressões, ouviram-se experiências dos representantes de escolas em que algumas foram pioneiras no lançamento de cursos de turismo, que de certo modo vieram contribuir para o desenvolvimento deste projecto e, principalmente, para a elaboração do plano de estudos que de seguida se apresenta e que reflecte as conclusões dos trabalhos qualitativo e quantitativo realizados.

6. PLANO DE ESTUDOS

No quadro da política seguida pela ESTV, o plano de estudos do Curso Superior de Turismo proporcionará a atribuição do grau de bacharelato a todos os alunos que concluam os três primeiros anos e do grau de licenciatura àqueles que frequentarem, com êxito, a totalidade das unidades curriculares.

O bacharel em turismo, para além de dominar a língua portuguesa e a inglesa, enquanto instrumentos primordiais de comunicação, deverão estar sensibilizados para as realidades culturais do país e da região. Por outro lado, deve compreender o papel do turismo na sociedade e na actividade económica e, simultaneamente, apreender a eficácia da utilização dos instrumentos básicos da gestão e do marketing das organizações em que estiver a desempenhar a sua actividade profissional. Por último, ao bacharel exige-se que conheça os produtos turísticos, especialmente desta região, as principais operações dos agentes do sector e, também, os mercados de origem e de destino dos fluxos turísticos.

O licenciado em turismo, para além de dominar os conhecimentos, as técnicas e os instrumentos acabados de enunciar, deverá possuir as qualidades e as habilitações de um decisor de uma organização ou de uma actividade. Por isso, deve compreender a organização no seu todo e não apenas o somatório das suas funções e instrumentos analíticos de acção. Ao licenciado exige-se capacidade de liderança de um projecto nos diversos Domínios da actividade turística e tendo em conta as diferentes vertentes financeira, produção, humana, administrativa e legal, etc. da sua acção.

Tomando-se por base as informações recolhidas no estudo de mercado, na análise de planos de estudo de outras escolas nacionais e de outros países, nomeadamente, da Espanha, Itália, Suíça e EUA e, por último, a experiência existente no país na formação de quadros na área de turismo, elaborou-se o plano de estudos do Curso Superior de Turismo que melhor se enquadra no perfil profissional desejado (ver anexo 1).

Tal como se pode observar a concretização dos perfis enunciados irá fazer-se no âmbito de seis conjuntos diferenciados de conteúdos curriculares que foram definidos da seguinte forma: Idiomas/cultura, Técnicas Turísticas, Marketing, Ciências Sociais, Gestão e Métodos Quantitativos/Informática (ver anexo 2).

A distribuição das unidades curriculares, tendo em conta as cargas horárias, é a que a seguir se apresenta.

Quadro 9

Unidades curriculares por carga horária

Unidades curriculares

Horas

Percentagem

Idiomas e Cultura

Técnicas Turísticas

Marketing

Ciências Sociais

Gestão

M. Quant./Inform.

34h

40h

22h

25h

55h

14h

18%

21%

12%

13%

29%

7%

Total

190h

100,0%

7. CONCLUSÕES

A existência do Curso Superior de Turismo que o Departamento de Gestão da ESTV se propõe realizar, visa a preparação de quadros para a actividade turística, sector de grande importância sócio-económico em Portugal e na Região, que se encontra em fase de expansão e para o qual a oferta de técnicos com formação superior é manifestamente insuficiente.

Pretende-se formar profissionais, de elevada qualificação, que possam dar resposta à procura de Recursos Humanos com formação nas áreas de gestão, marketing e animação para o turismo em empresas públicas e privadas.

A existência deste curso permitirá, ainda, o desenvolvimento de competências nesta região em resultado do estudo e da investigação e numa área especialmente multidisciplinar do conhecimento que só há alguns anos se começou a impor no nosso país.

O estudo de mercado realizado permitiu verificar a opinião favorável e quase unânime dos inquiridos (95,7%) face à criação do referido curso. O estudo permitiu, ainda, concluir que existe uma procura potencial na região de indivíduos com formação superior na área de turismo.

Em resultado desta investigação importa, assim, dinamizar a criação do Curso Superior de Turismo pela ESTV. A existência deste curso, na região em que o Instituto Politécnico de Viseu se insere, traduz, à semelhança do que tem sido prática na Escola Superior de Tecnologia, a preocupação de responder às necessidades de formação de recursos humanos dos sectores produtivos. O Curso Superior de Turismo assumirá, por isso, um papel qualificante no desenvolvimento do sector e da região.

 

 

Bibliografia

 

CUNHA, L. (1994), A importância do turismo na economia. Cadernos de Economia, Outubro/Dezembro de 1994.

SIMÕES, A., J. ANTUNES, J. L. ABRANTES e L. FERNANDES (1997), Projecto de Criação de um Curso Superior de Turismo, Departamento de Gestão da Escola Superior de Tecnologia de Viseu.

 

ANEXO 1

CURSO SUPERIOR DE TURISMO

 

1º Ano

 

1º Semestre

Horas/ Semana

 

2º Semestre

Horas/ Semana

Inglês I

4

Inglês II

4

Língua e Cultura Portuguesa I

2

Organização e Gestão de Empresas

4

Introdução à Gestão

4

Sociologia do Turismo

4

Métodos Quantitativos

6

Informática I

4

Contabilidade Geral

6

Princípios Gerais do Turismo

6

Introdução à Economia

4

Língua e Cultura Portuguesa II

2

 

26

 

24

 

2º Ano

 

1º Semestre

Horas/ Semana

 

2º Semestre

Horas/ Semana

Inglês III

4

Inglês IV

4

Introdução ao Marketing

4

Economia e Política do Turismo

4

História da Arte e da Cultura I

4

Marketing de Serviços

4

Operações Turísticas

4

História da Arte e da Cultura II

4

Informática II

4

Contabilidade de Gestão

6

Língua e Cultura Portuguesa III

2

Produtos Turísticos I

3

 

22

 

25

 

3º Ano

 

1º Semestre

Horas/ Semana

 

2º Semestre

Horas/ Semana

Inglês V

2

Inglês VI

2

Relações Públicas

2

Animação Turística II

4

Técnicas de Secretariado

4

Geografia e Itinerários Turísticos

6

Turismo e Comunicação

4

Termalismo

4

Marketing Turístico

4

Noções de Direito

4

Animação Turística I

4

Produtos Turísticos III

3

Produtos Turísticos II

3

 

 

 

23

 

23

 

4º Ano

 

1º Semestre

Horas/ Semana

 

2º Semestre

Horas/ Semana

Estratégia das Organizações Turísticas

4

Sistemas de Controlo de Gestão

4

Comportamento Organizacional

3

Gestão de Recursos Humanos

3

Fiscalidade da Empresa

4

Comport. do Consumidor em Turismo

6

Legislação do Turismo

4

Finanças Empresariais

6

Gestão Hoteleira e Restauração

6

Projecto

3

Gestão Autárquica

4

 

 

 

25

 

22

 

ANEXO 2

CURSO SUPERIOR DE TURISMO

 

MÓDULOS

 

 

1º ANO

 

 

2º ANO

 

 

3º ANO

 

 

4º ANO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IDIOMAS E CULTURA

 

Inglês I e II

Língua e Cultura Portuguesa I e II

Inglês III e IV

 

Língua e Cultura Portuguesa III

 

História da Arte e da Cultura I e II

 

Inglês V e VI

 

 

TÉCNICAS TURÍSTICAS

 

 

Princípios Gerais do Turismo

 

 

 

 

 

Operações Turísticas

Produtos Turísticos I

Animação Turística I e II

 

Termalismo

 

Geografia e Itinerários Turísticos

 

Produtos Turísticos II e III

 

Projecto

 

MARKETING TURÍSTICO

 

 

 

 

Introdução ao Marketing

 

Marketing de Serviços

 

Turismo e Comunicação

 

Marketing Turístico

 

Comportamento do Consumidor em Turismo

 

 

 

CIÊNCIAS SOCIAIS

Sociologia do Turismo

 

Introdução à Economia

 

Economia e Política do Turismo

 

Relações Públicas

 

Noções de Direito

Legislação do Turismo

 

Comportamento Organizacional

 

 

GESTÃO EMPRESARIAL

 

Introdução à Gestão

 

Contabilidade Geral

 

 

Organização Gestão de Empresas

 

Contabilidade de Gestão

 

 

 

Técnicas de Secretariado

 

 

Estratégia organizações turísticas

Fiscalidade da Empresa

Gestão Hoteleira e Restauração

Gestão Autárquica

Sistemas de Controlo de Gestão

Gestão de Recursos Humanos

Finanças Empresariais

 

INFORMÁTICA

E MÉTODOS QUANTITATIVOS

 

Métodos Quantitativos

Informática I

 

Informática II

 

 

 

 

 

 

1) 1-Muito Favorável, 2-Favorável, 3-Nem Favorável Nem Desfavorável, 4-Desfavorável e 5-Muito Desfavorável.

SUMÁRIO