Os novos alunos da Escola Superior de Tecnologia do

Politécnico de Viseu

 

FRANCISCO FERREIRA FRANCISCO *

JOSÉ CARLOS MARQUES MARTINS *

RUI ANTÓNIO QUADROS BEBIANO *

 

 

Resumo

No âmbito dum grupo de trabalho nomeado pela Comissão Coordenadora do Conselho Científico de 14 de Junho de 1996, realizaram-se alguns inquéritos, dos quais se destaca o que foi apresentado aos "Novos Alunos". A oportunidade de tornar público parte do estudo e algumas das conclusões retiradas do inquérito surgiu agora com a publicação da Millenium.

Em síntese podemos dizer que a população estudantil da Escola Superior de Tecnologia é constituída por alunos jovens (média inferior a 20 anos), maioritariamente do sexo masculino (58%) e provenientes em grande parte da região de Viseu e concelhos limítrofes. Do litoral norte e centro vêm também muitos alunos (32%). A grande maioria inscreve-se no curso que pretende e na escola que deseja, com excepções registadas nos cursos de Eng. de Madeiras e Eng. do Ambiente. O curso maior é o de Gestão de Empresas e o mais pequeno o de Engenharia de Sistemas e Informática.

O inquérito foi realizado no acto da matrícula e colocado anonimamente aos "Novos Alunos". Responderam quatrocentos e dezoito alunos, estimando-se que com os alunos retidos no primeiro ano a população escolar seja superior a meio milhar de indivíduos.

 

1. Caracterização Geral

Se quisermos ser breves, podemos caracterizar a população da Escola Superior de Tecnologia de Viseu dizendo que tem mais rapazes que raparigas (58%), que é maioritariamente jovem, média de idades próxima dos 20 anos e que a maioria dos alunos está satisfeita com o curso que escolheu. Vivem em grande parte na região de Viseu ou regiões próximas e a idade mais frequente é a dos 18 anos, com 114 alunos nessa faixa etária.

 

Para um maior detalhe, por curso observam-se algumas diferenças em relação àquilo que é a prevalência global. Sendo maioritariamente masculina, existem cursos mistos com mais alunas que alunos. São eles os cursos de Gestão de Empresas e de Gestão Comercial e da Produção, Engenharia de Madeiras e Engenharia do Ambiente. Os cursos de engenharia Electrotécnica, Mecânica e Informática são maioritariamente masculinos, sendo mesmo o de engenharia Electrotécnica exclusivamente masculino.

Curso

Id < 19

Id=20..22

Id >22

NS/NR

G.Empr

44

24

17

1

Cont. Adm

3

2

0

0

G.C.Prod

16

15

3

0

E.Civil

35

21

7

0

E S. Inf.

15

4

2

0

EElect

29

22

3

0

EMad

33

26

7

0

E.Mec.G.I.

19

20

5

0

E.Amb.

27

8

6

0

SubTotais

221

142

50

1

TOTAL

414

 

 

Alunos Inscritos

N Alunos Inscritos curso

N Alunos Inscritos 2 ou mais vezes

Insc. 1 vez

Insc. mais do que uma vez

Gest. Empresas - curso 1

86

17

80%

20%

Gest. Cmc. Prod. - curso 3

34

5

85%

15%

Eng. Civil - curso 4

63

8

87%

13%

Eng. Sist. Informtic. - curso 5

21

2

90,50%

9,50%

Eng. Electrotécnica - curso 6

54

0

100%

0%

Eng. Madeiras

66

3

95,50%

4,50%

Eng. Mecânica

44

5

88,70%

11,30%

Eng. Ambiente

41

9

78%

22%

 

Os cursos mais jovens são os de Engenharia de Sistemas e Informática e Engenharia Electrotécnica, não sendo contudo muito diferente a estrutura nos outros cursos, igualmente com uma média etária baixa. Apesar disso, uma ligeira tendência para a frequência de alunos mais velhos no curso de Gestão.

 

 

Em termos de dimensão, o curso maior é o curso de Gestão de Empresas e o mais pequeno é o de Engenharia de Sistemas e Informática. Os alunos referenciados no quadro dizem apenas respeito aos alunos que responderam ao inquérito "Novos Alunos" e por esse motivo não corresponde a todos os alunos matriculados no 1 Ano em cada um dos cursos.

A maioria dos alunos inscritos (87%) declara estar a matricular-se pela primeira vez num curso do ensino superior. Algumas diferenças são no entanto observáveis: enquanto no curso de Engenharia Electrotécnica todos os alunos se inscrevem pela primeira vez, no curso de Gestão de Empresas e no de Ambiente declaram tê-lo feito por mais que uma vez, 20% e 22% respectivamente. Desconhece-se se a percentagem encontrada corresponde a alguma transferência de curso, interna ou externa.

A maioria da população escolar provém da região Dão/Lafões (Zona C) e concelhos limítrofes. A população escolar proveniente da região litoral Norte e Centro tem também um peso muito significativo.

 

 

Por proveniência geográfica, os alunos oriundos da Zona C (Região Dão/Lafões, região Viseu) representam em termos globais mais de 50% de todos os alunos matriculados. Esta proveniência a nível global reproduz-se ao nível da geografia dos cursos. A excepção é o curso de Engenharia de Madeiras onde os alunos vêm maioritariamente da Zona A, região Norte e Centro litoral. Não deve ser alheio à situação o facto deste curso ser um dos poucos em funcionamento nesta área e no país. O curso de Engenharia Informática revela também uma distribuição equilibrada entre a região litoral e Viseu. Os cursos onde o grosso dos alunos provém da região C são os de Gestão, Electrotecnia e Civil.

Nesta matéria a maior evidência corresponde à constatação de que as regiões a Sul do Mondego contribuem com poucos alunos para a frequência na ESTV bem como a região interior Centro e Norte. Pouquíssimos alunos provêm da zona B, provavelmente por razões de natureza demográfica.

Proveniência de Ensino

Ens. Sec.

Te. Prof.

Outro

Gest. Emp.

64

15

7

Gest. Cmc. Prod.

26

3

5

Eng. Civil

49

6

8

Eng. Sist. Inf.

11

7

3

Eng. Elect.

34

12

8

Eng. Madeiras

62

2

2

Eng. Mecânica

33

8

3

Eng. Ambiente

38

0

3

317

53

39

 

2. Proveniência de Ensino e Acesso

Relativamente à proveniência escolar observa-se que os alunos provêm maioritariamente do ensino secundário em todos os cursos. Nota-se ainda algum acesso ao Ensino Superior através do ensino técnico profissional via secundário. Nos cursos de Gestão, Electrotecnia e Mecânica isso é particularmente visível representando mesmo uma percentagem de 33% em Engenharia de Sistemas e Informática.

A maioria dos alunos, em todos os cursos, faz a específica de Matemática. As percentagens vão de 90% em Engenharia de Sistemas e Informática a 79% em Eng. do Ambiente. Nos cursos de Eng. Ambiente, Eng. Madeiras e nos dois cursos de Gestão, alguns alunos fazem a específica de matemática juntamente com outra que normalmente é a Economia ou Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social nos Cursos de Gestão e nos Cursos de Eng. Ambiente e Eng. Madeiras Química ou Biologia. Nas Engenharias de Sistemas, Electrotécnica, Civil e Mecânica as específicas feitas são geralmente Matemática e Física.

 

Matemática + 3 Específica

Economia

Int. Desenv. Económico e Social

Química

Biologia

Matemática+outra

Gest. Emp.

46

9

_

_

57

Gest. Cmc. Prod.

25

3

_

_

25

Eng. Madeiras

_

_

35

9

41

Eng. Ambiente

_

_

4

27

31

3. Relação Afectiva com a Escola e Curso

A maioria dos alunos escolhe os cursos como primeira escolha. Nos cursos de Gestão, Civil, Electrotecnia, Sistemas e Informática e Mecânica, a primeira escolha representa mais de 50% das respostas. Os principais desvios acontecem em Madeiras e Ambiente onde a última escolha é claramente maioritária em relação à primeira escolha.

No que se refere à relação afectiva com o curso e com a escola, a maioria declara estar a inscrever-se no curso desejado. As excepções provêm do curso de Eng. de Madeiras e Eng. do Ambiente onde uma percentagem muito significativa parece desejar o curso de Farmácia. Os cursos onde os alunos parecem mais bem integrados são os de Civil, Electrotecnia e Mecânica.

Nos cursos de Gestão e Civil, a percentagem de alunos que declara estar insatisfeita com a colocação no curso é pequeno. Quando o fazem, na sua grande maioria, apontam como curso alternativo um na mesma área ou numa área próxima.

4 Conclusões

Os objectivos delineados para este inquérito, pretendiam formar uma visão mais global das condições de ingresso das candidaturas dos alunos, a atracção geográfica que a escola exercia e a disposição afectiva com que os candidatos chegavam ao estabelecimento de ensino.

Procurava-se uma caracterização dos alunos que ingressavam no sistema escolar e um perfil do candidato que acedia ao Sistema de Ensino Superior Politécnico através da Escola Superior de Tecnologia de Viseu (ESTV).

A informação recolhida permitiu verificar que a estrutura etária dos nossos alunos se revela jovem, maioritariamente do sexo masculino (58%)., onde a variação de curso para curso é irrelevante e só se invertendo nos cursos de Gestão, Madeiras e Ambiente. Observa-se que os cursos com a média de entrada mais jovem são os cursos de Sistemas e Informática e de Electrotecnia. O facto é contudo pouco relevante uma vez que a estrutura é semelhante para todos os cursos. De qualquer modo onde se observa uma dispersão de idades maior é no curso de Gestão.

A proveniência dos alunos matriculados revela uma concentração geográfica bastante nítida à volta dos concelhos periféricos a Viseu. Essa atracção é mais nítida nos cursos de Gestão, Electrotecnia e Civil. A dispersão é maior nos cursos de Madeiras e Sistemas Informáticos. Os alunos da ESTV, apesar de provirem maioritariamente do Distrito, não deixam de atrair alunos doutras regiões, nomeadamente da região litoral Norte e Centro.

O curso com mais alunos matriculados é o curso de Gestão de Empresas com 86 alunos e o curso com menos alunos matriculados o de Sistemas e Informática.

A proveniência de ensino no acesso aos cursos oferecidos pela ESTV revela uma tendência clara de acesso a partir do ensino secundário, via normal. Os cursos técnico profissionais do Ensino Secundário, sendo uma segunda forma de acesso, não mostra um peso significativo mesmo nas Engenharias. O curso onde a proveniência dos cursos técnico profissionais do Ensino Secundário é mais acentuada é em Engenharia de Sistemas e Informática (33%), tendo algum peso ainda em Gestão, Electrotecnia e Mecânica.

Frequência das Específicas em %

Matemática

Física

3 Específica

Gest. Emp.

82.56

2.33

66.28

Gest. Cmc. Prod.

85.29

5.88

73.53

Eng. Civil

87.30

84.13

11.11

Eng. Sist. Inf.

90.48

90.48

9.52

Eng. Elect.

85.19

83.33

7.41

Eng. Madeiras

80.30

16.67

66.67

Eng. Mecânica

79.55

77.27

13.64

Eng. Ambiente

78.05

7.32

80.49

 

No que se refere à relação afectiva com o curso e com a escola, a maioria declara estar a inscrever-se no curso desejado. As excepções provêm do curso de Eng. de Madeiras e Eng. do Ambiente onde uma percentagem muito significativa parece desejar o curso de Farmácia. Os cursos onde os alunos parecem mais bem integrados são os de Civil, Electrotecnia e Mecânica.

Os alunos que não estão na escola desejada declaram como motivo principal o facto de não terem obtido a classificação suficiente para ingressarem noutra escola, eventualmente noutro curso. As razões de natureza económica constituem apenas, na opinião dos alunos, motivos residuais de insucesso na colocação.

Espera-se que este relatório, efectuado com base nos "Inquéritos aos novos Alunos" possa servir os objectivos para que foi criado. A análise aqui apresentada perseguiu apenas critérios de objectividade e procurou apenas construir mais um documento interno de avaliação. As conclusões de natureza educativa, pedagógica ou científica deverão, se necessárias, ser tomadas pelo Conselho Científico. Deseja-se que o trabalho possa ter continuidade, ou que, nessa impossibilidade, possa influenciar trabalhos futuros mais estruturados e profundos.

* Professor-Adjunto da ESTV

1 Grupo de trabalho constituído pelos docentes, Eng. Francisco Francisco, Dr. José Martins e Eng. Rui Bebiano. Estes docentes são igualmente autores deste artigo.

SUMÁRIO