Esta secção deste número da Millenium pertencia, conforme tinha sido planeado e acordado, à Área Científica de Educação Física da Escola Superior de Educação. Por razões que não conhecemos, foi impossível a essa Área Científica cumprir tal tarefa. Fomos, por isso, solicitados para nos incumbirmos desta secção, o que aceitámos. Eis porque a responsabilidade da Educação, Ciência e Tecnologia, desta vez, é da Área Científica de Ciências da Educação.

Apresentamos dois trabalhos. O primeiro resulta de um projecto de investigação em que estamos envolvidos. Pretendemos caracterizar a Escola Superior de Educação e saber "Quem somos?", a partir de dois vectores principais: o primeiro respondendo à questão "Quem são os nossos alunos?", caracterizando, deste modo, a população discente da ESEV, querendo saber quem a procura, de onde vem, e porque a procura. O segundo vector de caracterização, visa, fundamentalmente, responder às questões: "Que formação proporciona a Escola Superior de Educação e como a proporciona?" Já demos conta deste estudo e das suas intenções na Millenium (cf. Millenium nº 6, 1997, p. 130).

Por razões que se prendem, sobretudo, com a disponibilidade de tempo dos docentes que integram a equipa de investigação, que assumiu a responsabilidade de levar a bom termo este projecto, tivémos que o fasear temporalmente. Situamo-nos, neste momento, no fim da primeira etapa desta pesquisa, dando agora a conhecer os seus resultados.

Como já se disse, neste estudo, que constitui apenas uma parte, a primeira, de um estudo mais vasto, apresentamos algumas das conclusões, aquelas que considerámos mais significativas, tendo em vista o objectivo geral que formulámos: caracterizar a população discente que frequenta a ESEV. Atendendo a que esta ESE de Viseu possui um Pólo em Lamego, entenda-se por população discente todos os alunos da Formação Inicial que a frequentam, seja em Viseu seja em Lamego. Como já referimos, este estudo incide apenas sobre os alunos da Formação Inicial, tendo dele sido excluídos, deliberadamente, os alunos que frequentam a Profissionalização em Serviço, CESEs e Acções de Formação Contínua.

Quanto ao segundo grupo de textos apresentado, insere-se ele noutra das linhas das nossas preocupações: o tema do currículo. É neste âmbito que temos desenvolvido muito do nosso trabalho, quer dentro da Instituição a que pertencemos, quer em colaboração com outras instituições, quer respondendo a solicitações de Escolas Básicas e Secundárias e de Centros de Formação de Professores, sobretudo, a propósito do recente Projecto Ministerial Reflexão Participada Sobre os Currículos do Ensino Básico.

 

CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO DISCENTE DA ESEV

 

QUEM SÃO E QUE PRETENDEM

 

Mª Fernanda Gonçalves *

Mª de Jesus Fonseca **

Álvaro Bonito ***

Ana Maria Mouraz ****

 

Introdução

 

A investigação de que damos conta insere-se num projecto longitudinal que pretende conhecer e reflectir sobre as Culturas de Aprendizagem que esta Escola proporciona aos seus alunos. É evidente que nem a influência que a Escola tem se exerce sobre todos da mesma forma, nem os alunos querem dela as mesmas "coisas". Daí o plural culturas.. Certamente esta pluralidade começa, desde logo, em questões que se prendem com a identidade dos alunos que frequentam a Instituição e que, ano após ano, a vão modelando. O traço primeiro do perfil de uma Escola é a identidade dos seus utentes, manifesto depois, nas expectativas com que exigem que ela desempenhe as suas tarefas. É, pois, pertinente que a Instituição encare esta prática de reflectir sobre o seu público como elemento e condição de melhoria de qualidade do serviço que lhe presta.

Estas considerações justificam a etapa , agora percorrida, do projecto. Eram seus objectivos conhecer os alunos, numa perspectiva mais objectiva de saber o seu sexo, a pirâmide etária por que se distribuem, a sua origem geográfica, o padrão das suas deslocações à residência familiar, o modo como resolveram o problema do seu alojamento, enquanto estudantes, na crença que todas estas condicionantes são determinantes para quem se decide "pegar de caras" um Curso Superior. Além disso é, entendemos, do interesse da Escola, saber qual é a sua zona de influência e se o pendor regionalista com que foi criada a transformou de facto em motor de desenvolvimento dos recursos humanos da região, ou se continua a ser vista como uma 2ª escolha , de recurso, em contraponto à Universidade.

Depois quisemos saber outros dados acerca dos alunos e que vão, decisivamente, marcar a relação que estabelecem com a Escola e depois com a profissão, para que esta os prepara. Falamos das escolhas e respectivas razões que os trouxeram ao curso que frequentam e a esta Instituição. Finalmente quisemos saber o modo como encontraram , até agora , resposta às suas expectativas. Não se trata, com esta questão de classificar a ESEV, mas tão somente de avaliar a conformidade das suas práticas às representações que os alunos têm sobre ela.

Recolha de Dados

Instrumento e procedimentos

Tendo em consideração os objectivos do estudo, pensámos ser necessário ter uma representação exaustiva dos alunos da ESEV, quer na escola sede, quer do pólo de Lamego. Daí que tenhamos elaborado um questionário que incluímos no processo de matrícula. Esta estratégia veio a revelar- se menos eficaz do que prevíramos, já que houve alguns alunos que se recusaram a preencher o inquérito (talvez porque não estavam devidamente esclarecidos quanto aos seus objectivos) e outros que o preencheram incorrectamente.

O questionário teve como modelo a 1º parte de um outro, já administrado em 1995/96 e que deu início a este projecto sobre as culturas de aprendizagem.

O inquérito continha 3 blocos : um relativo a dados sobre os inquiridos; outro sobre as escolhas e respectivos motivos acerca do curso e da escola , onde incluímos uma questão para averiguar a satisfação das expectativas. Um terceiro bloco destinava -se a investigar a origem geográfica e as condições de estadia. As perguntas incluídas eram fechadas ou de cafetaria, à excepção das duas que se destinavam a averiguar as razões de escolha do curso e da Escola, que eram abertas. As dificuldades maiores no preenchimento situaram-se na pergunta sobre a satisfação das expectativas, que não se destinava, obviamente, aos alunos do 1º ano, mas que foi respondida por alguns destes, e no entendimento que os alunos fizeram de residência habitual, embora se tivesse incluído o sentido que lhe iríamos atribuir. Finalmente, alguns alunos não responderam à questão sobre o alojamento, talvez porque tivessem pensado que era questão apenas para ser respondida pelos deslocados. A fazer de novo a investigação em anos próximos, teremos que indicar ,com maior precisão e detalhe, quem responde a quê .

1. Quem são os nossos alunos?

Para caracterizar a população discente que frequenta a Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV) quisémos saber, entre outras coisas, como é que essa população se distribui por sexo e que idade tem.

No quadro seguinte apresentam-se, por curso, o número total dos alunos inscritos, o número de alunos que responderam ao inquérito e como se repartem por sexo1. Igualmente se apresenta o número total dos alunos inscritos e dos alunos respondentes, bem como o número total de alunos do sexo masculino e do sexo feminino.

Quadro 1

Distribuição da população discente da ESE por sexo

Alunos

Cursos

Inscritos

Respondentes

%

Sexo Masculino

%

Sexo Feminino

%

Port.Francês

a)

96

90

93,8

11

12

79

88

Port.Inglês

b)

232

221

95,3

40

18

180

81

Mat.Ciências

a)

149

140

94

34

24

106

76

EVT

a)

115

96

83,5

34

35

62

65

Ed. Física

b)

202

167

82,7

121

72

46

28

Prof.1ºCEB

b)

124

110

88,7

18

16

92

84

Ed.Infância

b)

93

79

84,9

3

4

76

96

Com.Social

a)

113

103

91,2

34

33

69

67

TOTAL

1124

1006

89,5

295

29

710

71

 

a) Os cursos de Formação de Professores do 2º Ciclo do Ensino Básico de Português/Francês e de Educação Visual e Tecnológica só funcionam na ESE de Viseu. O curso de Comunicação Social também só funciona em Viseu, sendo o único curso desta Instituição que, evidentemente, não é um curso de Formação de Professores, mas sim um curso de Formação de Profissionais de Comunicação Social. Igualmente se esclarece, desde já, que os dois primeiros cursos acima referidos têm a duração de quatro anos e concedem o grau de Licenciatura e o último, com a duração de três anos, concede o grau de Bacharelato.

b) Todos os cursos assinalados funcionam actualmente quer na ESE de Viseu quer no seu Pólo de Lamego. De salientar contudo que:

1. Os cursos de Português/Francês e Educação Física são cursos com quatro anos de duração e concedendo Licenciatura.

2. Os cursos de Formação de Professores para o 1º Ciclo do Ensino Básico e o curso de Educadores de Infância são cursos de três anos e oferecem o grau de Bacharelato.

3. O curso de Português/Inglês funciona em Viseu e em Lamego em todos os seus anos, isto é, quatro anos.

( O curso de Educação Física funciona em Viseu em todos os seus quatro anos, mas em Lamego só se encontram em funcionamento os três primeiros anos do curso.

( Quanto ao curso de Formação de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico funciona em Viseu em todos os seus três anos, mas em Lamego só se encontra a funcionar o primeiro ano.

( No curso de Educadores de Infância a situação é a contrária, isto é, o curso encontra-se a funcionar em Lamego nos seus três anos de duração, mas em Viseu só funciona o primeiro ano.

Uma análise sumária do quadro evidencia que, de um universo de 1124 alunos, tantos quantos efectivamente se inscreveram na ESEV e seu Pólo de Lamego, responderam ao inquérito 1006 alunos, pelo que este último número constitui o efectivo da amostra. Significa isto que 89,5% da população discente desta instituição respondeu ao inquérito, considerando-se que é uma percentagem muito significativa de respostas, face a 10,5% que não responderam. Pode, portanto, considerar-se que os resultados obtidos são representativos de toda a população.

Desta amostra, verifica-se que 295 alunos são do sexo masculino e 710 do sexo feminino2. Dada a representatividade da amostra face à população, considera-se, evidentemente, que a distribuição por sexos respeita essa representatividade, pelo que podemos concluir que a população que frequenta esta escola, incluindo o seu Pólo, é maioritariamente feminina3, já que, dos respondentes, 29% são do sexo masculino e 71% do sexo feminino. De notar que, do 1º ao 4º ano de cada um dos cursos, à excepção de um, a percentagem da população feminina suplanta sempre a da masculina, havendo mesmo casos em que essa percentagem atinge os 100%, como é o caso do 2º ano do curso de Educadores de Infância em Lamego. Aliás, este é o curso que atinge, entre todos, a maior percentagem de população feminina.

Se tivermos em conta que todos os cursos presentemente a funcionar nesta instituição, excepto um, o de Comunicação Social, se dirigem ao ensino, igualmente podemos concluir que tais resultados apenas parecem vir confirmar a tendência para a progressiva feminilização da profissão docente, que muitos outros estudos têm assinalado.

Mesmo o curso de Comunicação Social, único que não tem em vista o exercício da profissão docente é também maioritariamente procurado e frequentado por uma população feminina.

Nos cursos de Formação Inicial de Professores, mais conhecidos, perante o vulgo, por cursos da Via de Ensino, apenas o curso de Educação Física é excepção a esta regra da feminilização, já que a maior parte da sua população é masculina, sendo 121 os alunos do sexo masculino e 46 os do sexo feminino. De salientar que em todos os anos deste curso se mantém esta situação, isto é, há sempre mais rapazes que raparigas. Esta excepção não é, contudo, surpreendente e pode provavelmente explicar-se pela natureza/especificidade do curso, bem como pelo peso da tradição, já que é ideia corrente que se trata de um curso e de uma profissão, até pelo esforço físico que lhe é inerente, próprios para a virilidade do chamado sexo forte.

A este propósito, não conseguimos resistir à tentação de ir verificar como se repartem por sexo os actuais docentes deste curso nesta instituição. Foi sem espanto, nem sobressalto que concluímos que a tradição ainda é o que era: dos 16 docentes do curso de Educação Física, 12 são do sexo masculino e 4 do sexo feminino, repartindo-se, igualmente, por Viseu e por Lamego (6 discentes do sexo masculino e 2 do sexo feminino em Viseu, exactamente o mesmo número em Lamego). Em termos percentuais, 75% dos docentes são do sexo masculino, o que não anda longe dos 72% da população discente masculina.

2. - Quanto à idade, a ESEV e seu Pólo são frequentadas por uma população jovem4, conforme se constata pela média absoluta de idades de todos os respondentes em todos os anos e cursos, que é de 22,58 anos - ver quadro nº 2

Quadro 2

Médias etárias

Anos

 

Cursos

1º ano

2º ano

3º ano

4º ano

Média absoluta por curso

Port. Francês

21,85

22,71

22,65

25,05

23,06

Port. Inglês

21,5

21,1

23,4

23,9

22,26

Mat. C.N.

21,83

21,56

22

23,63

22,26

Ed. Física

21,05

21,3

23,49

24,43

22,57

EVT

22,62

23,68

26,33

24,48

24,28

1º C E B

21,25

22,45

22,45

-

22,05

Ed. Infância

20,15

20,02

20,24

-

20,14

Com. Social

26,4

22,67

22,46

-

23,84

Média Absoluta por Ano de Curso

 

22,08

 

21,94

 

22,88

 

24,30

 

-

Média Absoluta

 

 

22,58

 

 

 

O curso mais jovem é o de Educadores de Infância onde, curiosamente, em cada um dos anos do curso, a média de idades se situa nos 20 anos, sendo a média de idades do curso, nos seus três anos, de 20,14 anos, a mais baixa de todos os cursos.

O curso de Educação Visual e Tecnológica é o mais envelhecido, apresentando a média global de idade mais alta de todos os cursos, 24,28 anos. Exceptuando o seu primeiro ano, cuja média etária é 22,62 anos, em todos os outros anos, o curso apresenta uma média de idades superior relativamente a todos os outros cursos. Mesmo no primeiro ano, este curso só é suplantado por outro, no que diz respeito à idade média dos seus alunos, constituindo-se, assim, no segundo curso em que a média de idades é mais elevada.

O outro caso que salta que à vista é o do curso de Comunicação Social, o qual, apenas no seu primeiro ano, apresenta a média de idade mais elevada (26,40 anos), se a confrontarmos com a média de idades de todos os outros primeiro anos. Em termos globais, este curso é o segundo menos jovem da escola, com uma média de idades de 23,84 anos, só sendo ultrapassada, como já se disse, pelo curso de Educação Visual e Tecnológica.

Se cruzarmos estes dados com as respostas obtidas às questões Quais as razões para a escolha do Curso e da Instituição que está a frequentar?, não podemos deixar de notar a sua congruência e de encontrar aí algumas explicações. Assim, 27% dos alunos do 1º ano de Educação Visual e Tecnológica apresentam como razão para a escolha do curso o facto de "ter saídas profissionais", embora no total do curso essa percentagem desça para 15%. Também no total, 2% dos alunos deste curso referem "a progressão na carreira" como motivação. Ascendem a 6% os alunos de EVT que referem "poder trabalhar e estudar ao mesmo tempo", como razão para a escolha da Instituição.

No curso de Comunição Social são 18% os que preferiram o curso porque "tem saídas profissionais". Contudo, esta percentagem ascende a 21% e a 23% nas respostas do 1º e do 2º anos, respectivamente. Apresentam como motivação para a escolha do curso "a progressão na carreira" 15% dos alunos de Comunicação Social. Nas respostas dos alunos do 1º ano esta percentagem situa-se nos 14% e nos do 2º ano sobe para os 20%.

Neste curso, sabemos que o 1º ano é o que tem mais trabalhadores estudantes, os quais, com certeza, procuram um curso superior que legitime o seu exercício profissional. Por isso, não admira que 14% dos alunos do 1º ano responda que o "poder trabalhar e estudar ao mesmo tempo" foi razão determinante para a escolha da Instituição que frequentam. Esta percentagem baixa para 10% no total das respostas deste curso a este item.

3 - Não sabemos ao certo, nem em cada caso singular, nem no global da população estudantil, quais são os factores que condicionam ou determinam as suas opções académicas, das quais decorrem, em boa parte, as opções de carreira ou ocupações profissionais. Sabemos que os contextos sociais e económicos são decisivos nos numerosos fios com que se constrói a teia dentro da qual o indivíduo, cada uma das pessoas, gere e orienta as suas escolhas. Estamos longe de poder dizer que a "vocação" - qualquer que seja a tradução operatória deste conceito, é o factor primeiro na decisão de entrada no Ensino Superior. Os candidatos habituaram - se a equacionar os seus interesses em relação com as possibilidades reais de ingresso, para já não falar no jogo de equilíbrio dos custos. É por isso que julgamos que nesta consulta aos alunos da ESEV, para além de saber se o Curso e a Escola em que se encontram correspondem, ou não, à sua 1ª escolha , tentamos aclarar os motivos que os levaram a fazê-la. Noutros pontos do inquérito podemos averiguar o grau de satisfação que manifestam e os juízos que fazem sobre a decisão tomada na fase de acesso a um curso superior .

O quadro seguinte regista, em síntese, as respostas obtidas à pergunta: "Quando se candidatou ao Ensino Superior, qual foi a sua 1ª escolha, no que respeita ao Curso e à Instituição ? "

Escolhas

 

Cursos

Foi a sua 1ª escolha

(%)

A 1º escolha foi outro curso

(%)

A ESEV foi a 1ª escolha

(%)

A 1ª escolha foi outra instituição (%)

Port. Francês

78

18

67

29

Port. Inglês

81

12

65

29

Mat. C.N.

58

39

68

27

Ed. Física

96

3

56

35

EVT

63

32

60

32

1ºC E B

68

30

68

25

Ed. Infância

53

44

58

35

Com. Social

74

21

64

30

Totais

74

22

63

30

 

Podemos ver que, globalmente, o curso em que se encontram representa a 1ª escolha para 74% dos alunos, O número pode ser animador, se isso tiver correspondido a uma opção real. Para 22% a 1ª escolha foi um curso diferente. Veremos, na análise de outros dados, se a "opção de recurso " veio a revelar-se gratificante ou não; se o efeito "modelador" da instituição veio, ou não, a criar novas motivações e a provocar adesão intrínseca a uma via de formação (profissionalizante), que não era, ao princípio, a mais desejada. Em alguns cursos, a análise desta resposta, por anos escolares, mostra índices mais elevados de escolha prioritária nos últimos anos, que nos primeiros 5. Como os dados nacionais indicam que o número de colocações na 1ª escolha feita pelos alunos tem aumentado, ou teremos aqui algumas excepções, ou então, o grau de satisfação nos últimos anos levou a esquecer que não seria "bem isso" o que se queria no início. No entanto a análise da evolução das expectativas não confirma bem esta tese, como veremos. O conhecimento desta opção, e da disposição dos alunos em relação ao curso é muito importante na formação de professores, porque, provavelmente, é necessário discutir com os alunos estes factores de modo a criar uma boa relação com a formação que se pretende proporcionar e, muito mais, com a profissão em que , norma geral, vai ingressar quem faz um curso destes.

É sabido quanto a motivação interfere na aprendizagem e por isso, para os formadores, o conhecimento destes dados está longe de ser indiferente.

O quadro já referido inclui também as respostas dadas à pergunta sobre a escolha da instituição a que se candidataram. Este dado é, julgamos nós, menos importante que o da escolha do Curso. A percentagem de opções pela escola é, em geral, inferior ao das escolhas prioritárias do curso. Daqui não podemos inferir juízos sobre a ESEV. Em muitos casos a escolha da instituição é determinada por razões de localização geográfica que se prendem com questões de ordem económica e de proximidade familiar. Vemos isso quando os alunos apontam as razões de escolha da ESEV e, por isso, é de admitir que o mesmo se passa no que respeita a outras instituições. Não pode, no entanto, deixar de referir-se que há um número razoável de alunos que escolheram em 1º lugar instituições universitárias, ou Escolas de grandes centros urbanos.

A tendência de baixar o número de escolhas, quando se passa do Curso para a Instituição, não se confirma no caso do curso de Matemática /Ciências da Natureza. Pode acontecer que isso se deva ao elevado número de transferências que ocorrem da Escola Superior de Tecnologia para este Curso da ESEV. Os alunos, na indicação da Instituição referem muitas vezes, como é normal, o Instituto Politécnico e não a Escola específica. Nesse caso eles não optaram em primeiro lugar pelo Curso, mas optaram pela Instituição - IPV.

No curso de Educadores de Infância há também uma ligeira diferença neste mesmo sentido. Aqui a hipótese explicativa não pode ser a mesma. A opção, independentemente das razões, terá sido expressamente esta Instituição ou esta cidade.

3.1.Categorizámos as respostas à questão: "Que razões tem para a escolha do Curso que está a frequentar" ?, de acordo com o que está indicado no quadro seguinte.

Razões

 

 

 

Cursos

Interesse por esta área

 

(%)

Vocação para o curso

 

 

(%)

Querer ser professor

 

 

(%)

Ter saídas profissionais

 

 

(%)

Poder melhorar a situação profissional

(%)

Ter um curso superior

 

(%)

Port. Francês

76

20

26

3

6

4

Port. Inglês

19

79

38

10

 

4

Mat. Ciências

63

7

34

14

1

3

Ed. Física

78

26

26

14

2

1

EVT

76

16

27

15

2

7

1ºC E B

50

26

32

19

2

5

Ed. Infância

71

29

6

6

 

4

Com. Social

75

75

 

18

15

6

Totais

33

59

26

13

3

4

 

Podemos dizer que há aqui razões de ordem intrínseca e de ordem extrínseca.

No primeiro caso incluímos as que estão registadas nas três primeiras colunas do quadro. A distinção entre "interesse pela área" e "vocação" foi feita do seguinte modo: incluímos na categoria "vocação" as respostas que utilizavam explicitamente este termo , ou as que se referiam ao curso como "um sonho" que se pretendia realizar. Quando as respostas eram dadas em termos de "gosto desta matéria, desta área de estudo ou deste campo de actividade" incluímos em "interesse pela área". Havia muitos casos em que se referia o gosto por trabalhar com crianças ou explicitamente por "querer ser professor". Há um peso acentuado nestas razões de ordem intrínseca, o que associado às respostas de 1ª escolha, pode fazer crer que um elevado número de alunos se encontra numa área que corresponde verdadeiramente aos seus interesses e expectativas profissionais.

É menor o peso das razões de ordem extrínseca, embora a ideia de ter emprego no final do curso não deixe de ser uma preocupação e factor de alguma importância na decisão. A Escola tem um número significativo de trabalhadores estudantes . Isso pode explicar o facto de alguns virem à procura de uma qualificação de nível superior, quando já estão empregados, ou à procura de graus académicos que lhes permitam progredir numa carreira em que já se encontram. Compreensivelmente, este tipo de respostas é mais elevado no Curso de Comunicação Social, porque muitos profissionais dessa área vêm agora procurar quer aprofundamento, quer a legitimação de alguns saberes que a prática lhes proporcionou.

3.2. Embora nos pareça mais importante a escolha do curso que a da instituição, onde o mesmo se processa, não deixa de ser verdade que a própria Escola, pela sua imagem, pela sua qualidade real, ou por outras condições, é determinante na formação que proporciona e, por certo, motivo de atracção ou de recusa para os potenciais candidatos.

Inquiridos os nossos alunos sobre as razões pelas quais escolheram a ESEV / ISPV, nos casos em que isso efectivamente aconteceu, as respostas não trazem grandes surpresas.

Cursos

 

Razões

Port. Francês

Port. Inglês

Mat. Ciências

Ed. Física

 

EVT

 

1ºCEB

Ed. Infância

Com. Social

 

Totais

Proximidade da residência habitual

(%)

 

54

 

67

 

71

 

54

 

70

 

74

 

62

 

69

 

65

Razões económicas

(%)

 

10

Sem(6) valor próprio

 

6

 

3

 

5

 

5

 

8

 

2

 

4

Ter amigos na Escola ou na cidade

(%)

 

2

 

4

 

3

 

1

 

1

 

3

 

3

 

1

 

2

Poder trabalhar e estudar

(%)

 

3

 

1

 

2

 

2

 

6

 

5

 

0

 

10

 

3

A fama da Escola

(%)

 

7

 

14

 

18

 

7

 

13

 

17

 

11

 

9

 

12

Acessibilidade das médias de entrada

(%)

 

9

 

17

 

15

 

16

 

11

 

9

 

20

 

6

 

14

Currículo do curso

(%)

 

10

 

6

 

1

 

20

 

10

 

3

 

3

 

6

 

8

Nº de diplomados com sucesso

(%)

 

4

 

 

2

 

1

 

2

 

3

 

3

 

0

 

2

Ambiente

da Escola

(%)

 

6

 

 

6

 

6

 

6

 

10

 

8

 

4

 

6

Por acaso

(%)

18

2

0

3

0

4

3

6

4

 

É notório que o principal motivo de escolha é a proximidade em relação à residência habitual ou familiar (65%, em média). Isto dá à ESEV um pendor regionalista, embora seja frequentada por alunos de diversos pontos do país, como se verá mais adiante. A esta razão, da proximidade geográfica, podemos juntar outras que lhe são afins. Estão neste caso os motivos de ordem económica como sejam: "custo da estadia" e "poder trabalhar e estudar simultaneamente". O peso maior das motivações apresentadas situa - se aqui.

Porém , são de destacar também algumas razões inerentes à própria escola enquanto instituição de formação, tanto mais quanto a sua história é relativamente recente7.

Aparecem 12% dos alunos a referir "a fama da Escola " (supõe-se que positiva), 6% referem o seu "ambiente" e 8% valorizam os currículos dos diversos cursos que, naturalmente, são do seu conhecimento directo ou resultam de informação por via indirecta, através de outros que aqui se formaram8. Esta via de informação não é de desprezar, uma vez que 2% afirmam que a razão porque vieram para esta Escola se prende com o facto de cá terem, ou já terem tido, amigos ou conhecidos. É curioso notar que a percentagem de alunos com êxito escolar - o número de entradas comparado com o número de saídas de diplomados - é um aspecto importante para 2% dos alunos que responderam ao inquérito. Este dado pode ser lido de diversas maneiras, e também não esquecemos que 14% dos respondentes dizem ter esta Escola uma razoável acessibilidade nas médias de entrada. As condições de ingresso precisam, pelo menos em alguns cursos, de ser revistas. Porém, o trabalhar para o sucesso real dos alunos, desde que haja correspondência da parte destes, é uma filosofia que perfilhamos. Por todos os modos que a acção pedagógica abranja, tentamos ser eficazes na nossa acção de docentes / formadores. É esta uma ideia que queremos veicular e que procuramos reforçar, ainda que seja apenas pela via do currículo oculto.

3.3. Perguntámos aos alunos se hoje confirmariam, ou não as escolhas que fizeram, quer quanto ao Curso, quer quanto à Escola. Não considerámos na análise das respostas, os alunos do 1º ano, uma vez que os inquéritos foram respondidos no acto da matrícula e , portanto, a pergunta para eles não faria sentido.

Também não separámos aqui os que não escolheram em primeiro lugar o Curso em que se matricularam, nem os que teriam preferido, em 1ª opção , outra Escola. As respostas envolvem portanto todos os respondentes do 2º ao 4º anos. A sua vivência do Curso na Instituição podia modificar, para melhor ou para pior, o que era a sua pré-disposição no momento de entrada. Acreditamos também que as razões para confirmar, ou não, a escolha de um curso, podem estar agora mais condicionadas pela hipótese de emprego à saída do mesmo . Por outro lado, a confirmação da escolha da Escola pode ter a ver, não só com as condições desta, mas também com a comparação feita com outras, nomeadamente no que diz respeito a prestígio ou às médias de classificação final atribuídas.

Conf. Escolha

Curso

Curso

Curso

Escola

Escola

Escola

 

 

Cursos

Sim

 

(%)

Não

 

(%)

Não responde

(%)

Sim

 

(%)

Não

 

(%)

Não responde

(%)

Port. Francês

39

30

32

47

35

18

Port. Inglês

79

15

6

78

20

2

Mat. Ciências

76

15

9

76

20

4

Ed. Física

82

7

11

72

18

11

EVT

80

14

6

80

17

3

1ºC E B

75

18

7

86

11

2

Ed. Infância

85

12

3

70

24

6

Com. Social

63

28

8

53

35

12

Totais

74

16

10

72

22

6

 

A confirmação da escolha do curso, nos dados que obtivemos, é relativamente alta, uma vez que 74% dos alunos voltaria hoje a inscrever-se no mesmo. A excepção a esta regra ocorre no curso de Português/Francês onde encontramos 39% de respostas positivas e 30% de respostas negativas, contra 32% de ausências de resposta. Precisaríamos de saber os motivos desta hesitação ou recusa em responder, para podermos interpretar melhor o sentir dos alunos deste curso. Também no curso de Comunicação Social há 28% que não confirmariam hoje a escolha do curso.

Quando analisadas só respostas provindas do Pólo de Lamego, as relativas ao Curso de Educação de Infância, as percentagens sobem significativamente (85% afirmativos; negativos 12%; e muito poucos não respondem - 3%. No entanto estes dados dizem respeito apenas a 28 alunos.

Quanto à Escola e à confirmação da sua escolha, os números equiparam - se ao que se diz do Curso, pelo menos no que concerne à resposta afirmativa. Exceptuam -se os casos dos Cursos de Português/ Francês e do 1º CEB, em que a percentagem é maior na confirmação da Escola. Nos cursos de Educação de Infância, Educação Física e Comunicação Social, constata- se uma perda de 10 pontos percentuais em relação aos resultados obtidos para a confirmação do Curso. São 72% os que confirmam a escolha da Escola e 22% os que a recusam, notando - se um aumento quase geral das respostas negativas relativamente à Escola, quando comparadas com as respostas negativas dadas ao Curso.

4.- Uma outra questão que procurámos indagar, foi a de saber algo sobre as expectativas dos alunos ao longo do curso. Para isso foram-lhes colocadas as seguintes perguntas:

- As suas expectativas iniciais confirmaram-se? Sim/Não/Em parte

- As suas expectativas iniciais modificaram-se? Para melhor/Para pior

É óbvio que as respostas a estas questões não são objectivas, já que por expectativas se podem considerar todo um conjunto de indicadores cujo grau de objectividade/subjectividade é variável de pessoa para pessoa. Se elas podem depender em grande parte das projecções pessoais, das impressões, das afectividades, das aproximações ou afastamentos ao pensado ou imaginado, o que as torna muito subjectivas, podem também manifestar algo de mais objectivo, como por exemplo as características do curso, o seu valor formativo, o seu grau de dificuldade, a importância dos conteúdos, a natureza e qualidade do trabalho pedagógico, o apreço pelo corpo docente ou, até, o gosto pela escola e pelo seu ambiente, entre outras coisas.

Como não foi nossa intenção procurar aprofundar essa objectividade, coube a cada aluno responder de acordo com os aspectos que considerou mais relevantes e motivadores da sua resposta.

Mas deixando de lado estas reflexões, vejamos como estão organizados os dados. No quadro seguinte, podemos observar as respostas obtidas em cada Curso/Ano em relação a cada uma das perguntas propostas (valores absolutos e percentagens). Nele estão igualmente indicados os valores globais por item/curso, assim como os valores de síntese global, para todos os cursos e para cada um desses mesmos itens.

 

Esta informação foi depois traduzida em gráficos (por curso em valores percentuais) de modo a facilitar a observação e a análise dos resultados obtidos. A síntese global aparece num gráfico final de modo a permitir avaliar a situação média das respostas encontradas.

Assim, e em relação à primeira questão proposta (As suas expectativas iniciais confirmaram-se?) podemos verificar o seguinte:

- que a percentagem de respostas "sim" é muito significativa no 2º ano, com valores superiores a 50% nos cursos do 1º Ciclo do Ensino Básico (1ºCEB), Educadores de Infância (Ed.Inf.), Educação Visual e Tecnológica (E.V.T.) e Educação Física (Ed.Fís.), e com valores entre os 40 e 50% nos cursos de Português/Inglês (P/I), Português/Francês (P/F) e Matemática/Ciências (M/C). Os valores mais baixos registam-se no curso de Comunicação Social com apenas 7%. Estas percentagens, em termos gerais, são mais baixas no 3º ano, com excepção do curso de P/I. Esta tendência, que poderíamos considerar geral, mantém-se no 4º ano, excepto para os cursos de 3 anos (1º C.E.B. e Ed. Inf.).

 

 

- a percentagem de respostas "não" é globalmente baixa (<10%) nos cursos de E.V.T., 1º C.E.B., Ed. Inf. e P/I, mas tendo algum significado nos cursos de P/F (3º e 4º ano), Ed. Fís. (3º ano) e M/C (4º ano). Só no curso de C. S. a percentagem do "não" adquire uma maior expressão, não só no 2º ano (17%) como principalmente no 3º ano (64%).

- as respostas "em parte" apresentam valores significativos em todos os cursos, embora com alguma variabilidade de curso para curso. Assim, enquanto que para o P/I, P/F e Ed. Fís. as percentagens mais elevadas se concentram no 4º ano, para os cursos do 1º C.E.B., Ed. Inf., E.V.T. e M/C essa concentração ocorre no 3º ano e para o curso de C.S. no 2º ano.

- recorrendo ao gráfico de síntese global podemos verificar que é o "em parte" que recolhe o maior número de indicações (49%) enquanto que o "sim" recolhe 39% o "não" 11% sendo a percentagem de "não respondentes" de apenas 1%.

Dos resultados obtidos e das observações já constatadas ressalta ainda, em termos de síntese, o seguinte:

1- os valores mais elevados do "sim" em relação ao "em parte" registam-se no 1º C.E.B. (55%/45%), na Ed. Inf. (52%/48%) e na E.V.T. (51%/44%);

2- o equilíbrio entre o "sim" e o "em parte" regista-se no curso de Ed. Fís. (46%/45%) e no de P/F (39%/40%);

3- os valores mais elevados do "em parte" em relação ao "sim" registam-se nos cursos de P/I (39%/ 54%) e M/C (28%/56%);

4- a maior predominância do "em parte" ocorre no curso de C.S. (55%) onde o "não" regista 37% e o "sim" apenas 7%. Este é também o curso com maior percentagem de respostas "não" (37%);

5- como tendência geral podemos verificar que as respostas "sim", mais significativas nos 2º ano, vão transitando para o "em parte" à medida que se aproximam os anos finais dos cursos.

Quanto à segunda pergunta - As expectativas inicias modificaram-se? - vejamos como estão organizados os gráficos para cada um dos cursos. A análise desses resultados permite registar o seguinte:

- a percentagem de respostas que indicam que as expectativas se modificaram para "melhor" é muito significativa. No 2º ano registam-se os valores mais elevados com percentagens a variar entre os 59% e os 77% para quase todos os cursos, com excepção do curso de C.S.

- estes valores vão diminuindo de uma forma gradual no 3º ano excepto no curso de M/C. No 4º ano a percentagem continua a diminuir nos cursos de P/F, M/C e Ed. Fís. enquanto que no curso de E.V.T. e P/I se verifica um ligeiro aumento.

- a indicação de que as expectativas se modificaram para "pior" registam valores com algum significado no 3º ano do 1º C.E.B., Ed. Fís., E.V.T. e P/I, e para o 4º ano de P/F e M/C. Contudo, é no curso de C.S. que este item adquire uma maior expressão, já que é indicado por 43% dos a alunos do 2º ano e 76% dos alunos do 3º ano;

 

 

- em termos médios, e como síntese global, podemos verificar que 51% dos alunos considera que as suas expectativas se modificaram para "melhor", enquanto que 26% acharam que as mudanças se fizeram para "pior" Não responderam a esta questão 23% dos alunos.

 

Ao procurarmos fazer uma síntese global dos resultados obtidos nestas duas perguntas, ressaltam de facto alguns aspectos a ter em conta nomeadamente:

1- o facto de 49% dos alunos globalmente considerarem que as suas expectativas se confirmaram apenas "em parte";

2- o facto de 51% da globalidade dos alunos considerar que as suas expectativas se modificaram para melhor;

3- o facto de as expectativas se terem modificado para "pior" possuir alguma expressão em quase todos os cursos principalmente na C. S., não sendo, contudo, de desprezar o que se passa nos restantes cursos, nomeadamente no P/F e na M/C;

4- a tendência para que o "sim" da confirmação das expectativas, muito significativo nos primeiros anos, se vá esbatendo no 3º e 4º ano e dando progressivamente lugar ao "em parte";

5- que a tendência para o "melhor" em relação à modificação dessas expectativas significativas nos primeiros anos se vão esbatendo de igual modo ao longo dos anos, dando, a pouco, e pouco lugar ao aumento das percentagens no para "pior";

É na realidade a constatação deste fenómeno em relação a estas duas questões que merece, quanto a nós, alguma reflexão, já que não nos parece fácil tirar quaisquer tipo de ilacções com os dados de que dispomos. Será que isso está relacionado com o fim do curso e as expectativas em relação ao mercado de trabalho? Será que tem a ver com a segurança face a essa proximidade? Será que tem a ver com a qualidade da formação obtida? Será que tem a ver com o aumento de exigência na parte final do curso? O que estará de facto, por detrás destas respostas? De momento qualquer tentativa de explicação neste contexto, parece-nos abusiva e até possivelmente mesmo tendenciosa. Contudo, somos de opinião de que a tentativa de obter respostas mais esclarecedoras a estas questões poderá constituir um desafio a colocar numa próxima oportunidade.

 5. De onde vêm?

Origem Geográfica

No sentido de saber se a ESE possui uma forte implantação na região onde se situa e se exerce uma atracção ou influência regional sobre quem a procura, quisémos conhecer a proveniência geográfica dos nossos alunos. A questão Qual é a localidade da sua residência habitual/familiar? foi categorizada da seguinte forma, visível no quadro nº 3.

Residência habitual

 

Residência

Cursos

Viseu/ Lamego

%

Distrito

%

Região

%

Outra

%

Não Responde

%

Port.Francês

28

31

24

27

23

26

11

12

4

4

Port. Inglês

74

33

68

31

56

25

8

4

15

7

Mat.Ciências

32

23

54

39

33

24

10

7

11

8

Ed. Física

42

25

24

14

25

15

32

19

44

26

EVT

32

33

30

31

14

15

11

11

9

9

1º CEB

26

24

34

31

20

18

15

14

15

14

Ed. Infância

18

23

23

29

15

19

18

23

5

6

Com. Social

36

35

23

22

19

18

13

13

12

12

Total

288

29

280

28

205

20

118

12

115

11

 

Dos 891 alunos que responderam a esta questão, 288 são de Viseu ou Lamego (conforme frequentem a ESEV ou o seu Pólo), como podemos verificar pela análise da tabela.

Em termos percentuais, isto significa que 32,3% da população discente reside habitualmente na cidade na qual, igualmente, se situa a escola que frequenta.

Os 280 alunos que, entre os 891 respondentes a este item, declaram residir no distrito de Viseu, correpondem a uma percentagem de 31,5%.

Os 568 alunos respondentes a esta questão, entre os que vivem em Viseu e em Lamego e no distrito, representam 68,3%, valor este que contrasta com os 57% de respondentes ao inquérito, residentes na mesma área geográfica. Mesmo que cofrontemos este número - os 568 respondentes a este item - com o número total de alunos inscritos (1124), obtemos um valor superior a 50%, mais exactamente 50,6%, o que nos permite afirmar que a maioria da população discente da escola reside habitualmente em Viseu e/ou neste distrito.9 Parece, portanto, poder afirmar-se que a ESEV responde, em termos de procura, às solicitações dos residentes no distrito em cuja capital se situa.

Considerámos a categoria Região como correspondente à Região Centro, mas não incluímos aqui, como é óbvio, os que declararam viver em Viseu ou no distrito de Viseu. Os que habitam na Região Centro representam 20% dos inquiridos.

Em Outra, categorizámos todas as respostas que não se incluíam nas categorias anteriores, abrangendo, portanto, todos os residentes fora da Região Centro, isto é, no resto do país, e aí incluímos também os que declararam residir nas Regiões Autónomas, Açores ou Madeira. Esta categoria representa 12% da população respondente. Verificámos que nesta população discente, a que é oriunda da Região Litoral Norte tem um peso muito significativo, enquanto são muito poucos os alunos que provêm da Região Interior Centro e Norte, bem como se contam pelos dedos os que provêm das Regiões Autónomas.10

Se analisarmos globalmente o quadro nº 3, não podemos deixar de constatar que a percentagem dos residentes em Viseu/Lamego é maior nos cursos de Português/Francês, Português/Inglês, Educação Visual e Tecnológica, Educação Física e Comunicação Social. Nestes mesmos cursos, à excepção do de Educação Física, segue-se a percentagem dos alunos que dizem viver no distrito de Viseu, e, à medida que vamos avançando nas categorias, a percentagem vai baixando.

São os cursos de Matemática/Ciências, Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico e Educadores de Infância aqueles em que a percentagem da residência habitual no distrito é maior que a dos habitualmente residentes em Viseu/Lamego.

Se cruzarmos estes resultados com os resultados obtidos às questões Qual é a sua residência durante o tempo lectivo? e Com que periodicidade se desloca à sua residência habitual/familiar? constatamos precisamente que são os alunos destes cursos que apresentam as maiores percentagens relativas à residência em Viseu/Lamego durante o tempo lectivo (83% em Matemática/Ciências, 91% nos Educadores de Infância e 76% nos Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico - ver quadro intitulado Residência no tempo lectivo). São também estes que apresentam as percentagens mais elevadas de alunos deslocados, 60% no curso de Matemática/Ciências, 68% nos Educadores de Infância e 53% nos Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico - ver quadro Deslocados.

É também no curso de Educadores de Infância que encontramos uma maior percentagem (23%) de alunos cuja residência habitual se inclui na categoria Outra. É mesmo o curso que apresenta o maior de todos os valores percentuais nesta categoria. A explicação mais plausível parece a que se prende com o facto de esta Instituição ser uma das poucas instituições de Ensino Superior Público com este curso a funcionar.

Não deixa de saltar à vista o caso do curso de Educação Física em que, a seguir aos alunos que afirmam residir habitualmente em Viseu ou Lamego (25%), o grupo mais numeroso de alunos, que declara residir habitualmente fora da zona de influência da ESEV, e por isso se inclui na categoria Outra, representa 19% dos alunos deste curso. São estes mesmos alunos do curso de Educação Física que respondem que este foi o curso a que em 1º lugar se candidataram (96%) e que apontam como razões fundamentais para a escolha deste curso o "interesse pela área" (78%) e a "vocação" (26%). São também estes os alunos que respondem que esta foi a primeira instituição a que se candidataram quando concorrerem ao Ensino Superior (56%) e que apresentam como razão maior para esta escolha, o "currículo do curso nesta escola" (20%). Estas são tantas outras explicações para o facto de, neste curso, independentemente da lonjura geográfica, as razões que pesaram foram outras.

Contudo, se considerarmos apenas as categorias Residência habitual em Viseu/Lamego e no Distrito facilmente se verifica que, em todos os cursos, (à excepção do de Educação Física), estas são as duas categorias que se apresentam com as percentagens mais elevadas. Exceptua-se, de facto, o curso de Educação Física que se distribui percentualmente na seguinte ordem categorial: Residentes em Viseu/Lamego - 25%; Outra - 19%; Região - 15% e Distrito - 14%. Igualmente, o curso de Educadores de Infância não segue a ordem habital encontrada nos outros cursos, aparecendo a categoria Distrito em primeiro lugar (29%), seguindo-se-lhe ex-aequo as categorias Viseu/Lamego e Outra com 23% e, finalmente, Região (19%). De qualquer forma, parece não restarem dúvidas de que a globalidade dos resultados obtidos permitem afirmar que a ESEV exerce forte atracção e influência regional, sendo o alvo preferencial de uma procura regional e apresentando-se, assim, com forte implantação na região em que se situa.

Não deixou de nos dar que pensar o facto de, em todos os cursos, haver sempre uma percentagem de alunos que não responde à questão sobre a sua residência habitual, e se, em alguns casos, essa percentagem é insignificante (Português/Francês e Educadores de Infância são os mais paradigmáticos), noutros não pode ser desprezada. Encontram-se nesta última situação os cursos de Português/Inglês (7%), de Matemática/Ciências (8%), de Comunicação Social (12%), de Professores do 1º Ciclo (14%) e de Educação Física (26%). Nalguns deles (Português/Inglês e Matemática/Ciências) a percentagem é superior à dos alunos que respondem e se inserem na categoria Outra. Noutros essa percentagem é a mesma ou anda muito próxima, como no curso de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico, em que 14% dos alunos se categorizam em Outra e 14% não respondem a este item, e como no curso de Comunicação Social em que 13% se integram na categoria Outra e 12% na categoria Não Responde.

Seja como for, o exemplo mais significativo é indubitavelmente o do curso de Educação Física em que se incluem na categoria Não Responde 26% dos inquiridos, categoria esta que é, de todas, a categoria com o valor mais elevado. Essa percentagem sobe se compararmos o número de respondentes de Educação Física a este item com o número de não respondentes e cifra-se nos 35,8%.11 Como explicar este facto? Como explicar uma tão elevada percentagem de não respondentes a esta questão na maioria dos cursos? Como explicá-la no curso em que ela atinge o valor mais elevado, o de Educação Física? Temos de confessar que não sabemos e que não nos ocorrem quaisquer hipóteses plausíveis que justifiquem o facto, excepto que os alunos não responderam porque não quiseram responder. E tal facto, para o qual não nos surge qualquer explicação, excepto a da recusa deliberada em responder (mas porquê?) é tanto mais surpreendente quanto, quando redigimos a questão Qual é a localidade da sua residência habitual/familiar? tivémos o cuidado de operacionalizar residência habitual, especificando o que se devia entender por tal. Por isso, no texto do inquérito, logo a seguir à citada questão, entre parêntesis e em itálico, pode ler-se Residência habitual é a que teria se não estivesse a estudar nesta Escola, hipoteticamente a da sua família.

Excluímos, evidentemente, destas considerações os alunos do 1º ano que não responderam a esta categoria porquanto, por suposição lógica, quando responderam ao inquérito ainda não sabiam onde iam ficar alojados. Contudo o total dos alunos do 1º ano que não responderam a esta questão representa, apenas, 10% dos inquiridos do 1º ano.

6. Residência em tempo lectivo, deslocações e alojamento

Paralelamente à análise da proveniência dos alunos, quisemos igualmente saber, quantos estão deslocados das suas residências habituais e qual é o padrão das suas deslocações

Alunos deslocados

Considerámos deslocados, aqueles alunos cuja residência habitual não é a mesma que a residência em tempo lectivo, independentemente da distância entre a primeira e a Escola.

DESLOCADOS

Port.Francês

30

31%

Port.Inglês

89

40%

Mat. Ciências

84

60%

Ed.Fisica

67

40%

EVT

40

42%

Prof.1CEB

58

53%

Ed. Infância

54

68%

Com.Social

40

39%

DESLOCADOS

Totais

462

46%

1º ano

153

42%

2º ano

116

47%

3º ano

109

50%

4º ano

84

49%

 

Os alunos deslocados, num total de 462 (totalizando 46% ), distribuem - se por todos os cursos, sendo os maiores valores absolutos obtidos pelos alunos de Português/ Inglês, Educação Física e Matemática /Ciências. No entanto, percentualmente são os Educadores de infância e os futuros professores de Matemática /C.N., os que mais sofrem o fenómeno da deslocação.

 Residência no tempo lectivo

Residência no tempo lectivo

Viseu /Lamego

(%)

Outra

(%)

Não responde

(%)

Cursos

 

 

 

Port. Francês

64

29

7

Port. Inglês

74

12

14

Mat. C.N.

83

11

6

Ed. Física

65

6

29

EVT

75

19

6

1º CEB

76

12

12

Ed. Infância

91

5

4

Com. Social

74

13

14

Totais

75

13

13

Total 1º ano

74

12

14

Total 2º ano

71

10

19

Total 3º ano

80

10

10

Total 4º ano

73

21

6

 

75% dos alunos da ESEV habita as cidades de Viseu ou Lamego durante o tempo lectivo. Dentre este grande grupo é possível distinguir os 91% de residentes, do Curso de Educadores de Infância e de 64% (percentagem mais baixa ) do grupo dos alunos de Português /Francês.

Depois há um grupo que não é residente na cidade de Viseu ou de Lamego, mas que vive mais ou menos próximo e que optou por deslocar-se todos os dias. Percentualmente este grupo é maior entre os alunos do Curso de Português Francês, com 29% dos inquiridos . Achamos curioso que, considerando os resultados do ponto de vista dos anos de curso frequentados, sejam os alunos do 4º ano os que mais vezes referem outra localidade de residência habitual, talvez a indiciar vidas pessoais e profissionais mais definidas. Esta hipótese é confirmada pela maior percentagem relativa dos resultados obtidos à pergunta sobre a periodicidade da deslocação: igualmente, os alunos do 4º ano obtêm 30% das deslocações diárias , contra 18% do total.

Alguns alunos não respondem à pergunta sobre a sua residência em tempo lectivo. Não sabemos se isso aconteceu porque sendo habitualmente residentes na cidade, pensaram que esta não era uma pergunta para responder. São os alunos do 2º e 3º ano de Educação Física onde esta situação tem alguma expressão numérica, bem assim como entre os alunos do 1º ano de Português Inglês. Relativamente a estes últimos, a explicação provável pode atribuir-se ao facto de, na altura do preenchimento dos inquéritos ainda não terem decidido o alojamento, o que condiz com os valores de não resposta nestas duas questões (28% e 26%, respectivamente).

 

O padrão de deslocação à residência habitual é, como pode verificar -se no gráfico, predominantemente semanal. Há ainda um número significativo de alunos do Curso de Português Inglês que se deslocam diariamente. Não sabemos como interpretar a percentagem elevada de não respostas, pois que sempre que nos inquéritos a resposta não era dada, e se o aluno vivia habitualmente na cidade de Viseu ou Lamego, assinalávamos a deslocação diária.

 

Na comparação entre os vários anos de curso, são os alunos do 4º ano que mais se deslocam diariamente e os alunos do 1º que não respondem com mais frequência, o que se entende, dada a data de preenchimento do questionário. Embora pequena , é de notar a diferença que a periodicidade "outra" - relativa a deslocações quinzenais , trissemanais ou mensais vai sofrendo: acompanhando uma maior autonomia familiar e uma maior integração no ambiente académico, vai aumentando do 1º para o 2º , e depois para o 3º ano, diminuindo no 4º.

 

Para além dos cerca de 29% de alunos que vivem em casa própria , o dado mais saliente deste quadro é o claro predomínio da solução alugar casa com colegas, em detrimento do clássico quarto. Esta tendência é visível logo a partir dos alunos do 2º ano e mantém -se até ao final do curso. O peso do lar ou residência universitária é irrelevante. Quanto à opção "casa de familiares", não nos parece corresponder à pergunta feita, pois que alguns (muitos) alunos parecem ter indicado esta opção como a casa de seus pais, que não entendem como sendo a sua. Daí que estes resultados não podem traduzir o peso que a família alargada (avós, tios, primos) detém no esforço colectivo da formação dos seus mais jovens membros.

Notamos ainda uma coincidência entre os números obtidos no gráfico anterior sobre a periodicidade de deslocação à residência - categoria "não responde" e os números dos alunos que nesta pergunta assinalaram casa própria. Se a relação é lógica, deixa, por outro lado, sem justificação a franja de não respondentes a esta pergunta sobre o alojamento. De novo, apenas os 26% de alunos do 1º ano que não respondem , podem ter uma explicação plausível : quando se matricularam ainda não tinham alojamento definido.

 Tipo de Alojamento

Alojamento

Cursos

casa própria

 

%

casa de familiares

 

%

casa de amigos

 

%

casa alugada com colegas

 

%

 

lar

 

%

quarto alugado

 

%

não respondem

 

%

Port.Francês

38

42

8

9

0

0

14

16

0

0

19

21

11

12

Port.Inglês

66

30

24

11

42

19

3

50

23

37

17

Mat.Ciências

34

24

11

8

1

1

47

34

2

1

29

21

16

11

Ed.Fisica

34

20

8

5

0

0

62

37

1

0

27

16

35

21

EVT

39

41

10

10

0

0

18

19

1

0

14

15

14

15

1ºCEB

29

26

9

8

1

1

15

14

1

1

30

27

25

23

Ed. Inf.

14

18

8

10

0

0

22

28

1

0

19

24

15

19

Com.Social

40

39

8

8

1

1

17

17

0

1

18

17

19

18

 

Analisando agora o alojamento em função dos cursos frequentados, notamos uma clara tendência para a casa própria nos cursos de Português Francês, de EVT e de Comunicação Social, com valores que rondam os 40%. A opção pelo quarto alugado é maior no curso do 1º CEB, na Educação de Infância e no Curso de Português Inglês. Os alunos do Curso de Educação Física, os de Matemática Ciências e ainda 28% dos futuros Educadores de Infância preferem a casa alugada com outros colegas.

 Qualidade do alojamento

Qualidade

Cursos

excelente

%

satisfatória

%

deficiente

%

%

não responde

%

Port.Francês

22

24

33

37

1

1

0

0

34

38

Port.Inglês

53

24

121

55

6

3

0

41

19

Mat.Ciências

34

24

72

51

9

6

2

1

23

16

Ed.Fisica

51

31

78

47

3

2

0

0

35

21

EVT

33

34

38

40

9

9

0

0

16

17

Prof.1CEB

27

25

46

42

2

2

0

0

35

32

Ed. Infância

13

16

41

52

0

0

0

0

25

32

Com.Social

30

29

44

43

2

2

0

0

27

26

Total

263

26

473

47

32

3

2

0

236

23

 

Há apenas uma nota a assinalar neste quadro: a proximidade dos valores de excelência e dos valores do quadro anterior relativos à casa própria; o que evidencia a correlação entre estes dois dados. As excepções são os alunos do curso de Português /Francês e de EVT, nos quais a diferença é, respectivamente, de 18 e 10 pontos percentuais, indiciando uma menor qualidade do alojamento próprio. Ao contrário, entre os alunos de Ed. Física, há 10% que não se encontrando na sua residência própria, se consideram excelentemente alojados.

 

 

* Prof.-Coordenador da ESEV

** Prof.-Adjunto da ESEV

*** Prof.-Adjunto da ESEV

**** Equip. a Prof.-Adjunto da ESEV

 

1Evidentemente que a distribuição por sexo se fez apenas relativamente ao número de alunos que respondeu ao inquérito.

2Se somarmos os 295 alunos do sexo masculino com os 710 do sexo feminino, obteremos um total de 1005 alunos, total este que não coincide com o total de respondentes, 1006 alunos. Tal diferença explica-se porquanto um aluno, do curso de Português/Inglês, não identificou o seu sexo.

3Estudo análogo, realizado na Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Viseu, no qual também se integra esta Escola Superior de Educação, e publicado no nº 5 da revista Millenium (cf. pp. 124-129), revela que "a população da Escola Superior de Tecnologia de Viseu (...) tem mais rapazes que raparigas (58%)" p.124, o que é exactamente o contrário do que se passa na nossa escola. Algumas das explicações que podem aduzir-se terão, com certeza, a ver com a natureza e a especificidade dos cursos que cada uma daquelas instituições ministra. Tradicionalmente, os rapazes, mais que as raparigas, têm uma maior tendência para escolher cursos tecnológicos, enquanto, actualmente, os cursos de formação de professores são mais procurados por raparigas do que por rapazes.(Francisco,F.Francisco;Martins, José Carlos e Bebiano, Rui Quadros, Os novos alunos da Escola Superior de Tecnologia do Politécnico de Viseu, in: Millenium (1997), nº5,pp.124-129.

4No estudo a que já atrás fizémos referência, intitulado Os Novos Alunos da Escola Superior de Tecnologia do Politécnico de Viseu, afirma-se que "a população da Escola Superior de Tecnologia de Viseu (...) é maioritariamente jovem, média de idades próxima dos 20 anos"(p. 124), tendo-se já precisado no Resumo "média inferior a 20 anos".

Declara-se que tal estudo foi feito "com base nos 'Inquéritos aos novos alunos" (p. 129) e, noutra parte, pode ler-se "os alunos referenciados no quadro dizem respeito aos alunos que responderam ao inquérito 'Novos alunos' e por esse motivo não correspondem a todos os alunos matriculados no 1º ano em cada um dos cursos." Subentendemos, portanto, que o referido estudo apenas respeita aos alunos que pela primeira vez se matricularam na ESTV e vemos aí a possível explicação para a diferença das médias etárias dos alunos que frequentam estas duas escolas (média de idades inferior a 20 anos na ESTV contra média absoluta de idades dos alunos do 1º ano na ESEV, 22, 08 anos).

5 Estão neste caso os cursos de Português Francês- 64% de escolhas em 1º lugar dos alunos do 1º ano e 90% nos alunos do 4º ano. É ainda verdade para o curso do 1º CEB, que varia de 65% (1º ano) para 74% (3º ano); para Mat/CN : 55%(1º ano) e 63% (4º ano) ou para Port/Inglês: 74% (1º ano) e 84% (4º ano).

6 Os alunos de Português Inglês incluiram na proximidade, as razões económicas.

7 Celebramos este ano, no dia 26 de Março, o 15º ano de funcionamento.

8 Os números mais altos na valorização dos currículos pertencem aos Cursos de EVT (10%) e de Educação Física(20%).

9 Estes resultados parecem condizer com os obtidos na ESTV, no estudo já assinalado inicialmente, onde se refere que os alunos oriundos da região de Viseu "representam em termos globais mais de 50% de todos os alunos matriculados" (p. 126). Mesmo tendo em linha de conta que a percentagem apresentada na ESTV se refere apenas aos alunos que se matricularam no 1º ano, se a relacionarmos com o valor percentual que obtivémos nos nossos alunos a frequentar o 1º ano, 59% vivem em Viseu e na região de Viseu (distrito), não podemos deixar de considerar que os resultados vão no mesmo sentido, confirmando o ISPV, através destas suas duas escolas, como pólo preferencial da procura escolar, de nível superior, daqueles que habitam na sua zona de influência.

10 Mesmo mantendo as distâncias relativas entre os estudos, tais resultados parecem condizer com os obtidos na ESTV (cf. p. 126 e p. 127).

11 Também são estes mesmos alunos que apresentam maior percentagem de não resposta à questão sobre a residência em tempo lectivo (29%). Sã também eles que apresentam valores elevados de não resposta à questão sobre a periodicidade de deslocação à residência habitual (34%), o tipo de alojamento (21%) e as condições de alojamento (21%) - ver quadros respectivos.

 

SUMÁRIO