MILLENIUM n. 10 - Abril de 1998

 

Editorial

O 3 Congresso do Ensino Superior Politécnico constituiu uma afirmação forte de pujança e de confiança no futuro.

Por entre dificuldades sem conto, umas, inevitáveis, comprovativas da velha sabedoria de que todo o começo é difícil, outras, nascidas de enquadramentos legais e regulamentadores pouco esclarecidos, o Ensino Superior Politécnico público está aí: 58.152 alunos em formação inicial em 1996/97 (os números referentes ao presente ano lectivo não foram ainda divulgados), mais de 29% da frequência do ensino superior tutelado pelo Ministério da Educação, num trajecto firme para os 50% actualmente previstos como meta desejável. Menos de vinte anos depois da sua criação no papel.

A experiência adquirida na fidelidade a princípios orientadores que privilegiam a especificidade da sua formação, o diálogo estreito com a comunidade e o mundo do trabalho na criação de cursos e na sua organização curricular, a par da aposta na formação post-graduada dos seus docentes, tem sido a chave de um êxito medido objectivamente nos níveis elevados de aceitação dos seus diplomados pelo mundo do trabalho.

Na proposta de Organização das Licenciaturas no Ensino Superior Politécnico, um documento constituído, no essencial, a partir da reflexão sobre esta experiência acumulada, tendo em vista a definição de orientações para o desenho de licenciaturas nas instituições deste subsistema do ensino superior, de acordo com o previsto na Lei n 115/97, que alterou a Lei de Bases do Sistema Educativo, defende o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos a continuidade de cursos de bacharelato terminais; a organização de licenciaturas bi-etápicas em dois ciclos terminais; de licenciaturas tipo "sandwich" (dois anos de estudos - um ano de experiência profissional supervisionada - formação académica posterior); a realização de licenciaturas para complemento de habilitações ou licenciaturas terminais, "abertas a detentores de cursos de bacharelato ou equivalente, visando o aprofundamento numa área científica ou a especialização num domínio afim do bacharelato, com duração variável de acordo com a área científica", a manutenção de CESEs como cursos não conferentes de grau, mas atribuindo um diploma.

Um projecto consistente com o conhecimento entretanto adquirido e com uma leitura realista do futuro próximo mas a que o Ministério da Educação deu, no imediato, uma concordância apenas parcial, diferindo no tempo algumas ponderações e autorizações "em casos excepcionais". (Despacho n 18/I/SEES/98, de 25 de Fevereiro).

O Ensino Superior Politécnico espera do poder político o aprofundamento de um diálogo de que possa resultar uma formação que sirva os interesses do país e dos cidadãos na encruzilhada difícil de um mundo inevitavelmente cada vez mais pequeno mas mais complexo. Uma formação que, na perspectiva de MILLENIUM, deverá passar a ser feita com base numa construção curricular que inclua a aprendizagem de uma língua estrangeira de grande circulação, base material indispensável para a mobilidade profissional e social, e um conhecimento humanista que, como escreve Fonseca, M.J, é "suporte e fundamento" de uma educação técnica, "formação geral do homem enquanto homem, isto é, uma verdadeira paideia". (MILLENIUM, n 9, Janeiro de 1998).

SUMÁRIO