EDITORIAL

Queremos que Millenium seja uma das janelas abertas desta instituição de ensino superior jovem, mas em plena expansão, que é o Instituto Superior Politécnico de Viseu. Queremos que seja um espaço e um tempo de ligação entre este meio académico e a realidade exterior, seja qual for o seu grau de abrangência, regional, nacional ou internacional, que garanta uma visibilidade multi-direccional, uma cooperação mutuamente enriquecedora e um crescimento científico e institucional consequente conjuntural e estruturalmente.

Assistida por uma filosofia institucional que defende uma postura activa no estabelecimento de relações de cooperação, a ideia de lançar Millenium prendeu-se, num primeiro momento, com a convicção de que as actividades de internacionalização são um indicador de qualidade em qualquer instituição de ensino superior, funcionando como um propulsor de uma adaptação inadiável a uma sociedade internacionalmente orientada, e que, por isso, seria desejável e necessária a criação de um instrumento institucional vocacionado para a divulgação e promoção destas realidades. O lançamento de uma publicação desta natureza ganhava urgência não só pela actualidade destas problemáticas mas também pelo crescente envolvimento do ISPV em actividades de internacionalização, cujas práticas e fundamentos teóricos eram insuficientemente conhecidos, ou mesmo desconhecidos, pelos seus potenciais públicos, dentro e fora da instituição.

Por força de objectivos institucionais, Millenium acabou por ser estruturada de uma forma mais abrangente, passando a incluir várias secções onde se publicam apontamentos da vida académica, trabalhos de natureza científica, pedagógica e tecnológica da autoria de docentes da casa e colaboradores externos e, ainda, artigos de opinião. No entanto, uma das suas grandes linhas de orientação, que em certa medida lhe confere algum grau de originalidade no panorama das publicações académicas em Portugal, continua a ser a internacionalização da educação, que ganha forma numa das suas principais secções: "Educação sem Fronteiras".

Embora com alguma margem de variabilidade, "Educação sem Fronteiras" tem seguido a seguinte estrutura: informação histórica, política, cultural e religiosa sobre um determinado país ou área geográfica, apresentação do(s) seu(s) sistema(s) educativo(s), eventualmente artigos sobre instituições de ensino superior aí localizadas, em particular aquelas que, de alguma forma, cooperam com o ISPV, programas comunitários de apoio com relevância no contexto geral da publicação, dados sobre projectos ou redes de cooperação internacionais, linhas de financiamento para os interessados em desenvolver estudos ou investigação no estrangeiro e, ainda, um pacote de seminários e conferências realizadas no estrangeiro ou ligados à internacionalização da educação, ciência e tecnologia e investigação.

Embora tenha já alguma dimensão o trabalho desenvolvido até ao momento neste âmbito, acreditamos que, dada a actualidade e a relevância desta problemática, e as crescentes implicações da mesma no desenvolvimento das instituições responsáveis pela educação e formação, tem a maior pertinência a publicação de um número de Millenium exclusivamente dedicado às questões da internacionalização numa perspectiva mais globalizante e multilateral do que a habitual. Trata-se de uma estratégia de fundo destinada a proporcionar o enquadramento de informação geralmente acessível de uma forma mais dispersa.

Sendo Millenium uma publicação fundamentalmente de distribuição nacional (é também distribuída entre algumas instituições de ensino superior espanholas e, nesta edição em particular, será posta a circular em vários países), que atinge praticamente a totalidade das instituições de formação superior deste país e inúmeras outras de diversos níveis de ensino, assim como vários organismos públicos/privados e particulares, todos eles potenciais agentes de internacionalização, pensamos que este número poderá, de alguma forma ,contribuir para a sensibilização dos seus leitores para estas realidades e, neste sentido, funcionar como um instrumento de promoção.

Foram várias as preocupações que assistiram ao seu planeamento e organização: por um lado, e no que diz respeito aos conteúdos, cobrir os principais focos de discussão no que diz respeito à fundamentação teórica do processo de internacionalização e questões de fundo com ele relacionadas; abordar possíveis estratégias de internacionalização, incluindo a descrição de modelos e experiências de países e instituições, assim como as oportunidades oferecidas no seio de programas de apoio, com destaque para os comunitários; proporcionar informação sobre projectos concretos já em fase de implementação; levar ao conhecimento dos leitores algumas figuras históricas que, por força das suas ideias e vidas, nos levam a crer que estas tendências têm uma origem mais distante no tempo do que a que possamos pensar e, por fim, dar voz a quem teve oportunidade de viver experiências profissionais e pessoais comprovativas da riqueza da interculturalidade. Por outro, pretendíamos que este número fosse em si um exercício de internacionalização, que contasse com a participação de vários colaboradores, oriundos de diversos países e instituições.

A internacionalização da educação é uma missão de todos e para todos. Esperamos que este número possa representar parcialmente o contributo de todos os envolvidos, a quem desde já agradecemos a colaboração, e que os nossos objectivos possam, de alguma forma, ser concretizados.

SUMÁRIO